TERREIRO QUE MUITO CRESCE, O AMOR DESAPARECE



A frase-título deste texto é uma adaptação de uma frase atribuída à Chico Xavier: Centro Espírita que muito cresce, o amor desaparece – e que me parece uma sentença quase profética.
Parece-me extremamente difícil manter a coesão e a harmonia numa casa onde haja 100, 200 médiuns na corrente, pois, tanta gente diferente, com tantos pontos-de-vista diferentes, acabam gerando uma miscelânea de conceitos, doutrinas e comportamentos que, não raro, terminam por fragilizar as bases da instituição que os abriga.
Em O Livro dos Médiuns, Allan Kardec já alertava sobre este problema ao sugerir que os Centros Espíritas devessem se multiplicar em pequenos núcleos ao invés de se comporem de grandes instituições, pois os pequenos grupos favorecem à unidade de vista e pensamento, facilitando a coesão, a doutrina e, principalmente, a familiaridade na instituição.
Penso que o mesmo deva ser aplicado à Umbanda.
A formação de pequenos grupos favorece sobremaneira a coesão, a unidade doutrinária, ritualística e a familiaridade nas relações.
Por mais haja boa-vontade e interesse, parece-me quase impossível manter uma boa relação numa corrente mediúnica que, entre médiuns e cambones, por exemplo, some-se 250 pessoas. É provável que nem se saiba o nome de todos...
Muito embora possa haver certa “glória” em participar de grandes terreiros e haja quem se interesse em fazer parte destas instituições “apenas por isto”, cada vez mais me convenço de que os terreiros menores são o caminho para crescimento da Umbanda no Brasil de forma ordenada e fundamentada...
É claro que não posso determinar o que seja, exatamente, um “terreiro grande”. Para uns, talvez, vinte pessoas na corrente seja muito. Para outros, cinquenta seja muito... Porém, penso que, a partir do momento em que você mal sabe quem é a pessoa que está do outro lado da corrente vestida de branco como você, a coisa já começa a ficar estranha...
Certa feita uma pessoa me disse frequentar um terreiro onde a assistência é tão numerosa que não cabe no salão principal, cuja corrente mediúnica é composta por mais de 350 trabalhadores e que, dependendo
da hora
que se chega ao terreiro, os trabalhos são assistidos por um telão, numa sala ao lado...
Talvez seja conservadorismo da minha parte, mas eu ainda prefiro casas pequenas, onde corrente e consulência se cumprimentem e se abracem, se tratem pelo primeiro nome e onde se possa esperar pelo atendimento vendo o congá com os próprios olhos e sentindo o cheiro do fumo do preto-velho...
Leonardo Montes

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