Desenvolvimento Mediúnico na Umbanda - Capítulo 9: Primeiro Atendimento

desenvolvimento mediúnico

Após um percurso que pode ser mais ou menos longo, conforme o processo de cada um, chegará o momento em que o médium terá aprendido tudo quanto necessita para iniciar o seu trabalho, ainda que não se sinta pronto para isso.

O medo de errar e de não conseguir passar corretamente as impressões da entidade, fará com que tal médium exercite sempre a humildade, não se deixando levar por megalomanias que só o conduziriam ladeira abaixo...

Não existe ausência de medo, existe enfrentamento ao medo e, para isso, somente a experiência. Porém, não se iluda: os primeiros consulentes sofrerão o peso do medo, da insegurança e também da inexperiência do médium novato e, embora exista uma certa incompreensão por parte dos consulentes, que quase sempre recorrem aos terreiros ávidos por resolverem numa gira problemas que criaram para si mesmos a vida inteira, deveria ser fato notório, conhecido e compreendido que todo médium novato precisa de tempo para adquirir segurança em seu trabalho mediúnico e que não há outro caminho para isso que não seja a prática.

Para ilustrar, contarei meu caso pessoal.

No terreiro onde me desenvolvi (assim como no atual onde trabalho), não existia uma cerimônia de fim de desenvolvimento ou qualquer coisa do tipo. Frequentemente, o médium comparecia ao trabalho pensando que só iria se desenvolver quando, repentinamente, era colocado, pela entidade chefe, para trabalhar.

O susto era grande e comigo não foi diferente.

Eu comecei a atuar num dia em que a casa estava cheia, porém, o número de médiuns estava bem reduzido. Pouquíssimos vieram em razão de uma forte chuva. A entidade chefe se manifestou e me disse que eu começaria a trabalhar naquela noite. Tremi de medo, porém, aceitei.

O trabalho transcorreu sem maiores problemas. 

Contudo, relembrando o caso, não posso comparar os atendimentos que são realizados atualmente, sete anos depois, com os primeiros atendimentos que foram sofríveis. É natural, não tem escapatória!

Por isso, o médium deve aprender a conviver com o medo de errar, pois ele fatalmente vai errar e não será apenas uma vez... Paciência, somos humanos e esta é a verdade!

Ganhando confiança

O médium, porém, ganhará confiança conforme receber feedbacks positivos da consulência, o que é extremamente importante para quem esteja começando e, neste sentido, o dirigente deve permitir que tais informações cheguem ao médium.

Existe um temor bastante comum no meio umbandista que entende os elogios como algo ruim, como um incentivo à vaidade ou coisas do tipo. Porém, existe um abismo entre uma coisa e outra: um elogio sincero é um incentivo ao médium. A bajulação, por outro lado, deve sempre ser cortada pela raiz, pois como diz o velho dito popular: quem puxa saco, puxa tapete...

O médium aprenderá a confiar em si mesmo e em seus guias conforme receber feedbacks de seu trabalho. Sobre isso, narrarei mais uma experiência pessoal.

Estávamos numa cidade do interior de São Paulo onde realizaríamos um trabalho de passes com os pretos-velhos. Eu havia começado a trabalhar bem recentemente e tinha muito medo de errar.

Sentou-se uma senhora para se consultar com o Velho, quando começou a vir em minha cabeça um insistente pensamento:

— Fala pra ela que o Tio Antônio está aqui.

Relutei e procurei esquecer o pensamento que, insistente, se repetia na minha cabeça. Quase desincorporei, dado o incômodo. Não era como se o Velho estivesse falando comigo, era como se uma outra entidade falasse comigo.

Contudo, paralelamente, eu me questionava: e se ela não tiver nenhum tio chamado Antônio? Onde enfio a cara? Contudo, a frase se repetia...

Pensei, pensei, respirei fundo e resolvi deixar o processo fluir. Para minha surpresa – e, sim, foi uma baita surpresa – a senhora se emocionou muito, disse que seu tio, Antônio, havia desencarnado há um ano e que eram muito ligados.

Foi uma experiência decisiva para mim e foi a primeira vez que uma confirmação dessa natureza veio por meu intermédio e aquilo me fortaleceu muito e é por isso que acho que os retornos são importantes: o médium precisa saber que está indo por um bom caminho!

Converse com outros médiuns

Outro ponto fundamental para que o médium aprenda a ter confiança é a troca de experiências. Conversar uns com os outros, trocar ideias, comentários, impressões, ajuda muito o médium a perceber que seus desafios são os mesmos de todos.

Nem sempre isso será uma tarefa fácil. Lembro-me de uma experiência bem frustrante neste sentido. Eu havia cambonado uma médium muito experiente. Quando o trabalho terminou (como todo novato), eu estava muito empolgado com tudo que havia visto e aprendido com a entidade.

Procurei conversar com a médium, aproveitar sua experiência e foi frustrante. Muito secamente ela me disse:

— Eu não sei de nada, nem gosto de falar sobre isso. Desincorporou? Acabou pra mim.

Foi como um balde de água fria, nunca mais puxei assunto com ela. Contudo, nem todos são assim. Existem muitos médiuns que gostam de conversar, compartilhar suas experiências e, no universo da Umbanda, nada é mais prazeroso do que ouvir um médium experiente falar.

Então, a minha sugestão é: aproveite esta oportunidade ao máximo! 

Chegou a hora do primeiro atendimento? Tente relaxar, confie, ore e entregue nas mãos da espiritualidade: você foi preparado para isso, agora é hora de dar o primeiro passo...

Confie!



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