Desenvolvimento Mediúnico na Umbanda - Capítulo 8: Terceira fase do desenvolvimento: Firmeza


A partir do momento em que o médium incorpora sozinho, conhece seus guias, sabe o que eles usam, consegue riscar o ponto e passa pelo menos um ano na segunda fase, chega-se, então, a última etapa do processo: a firmeza.

Algo que não foi dito anteriormente e que convém dizer agora é que o processo de desenvolvimento tende a começar com incorporações rápidas, não mais do que alguns minutos e que vão se intensificando ao longo do tempo.

Se o médium ficava incorporado, por exemplo, dez minutos, no começo da segunda fase, ao final, deverá conseguir ficar incorporado, pelo menos, meia hora. Se isto for alcançado, então, ele estará apto para a última etapa do processo, que consiste em ficar incorporado o maior tempo possível.

Nesta etapa, apenas um único chakra ainda não está satisfatoriamente ligado ao médium: o Coronário (responsável pela recepção do pensamento do guia) e é por esta razão que, na fase anterior, os médiuns não são incentivados a falar durante a incorporação além do necessário.

Aqui, porém, este chakra começará a se ligar de forma completa ao guia, permitindo que os pensamentos da entidade ecoem em sua mente com muita facilidade. Por isso, além de tentar “segurar” a incorporação o máximo possível (desejável, no mínimo, por duas horas), o médium deve igualmente se esforçar por “ouvir” a voz da entidade em sua própria mente.

Isto será possível uma vez que todos os demais chakras estando ligados, a entidade focará sua atenção no fortalecimento energético do Coronário que será a ponte mental entre o médium/guia. Assim, o médium incorpora, permanece no seu canto, em silêncio e se concentra apenas em ouvir a entidade incorporada.

Esta terceira etapa dura, em média, seis meses, porém, como todas as outras, pode se prolongar indefinidamente. Contudo, gradativamente, o médium conseguirá ouvir os pensamentos do seu guia. A princípio, tudo será confuso. Com os meses, mais clareza. Com os anos, limpidez. 

Aprendendo a dar passes

Decorridos pelo menos três meses em que o médium está na firmeza, “ele” pode começar a aplicar passes em membros da casa e também do desenvolvimento (de forma alguma deve-se colocá-lo para dar passes em consulentes). Contudo, novamente, não deve ser incentivado a falar, a não ser o necessário.

Esta experiência muito enriquecerá o médium que começará a ter percepções mentais das questões aflitivas das pessoas, podendo captar pensamentos de seu guia quanto aos problemas, dificuldades e mesmo tratamentos que tal pessoa precisa se submeter. 

Trata-se de uma experiência muito importante em que o médium começará a sentir o “gostinho” do que é ser um médium de corrente atuante. É muito comum que relate visões, cores, vozes, sensações físicas, etc. Tudo absolutamente normal.

Quando a entidade que conduz o desenvolvimento compreender que o médium está satisfatoriamente incorporado, então, além dos passes, “ele” pode ser autorizado a começar a falar, dar pequenas consultas, para ir treinando a capacidade de falar e aconselhar. 

Esquerda

Se o leitor amigo prestou atenção nas páginas anteriores, deve ter notado que foquei meus exemplos em caboclos/pretos-velhos, isto porque, na Umbanda que pratico, estas são as linhas principais e responsáveis por 90% do processo de desenvolvimento dos médiuns. 

Se o médium já incorpora caboclos e pretos-velhos com naturalidade, então, ele conseguirá incorporar qualquer outra linha da direita, razão pela qual não me deterei nestes outros casos, pois o princípio é o mesmo: o canal mediúnico estará desenvolvido, bastando que se habitue um pouco a qualquer outra entidade da direita e em poucos meses trabalhará perfeitamente bem com qualquer linha. Mas, e a esquerda?

Segundo este método, a esquerda só deve ser desenvolvida por médiuns que estejam no final da segunda fase (se estiverem muito bem mediunicamente) ou no início da terceira fase (de preferência). E isto por uma razão muito simples.

A energia da direita é uma energia sutil, difícil de ser captada, pois são os espíritos mais elevados do terreiro. Por esta razão, o desenvolvimento mediúnico deve começar pela direita e focar nela até que o médium já esteja praticamente pronto para só então iniciar com a esquerda, cuja vibração é forte, densa e de fácil incorporação.

A experiência pratica ao longo dos anos me mostrou que médiuns que começam pela esquerda acabam tendo muitas dificuldades em se habituar com a energia das entidades da direita, pois são por demais sutis se comparadas as energias pulsantes das entidades da esquerda.

Por isso a recomendação de que só se inicie o desenvolvimento da esquerda nesta terceira etapa (e, aqui, cabe a avaliação da entidade chefe para ver se o médium está mesmo pronto para este processo).

Energia da esquerda

Para efeito deste texto, entenda-se esquerda a manifestação de exus e pombagiras. Não me deterei em outras linhas por nunca ter trabalhado com elas ou por ter trabalhado muito pouco...

A energia da esquerda é uma energia densa, vibrante e intensa. Por isso, geralmente os médiuns se desenvolvem rapidamente com ela.

O método de desenvolvimento se assemelha ao da primeira fase: faz-se uma corrente em volta do médium e a entidade chefe manifestada faz o médium girar para que incorpore ou começa balançando suas mãos. Este procedimento, quase sempre, é necessário apenas nas primeiras vezes, pois logo o médium conseguirá incorporar sozinho.

Ao desenvolver com a esquerda, o que se observa é que se repetirá todas as fases anteriormente descritas, porém, elas ocorrerão rapidamente, pela facilidade com que se trabalha com a esquerda. Assim, no espaço de alguns meses o médium sairá da primeira fase e estará na terceira com bastante naturalidade.

Portanto, o mesmo processo utilizado anteriormente se repetirá: ficará em silêncio em seu canto, depois pedirá uma vela, logo começará a riscar o ponto e naturalmente solicitará os elementos de trabalho.

Observação importante: como a esquerda lida com bebidas alcoólicas bem fortes, além de serem o último item do desenvolvimento a entrar, deve-se sempre consultar a opinião da entidade chefe, a fim de evitar que o médium, ansioso, acabe “bebendo” pela entidade...

Dificuldades

Esta última etapa do desenvolvimento mediúnico tende a reproduzir os dois tipos de comportamentos anteriormente citados na primeira fase: impulsivos e inflexíveis, porém, com algumas diferenças. Vejamos a cada uma delas.

Chamo de inflexíveis aqueles médiuns que, mediunicamente, estão prontos, porém, emocionalmente, sentem-se ainda despreparados. Se este método for seguido, nesta etapa, não haverá dúvida de que estarão prontos para o fim do processo, contudo, intimamente e, por questões pessoais, podem não se sentir aptos, fazendo com que seu desenvolvimento se estenda muito tempo sem razão de ser.

Lembram-se quando, lá no começo, eu falei da terapia? É aqui que ela ajuda. Todo médium inseguro é, antes, uma pessoa insegura. Essa pessoa é insegura na família, em seus relacionamentos, no trabalho e, por extensão, também no terreiro. Assim, não é um problema de mediunidade, é um problema de insegurança pessoal...

Geralmente, a entidade chefe chama essas pessoas para conversar e alerta sobre o problema. Contudo, conforme a negação de cada um, este processo que poderia terminar em seis meses, acaba se prolongando por anos, desnecessariamente...

O médium também pode se apegar ao processo, às pessoas, à casa e, intimamente, não desejar que o processo termine, por se sentir seguro naquele espaço e naquele ambiente. Contudo, o desenvolvimento existe, justamente, para formar novos trabalhadores que devem engrossar as fileiras da Umbanda e não permanecer perpetuamente na condição de neófitos... Por isso, doa o que doer, eles precisam estar prontos para o trabalho!

Já os impulsivos, como o próprio nome indica, são aqueles que “morrem” de vontade de incorporar seus guardiões, estão roendo as unhas para começarem a dar consultas e, por isso mesmo, acabam indo para o espectro oposto do problema anterior: eles se antecipam demais, frequentemente, queimando etapas do seu desenvolvimento.

Quando isso acontece, a entidade chefe também costuma orientá-los, porém, se a ansiedade estiver muito forte, ela acabará por provocar o mesmo efeito do caso anterior: o desenvolvimento se estenderá sem necessidade, apenas para que o médium aprenda a esperar o tempo certo (paradoxal, não?).

Então, fica o alerta: impulsivos, pisem no freio. Vocês terão a vida toda para atuar como médiuns... E aos inflexíveis, confiem mais em vocês e em seus guias.

Fim do desenvolvimento

Todo o processo de desenvolvimento exposto neste livro leva, no mínimo, dois anos para se completar, sem tempo máximo definido. Em nosso terreiro, percebo que a maioria dos médiuns se desenvolvem entre 2/3 anos.

Seja como for, nunca esqueça este sábio conselho passado por um Exu: desenvolvimento não é a São Silvestre... Você não está competindo com os outros, mas consigo mesmo. Então, leve o tempo que levar, mas faça o desenvolvimento bem feito, com amor, fé e dedicação (Salve, seu Exu do Lodo!).

Somente a entidade chefe da casa é que pode dizer quando o médium estará pronto. 

Contudo, lembre-se também: o fim do desenvolvimento não é o ápice da mediunidade, é apenas o fim da etapa inicial, o término do ensino fundamental... O médium terá ainda o ensino médio, a universidade, a pós-graduação, mestrado, etc. 

Estes títulos, porém, quem confere é a própria vida no correr das décadas de trabalho perseverante no bem, em nome da caridade, com a graça de Deus.

Leonardo Montes 






2 comentários:

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