Desenvolvimento Mediúnico na Umbanda - Capítulo 7: Segunda fase do desenvolvimento: Incorporação


A primeira coisa que precisa ser dita é que o espírito não entra no corpo do médium, permanece sempre fora. O que chamamos de incorporação é o entrelaçamento energético entre os 7 principais chakras da entidade e do médium.

Estes chakras são: Coronário (topo da cabeça), Frontal (testa), Laríngeo (garganta), Cardíaco (coração), Umbilical (umbigo), Esplênico (baço), Básico (períneo). Você pode encontrar explicações sobre cada um deles na internet com facilidade, razão pela qual não me deterei em maiores considerações sobre suas funções.

O que importa ficar claro é que a incorporação é o entrelaçamento energético de cada um destes chakras entre o médium e a entidade. Quando isto ocorre, dizemos que houve a incorporação e, por isso, não se pode falar em incorporação parcial, pois, incorporação é sempre total, quando todos esses chakras estão ligados aos do guia, o que varia é a intensidade do fluxo energético que, sim, pode ser fraco, mediano ou forte.

O último chakra a ser conectado totalmente é o Coronário que é, justamente, o responsável por fazer com que os pensamentos da entidade cheguem ao médium, contudo, isso será detalhado mais adiante. 

Incorporando

Esta fase compreende o período em que o médium começa a bater no peito (se for um caboclo) ou a fazer o sinal da cruz (se for um preto-velho) e vai até o momento em que incorpora sozinho, risca seu ponto, firma-o, pede os itens de trabalho e é capaz de falar com alguma desenvoltura. Portanto, este é o período mais longo do desenvolvimento e que deve levar, no mínimo, um ano para ser concluído.

Nesta etapa do processo, a maioria dos médiuns já consegue incorporar em pé, sem necessidade de girar. Contudo, eventualmente, pode ser preciso. Neste caso, basta que a entidade que esteja conduzindo o desenvolvimento chame este médium, peça que concentre, bafore seu cachimbo/charuto em sua cabeça para que comece o transe, que deve ser acompanhado de perto pelos cambones que, se necessário, devem fazer a corrente envolta do mesmo.

Nos primeiros meses, o médium incorporará, porém, não será capaz de falar. Permanecerá a maior parte do tempo de olhos fechados, por isso, assim que incorporar, um cambone deve se aproximar, cumprimentar a entidade verbalmente antes de tocar o médium (para evitar que ele se assuste) e, depois, deve conduzi-lo, lentamente, para saudar o Congá, levando-o depois para seu devido lugar. Em lá chegando, geralmente o médium ficará parado (se for caboclo) ou sentando em seu banquinho (se for um preto-velho).

Às vezes, abrirá os olhos, mas na maioria das vezes ficará em silêncio e concentrado. Esta primeira subfase, digamos assim, costuma durar em torno de seis meses.

Gradativamente, porém, conforme os meses correm, começará a solicitar uma vela, depois o giz para riscar o ponto, um outro determinado item, depois um cachimbo/charuto e, por fim, a bebida alcoólica (caso faça uso). A bebida alcoólica é sempre o último item a entrar no desenvolvimento e sempre com o acompanhamento de um cambone. 

Nesta fase surgirão as primeiras frases e o médium incorporado será capaz de cumprimentar as pessoas, porém, não deve ser incentivado a conversar em demasia. Ainda não é o momento de dar consultas.

Ponto riscado

O ponto riscado pode aparecer de diferentes formas para os médiuns. Uns podem sonhar, outros podem ter intuições, etc. Normalmente, o que ocorre é que, nesta segunda fase do processo, durante a incorporação, o médium começa a perceber símbolos que surgem em sua tela mental.

Como o canal mediúnico está sendo construído, é normal que as imagens surjam e desapareçam e, por isso, o médium não deve se apegar aquilo que vê, mas deve desenhar o símbolo que lhe vier à mente.

Os símbolos que estiverem corretos permanecerão, os que forem eventuais imaginações, desaparecerão. Então, por exemplo, o médium vê uma estrela. Porém, um mês depois, a estrela dá lugar ao sol, ele fica confuso (é natural), porém, se o sol persiste ao longo de um tempo, então, ele se juntará a outros símbolos que, eventualmente, formarão o ponto riscado completo da entidade. 

Quando isso acontece, o ponto não se altera mais e será confirmado pela entidade chefe, que pode pedir que seja escrito o nome da entidade incorporada no chão.

Dificuldades

Nesta segunda fase, o médium frequentemente fica meio paranoico. Imagina que todos estão olhando seu desenvolvimento, que as pessoas estão rindo de seus guias e se questiona se não está fingindo a manifestação, etc.

Isso ocorre (suspeito) como uma forma de mecanismo de defesa do seu próprio ego e tende a passar em alguns meses. Contudo, é importante que os médiuns se tranquilizem: todos passam por isso!

Além do mais, surgem muitas confusões no que se refere ao propósito do médium: será que é isso mesmo que quero para a minha vida? Será que sou médium mesmo? Enfim, você saberá quando estiver nesta fase e deve aproveitar estes questionamentos para se conhecer mais profundamente.

Não tenha medo de se fazer perguntas incômodas. Se você realmente quer aprender e crescer no campo mediúnico, deve estar aberto a se ver como realmente é e pode ser que em algum momento destas reflexões você conclua que não é bem isto que desejava para sua vida e pode mesmo acabar desistindo.

A minha recomendação é que não o faça, pois como expliquei no começo deste estudo, quem não tem caminho com a mediunidade, simplesmente, não nasce com ela. Porém, você é sempre senhor do próprio destino...

Algo que ajuda muito é conversar com outros médiuns e sempre pedir orientação às entidades.

Conhecendo os seus guias

É ainda nesta segunda fase que o médium conhecerá seus guias, saberá seus nomes, o que pode ocorrer através de uma conversa mental ou escrevendo-o no chão.

É o momento de estreitar laços com a entidade, entender como ela trabalha, que elementos usa, qual seu campo de atuação, etc. Aliás, falando em elementos de trabalho, sempre espere a entidade pedir para então você comprar.

Já vi muitos médiuns comprando lindos cachimbos e depois se decepcionando ao perceber que seu preto-velho preferia cigarro de palha, por exemplo.

É uma etapa muito importante e maravilhosa, pois nela você vai se relacionar de forma profunda com seu guia que será um grande amigo em sua vida e que, provavelmente, vai te acompanhar até o fim. 

Por isso, mais do que a ansiedade pelo término do desenvolvimento que fica muito forte nesta fase, é preciso aproveitar bem essa experiência, que é única e deixará saudades.

Menos linhas, mais qualidade

Até agora, os exemplos citados por mim figuram sempre em torno de duas linhas: caboclos e pretos-velhos, por entender que estas são as duas linhas fundamentais da religião. Contudo, existem outras, como por exemplo: marinheiros, baianos, ciganos, crianças, boiadeiros, etc., porém, o método deste livro se aplica a qualquer outra linha de trabalho.

Ao longo dos meus anos de experiência, tenho aprendido que em matéria de mediunidade menos é mais. Explico.

Nesta fase do desenvolvimento, o médium quer experimentar novas energias, novas entidades. Assim, é muito comum a vontade de incorporar linhas que não se manifestam com tanta frequência, como por exemplo, ciganos ou baianos.

Assim, embora compreensível este desejo, percebi que, frequentemente, os médiuns que trabalham com menos linhas trabalham com mais qualidade. Isto é, médiuns que incorporam duas ou três entidades diferentes tendem a incorporá-las com melhor qualidade do que os que incorporam cinco, seis, sete linhas diferentes.

A explicação é simples: normalmente, não temos plasticidade mediúnica para canalizar tantas personalidades diferentes no mesmo aparelho psíquico. É por esta razão que, com alguma frequência, encontramos giras em que não é possível saber que linha está incorporada, a menos que alguém lhe fale. Os trejeitos se confundem, as falas se confundem e não é porque o médium não esteja firme ou bem concentrado, é que simplesmente não há plasticidade mediúnica suficiente para canalizar profundamente personalidades tão diferentes entre si...

A primeira vez que refleti sobre isso foi quando visitei um terreiro onde ocorreria uma gira com marinheiros. Esta linha nunca apareceu em meus caminhos mediúnicos e não parece ser comum em minha cidade, então, tive muito interesse em conhece-la.

Observei o trabalho e, em tudo, me parecia idêntico ao trabalho com os caboclos que eu havia visitado, uma semana antes, na mesma casa. Os médiuns se portavam da mesma forma, falavam da mesma maneira que na gira anterior, o que me chamou muito a atenção... 

A princípio, pensei que eram caboclos novamente, mas fui informado que não, eram marinheiros...

A partir disso, comecei a observar minhas próprias incorporações e embora eu me julgue um médium mediano, percebi que também não conseguia incorporar bem todas as linhas que se manifestavam por meu intermédio e, desde então, em comum acordo com a espiritualidade, focando mais em qualidade que em quantidade, resolvi manter apenas três linhas de trabalho regulares: caboclos, pretos-velhos e exus, as que mais me identifico e as que incorporo melhor.

Assim, sugiro que todo terreiro repense suas linhas de trabalho. Não há necessidade de manter apenas estas que citei, pois cada terreiro tem seu amparo próprio, porém, recomendo fortemente que os médiuns se contentem em incorporar bem poucas entidades a terem um “acervo” vasto, porém, raso de todas elas. 

Leonardo Montes


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