Desenvolvimento Mediúnico na Umbanda - Capítulo 6: Primeira fase do desenvolvimento: Irradiação


A irradiação é a primeira fase do processo de incorporação. É o momento em que o médium sente a entidade envolver seu corpo com a sua energia, o que pode provocar alguns efeitos, como por exemplo: arrepio intenso na espinha, perda da sensibilidade visual/auditiva ou hiper excitação das mesmas, taquicardia, queda de pressão, lábios e mãos roxas/trêmulas, sensação de frio/calor, estômago/intestino “inquietos”, etc.

Tudo isso significa que a entidade está envolvendo energeticamente o médium, alinhando seus chakras com o dele. Este processo é lento, gradativo e conforme há maior ou menor fluxo energético neste ou naquele chakra, há efeito nesta ou naquela parte do corpo humano.

Girando


Costumo dizer que a irradiação é como a primeira marcha de um carro, enquanto a incorporação, propriamente dita, é a quinta. Por isso, a irradiação não é um processo “leve” de incorporação, antes, é o estágio inicial da mesma, a primeira etapa.

Nesta etapa, deve-se colocar o médium para girar. É preciso que outras pessoas façam uma corrente com suas mãos entrelaçadas em volta do médium enquanto uma pessoa coloca-o para girar, a princípio, de forma bastante sutil e, ao longo de alguns meses, de forma mais intensa.

As pessoas que farão a corrente precisam ficar muito atentas, pois é comum que o médium se desequilibre e caia. Neste caso, devem ampará-lo para que não venha cair, contudo, precisam fazer isso sem atrapalhar o processo, antecipando-se apressadamente, por exemplo.

Além do mais, a pessoa que está girando precisa se sentir segura e respeitada. Nunca se deve segurá-la de tal forma que suas partes intimas sejam tocadas e os que farão a corrente devem deixar seus corpos, preferencialmente, de lado, para que também protejam suas partes íntimas (afinal, a pessoa pode girar bem rápido, abrindo os braços, se desequilibrando, pisando nos pés, etc).

O giro (a gira) tem o propósito de “quebrar a concretude” dos pensamentos do médium que, frequentemente, não consegue se concentrar, deixando seus pensamentos dispersos.
Por isso ele deve ser girado suavemente nas primeiras vezes, para que vá gradativamente tonteando, perdendo controle sobre suas ideias e, com isso, permitindo que o fluxo energético da entidade o envolva de forma livre.

Ao longo de alguns meses talvez não seja preciso mais girá-lo. Neste caso, o médium deve conseguir obter a irradiação estando parado em pé, o que é perfeitamente possível.

Mesmo que o médium demonstre facilidade em seu desenvolvimento, no mínimo, ele deve permanecer seis meses nesta etapa, a fim de que os laços entre ele e a entidade possam se fortalecer com a firmeza necessária.

Condução


O desenvolvimento deve ser conduzido, preferencialmente, por uma entidade incorporada no dirigente ou num médium de confiança da casa. É fundamental que as entidades participem de todo o processo, direcionando, aconselhando e mesmo apontando quem deve se desenvolver quando e de que forma.

Porém, é possível fazer o desenvolvimento, alternativamente, com o dirigente ou tal médium de confiança estando apenas irradiado, sem necessariamente incorporar (como uma forma de economia energética), porém, neste cenário, de tantos em tantos desenvolvimentos é preciso que o médium dê passividade total a entidade que conduzirá o trabalho a fim de que ela possa avaliar, corrigir e direcionar os médiuns.

Nunca se deve fazer o desenvolvimento baseando-se apenas na experiência do dirigente, como se ele pudesse “só de olhar”, saber quem está mesmo incorporado ou não... Ninguém vê tão longe quanto as entidades.

Dificuldades


Vamos supor que determinado médium inicie o seu desenvolvimento aos 25 anos de idade. Isso significa que durante 25 anos seu cérebro só se preocupou em realizar as atividades necessárias para o seu dia-a-dia. Ele não teve que se ocupar com “mais uma mente” sendo processada ao mesmo tempo, certo?

Logo, o desenvolvimento é um processo de aprendizagem, digamos, cerebral, pois o cérebro precisará aprender a receber os impulsos de uma outra mente que não seja a do espírito encarnado naquele corpo e isto não ocorre facilmente.

É por esta razão que, inicialmente, é muito comum o corpo do médium rejeitar a entidade, quase repelindo o transe mediúnico e, por isso, pode levar bons meses para que consiga dar os primeiros passos.

Este período de angústia é caracterizado, essencialmente, por dois tipos de comportamentos: impulsivos e inflexíveis. Vamos falar sobre eles.

Impulsivos


Os impulsivos, geralmente, são pessoas ansiosas que, muitas vezes, esperaram muito tempo pelo desenvolvimento. Assim, quando chega a hora, acabam se precipitando, exagerando na dose. Logo, se naquele desenvolvimento o objetivo da entidade era que o médium desse um passo, ele dará dez, isto é, deixará o impulso correr solto, queimando a largada, numa analogia com a corrida, por exemplo.

A (saudosa) Vó Cambinda dizia sempre: o cavaleiro jogou a sela e o cavalo saiu correndo... É bem isto que acontece com o médium impulsivo. A entidade mal começou a envolve-lo e ele já está batendo no peito e bradando...

Nestes casos, o dirigente/entidade deve conversar com este médium, orientando-o a “tirar o pé do acelerador”, a ir com mais calma, a sentir mais o processo e só deixa-lo fluir quando for “irresistível” a vibração.

Este tipo de médium tende a dar muito trabalho no desenvolvimento, por que este comportamento impulsivo é o reflexo da sua própria vida fora do terreiro, por isso é comum em pessoas ansiosas, indecisas ou que agem primeiro para pensar depois.

Inflexíveis


Os médiuns inflexíveis são o oposto dos impulsivos: eles “seguram” demais o transe, atrasando o seu desenvolvimento mediúnico em meses, talvez, em anos. Geralmente, são pessoas inseguras, vacilantes ou com fé pouco firme e, por isso, não conseguem se entregar totalmente ao processo.

Se o primeiro peca pelo excesso, o segundo peca pela falta. Assim, a entidade muitas vezes já fez toda a ligação energética, já estaria em condições de soltar o seu brado, mas o médium ainda está na fase “balança, mas não cai”, isto é, não consegue avançar para o estágio seguinte.

Outra característica destes médiuns é a expectativa da inconsciência. Não querendo lidar com suas inseguranças, eles querem ser “apagados” pelas entidades e só acordarem ao fim do trabalho. Contudo, isto raramente ocorre.

Quando se percebe um comportamento inflexível, o dirigente/entidade deve chamar este médium para conversar, pois frequentemente este médium está à espera de um conselho/orientação para ganhar confiança e dar o próximo passo.

Diferente do primeiro caso – mas seguindo a mesma analogia – poderíamos dizer que o cavaleiro jogou a sela, selou o cavalo, montou, porém, está empacado.

O que esperar desta fase?


Nesta fase o médium não incorporará de fato. Permanecerá apenas irradiado com a energia da entidade. Inicialmente, tenderá a perder o equilíbrio, a sentir solavancos em seu corpo, tontura, movimentos involuntários, etc.

Esta fase se caracteriza pela tentativa da entidade de conseguir influir sobre o corpo do médium (explicarei o mecanismo da incorporação no próximo capítulo). Por isso as descrições/sensações são todas de natureza física.

Decorridos no mínimo seis meses do início do desenvolvimento (sem tempo máximo), se o médium começar a esboçar sinais que indiquem a incorporação, como por exemplo, bater no peito (caboclo), fazer o sinal da cruz no chão (preto-velho), então, ele pode ser levado a próxima etapa do processo: a incorporação propriamente dita.

Leonardo Montes

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