Desenvolvimento Mediúnico na Umbanda

Desenvolvimento Mediúnico na Umbanda: Capítulo 3: Encontrando um bom terreiro


Talvez o terreiro que te levou a descobrir a sua mediunidade não seja o local mais interessante para você iniciar o seu desenvolvimento mediúnico: talvez fique longe da sua casa, talvez os dias de trabalho não se adequem ao seu caso, talvez você tenha visto coisas com a quais não concorde, etc.

Porém, seja como for, o fato é bastante simples: você precisará de um terreiro! Porém, como encontrar um bom?

Antes de entrar propriamente no assunto, gostaria de abordar três pontos que considero fundamentais para que todo candidato ao desenvolvimento mediúnico avalie antes de aceitar o compromisso de atuar em uma casa de Umbanda: disciplina, amor e caridade.

A disciplina se observa pela ordem dos trabalhos. Os trabalhos ocorrem em harmonia ou são caóticos? Começam no horário previsto ou não possuem horários previstos? Os médiuns se recolhem em oração ou ficam na porta fumando, conversando, contando piadas?

Todas essas questões devem ser observadas pelo candidato ao desenvolvimento que deve se atentar a elas, afinal, se as giras são caóticas, tente imaginar como será feito o seu desenvolvimento...

O segundo ponto, o amor, pode ser observado pela forma como as pessoas se tratam. Elas se dão bem ou se alfinetam na frente uns dos outros? O dirigente recebe e trata bem as pessoas ou tudo é resolvido aos berros e com falta de educação? As pessoas são receptivas e colaborativas ou parecem ter acordado com o pé esquerdo?

Aqui, novamente, a regra é simples: se não tratam bem os visitantes, imagina como devem se tratar internamente...

Por fim, a caridade. A Umbanda possui por princípio a gratuidade de seus trabalhos, logo, todo terreiro que cobra está em flagrante contradição com este princípio. Se o terreiro em vista cobra dos consulentes – novamente – imagine o que não vão inventar para te cobrar: é trabalho disso, daquilo; é oferenda disso e daquilo outro; é despacho pra cá e pra lá, enfim...

Estes três pontos precisam ser cuidadosamente observados, a fim de se evitar dor de cabeça futura. Contudo, antes de prosseguirmos, fica um alerta muito importante: não existe terreiro perfeito... Em todos existem conflitos, discussões, disputas, incompreensões... Porém, os bons terreiros são formados por pessoas que, além de suas diferenças pessoais, são capazes de abaixar seus braços em prol de um bem maior que é o próprio terreiro... Logo, não espere encontrar um terreiro perfeito, um dirigente perfeito, porque isso simplesmente não existe.

Se tal terreiro em vista conseguir ter disciplina, conseguir criar um clima interpessoal favorável e trabalhar gratuitamente, estará de bom tamanho...

Agora, vejamos algumas dicas práticas.

Pesquise na internet

Além do boca a boca, a melhor forma de encontrar um terreiro é pesquisando na internet. Se você vive em grandes centros urbanos, com certeza encontrará dezenas. Se você vive no interior, poderá não encontrar tantos, porém, seja como for, pesquise, mesmo que você acredite não existir algum.

Ao longo dos anos, conversei com muitas pessoas que me diziam com certeza absoluta não haver nenhum terreiro em suas cidades, porém, qual não era a surpresa quando, finalmente resolviam pesquisar e, Voilà, encontravam algum terreiro, às vezes, mais perto do imaginavam.

Boa parte dos terreiros não possuem CNPJ, site ou página na internet. Porém, as pessoas que frequentam os terreiros estão na internet e, principalmente, nas redes sociais. Logo, além do Google, você pode pesquisar sobre os terreiros em grupos do Facebook de sua cidade. Toda cidade tem grupos de vendas, trocas, Whatsapp, essas coisas. Basta você perguntar nestes grupos e provavelmente alguém te indicará algum.

Frequente várias vezes

Nada de amor à primeira vista: frequente várias vezes o terreiro, observe como as pessoas se relacionam e todos os critérios mencionados anteriormente. Converse bastante com as entidades, de coração aberto, mas não traga para sua vida, senão, os conselhos que fizerem sentido para você.

Estude detalhadamente a casa por alguns meses e só então, caso assim decida, pergunte sobre como participar, quais os critérios para iniciar o desenvolvimento, como funciona, etc. Se possível, frequente vários terreiros antes de fechar com um.

Tire todas as suas dúvidas antes de aceitar

Pergunte tudo que você gostaria de saber, pois é muito comum as pessoas se deixarem levar pela empolgação até que se deparem com alguma prática ou obrigação com as quais não concordem, o que seria plenamente evitável se houvesse mais critério antes de aceitar este compromisso.

Questões como: participação, dia de desenvolvimento, se é preciso contribuir financeiramente ou não, diretriz doutrinária da casa, etc., são muito importantes. Já conversei com muitas pessoas que aceitaram participar de terreiros sem muito critério até que, por exemplo, descobriram que a casa realizava sacrifício de animais e, como não concordavam, entravam em conflito.

Casas que não cobram diretamente um valor monetário, mas possuem diversas ajudas de custo ao longo do processo, deixando o desenvolvimento muito oneroso, por exemplo, são bastante comuns. Enfim, procure saber detalhadamente sobre todo o processo, a fim de evitar aborrecimentos.

Escute o seu coração

Não são os guias que escolhem o terreiro que o médium deve desenvolver... Essa escolha cabe ao próprio médium. Contudo, os guias podem intuir e direcionar em algum sentido, afinal, eles não vão querer trabalhar numa casa cuja prática venha na contra mão daquilo que eles pregam (nem faz sentido), porém, suponhamos que o médium esteja dividido entre dois terreiros que lhe pareçam igualmente bons, a escolha desta ou daquela casa será do médium.

Se a casa for minimamente boa (conforme explicado anteriormente), eles vão se manifestar, o que é a prova máxima de que aceitaram o terreiro. Repito: os guias só não aceitariam um terreiro cujas práticas ferissem os princípios fundamentais da Umbanda. Agora, se tal terreiro é da vertente A ou B, não importa: se cumpre com os princípios fundamentais, está tudo certo.

Não enrole

Observadas as condições pontuadas neste capítulo, provavelmente, o médium escolherá um bom terreiro, onde fará o desenvolvimento seguindo um bom critério e terá uma boa formação.

Se este terreiro já foi escolhido, não enrole. Não jogue para amanhã, até porque nunca sabemos se teremos um amanhã... Portanto, a partir do momento em que o médium decide sobre a casa, tão logo possível, deve conversar com o dirigente da mesma sobre a possibilidade de se desenvolver e uma vez aceito, bastará então que siga as orientações que lhe forem apresentadas.

E se não achar um bom terreiro?

Nossa casa é um terreiro bem pequeno, porém, recebemos pessoas de várias cidades. Algumas destas pessoas moram há quase 200 km de distância, o que significa que, para se desenvolverem, ida e volta, viajam quase 400 km, duas vezes por mês, portanto, 800 km/mês.

Você acha que essas pessoas fariam essa escolha se tivessem uma casa com a qual se afinassem em suas próprias cidades? Provavelmente, não. Porém, a partir do momento em que não encontram um terreiro que julguem adequado, o que resta fazer, senão, procurar em outra cidade? Aí vai da vontade de cada um... Quem quer, corre atrás!


Leonardo Montes

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