segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Afinal, pode ou não pode incorporar em casa?

médium

Em 2017, publiquei na internet um livreto chamado: Incorporando em casaSugestões para médiuns umbandistas que atendem em casa. Na época, muita gente me agradeceu e muitos me criticaram. Nele, ofereço todas as dicas e orientações que recebi no processo de criação do nosso terreiro que nasceu no quintal de uma casa.

Não se trata de incentivo para que os médiuns incorporem em suas residências, mas ofereço algumas orientações para os médiuns que receberam de seus guias a permissão para trabalhar em casa ao invés de um terreiro. Percebem a diferença?

Este é um assunto que até hoje divide muitas opiniões e é por isso que resolvi escrever este texto, explicando de uma vez por todas, o que realmente penso sobre o assunto.

Aliás, é um tema tão controverso que recentemente vi um post no Facebook comparando a incorporação em casa com “nadar num rio cheio de piranhas”, mas, será mesmo?

Primeiro de tudo é preciso compreender que a incorporação, como um processo mediúnico, necessita apenas do médium, que se assemelha a um templo vivo e ambulante, por isso, onde quer que o médium esteja, ali haverá a possibilidade de trabalho.

Além do mais, as entidades sempre sabem o que fazem de tal modo que, se um guia quer incorporar, então, é porque há uma razão justa para isso, afinal, a entidade é um espírito autônomo, independente e esclarecido... Não é o médium quem incorpora, quem incorpora é o espírito, logo, não faz sentido pensar que quem escolhe incorporar é o médium, o que ele escolhe é dar passividade à incorporação ou não.

Existem inúmeros casos disso e eu mesmo já incorporei nos lugares mais estranhos possíveis, onde os guias julgaram realizar algum atendimento, trazer uma palavra, um conforto, etc.

Porém, existem riscos.

Fora do terreiro, o médium não possui a mesma cobertura espiritual que encontra nele, afinal, trata-se de um local preparado espiritualmente para isso, com firmezas e toda uma proteção espiritual adequada, o que faz com que a incorporação ocorra de modo tranquilo e seguro.

Fora do terreiro, o médium está por conta própria e é aqui que “mora o perigo”.

O número de espíritos transitando pelas ruas, entrando e saindo das casas das pessoas que não oferecem uma mínima proteção espiritual, é enorme. Se pudéssemos ver o que se passa, provavelmente, ficaríamos aterrorizados com o entra e sai de entidades de todos os lugares, inspirando, influenciando e também vampirizando as pessoas.

Este simples fato faz com que a incorporação fora do terreiro seja, por si só, bastante perigosa, pois vários destes espíritos podem influenciar o processo e, com isso atrapalhar ou mesmo virem a se passar pelas entidades do médium (mistificação), em casos mais graves.

Fora do amparo espiritual do terreiro, todo trabalho mediúnico é extremamente desgastante. Afinal, não terão as firmezas e, principalmente, não terá uma forte corrente, como a que existe na gira, o que faz com que as energias do médium sejam drenadas muito mais rapidamente.

Este é o grande problema!

Imagine, por exemplo, a energia que existe em boa parte das casas das pessoas que nunca se preocuparam com a reforma íntima, que fazem da fé um adorno, que não conseguem viver em harmonia com seus entes queridos, lugares em que há muitas discussões, brigas, xingamentos e todo tipo de pensamento contrário ao bem.

Uma parte considerável da população vive nestas condições, logo, uma parte considerável destes locais se tornam impróprios para a incorporação pelos riscos anteriormente citados.

Por outro lado, uma pequena parcela da população vive em harmonia e em paz, nestes locais, a incorporação poderia acontecer sem maiores inconvenientes.

Este é o ponto fundamental: não é que incorporar fora do terreiro seja, necessariamente, uma passagem à perturbação espiritual, nem mesmo um “rio cheio de piranhas”, é preciso considerar o ambiente, a necessidade e, principalmente, a conveniência do trabalho. Porém, quem decide isso são as entidades e não o médium.

Mas, o médium não tem nenhuma responsabilidade?

Sim, tem. E este é o ponto nevrálgico do texto... Muitos médiuns, especialmente em desenvolvimento ou mesmo alguns já desenvolvidos, são pessoas carentes, com baixa autoestima e que encontram na mediunidade uma forma de ficar em evidência.

Estes médiuns podem trabalhar muito bem no terreiro, sob amparo e vista das entidades, porém, não possuem firmeza suficiente para trabalhar sozinhos, longe das vistas de alguém mais experiente. Neste cenário, tais médiuns podem se encontrar numa região de vulnerabilidade que os predispõe a influência negativa e, quase sempre, imperceptível.

E, engana-se quem pense que os guias não permitirão que algo ruim aconteça... Primeiro, porque os guias têm suas ocupações e não ficam atrás do médium o tempo todo... Segundo, que o médium precisa aprender por si mesmo e, neste sentido, as experiências dolorosas ensinam também.

Eu já fiz vários trabalhos fora do terreiro, quase sempre, previamente combinados com as entidades. Preparava-me para isso, tomava banho de ervas, defumava o lugar, fazia firmezas e, ainda assim, era tudo muito difícil e também já fui vítima de mistificação... Imagina, agora, incorporar numa festa? Num churrasco? Nas festas de fim de ano? Quando isso acontece, é muito provável que seja animismo do médium ou um espírito mistificador, pois os guias, como espíritos lúcidos e conscientes, sabem muito bem quando, como e para que se manifestar...

Enfim, se o médium é desenvolvido, firme, possui fé de verdade e sente que seus guias querem vir fora do terreiro, é porque existe uma razão justa para isso, é um trabalho nobre, apesar dos riscos mencionados. Porém, se o médium não tiver essas qualidades, melhor se abster, pois o tombo pode ser feio.

Leonardo Montes 


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2 comentários:

  1. Gracias me ayudan mucho tus relatos ..
    A poder entender más un poco de todo este universo Umbandista ..Axe

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