quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Postura do dirigente

vaidade

Hoje responderei algumas perguntas num único texto. Grato pelas perguntas e pelo carinho, Rafinha.

Quando um médium dirigente ou da linha durante o trabalho com suas entidades em terra bebem e quando a entidade vai embora eles ficam embriagados. Qual sua visão?

O uso do álcool é um fundamento da Umbanda, contudo, muitos médiuns pensam que precisam convencer os demais da sua incorporação bebendo exageradamente. O resultado é bem este: a entidade vai embora e eles ficam bêbados.

Porém, pode ser também que o médium misture a sua vontade com o uso que a entidade faz da bebida. Isto é mais comum quando o médium também consome bebida alcoólica. Neste caso, o objetivo não era impressionar a ninguém, porém, ele se aproveita do momento para saciar a sua vontade e o resultado acaba sendo o mesmo.

Por isso, todo terreiro deve ter regras: nada de giras “open bar”, isso vira bagunça.

Quando em um terreiro o dirigente tem a necessidade de se amostrar, chamar atenção com danças, falas desnecessárias, quase que um show. Qual o proceder de tudo isso, qual a finalidade ou a necessidade? Como a espiritualidade vê isso? Como a casa espiritualmente falando fica?

É preciso separar bem as coisas: existem entidades que são, digamos, mais expansivas, isto é, gostam de dançar, conversar, possuem trejeitos mais chamativos, essas coisas. Isto é da individualidade da entidade e não há nada de errado.

Contudo, existem também os “médiuns-pavão”, os que querem se exibir, mostrar como suas incorporações são fortes. Estes, diferentemente do primeiro caso, forçam a barra para aparecer, desejam chamar a atenção para si e acabam fazendo coisas mirabolantes simplesmente para serem o centro da gira, sem nenhuma razão ou causa espiritual para isso: é puro ego mesmo!

De modo geral, a espiritualidade é bastante tolerante com nossas infantilidades. Se o dirigente for um destes “pavão”, mas conseguir realizar um bom trabalho, não há maiores consequências, senão o ridículo a que se expõe. Contudo, se não conseguir nem realizar um bom trabalho, então, certamente a espiritualidade ficará descontente com o andamento dos trabalhos e se isso crescer demais, a casa acabará sem assistência espiritual, afinal, é só espetáculo mesmo. 

Quando um pai de santo junto com sua esposa mãe de santo trabalhando juntos na casa, sendo eles marido e mulher começam a disputar. Como fica todos mediante isso?

Todo tipo de disputa é perda de tempo. Porém, quando essa disputa ocorre entre os que comandam a casa, além de perda de tempo, torna-se também algo muito perigoso, afinal, é uma disputa que pode fazer ruir as estruturas da casa.

O ideal seria que ambos não se esquecessem que são marido e mulher fora do terreiro, lá dentro, são os responsáveis por ele. Quaisquer dificuldades ou desavenças que exista entre ambos, enquanto casal, deveria permanecer fora da casa religiosa. Mas, isso é muito difícil. De modo geral, terreiro que é administrado por casal tende a dar muito certo ou muito errado. Raramente se consegue um equilíbrio, infelizmente...

Mas, mesmo aqui, ainda cabe o raciocínio anterior: se a disputa ocorre apenas entre os dois, menos mal. É feio, desnecessário, mas afeta apenas a eles. Agora, se essa disputa for além do casal e começar a afetar os demais membros da casa diretamente, então, é como se eles mesmos começassem a marretar as paredes do terreiro: uma hora a casa cai.

Leonardo Montes 


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