terça-feira, 31 de agosto de 2021

Como fazer oferendas do jeito certo?

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Como fazer oferendas do jeito certo?

Antes de começar este texto, é bom deixar claro que o “certo” a que me refiro se dá segundo à nossa maneira de se fazer e pensar as oferendas e não a uma visão geral que desqualifica as demais práticas: é o resultado daquilo que aprendi com os guias e o que fazemos em nossa casa, apenas isso!

Os guias sempre me ensinaram que não precisavam de oferendas que não fossem àquelas nascidas do nosso próprio coração. Assim, o preto-velho não precisa de café, o exu não precisa de marafo, etc. Todas estas coisas podem ser oferendadas, desde que sejam importantes para quem as oferenda e não a quem se destina.

Isto é, as oferendas importam para as pessoas, não para os guias ou para os Orixás. Façamos uma comparação:

É comum que no dia de finados os vivos levem flores aos cemitérios. Contudo, o que os mortos farão com estas flores? Nada. Elas são apenas um meio material de externar o carinho, a saudade e o amor por aqueles que já partiram, certo? A mesma coisa ocorre com as oferendas!

Quando alguém coloca café para o preto-velho não é para aplacar a sede do mesmo de um cafezinho nem para ganhar-lhe a simpatia, afinal, vocês acham mesmo que um preto-velho precisa de um café para proteger uma pessoa? Acham que o exu precisa de um copo de marafo para poder auxiliar a quem pede ajuda?

Assim, quando se coloca um café para o preto-velho ou um marafo para o exu, não é para cativar ou barganhar com estas entidades, mas é um gesto de fé, simpatia, carinho, da mesma forma que as flores são para os mortos em finados.

Há pessoas que não conseguem rezar de verdade se não tiverem diante dos olhos uma vela acesa, não é? Da mesma forma, há pessoas que se não materializarem a sua fé em algo palpável, sentem que lhes falta algo e está tudo bem: em matéria de fé, não há melhor ou pior. Cada um deve fazer aquilo que mais fale a seu coração!

É por esta razão que as entidades sempre me ensinaram o seguinte: nunca faça grandes oferendas que podem até encantar os olhos, mas que começarão a apodrecer no dia seguinte... Use este dinheiro para ajudar os pobres: esta é a melhor oferenda para os guias e também para os Orixás. Contudo, caso sinta que precisa se ligar de forma mais profunda, seja a um guia ou mesmo a um Orixá, faça da seguinte forma:

Vá até o ponto de força na natureza, como uma mata, por exemplo. Acenda ali a sua vela, coloque a sua oferenda. Entretanto, não faça como os apressados que julgam bastar colocar as coisas em algum lugar e virar as costas para que se resolva... Fique ali. Faça a suas orações. Cante pontos. Chame pela entidade/Orixá a quem você oferenda e permaneça pelo menos uma hora em oração, meditação, reflexão, sentindo a vibração da força evocada. Sinta a energia da natureza, observe as plantas, o vento, a terra, as cores, o cheiro das coisas, enfim, a vida a seu redor. 

Conectado a esta força (sem qualquer necessidade de incorporação), abra seu coração, confesse seus erros, peça perdão, peça inspiração, reflita, reflita... Decorrido pelo menos uma hora, recolha todos os resíduos não naturais (afinal, a natureza não precisa de lixo), agradeça e vá embora.

Este é o jeito certo de se fazer oferendas, segundo sempre me ensinaram as entidades que me guiam. É assim que ensino e é assim que compartilho aqui este conhecimento.

Leonardo Montes 


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