sábado, 8 de maio de 2021

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 19: ORIXÁS DE CABEÇA

Orixás

Uma curiosidade muito natural das pessoas quando entram para a corrente é saber quem são seus Orixás de cabeça. Já acompanhei muitos diálogos na internet sobre os métodos para conhecer o Orixá da pessoa. Alguns jogam búzios, outros tentam adivinhar pela data de nascimento, etc. 

Cada pessoa possui apenas dois Orixás de cabeça, isto é, a que ela está ligada por semelhanças de personalidade, sendo um masculino e outro feminino, ao que damos o nome de Pai e Mãe de Cabeça. A única entidade que falava sobre os Orixás era o Pai Cipriano. 

Não se jogava búzios, ele apenas observava com atenção a pessoa, pedia um tempo para pensar e depois respondia. Eu já contava com uns cinco meses de desenvolvimento quando surgiu esse assunto entre os médiuns. 

A maioria estava em desenvolvimento e tinha muita curiosidade em saber quais eram seus orixás. Eu, sinceramente, não me importava muito com isso. Vinha do Espiritismo, onde não se falava em Orixás, então eu não me sentia tão interessado no assunto como os demais... 

Naquele mesmo dia o Pai Cipriano se manifestou e fez questão de nos explicar sobre as características de personalidade de cada Orixá. Em nossos trabalhos são cultuados nove: Oxalá, Ogum, Oxossi, Xangô, Oxum, Iansã, Iemanjá, Nanã e Omulu. Diferentemente de muita coisa que eu havia lido a afiliação aos Orixás que ele nos ensinou não era literal. Nós não nascemos ou estávamos vinculados em definitivo a algum Orixá. 

Nós apenas tínhamos características de personalidade que se casavam com o referencial deste ou daquele Orixá e que, com o passar dos anos e das encarnações, nossa personalidade se modificando, nossa filiação também se modificaria. Disse-nos mesmo que, quando ele estava encarnado, era filho de Omulu com Iansã. Eu sou filho de Oxalá, pelo lado masculino e de Iemanjá, pelo lado feminino. 

Curiosamente, era o único homem da casa ligado a Oxalá. Havia outro médium ligado a Oxossi e todos os demais médiuns homens eram de Ogum. Minha esposa é filha de Omulu e de Iemanjá e, curiosamente, também era a única pessoa na casa filha de Omulu. 

Aparentemente, nós dois tínhamos características únicas, já que eu era o único homem de Oxalá e ela a única pessoa de Omulu e sabem o que isso significa? Nada! Por vezes vi uma guerrinha boba de pessoas querendo a disputa deste ou daquele Orixá ou pessoas que eram filhas de um Orixá querendo ser de outro ou mesmo dizendo qual era o melhor e coisas do tipo. Tudo bobagem... Enfim, como filho de Oxalá - segundo a entidade -, destacaria em mim a inteligência, a tranquilidade e a serenidade diante dos problemas. 

De fato, pude observar isso ao ver meus colegas de terreiro. Como filhos de Ogum, eles pareciam estar sempre dispostos a tratar tudo a ferro e fogo, enquanto eu preferia o caminho da temperança, o caminho do meio. Isso me fazia melhor? Absolutamente não, apenas era uma característica minha diferente da deles. E só. 

Como filho de Iemanjá, sou uma pessoa com emoções muito profundas... Acolhedor, amigo, leal, mas também difícil de conquistar e de se entregar às amizades... As características que ele nos narrou sobre Oxalá e Iemanjá (que eu expus apenas brevemente) casavam perfeitamente com a minha personalidade e estilo de vida. Por fim, devo dizer aos médiuns novatos que não se inquietem tanto por quererem saber isso. 

Na hora certa você saberá, seja lá qual for o método empregado na sua casa. Durante o desenvolvimento, quanto menos você desviar o pensamento em outras preocupações, mais rapidamente vai se desenvolver. Então, foque o trabalho que precisa realizar que o resto vem com o tempo.

Leonardo Montes

Share:

2 comentários:

  1. Vi uma live sua e desde lá comecei a ler sobre seu trabalho. Obrigada estou gostando muito . Saravá 😊🙏

    ResponderExcluir

Os anos de internet me ensinaram a não perder tempo com opositores sistemáticos, fanáticos, oportunistas, trolls, etc. Por isso, seja educado e faça um comentário construtivo ou o mesmo será apagado.