segunda-feira, 26 de abril de 2021

COMO ENTRAR NO CEMITÉRIO?

 

CEMITÉRIO

A pergunta de hoje é da Lu e ela quer saber: o modo correto do umbandista entrar no cemitério.

Em termos simples? Com respeito!

O cemitério é um local de intenso trabalho espiritual. Muitas equipes espirituais ali atuam para ajudar os recém-desencarnados. Além disso, existem muitos espíritos “abutres”, isto é, que ali rodeiam na esperança de sorver um pouco da energia vital do recém-desencarnado que é liberada gradativamente após a morte... 

Por isso, não se trata apenas de um local de descanso do corpo, de tristezas e lembranças, mas de um local com intensa movimentação de espíritos.

Ao entrar, há pessoas que batem as mãos três vezes ao chão na porta do cemitério, como uma saudação ao “campo santo”; outras saúdam os exus; outras, Omulu, etc. 

Na Umbanda que pratico a forma não importa muito: cada um pode fazer do jeito que quiser, desde que isso a leve a entrar e a permanecer no cemitério com respeito.

Eu, particularmente, digo mentalmente na porta do cemitério: salve os guardiões do cemitério! 

Converso apenas o essencial, nada de risadinhas, brincadeiras ou deboches. Aproveito cada minuto ali dentro como uma reflexão sobre a brevidade da vida e a necessidade de aproveitar o tempo que me foi dado para me tornar um ser humano melhor.

Leonardo Montes

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domingo, 25 de abril de 2021

CRUZEIRO DO CEMITÉRIO

CRUZEIRO DE CEMITÉRIO

 ❓❓ Pergunta do dia

A pergunta de hoje é do ES e fala sobre o Cruzeiro do cemitério.

De modo geral, o cruzeiro é uma cruz avantajada que fica localizada na parte central do cemitério, geralmente, na encruzilhada das ruas que dividem os lotes. 

Trata-se de uma simbologia católica, cuja origem não sei precisar. Popularmente, é usado como ponto de referência geográfica e, acredita-se, sirva de orientação para as almas dos recém-desencarnados.

É por isso que tanta gente acende vela, deixa imagens, etc. 

Da forma como entendo, o cruzeiro se transforma numa grande firmeza, pois ao concentrar o foco das orações de centenas de pessoas, transforma-se num ponto de irradiação espiritual, servindo de verdadeiro farol para as almas sofredoras e de ponto de encontro para os trabalhadores espirituais que ali estão para ajudar.

Por esta razão, devemos sempre ter muito respeito quando passamos por um cruzeiro de cemitério, pois ainda que não haja alguém fisicamente no local, há sempre intenso trabalho de resgate e orientação em seu entorno. 

Quer enviar sua pergunta sobre Umbanda? Escreva para: canalumbandasimples@gmail.com 

Leonardo Montes

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sexta-feira, 23 de abril de 2021

OGUM OU SÃO JORGE?

OGUM


Hoje, 23/04, comemora-se o dia de São Jorge e, tradicionalmente nos terreiros de Umbanda, o dia de Ogum.
A associação entre o Orixá e o Santo se iniciou na escravidão, porém, se perpetuou por ter se transformado em cultura, uma vez que não há mais qualquer proibição de culto no Brasil.
Há quem reze para Ogum,
Há quem reze para São Jorge,
Há quem reze para ambos e
Há quem - como eu - reze apenas pedindo apoio de uma força guerreira, a qual todos precisamos em algum momento.
Não importa para quem você reza: reze com fé, reze com amor, reze com vontade e certamente você será ouvido!
Salve Ogum,
Salve São Jorge,
Salve a #Umbanda
Leonardo Montes
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quarta-feira, 21 de abril de 2021

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 17: CANSAÇO

esforço


Quando os trabalhos terminavam, eu me sentia esgotado. Não era incomum, no outro dia, acordar com dores nas pernas e braços, como se tivesse feito longo e pesado exercício físico. Isso tende a desaparecer com o tempo, conforme o médium mais firmemente trabalha com seus guias.

Ao contrário do que possa parecer, eu me sentia bem mais desgastado quando era trabalho de preto-velho ou caboclo e muito menos quando era trabalho de exu ou das moças. A razão disso é simples: os guias da direita precisam baixar a sua vibração, que ainda continua alta para nosso corpo, o que demanda muita energia a fim de manter o transe... Já a esquerda trabalha quase a nosso nível, demandando pouca energia do corpo para manter o transe. Simples assim!

É preciso considerar que, como quase todo médium, não nasci em berço de ouro. No início do meu desenvolvimento, eu trabalhava num almoxarifado de peças automotivas e estava encerrando meu curso de graduação em psicologia... Creio que a própria espiritualidade “mexeu os pauzinhos” para que eu acabasse num serviço menos cansativo, então fui transferido para um escritório onde passei a exercer funções administrativas, bem menos intensas que meu antigo serviço.

De qualquer modo, trabalhava. Acordava por volta das cinco horas da manhã e só chegava em casa por volta

das seis e meia da noite. Morava muito longe do meu local de trabalho... O tempo era curto: chegar, tomar banho, comer alguma coisa e correr para o terreiro. Essa rotina era exercida na segunda (desobsessão), na quarta (trabalho de passes) e nas sextas (trabalho de cura/psicografia). Dedicava, portanto, três noites da semana aos trabalhos espirituais.

Aliás, penso que foi essa carga horária que fez com que meu desenvolvimento fosse mais rápido. Muitos colegas desenvolviam-se apenas nos dias de gira, uma vez por semana. Eu já estava incorporando na segunda, na desobsessão; na quarta, nos passes; e na sexta nos trabalhos de cura.

Com tantos afazeres, muitas vezes cheguei a participar dos trabalhos como alguém que só não caía por conta das roupas... Entretanto, sempre recebia uma dose energética muito grande de modo que as minhas forças pareciam se dobrar e eu conseguia não apenas trabalhar espiritualmente como dar conta de todas as minhas obrigações na vida pessoal.

É sempre muito importante que o médium não saia em disparada após o fim da sessão.

Acompanhei muitos médiuns que tão logo encerravam as preces, arrumavam suas coisas correndo e rumavam para a porta quase em maratona. Essa saída em disparada impede os espíritos de fazer a reposição fluídica necessária em nosso corpo e por muitas vezes senti essa atuação quando, simplesmente, sentava-me no banquinho do preto-velho, aguardando o fim do

gargalo que se formava entre médiuns e a assistência que se espremiam para ir embora...

Outro ponto que me ajudava muito era a ingestão de açúcar. Procurava sempre ter por perto algumas balas bem doces. Comia duas ou três, ingeria água fresca e rapidamente me sentia bem disposto.

Para completar, um bom banho quente e sono reparador.

Leonardo Montes

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segunda-feira, 19 de abril de 2021

DIRIGENTE DE TERREIRO PODE SAIR DE FÉRIAS?

 

terreiro tem férias?

Pergunta de Denys Ogata:

“Um dirigente de um terreiro deve abrir mão de seus lazeres pessoais? Por exemplo se surge a oportunidade de fazer uma viagem de 2, 3 semanas como fica o terreiro? Outro médium pode ser delegado nesse período?”

Denys, o compromisso espiritual exige dedicação e dedicação exige trabalho. Certamente, quem se dispõe a ser dirigente de um terreiro deverá estar pronto para abrir mão de muita coisa em sua vida pessoal, justamente, porque o trabalho exige muita dedicação.

Contudo, não é preciso que abra mão de seus lazeres, bastando que se programe para isso. O terreiro não pode funcionar apenas com base numa única pessoa, senão, amanhã ela morre e o que acontece? A casa fecha?

No mínimo, todo terreiro precisa ter mais uma pessoa que possa conduzir os trabalhos e, na ausência do dirigente, essa pessoa seja capaz de seguir com as atividades. Eu vou mais além: não apenas no que se refere ao dirigente, todo terreiro precisa ter mais de uma pessoa apta para fazer tudo, justamente, para que nenhuma tarefa seja interrompida por falta de pessoas.

Fazendo isso, tudo fluirá bem.

Grato pela pergunta!

Obs.: Se você quiser enviar uma pergunta sobre Umbanda, escreva para: canalumbandasimples@gmail.com e a mesma será respondida no grupo de Whatsapp e poderá ir também para o Instagram. 


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quinta-feira, 15 de abril de 2021

NEM SEMPRE A RESPOSTA É VISÍVEL

energias


O vídeo mais assistido do canal UmbandaSimples, é um em falo sobre as diferentes formas de queima de uma vela. Quando gravei este vídeo, nem de longe imaginei que o sucesso seria tão grande.

Basicamente, o que ocorre é que muitas pessoas se impressionam a respeito de como uma vela se queima e procuram significados nesta queima. Exemplo: se a vela derrete de um só lado, se ela se parte ao meio, se sobra alguma coisa, se não sobra nada, etc.

E a explicação mais simples para tudo isso é que a forma como a vela vai se queimar dependerá essencialmente da qualidade da vela, do pavio e do ambiente (temperatura, umidade, etc). Não existe essencialmente nada de espiritual nisso (a exceção, claro, é quando a vela é acendida dentro do ponto de uma entidade e esta faz algum trabalho direcionado à vela).

Há algum tempo, algumas pessoas se impressionaram num dos nossos trabalhos com o reflexo do brilho de uma vela colocada dentro de um copo com água e que se irradiava pelos lados formando uma espécie de flor de lótus no chão, contudo, o preto-velho chamou uma cambone e disse: não tem nada de mais aqui, é que vocês nunca prestaram atenção antes, mas essa iluminação se dá pelas estrias do copo, tanto pela luz da vela, quanto pela lâmpada.

Assim também com os copos com sal grosso atrás da porta que de repente são vistos sem água e com sal em suas bordas, levando muitas pessoas ao completo desespero imaginando que seja sinal de demanda, quando na verdade se trata de um processo natural de evaporação da água e de adesão do sal ao corpo do copo... 

O mesmo ocorre com o café dos pretos-velhos que de um dia para o outro não está mais no mesmo nível de antes, deixando uma marquinha como referência na xícara, fazendo muitos pensarem que a entidade “bebeu o café”, quando na verdade ele apenas evaporou naturalmente (como acontece com as roupas molhadas no varal).

Enfim, parece que existe uma tendência no meio umbandista de querer ver aquilo que é invisível, como se a resposta às orações e aos pedidos devesse, necessariamente, deixar marcas visíveis de alguma forma. 

Agora, pensemos:

Quando tomamos um banho com ervas, não vemos a energia suja escorrendo com a água conforme ela banha nosso corpo e, nem por isso, o banho será menos efetivo. Quando defumamos uma casa, podemos sentir o ambiente leve ou carregado, mas não vemos a defumação queimando as vibrações ruins do ambiente e, mesmo assim, a defumação cumprirá o seu papel. Quando uma entidade nos dá passes, não vemos sair luz das mãos do médium e, mesmo assim, o passe será aplicado...

A efetividade dos processos espirituais se verifica em nossa vida, não nos resíduos das velas, nas cores de um arco-íris, num beija flor que entra pela janela...

Enfim, como ouvi recentemente e acho que se aplica bem ao contexto da Umbanda: cabeça nas nuvens e pés no chão.

Leonardo Montes 

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O GOOGLE NÃO ENVIARÁ MAIS TEXTOS POR EMAIL

Atualmente, mais de 130 pessoas estão cadastradas no blog para receber as novas postagens por email. É um serviço muito interessante, porém, ele será desativado pelo Google. Recebi nesta manhã esta informação e, por isso, logo você não receberá mais as postagens por email, pois se trata de um serviço automatizado do Google.

Portanto, a partir de agora, você terá que acessar os conteúdos diretamente pelo endereço do blog: www.umbandasimples.com.br ou pelo grupo de Whatsapp: 

https://chat.whatsapp.com/DehexjLMC2mJaki0whoZbD 




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terça-feira, 13 de abril de 2021

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAP. 16: DEDICAÇÃO

MÉDIUM

A mediunidade exige dedicação. Ao lado de todo o desenvolvimento aqui narrado e todas as boas experiências que tive, é preciso dizer que também passei, sim, maus bocados.

Primeiramente, a tentação do resguardo. Um dia antes do trabalho nada de: carne, sexo, bebidas, fumo... Vigiar e orar em dobro, etc. Resguardar-se por uma semana, um mês, é fácil... Mas, fazer o resguardo ao longo de vários meses se torna, às vezes, bastante penoso...

Quantas vezes amigos me convidaram para sair, justamente, num dia de trabalho?

Quantas vezes o sono, a preguiça, o frio ou o simples cansaço do serviço me convidavam a permanecer em casa, confortavelmente? E por aí vai...

E o que dizer dos ataques espirituais?

Cada pessoa sinceramente empenhada no bem e que sirva à espiritualidade se torna alvo de ataques das trevas. Como exemplo, vou contar um episódio que se passou comigo.

Às segundas, tínhamos trabalho de desobsessão espiritual. Trabalhei o dia todo, cheguei em casa, tomei banho, comi algo leve e já me preparava para ir ao terreiro. Senti, estranhamente, que estava sendo

vigiado. Repentinamente, uma multidão de vozes me rodeava, xingando, vociferando, ofendendo. Uma leve vertigem me atacou a ponto de precisar me sentar na cama.

Gosto muito de ouvir a cantora Enya. Coloquei uma música suave dela no smartphone e, com muita dificuldade, elaborei uma prece mal feita. A vertigem diminuiu e saí para a garagem. Ao tentar ligar a moto, nada. Nem sinal de partida. Tentei dar “tranco”, nada. Já estava suado e cansado de tanto fazer força empurrando-a e nem sinal de partida. A vertigem aumentou, as vozes retornaram ainda mais intensas.

Pedi auxílio ao meu pai que, estranhamente, mudou de humor da água para o vinho. Passou a reclamar de tudo, me criticar pela moto e a dizer que eu não deveria trabalhar aquela noite. Estranhei sobremaneira a mudança de comportamento dele, pois instantes antes, estava tranquilo. Por fim, deixei a minha moto e pedi a da minha irmã emprestada.

Uma intuição me veio para que andasse devagar e que não me preocupasse com o atraso (afinal, perdi tanto tempo tentando fazer a moto ligar que já estava atrasado). Dirigi devagar e numa rotatória por onde sempre passo a moto simplesmente escorregou e eu quase caí... Sempre passei por aquele trajeto e nunca tive problema algum. Apenas esta vez e nunca mais!

As perturbações seguiram até chegar ao terreiro. Tão logo estacionei a moto e dei o primeiro passo portão adentro as perturbações simplesmente cessaram.

Vários outros episódios semelhantes ocorreram de modo que não deixaram dúvidas quanto a origem espiritual. Se não me atingissem diretamente, atingiam pessoas ao meu redor que, por consequência, me atingiam também...

Bom, mas e a proteção dos guias? Ela existe e se não fosse por eles, simplesmente, não conseguiríamos trabalhar... Entretanto, há limites para intervenção. Eles não podem, simplesmente, nos livrar de todos os males que nós mesmos causamos por nossa invigilância, pela falta de fé ou por nossa inconstância sentimental...

Como diz o ensino evangélico: ajuda-te que o céu te ajudará.

Que os futuros médiuns estejam cientes, pois, que a mediunidade encerra incríveis possibilidades de melhoria e aprendizado que a maioria das pessoas não terá acesso, mas ela também é construída com muito esforço e sacrifício.

Leonardo Montes

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domingo, 11 de abril de 2021

DICAS PARA EVITAR MAL-ENTENDIDOS NO TERREIRO

cabocla

A primeira experiência desagradável que tive no universo religioso se deu em um centro espírita em que trabalhava. Eu era responsável por fazer palestras que aconteciam antes do trabalho de almoço fraterno. Após uma destas palestras, uma moça me procurou e começou a falar mal do seu marido.

Eu nem consegui responde-la. Quando, enfim, fez uma pausa para respirar mais profundamente, perguntei:

— Se ele é tudo isso, então, por que ainda está casada com ele?

Ela nada me respondeu. Parecia abalada com a minha pergunta. Virou as costas e foi embora.

Na semana seguinte, após a palestra, estava conversando com uma voluntária da casa quando um homem que parecia ter o dobro do meu tamanho entrou no centro e que foi logo perguntando:

— Eu quero saber quem é que mandou a minha esposa me largar!

Lembrei-me na hora do caso. Meu coração disparou. Pensei que apanharia ali mesmo, no centro. Contudo, munido de uma coragem que deve ter sido inspirada, fechei o semblante e comentei com muita rispidez tudo o que a moça havia me dito sobre ele, explicando que em momento algum havia pedido que ela se separasse. A voluntária ao meu lado confirmou a conversa anterior.

O rapaz ficou chocado com tudo que ouviu e disse:

— Não imaginei que ela pensasse isso de mim...

Ficou sem graça, pediu desculpas e nunca mais o vi. De minha parte, o alívio foi imediato e, desde então, procuro sempre ser muito cauteloso em situações assim (e, creiam, são muitas).

Conseguem imaginar todos os desfechos que esta história poderia ter tido? São muitos...

Por esta razão, pensei em algumas medidas de segurança que devemos adotar na realização dos trabalhos espirituais, listando algumas situações típicas no universo da Umbanda e que certamente ajudarão tanto a equipe, quanto os consulentes que participam desses trabalhos:

Às vezes, é preciso fazer um atendimento emergencial no terreiro, em razão da necessidade de um consulente, amigo, familiar, etc. Quem trabalha em terreiro certamente já observou alguma situação assim, então, aqui vai a primeira dica: nunca vá sozinho para o trabalho. O médium deve sempre chamar, no mínimo, mais uma pessoa da casa para acompanha-lo. Assim, se no futuro surgir qualquer conversa “estranha” não será a voz de um contra a de outro, haverá testemunhas;


Às vezes, os consulentes pedem para fazer uma reza, passe ou defumação em suas residências. É um pedido relativamente frequente e, novamente, jamais se deve ir sozinho, chame pelo menos mais algumas pessoas do terreiro para acompanha-lo, tanto para dar suporte espiritual, quanto para auxiliar em quaisquer circunstâncias e, novamente, se no futuro houver qualquer conversa “estranha”, existirão várias testemunhas...


Na hipótese da realização de algum trabalho espiritual em residência própria, jamais o médium deve estar sozinho com o consulente. Tanto no que se refere ao apoio espiritual, quanto pessoal: se for realizar algum trabalho em sua residência, chame pessoas experientes para participar (e, consulentes, desconfie quando um médium te chamar para fazer um trabalho na casa dele, especialmente, se estiver sozinho. É claro que pode ser que esteja agindo com a melhor das intenções, mas muitos abusadores no meio espiritual usam essa tática);


Evite intimidade com consulentes. Eu já tive a desagradável experiência de ser xingando, não uma ou duas vezes, por maridos ciumentos via Whatsapp de suas esposas. Como sempre estou disponível para conversar com quem se interessa, muitas mulheres entram em contato comigo (a maioria do público do meu canal é feminino) e mesmo atendendo com todo respeito e consideração, ainda assim, algumas vezes passei por este aborrecimento, imaginem se eu ficasse de “tititi” por aí? Por isso, considero muito inapropriado que médiuns/cambones fiquem conversando e trocando intimidades com consulentes (então, não existe esta do “guia” mandar o consulente passar telefone para o “cavalo” – consulentes, se isso acontecer, saiba que é coisa do médium e não do guia);


Não toque nas pessoas durante o passe. Este é um ponto importante e nós já tivemos problemas com isso em nosso terreiro. Pelo menos duas vezes fomos procurados por mulheres que tomaram passe e se sentiram incomodadas pelo fato de serem tocadas em seus braços ou pernas durante o passe. TOCAR O CONSULENTE É TOTALMENTE DESNECESSÁRIO porque o passe não passa pela mão e não entra pela pele, ele é absorvido pelo campo áurico da pessoa. Então, a minha sugestão é que se evite tocar o consulente, pois não faltarão quem veja “pelo em ovo”, assim como muitos médiuns sem caráter podem se aproveitar para “tirar uma casquinha”, é triste falar isso, mas é uma verdade;


Se necessário chamar a atenção de um médium/cambone, o dirigente não deve fazê-lo sozinho, pois se amanhã ou depois surgir qualquer conversa fora de rota, haverá testemunhas que poderão confirmar o que foi dito, separando o joio do trigo;


Durante o desenvolvimento, é preciso ter muito cuidado para não tocar nas partes íntimas, especialmente, das mulheres. Quando se faz a corrente em volta da médium em desenvolvimento, as mãos nunca devem estar na altura em que possam tocar os seios, assim como na hipótese dela se desequilibrar, deve-se sempre colocar o braço em suas costas para ampará-la na queda com a mão fechada, evitando abraça-la pelas costas, mesmo na intenção de segurá-la, já que acidentalmente a mão pode acabar tocando o seio. Da mesma forma, se houverem mulheres na corrente em torno do médium em desenvolvimento, na hipótese do mesmo se desequilibrar, vindo para o seu rumo, a médium deve escorá-lo com seu ombro, não de frente, como é comum. O homem que fizer parte da corrente, deve colocar seu corpo posicionado lateralmente, protegendo a sua genitália, pois em muitas giras a pessoa acaba abrindo os braços e pode vir a acertá-lo no meio das pernas. Fazendo isso, evita-se tanto a dor, quanto o constrangimento.

Enfim, poderia citar outras tantas medidas, porém, creio que estas sejam suficientes para entender o espírito da coisa: cuidado. Cuidado consigo e cuidado com o outro. Respeito por si e respeito pelos outros, evitando brechas para mal-entendidos, fofocas, mentiras, malícias e tudo o mais que pode acontecer com o descuido de uma pessoa e que pode afetar todo o terreiro. 

Leonardo Montes 


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sábado, 10 de abril de 2021

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 15: CONHECENDO AS ENTIDADES

diário

O desejo de saber quem são as entidades que trabalharão conosco gera uma enorme expectativa. Curiosamente, as entidades-chefes, durante o desenvolvimento, não costumam revelar estes nomes, esperando que as próprias entidades o façam.

O primeiro espírito que se deu a conhecer, como narrei anteriormente, foi o Pai José do Congo. Um preto-velho sábio, calmo, bom ouvinte. Eu já ouvira falar do Pai Arruda e que trabalharia com ele, mas não o conhecia. Só vim a incorporá-lo em novembro de 2015, três meses após iniciar os atendimentos públicos...

Em seguida, conheci o caboclo Uirapuru, da linha de Oxóssi. A princípio, ele quase não falava, agia energicamente e parecia incansável. Sempre que trabalhava com ele eu desincorporava quase morto de cansaço. Aos poucos, porém, começou a falar. Ainda hoje, é um caboclo de poucas palavras, mas seus conselhos são simples, claros e diretos, apesar de seu jeito truncado de dizer as coisas.

Logo, soube que trabalharia com um Hindu na desobsessão e nos trabalhos de cura. Eu aprendi a sentir a energia desse espírito que, quando incorporava, caminhava de forma ereta, quase nunca conversava e dava passes de forma bem diferente, fazendo movimentos circulares com as mãos, formas piramidais e quase teatrais, aos meus olhos. Ele só revelou seu nome em junho de 2015: Caboclo Ragi (e não faço ideia do motivo pelo qual se define como caboclo).

O quinto espírito que eu conheci foi o baiano Vicente. Eventualmente trabalhávamos com a linha dos Baianos e ele se manifestou por meu intermédio apenas três vezes em um ano de trabalho. Descontraído, atencioso e alegre, sua incorporação é tranquila, embora sinta um pouco de dor nas costas, já que ele não anda completamente ereto e sempre de mãos fechadas, gritando: axé, axé!

O sexto espírito foi o Exu do Lodo... Sempre se manifesta ao chão, com uma risada estridente, bastante alegre, brincalhão e muito desbocado... A primeira vez que eu o incorporei foi em meio à cana, enquanto estávamos fazendo uma entrega. Ele riscou seu ponto ali mesmo, com o dedo, na terra. A priori senti medo, pois seu modo de agir é totalmente diferente do meu. Com o tempo, porém, ele se tornou tão popular que passou a ser a manifestação mais esperada de todas.

Quase ao mesmo tempo conheci Rosa Vermelha da Encruzilhada, uma pombagira. Veio após um trabalho com os exus, trazendo sua presença feminina e seus bons ofícios em prol de todas as mulheres (atende quase exclusivamente mulheres) que sofrem com relações afetivas, problemas familiares, dificuldade na educação dos filhos, etc. Gosta de beber uma sidra vermelha semelhante ao champanhe e faz questão de ter sempre entre os dedos um cigarro convencional.

O oitavo espírito se apresentou de forma inusitada. Encerrávamos os trabalhos dos pretos-velhos e

começou-se a cantar para as crianças. Nunca havia desenvolvido com esta linha. Participei também dos cantos quando fui chamado pela preta-velha que comandava os trabalhos à concentração. Senti, então, uma energia intensa, totalmente diferente do que estava habituado e após um processo mais longo do que o normal se manifestou Juquinha Conchinha do Mar, criança da linha de Iemanjá. Sereno, educado e atua mais supervisionando as outras crianças do que, propriamente, atendendo. Gosta muito de conversar, chupar balas macias e beber fanta uva (bebida que eu detesto).

Após um ano e meio de trabalho vim a conhecer mais dois espíritos. O primeiro se apresentou como Wlado, um cigano muito atencioso, interpretador de sonhos e que demonstra muita lucidez e inteligência nos mistérios do mundo espiritual. Não abre mão de um charuto, vinho tinto e uma boa conversa. Mostra-se quase um professor.

O último veio da linha dos malandros. Apresentou-se apenas rapidamente, sem dar muitos detalhes e ainda não riscou seu ponto (alguns dizem que Malandro não risca ponto). Seu nome é Zé Pretinho e as únicas coisas que sei sobre ele é que gosta de cerveja bem gelada (outra coisa que detesto) e enroladinho de mortadela apimentada.

Esses são os espíritos que, de uma forma ou de outra, trabalharam comigo e parecem fazer parte de uma equipe espiritual com a qual irei trabalhar até o fim da

minha vida. Além destes, contudo, houveram outras manifestações, mas elas são tão raras e sei tão pouco desses espíritos que não os considero integrantes desta mesma equipe, mas trabalhadores eventuais.

No trabalho que ocorre em finados, por exemplo, trabalhei com uma preta-velha que se apresentou como Vó Maria Rosa do Cruzeiro das Almas. Em duas ocasiões, sendo uma delas um trabalho de desobsessão. Trabalhei também com uma cabocla d’agua, que também não sei quem é e, na festa de Ogum do ano de 2016, trabalhei com o caboclo Pena Vermelha, que também nunca mais deu notícias.

Acredito que, com o passar dos anos, conhecerei e trabalhei com outras linhas. Nunca vi, por exemplo, manifestações de Marinheiro, Boiadeiro ou Exu Mirim.

Enfim, caro leitor, o que posso lhe dizer sobre a ansiedade em querer saber sobre seus guias, é: tenha paciência!

Não procure informações na internet, como história da entidade, seu ponto riscado, essas coisas, pois você correrá o risco de ser influenciado pelo que vai ler. O melhor é deixar o processo fluir naturalmente que, sem dúvida, cedo ou tarde, você as conhecerá e verá que elas são suas companheiras e que sempre te auxiliarão, direta e indiretamente, em todos os momentos de sua vida... E, no fim, quem pode se queixar de esperar tendo tantos amigos dedicados em torno de si?

Leonardo Montes

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terça-feira, 6 de abril de 2021

MÉDIUNS DE ANTIGAMENTE E DE HOJE

médiuns

A Umbanda nasceu num contexto extremamente problemático: cerca de 82% da população brasileira era analfabeta, pobre e tinha muito medo da religião. Os médiuns do começo do século XX enfrentaram obstáculos quase inimagináveis, como por exemplo, o desemprego, o estigma e o desamparo.

Existem muitos relatos de pessoas que foram presas durante os cultos, apanhavam da polícia, eram soltas no dia seguinte e se mudavam com suas famílias para outra localidade para então erguer novamente seus terreiros. Particularmente, creio que este tenha sido o mecanismo inicial que fez com que a Umbanda saísse do Rio de Janeiro para os demais estados brasileiros. 

Contudo, apesar dos pesares, existiram grandes médiuns, capazes de executar fenômenos extraordinários e que praticamente não são mais vistos hoje em dia. O que mudou?

O mundo mudou!

Inicialmente, a maioria dos médiuns eram inconscientes e isso se dava em razão da necessidade da espiritualidade de fundamentar a religião, trazer a sua base. Uma vez que isso se tenha dado, a mediunidade, gradativamente, caminhou para a consciência que é a característica predominante hoje em dia.

Há quem pense que isso seja suficiente para explicar os fenômenos do passado, como por exemplo, os observados e descritos por Matta e Silva em seu livro: Umbanda e o poder da mediunidade.

Ao ler este livro, tem-se a impressão de que os fenômenos descritos não podem ser verdadeiros, dado o inusitado das manifestações. Contudo, eles são perfeitamente coerentes com o que se sabe a respeito da mediunidade, só não ocorrem com frequência na atualidade.

E, particularmente, penso que a principal razão para que tais fenômenos não mais ocorram seja, justamente, a mudança dos médiuns. E não falo da transição da inconsciência para a consciência na incorporação, mas da transição do compromisso e da retidão, para o desinteresse e a má vontade, característicos do nosso tempo.

Os médiuns do passado, em sua maioria, eram pessoas de rija têmpera, de fé inabalável, forte determinação e confiança em Deus. Eram presos num dia e no dia seguinte se mudavam com a família para dar continuidade aos trabalhos em outro lugar. Muitas vezes não tinham o que comer e repartiam o pão com os enfermos que lhes batiam à porta.

O caráter destes médiuns foi forjado na luta de um Brasil carente de tudo e sem rumo certo. Estas pessoas viviam em estado de privação e a vida se resumia em trabalhar, criar os filhos e o terreiro. Não havia muito tempo para distração e futilidades.

E hoje?

Hoje o médium tem mil distrações, mil ocupações, mil lazeres. Apesar de ainda vivermos tempos de crise e de estarmos longe das alegrias de um “primeiro mundo”, muita gente tem acesso a coisas que até bem pouco tempo seriam inimagináveis...

Para os médiuns de hoje o terreiro não é prioridade. Na verdade, aparece no quarto ou quinto lugar (e olhe lá!). Comparecem às gira se não estiver frio, se não estiver muito quente, se não houver festa na cidade, se não houver muito o que fazer...

Certa feita, uma pessoa com mais de 40 anos de Umbanda e que trabalha numa casa enorme, me disse:

- Léo, quando eu comecei na casa, se cinco médiuns faltassem, na outra semana tínhamos uma reunião para ver o que aconteceu, o motivo de tanta falta. Hoje, quarenta anos depois, faltam 30 médiuns numa gira e achamos normal, porque não dá pra exigir muito dos médiuns de hoje!

E, lamentavelmente, ela está coberta de razão!

A maioria dos médiuns que conheci, tanto pessoalmente quanto pela internet, participavam pouco das atividades da casa, interessavam-se pouco pelos rumos do trabalho, contribuíam pouco ou quase nada, comportando-se de maneira indiferente, apática, sem vontade. Não raro, sofrem o tempo todo de crises diversas: falta de fé, dúvida sobre a própria mediunidade, incerteza sobre a sua vida espiritual, etc.

Enfim, no passado, encontraríamos muitos médiuns extraordinários cujas mediunidades foram forjadas na luta e em terreno árido. Na atualidade, com tantas facilidades e distrações, encontramos uma multidão de médiuns meia-boca, sempre dispostos a ficar pelo caminho...

E não pensem que fujo a esta equação, pois embora não me veja tão desleixado quanto a maioria que conheci, nem de longe possuo a fé ardente dos primeiros médiuns da Umbanda. 

A parte boa é que podemos nos inspirar em quem quisermos, procurando o melhor que existe em nós mesmos: podemos nos aproximar dos primeiros ou dos últimos. A escolha é nossa!

Leonardo Montes 


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sexta-feira, 2 de abril de 2021

TODA ENTIDADE PRECISA BEBER E FUMAR?

bebida na umbanda

É muito comum, no universo da Umbanda, as entidades utilizarem elementos como o tabaco e o álcool em seus trabalhos. Tais elementos são usados porque possuem uma energia que favorece o transe e também os processos de limpeza espiritual.

Entidades que fazem uso regular destes elementos costumam trabalhar com energias mais densas, como descarregos ou desobsessões; já entidades que fazem pouco ou nenhum uso destes elementos, costumam trabalhar mais com energias sutis, voltadas aos processos de tratamento físico, mental ou espiritual.

Assim, o ponto fundamental é compreender que cada elemento é como uma ferramenta e cada entidade utiliza a ferramenta de acordo com o serviço que vai executar e sua especialidade de atuação.

Enquanto uma entidade que trabalha com tratamentos espirituais manipula energias mais sutis que retira das plantas, da água, do ar, outra entidade, que atue mais na linha de choque contra as energias densas, utilizará a energia do marafo ou do tabaco com mais frequência, através das “fumaçadas” e “baforadas” que são excelentes meios de descarrego e limpeza profundas.

Cada entidade com sua forma de trabalhar, suas ferramentas e seus métodos. Todas, invariavelmente, são exímias em suas áreas de atuação e sabem, com maestria, manipular todos os elementos visando sempre o que seja melhor para o trabalho que estejam realizando no momento.

Uma entidade que faz pouco uso de elementos não é mais evoluída que a entidade que faz uso regular, elas apenas trabalham de formas diferentes, em campos diferentes e com ferramentas diferentes.

Leonardo Montes 


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