segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Fim do blog

 Pessoal, boa tarde.

Chegamos à marca de 260 textos sobre Umbanda publicados no Blog, desde 2019.

Acho que é o suficiente, ele já cumpriu o seu papel.

Deste total, 60 formam o Curso Básico de Umbanda e outros 36 o Diário de Um Médium Iniciante. Isto quer dizer que os outros 164 textos são conteúdos que nasceram exclusivamente para o blog.

Diante disso, resolvi o seguinte: não vou renovar o domínio “umbandasimples.com.br”, portanto, o blog daqui há alguns dias não estará mais acessível.

Contudo, para que seu conteúdo não se perca, transformarei o restante dos textos em um arquivo PDF que disponibilizarei junto com os demais livros que já escrevi, aqui neste drive: https://bit.ly/3uAtozl 

Em agosto, encerrei o canal Umbanda Simples, no Youtube, onde publiquei 245 vídeos exclusivos sobre Umbanda. O conteúdo, porém, continua disponível lá: http://youtube.com/UmbandaSimples 

Portanto, foram 245 vídeos + 164 textos exclusivos sobre Umbanda, totalizando: 409 conteúdos exclusivos sobre a religião. Por isso, considero encerrada esta empreitada de quase dois anos de intenso trabalho de divulgação da Umbanda.

De agora em diante, voltarei a forcar meu trabalho no canal: Voz Espiritualista (http://www.youtube.com/VozEspiritualista). Onde continuarei falando sobre os mais diversos assuntos do universo da espiritualidade.

Bom, e agora?

Aqui neste grupo, somos 223 pessoas. Eu poderia mudar o nome do grupo e passar a postar o que normalmente posto nos demais, porém, eu criei este grupo com o propósito de falar sobre Umbanda e, sendo assim, considero mais justo explicar todo processo de mudança que farei daqui por diante ao invés de simplesmente mudar o foco pelo qual vocês se interessaram ao entrar aqui nos últimos sete meses. 

Portanto, aqueles que desejarem continuar acompanhando os conteúdos terão algumas possibilidades:

Grupo Voz Espiritualista 1 (há conversa entre os membros) – Link: https://chat.whatsapp.com/IXYtJKtK5bkHfpiOqWmciM (são 22 vagas)

Grupo Voz Espiritualista 2 (há conversa entre os membros) – Link: https://chat.whatsapp.com/H3O30iVspbv4qFo5bZT2VR (são 103 vagas)

Grupo Voz Espiritualista 3 (não há conversa entre os membros) – Link: https://chat.whatsapp.com/FGwQ5KTcRabD7YaX9brnit (são 25 vagas) 

Grupo Voz Espiritualista 4 (não há conversa entre os membros) – Link: https://chat.whatsapp.com/GUWEnDVS9adBV94Rg1KCyy (grupo adicional criado para que ninguém fique de fora)

Canal no Telegram (não há conversa entre os membros) – Link: https://t.me/VozEspiritualista (não há limite de participantes).

Como podem perceber, são dois grupos em que as pessoas conversam, trocam ideias, postam coisas e dois grupos em que apenas se recebe os conteúdos que eu posto, mais o canal no Telegram. Escolham o que acharem melhor. Assim que entrarem, podem sair deste.

Enfim, com todas essas possibilidades, ninguém ficará de fora! 

Os conteúdos serão postados em todos os grupos, igualmente. Portanto, não há necessidade de participar de mais de um (os grupos de conversas, por terem conteúdos de outras pessoas, logicamente terão outros conteúdos). Porém, sempre que eu postar um vídeo ou um texto, por exemplo, postarei em todos os grupos, igualmente.

Grato por terem me acompanhado até aqui e vejo vocês nos outros grupos.

Leonardo Montes

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sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Exu e Pombagira podem riscar o ponto antes do preto-velho?

 

ponto de exu
Imagem do Mercado Livre

Grato pela pergunta, Luciane.

Riscar o ponto não tem a ver com a entidade e, sim, com o desenvolvimento do médium com aquela entidade. Por exemplo: terreiros que começam desenvolvimento primeiro com a esquerda, tenderão que seus médiuns deem passividade para as linhas da esquerda com mais facilidade e estas entidades riscarão seus pontos antes das demais.

Não tem a ver com a entidade, propriamente, mas como o desenvolvimento é feito, por quais linhas ele começa.

Normalmente, (e é o nosso caso), o desenvolvimento começa pela direita. Neste sentido, as entidades da direita riscarão seus pontos antes das entidades da esquerda, que serão as últimas a entrarem no desenvolvimento.

Percebe?

Não há certo ou errado, depende apenas de como o desenvolvimento é feito. A linha que o médium mais trabalha será, provavelmente, a primeira que riscará o ponto.

Leonardo Montes

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segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Cada entidade tem seu jeito de trabalhar

entidade
Imagem de Paulo Henrique da Silva

Grato pela pergunta, Eliane.

Cada entidade trabalha de um jeito, mesmo que ela faça parte de uma falange. Para entender isso, vamos a um exemplo: eu sou psicólogo, tenho a minha maneira de trabalhar. Outros psicólogos, trabalharão de outras maneiras. 

Existem diferentes correntes de pensamento com suas respectivas técnicas dentro da psicologia: psicanálise, humanismo, cognitivo-comportamental, gestalt, sistêmica, etc.

Cada psicólogo pode escolher o seu referencial teórico e cada um será diferente do outro, contudo, ainda assim, todos seriam psicólogos, entende? A mesma coisa ocorre com a falange: dentro dela há centenas/milhares de espíritos, mas cada um trabalha de acordo com seu próprio método.

O médium em desenvolvimento não conhece nada sobre as entidades que se manifestarão por ele. Isso ficará claro no processo. Por esta razão, é preciso paciência, prudência, pé no chão. Não há nada mais gratificante do que ir conhecendo aos poucos, sabendo aos poucos. É preciso não ter pressa!

Com o tempo, as entidades se revelarão: dirão seus nomes, o que usam, como trabalham. Se ainda não disseram, é que o médium não está maduro o suficiente. Porém, com dedicação e boa-vontade, certamente, todos chegam lá.

Leonardo Montes


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sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Visão de parentes no momento da morte

enfermo
Imagem do Google Imagem

Gostaria que você falasse a respeito de pessoas que estão próximas do desencarne e começam ver familiares falecidos – Grato pela pergunta, Jussara.

Vou começar contando um caso que ocorreu na família de uma pessoa próxima.

A mãe estava bastante idosa e, por isso, havia sido poupada pela família quanto a notícias de falecimentos recentes. Já bastante debilidade, a senhora vivia relatando a visita de amigos e familiares já desencarnados, embora ela não soubesse disso, o que sempre chocava a todos.

Certo dia, disse à filha ter recebido a visita do esposo (já falecido) e de um padre amigo da família (também já desencarnado). Quando perguntaram o motivo da visita, ela respondeu:

— Disseram que vieram me buscar, mas eu disse que não queria ir. Mas, agora, acho que eu quero!

Dias depois, ela se foi.

A visita de amigos e familiares no momento da morte ou nos dias que antecedem à morte, é um fato bastante comum e que deveria nos fazer pensar muito seriamente sobre a vida e a morte.

Abundam casos em toda parte, de tal forma que todas as tentativas de negar o fenômeno não passam de atavismos sem sentido. Porém, o que explica o fato?

Quando uma pessoa está enferma e a enfermidade se agrava, isso significa que o corpo físico está bastante frágil. Os laços que prendem o espírito ao corpo, debilitados pela doença, já não se encontram com a mesma força de antes, isso permite ao espírito uma certa liberdade, uma facilidade maior de desligamento temporário e, com isso, a visão e mesmo a audição do plano espiritual com muita naturalidade.

É por isso que pessoas enfermas relatam a visita de amigos e parentes que sempre estão nos apoiando nos momentos difíceis, mas que não são percebidos por aqueles que não possuem uma mediunidade mais aclarada, a não ser, quando a vida material já está tão fraca que o espírito praticamente se encontra com um pé do outro lado.

Contudo, ao contrário do que muitos pensam, o fato de ver estes espíritos não é um sinal de que a pessoa morrerá em breve. A senhora citada, por exemplo, relatou a visita de diversas pessoas que ela não sabia que haviam morrido durante alguns anos. Conforme a enfermidade avançava e a saúde se debilitava, mais ela os via. 

Trata-se, portanto, de algo comum nos processos de adoecimento que enfraquecem o corpo e dão mais liberdade ao espírito e por isso não necessariamente significam que a pessoa esteja prestes a desencarnar. 

Não há razão para que os familiares pensem que a pessoa está “esclerosada” ou qualquer coisa semelhante.

Quando isto acontecer, ao invés de se encherem de temor, as famílias devem é se encher de amor. Quer prova maior de afeto do que receber a visita e os cuidados daqueles que, um dia, partilharam o mundo conosco? Nestas situações, as famílias devem orar, agradecer aos familiares do lado de lá o amparo recebido e, com isso, encherem-se de alegria e fé, pois é o testemunho familiar, debaixo do próprio nariz, da continuidade da vida e da imortalidade da alma.

Cabe dizer, contudo, que nem todas as visões são positivas. Mas, isso deixarei para um outro post...

Caso queira enviar uma pergunta sobre Umbanda, escreva para: canalumbandasimples@gmail.com

Leonardo Montes 

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quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Durante a gravidez a mulher pode incorporar?

gravidez

Imagem de fixthephoto.com

Lembram-se do versículo: tudo me é lícito, mas nem tudo me convém? (1 Coríntios 6:12), é aqui que ele se encaixa. 

De modo geral, pode-se dizer que, se não houver nenhuma disposição em contrário, como uma gravidez de risco, por exemplo, nada impediria uma mulher de trabalhar mediunicamente durante a gestação. Contudo, a questão que me parece mais relevante é: há necessidade?

E, para mim, não há.

Sou daqueles que veem a maternidade como algo sagrado. Se estivesse em minha alçada, jamais uma mulher trabalharia profissionalmente até o fim da sua gestação, como jamais retornaria ao serviço em menos de um ano após o parto.

E digo isso porque considero, do ponto de vista psicológico e espiritual, a maternidade extremamente importante, tanto para a mulher, quanto para o filho e sei bem como os meses que antecedem e sucedem à gestação são fundamentais para o bom desenvolvimento da relação afetiva entre ambos.

Quantas vezes uma mulher gestará durante a sua vida? Duas, três, quatro vezes? E quantas vezes trabalhará mediunicamente? Centenas, milhares de vezes? Então, para quê arriscar um momento tão sagrado por algo que se fará o resto da vida?

Sou da opinião de que, a partir do momento em que a mulher se descobre grávida, não deve mais atuar como médium. 

Todo médium é impactado, direta e indiretamente, pelo trabalho que realiza. Seja através de um consulente carregado e cujas vibrações incidirão sobre a médium, seja em razão dos ataques espirituais que as trevas não cessam de empreender, seja mesmo pelo desgaste físico e emocional que um trabalho proporciona, tudo isso gera um risco absolutamente desnecessário à gestante.

Por esta razão, em minha opinião, toda mulher grávida deve frequentar o terreiro apenas para tomar passes, não para atuar como médium. Após a gestação, ela terá o restante da vida para fazer isso.

Leonardo Montes 


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terça-feira, 31 de agosto de 2021

Como fazer oferendas do jeito certo?

oferendas

Como fazer oferendas do jeito certo?

Antes de começar este texto, é bom deixar claro que o “certo” a que me refiro se dá segundo à nossa maneira de se fazer e pensar as oferendas e não a uma visão geral que desqualifica as demais práticas: é o resultado daquilo que aprendi com os guias e o que fazemos em nossa casa, apenas isso!

Os guias sempre me ensinaram que não precisavam de oferendas que não fossem àquelas nascidas do nosso próprio coração. Assim, o preto-velho não precisa de café, o exu não precisa de marafo, etc. Todas estas coisas podem ser oferendadas, desde que sejam importantes para quem as oferenda e não a quem se destina.

Isto é, as oferendas importam para as pessoas, não para os guias ou para os Orixás. Façamos uma comparação:

É comum que no dia de finados os vivos levem flores aos cemitérios. Contudo, o que os mortos farão com estas flores? Nada. Elas são apenas um meio material de externar o carinho, a saudade e o amor por aqueles que já partiram, certo? A mesma coisa ocorre com as oferendas!

Quando alguém coloca café para o preto-velho não é para aplacar a sede do mesmo de um cafezinho nem para ganhar-lhe a simpatia, afinal, vocês acham mesmo que um preto-velho precisa de um café para proteger uma pessoa? Acham que o exu precisa de um copo de marafo para poder auxiliar a quem pede ajuda?

Assim, quando se coloca um café para o preto-velho ou um marafo para o exu, não é para cativar ou barganhar com estas entidades, mas é um gesto de fé, simpatia, carinho, da mesma forma que as flores são para os mortos em finados.

Há pessoas que não conseguem rezar de verdade se não tiverem diante dos olhos uma vela acesa, não é? Da mesma forma, há pessoas que se não materializarem a sua fé em algo palpável, sentem que lhes falta algo e está tudo bem: em matéria de fé, não há melhor ou pior. Cada um deve fazer aquilo que mais fale a seu coração!

É por esta razão que as entidades sempre me ensinaram o seguinte: nunca faça grandes oferendas que podem até encantar os olhos, mas que começarão a apodrecer no dia seguinte... Use este dinheiro para ajudar os pobres: esta é a melhor oferenda para os guias e também para os Orixás. Contudo, caso sinta que precisa se ligar de forma mais profunda, seja a um guia ou mesmo a um Orixá, faça da seguinte forma:

Vá até o ponto de força na natureza, como uma mata, por exemplo. Acenda ali a sua vela, coloque a sua oferenda. Entretanto, não faça como os apressados que julgam bastar colocar as coisas em algum lugar e virar as costas para que se resolva... Fique ali. Faça a suas orações. Cante pontos. Chame pela entidade/Orixá a quem você oferenda e permaneça pelo menos uma hora em oração, meditação, reflexão, sentindo a vibração da força evocada. Sinta a energia da natureza, observe as plantas, o vento, a terra, as cores, o cheiro das coisas, enfim, a vida a seu redor. 

Conectado a esta força (sem qualquer necessidade de incorporação), abra seu coração, confesse seus erros, peça perdão, peça inspiração, reflita, reflita... Decorrido pelo menos uma hora, recolha todos os resíduos não naturais (afinal, a natureza não precisa de lixo), agradeça e vá embora.

Este é o jeito certo de se fazer oferendas, segundo sempre me ensinaram as entidades que me guiam. É assim que ensino e é assim que compartilho aqui este conhecimento.

Leonardo Montes 


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sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Devemos fazer nossas próprias guias?

guia de umbanda
Minha primeira guia

Devemos fazer nossas próprias guias? – Grato pela pergunta, Felipe.

Tradicionalmente, as guias são confeccionadas pelo próprio médium ou presenteadas a ele pelo dirigente da casa (existem casas que seguem este modelo e outras não).

A ideia é que, ao fazer a guia, a pessoa crie um vínculo com ela, tratando-a como parte da sua indumentária sagrada e, portanto, dê mais valor a este objeto. Porém, não existem razões práticas que impeçam alguém de comprar suas guias: eu mesmo, nunca fiz e provavelmente nunca farei uma guia (simplesmente, não tenho paciência para isso).

Contudo, trato muito bem as minhas guias: nunca as deixo no chão e nunca as guardo em qualquer lugar: a guia sai da gaveta para o meu pescoço e dele volta para a gaveta.

Porém, seja confeccionada, ganhada ou comprada, a guia só possa a ter valor espiritual a partir do momento em que é cruzada (imantada/abençoada) por uma entidade de sua confiança. Por isso, antes de usá-la, é sempre bom leva-la ao terreiro para que uma entidade a cruze.

Leonardo Montes 


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quinta-feira, 26 de agosto de 2021

As roupas do terreiro devem ser lavadas junto com as demais?

roupa branca
Imagem do site Elo7

As roupas do terreiro devem ser lavadas junto com as demais? – Grato pela pergunta, ES.

Sim, sem nenhum problema.

Não há necessidade de qualquer separação neste sentido. O importante, penso, é guarda-las separadamente, não por qualquer aspecto energético, mas para que não percam o encanto do sagrado: se você deixa suas roupas comuns junto com as do terreiro, existe uma grande chance de que, ao cabo de algum tempo, você já não sinta nada ao vesti-las. 

Aqui em casa eu e minha esposa temos uma gaveta no guarda-roupas onde só ficam as roupas do terreiro, sem contato com as demais. E, por roupa de terreiro, refiro-me a calça, camisa, saia, etc. As roupas íntimas são as do dia-a-dia mesmo.

Quanto ao momento de vesti-las, isso varia de casa para casa ou do cuidado que a pessoa tem em não as sujar. Eu já saio de casa com o “kit completo”, incluindo, as minhas guias.

Leonardo Montes


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quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Todos temos várias entidades que nos acompanham?

guias
Imagem do Flicker

Todos temos várias entidades que nos acompanham? Grato pela pergunta, João.

A resposta é: não.

Não temos e nem sempre precisamos.

Cada médium terá o apoio de determinadas entidades dependendo do trabalho que lhe cabe realizar na Terra. Antigamente, era comum os médiuns na Umbanda trabalharem com uma – quando muito – duas entidades.

Tanto que era muito comum serem conhecidos por: fulana do caboclo x, beltrano do preto-velho y, e por aí vai.

Bem recentemente é que se começou a construir a ideia de que o médium tenha que incorporar, cinco, sete, dez linhas diferentes (eu sou da opinião de que quanto menos entidades o médium incorpora, melhor ele as incorpora).

Então, embora alguns médiuns tenham a assistência espiritual deste ou daquele espírito muito antes do seu nascimento, outras tantas entidades podem se aproximar conforme ele edifica o seu trabalho na Terra.

Leonardo Montes 


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terça-feira, 24 de agosto de 2021

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

O que acontece com o espírito de um bebê abortado?

feto

Imagem do Pinterest por Thalita Dol Essinger


Gostaria de saber se um espírito abortado fica na terra obsediando a mãe?  Ou ele vai para outro plano no momento do aborto?  E com a mãe que pratica o aborto, o que acontece? Ela paga em outra vida? Mesmo pedindo perdão? – Grato, Luciane.

A resposta a todas essas perguntas é: depende.

Cada aborto é um caso único e embora o fato seja o mesmo, as circunstâncias que o envolvem são muito diferentes e, por isso, o que acontecerá após a morte dependerá muito de diversos fatores.

Mas, vamos na sequência das perguntas.

O espírito/abortado poderá obsediar a mãe? Sim, a mãe, o pai e todos que influíram para que o aborto fosse praticado. Porém, nem todo espírito age assim. Depende do grau evolutivo dele e do objetivo da sua encarnação. Pode ser que, após o aborto, ele simplesmente seja levado para o plano espiritual, aguardando nova oportunidade para reencarnar.

A partir do momento em que o aborto é praticado, gera-se uma dívida “cármica” com este espírito. Não apenas por parte da mãe, mas também do pai, dos familiares que apoiaram a decisão e até mesmo da equipe médica que realizou o aborto (isso, claro, considerando um aborto intencional sem nenhuma causa justa, como o risco de vida da mãe – que, aliás, é o único tipo de aborto aceitável, segundo os espíritos).

A partir do momento em que esta dívida é gerada, ela deverá ser paga ou na vida presente ou na vida futura. Trata-se de um erro, um crime e sempre que praticamos algo que fira as leis divinas, temos que nos preparar para lidar com as consequências dos nossos atos.

O arrependimento é muito importante, mas não basta para reparar o erro. É preciso que, neste caso, as pessoas envolvidas se corrijam, deixem de praticar o erro e procurem fazer o bem onde antes fizeram o mal. Por exemplo, sempre que uma mulher me procura dizendo ter feito aborto, o que lhe recomendo é, nesta vida mesmo, procurar ajudar alguma instituição que cuida de crianças, não apenas comprando e entregando coisas, mas sendo voluntária, ajudando, cuidando, educando outras crianças de outras mães.

Não é preciso esperar a lei de Deus nos atingir para corrigir nossos erros.

Quer enviar suas perguntas? Escreva para: canalumbandasimples@gmail.com 

Leonardo Montes 


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sábado, 21 de agosto de 2021

Por que os guias demoram a riscar o ponto ou a falar sua falange?

Gostaria de saber por que os guias demoram a riscar o ponto ou a falar sua falange? – Grato pela pergunta, Peterson.

Imagem: Umbanda ead

O desenvolvimento mediúnico é um processo, basicamente, dividido em três etapas: irradiação, incorporação e firmeza (isso, claro, conforme entendo).

A irradiação é o primeiro passo em que o espírito enlaça o médium com sua energia. Costuma levar alguns meses até que, efetivamente, a entidade consiga ter uma conexão mais profunda com o médium. Esta é a fase em que o médium sente algum torpor em seu corpo, perde o equilíbrio e fica apenas balançando em seu desenvolvimento. 

Quando houver uma afinidade mais profunda entre a energia da entidade e a do médium, chega-se no segundo passo: a incorporação de fato, o que leva mais alguns meses. Neste processo, a energia que flui dos chakras da entidade e do médium se encontram, se entrelaçam e isto é o que chamamos de incorporação. Conforme avança o desenvolvimento deste estágio, o médium incorporado conseguirá falar, riscar o ponto, etc.

Por fim, o último estágio, é a firmeza. Nessa etapa, o médium deve permanecer incorporado o maior tempo possível, quietinho no seu canto, só ele e o guia, para que aprenda não só a incorporar bem, mas a manter o transe pelo maior tempo possível. 

Em resumo, é assim que entendemos o desenvolvimento. Processo que, aqui, costuma levar de dois a três anos para se completar. Então, se a entidade ainda não riscou o ponto, não deu o nome, não consegue falar, isso significa apenas que o desenvolvimento ainda não chegou nessa etapa, mas certamente chegará um dia.

Leonardo Montes 


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sexta-feira, 20 de agosto de 2021

O que dizer para os que pensam que cultuamos o demônio?

intolerância religiosa
Imagem de europeancleaningjournal.com

A religião afro, umbanda e quimbanda na visão da igreja cristã: adoração de outros deuses, a quimbanda como demônios e o ritual de axorô como sendo sacrifícios de animais. – Grato pela pergunta, Letícia.

Antes de tudo é preciso dizer que, da forma como aprendi e penso, a Umbanda não é uma religião afro-brasileira, mas uma religião brasileira com influência afro. Pode parecer apenas um jogo de palavras, mas não é.

Dizer que uma religião é afro-brasileira é dizer que sua matriz religiosa é africana, embora o seu desenvolvimento tenha se dado no Brasil, que é o caso do Candomblé. Porém, a matriz religiosa da Umbanda é tipicamente brasileira, sendo uma fusão de conceitos do Espiritismo, do Catolicismo e do Candomblé.

Dito isso, vejamos a questão das igrejas: elas sempre pensam que estão com a razão.

O cristão brasileiro comum tem o péssimo hábito de achar que suas crenças são o centro do universo. Ele só consegue olhar para os outros a partir de suas próprias lentes: tudo aquilo que não estiver de acordo com a bíblia (e, diga-se, cada igreja acha que está interpretando da maneira correta, nunca entrando em acordo com as demais), está profundamente errado e é obra do diabo.

Como esse pressuposto é profundamente verdadeiro em suas doutrinas, logo, torna-se praticamente inútil qualquer tentativa de demonstrar o contrário: não é possível dialogar com alguém que antes mesmo de iniciar uma conversa se acredita certo em suas verdades.

Então, o que normalmente recomendo é: deixe que pensem o que quiserem. Não há, nunca houve – e, creio – nunca haverá, obrigação de sujeitar as práticas da Umbanda a qualquer doutrina bíblica, assim, eles continuarão a pensar que estamos com o demônio e nós continuaremos a pensar que o demônio é só um mito.

Sobre rituais que envolvem o sacrifício de animais, eu os respeito, pois sei que fazem parte da tradição de várias culturas e não pretendo agir como boa parte dos que condenam o sacrifício de animais, mas adoram uma churrascaria... 

Contudo, eu não pratico qualquer forma de sacrifício animal. Nunca derramei uma gota de sangue animal em meus trabalhos espirituais e pretendo continuar assim.

Quer transformar suas perguntas em textos para o blog? Escreva para: canalumbandasimples@gmail.com 

Leonardo Montes 


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quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Postura do dirigente

vaidade

Hoje responderei algumas perguntas num único texto. Grato pelas perguntas e pelo carinho, Rafinha.

Quando um médium dirigente ou da linha durante o trabalho com suas entidades em terra bebem e quando a entidade vai embora eles ficam embriagados. Qual sua visão?

O uso do álcool é um fundamento da Umbanda, contudo, muitos médiuns pensam que precisam convencer os demais da sua incorporação bebendo exageradamente. O resultado é bem este: a entidade vai embora e eles ficam bêbados.

Porém, pode ser também que o médium misture a sua vontade com o uso que a entidade faz da bebida. Isto é mais comum quando o médium também consome bebida alcoólica. Neste caso, o objetivo não era impressionar a ninguém, porém, ele se aproveita do momento para saciar a sua vontade e o resultado acaba sendo o mesmo.

Por isso, todo terreiro deve ter regras: nada de giras “open bar”, isso vira bagunça.

Quando em um terreiro o dirigente tem a necessidade de se amostrar, chamar atenção com danças, falas desnecessárias, quase que um show. Qual o proceder de tudo isso, qual a finalidade ou a necessidade? Como a espiritualidade vê isso? Como a casa espiritualmente falando fica?

É preciso separar bem as coisas: existem entidades que são, digamos, mais expansivas, isto é, gostam de dançar, conversar, possuem trejeitos mais chamativos, essas coisas. Isto é da individualidade da entidade e não há nada de errado.

Contudo, existem também os “médiuns-pavão”, os que querem se exibir, mostrar como suas incorporações são fortes. Estes, diferentemente do primeiro caso, forçam a barra para aparecer, desejam chamar a atenção para si e acabam fazendo coisas mirabolantes simplesmente para serem o centro da gira, sem nenhuma razão ou causa espiritual para isso: é puro ego mesmo!

De modo geral, a espiritualidade é bastante tolerante com nossas infantilidades. Se o dirigente for um destes “pavão”, mas conseguir realizar um bom trabalho, não há maiores consequências, senão o ridículo a que se expõe. Contudo, se não conseguir nem realizar um bom trabalho, então, certamente a espiritualidade ficará descontente com o andamento dos trabalhos e se isso crescer demais, a casa acabará sem assistência espiritual, afinal, é só espetáculo mesmo. 

Quando um pai de santo junto com sua esposa mãe de santo trabalhando juntos na casa, sendo eles marido e mulher começam a disputar. Como fica todos mediante isso?

Todo tipo de disputa é perda de tempo. Porém, quando essa disputa ocorre entre os que comandam a casa, além de perda de tempo, torna-se também algo muito perigoso, afinal, é uma disputa que pode fazer ruir as estruturas da casa.

O ideal seria que ambos não se esquecessem que são marido e mulher fora do terreiro, lá dentro, são os responsáveis por ele. Quaisquer dificuldades ou desavenças que exista entre ambos, enquanto casal, deveria permanecer fora da casa religiosa. Mas, isso é muito difícil. De modo geral, terreiro que é administrado por casal tende a dar muito certo ou muito errado. Raramente se consegue um equilíbrio, infelizmente...

Mas, mesmo aqui, ainda cabe o raciocínio anterior: se a disputa ocorre apenas entre os dois, menos mal. É feio, desnecessário, mas afeta apenas a eles. Agora, se essa disputa for além do casal e começar a afetar os demais membros da casa diretamente, então, é como se eles mesmos começassem a marretar as paredes do terreiro: uma hora a casa cai.

Leonardo Montes 


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quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Se uma pessoa se deparar com um despacho na rua e neste houver algo de valor e ela subtrair, as entidades ali envolvidas se vingarão dela?

despacho
Imagem de O Globo
Grato pela pergunta, ES.

Quando encontramos algum trabalho na rua, nunca sabemos quem fez, com que intenção e a quem se destina. De modo geral, esse tipo de trabalho em que se coloca dinheiro ou coisas de valor não são feitos por pessoas da Umbanda. Resta, então, a pergunta: quem fez e a quem se destina?

Considerando que diversas outras religiões e práticas mágicas podem fazer uso de algum tipo de trabalho que envolva despachar algo na rua, no mínimo, por prudência, não devemos nos envolver.

Porém, se tal trabalho tiver sido feito por alguém da Umbanda, destinado às entidades que atuam na Umbanda, não haverá represálias, pois as entidades que atuam na religião não praticam qualquer tipo de mal, mesmo em casos assim.

Mas, e se tal trabalho tiver sido feito por alguém com uma má intenção, que tipo de espírito responderá? Bem pode acontecer do atrevido meter a mão no trabalho sem que haja qualquer entidade por perto (elas podem já ter ido embora ou sequer chegado), porém, e se houver? É este o risco que se corre com esse tipo de atitude (apesar de – é importante deixar claro – sou totalmente contra qualquer tipo de trabalho na rua).

As entidades já me contaram vários casos de pessoas que se deram muito mal por terem comido, bebido, chutado ou mesmo se apropriado de coisas encontradas num trabalho na rua.

É uma roleta russa: pode ser que não haja nenhuma entidade ali no momento da apropriação, mas pode ser que haja e, se houver, bem pode ser que a pessoa se dê muito mal.

Leonardo Montes 


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terça-feira, 17 de agosto de 2021

A MORAL DA PESSOA TRÁS INFLUÊNCIA EM SEU TRABALHO JUNTO ÀS ENTIDADES NO TERREIRO?

médium
Imagem de O Globo
Grato pela pergunta, ES.

Com certeza.

Porém, é preciso compreender que os médiuns são, em maioria, espíritos com muitas dívidas do passado. A mediunidade nos aparece como uma oportunidade de reajuste e, por isso mesmo, as entidades sabem que a maioria apresentará dificuldades morais notáveis em sua caminhada.

Contudo, o médium que possui uma moral duvidosa será sempre um médium fraco, vacilante, incerto, sempre mais pra lá do que pra cá. Entretanto, mesmo com essa moral duvidosa, se ele se esforçar sinceramente em ser cada vez melhor, a espiritualidade compensará sua fraqueza com sua própria força.

Porém, se o médium for religioso de fachada, então, é questão de tempo até que tombe: os bons espíritos compreendem a nossa fraqueza e nos ajudam, mas não toleram o mau-caratismo: não dá para ser bom médium sem ser boa pessoa!

Leonardo Montes 


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segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Nossas guias estão guardadas há mais de um ano... Será que perderam a imantação?

guia de umbanda

Grato pela pergunta, Eliane.

Se não perderam, certamente não possuem mais a mesma força. Não existe energia que dure para sempre. Quando uma entidade cruza uma guia, por exemplo, ela coloca uma força que certamente decairá com o tempo. É por isso, inclusive, que a pessoa precisa voltar de quando em quando no terreiro com a guia.

Contudo, a guia não precisa ser recruzada toda semana, por exemplo, pois a cada vez que o médium for ao terreiro com ela, a entidade a energizará novamente, gerando assim um ciclo de longa duração daquela imantação.

Contudo, devido a pausa pela pandemia, assim que os trabalhos retornarem, penso, todos devem levar suas guias para serem cruzadas novamente.

Leonardo Montes

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sábado, 31 de julho de 2021

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 36: FIM DO DESENVOLVIMENTO?


No momento em que escrevo esse texto (24/06/2016) nada mudou em minha mediunidade de incorporação. O que descrevi para vocês é exatamente como tenho trabalhado até o presente. Porém, uma nova mediunidade começa a nascer em mim: a audiência espiritual. 

Há algumas semanas comecei a perceber algo diferente. Não parecia a costumeira intuição, nem a sempre presente inspiração. Eu tinha a nítida impressão de ouvir uma voz, mas não dentro da minha cabeça e, sim, fora. Como se alguém sussurrasse em meus ouvidos de forma a poder compreender algumas sentenças bem completas. Vamos aos exemplos. 

Estava trabalhando quando tive a impressão de ouvir o Pai José do Congo dizer, de forma lenta, como se fosse um ditado: fulana precisa descansar mais. Fulana é uma amiga nossa e médium. Para minha surpresa, tão logo chego em casa minha esposa me disse que ela estava internada, pois sofreu tonturas. Por esses dias, estávamos em dúvida se a próxima gira seria de caboclos ou pretos-velhos e tive a impressão de ouvir uma voz firme dizendo: Caboclo! 

Ocorreram poucas manifestações até o momento deste novo gênero mediúnico para mim, mas como já havia sido instruído previamente que isso cedo ou tarde aconteceria, estou encarando com naturalidade, se é que esta mediunidade se tornará mais intensa... Portanto, caro leitor, tenha sempre em mente que o desenvolvimento nunca terá fim. 

Novos gêneros de mediunidade podem surgir para você conforme o trabalho que você vier a construir aqui na Terra. Não seria de surpreender se, de repente, além da incorporação, você viesse a desenvolver outros dons, mesmo a tão rara e apreciada psicografia. Tudo depende da tarefa que, como médium, você terá que executar e dos seus esforços como indivíduo perseverante no bem e representante da luz - ainda que imperfeitamente -, na Terra. 

De uma coisa, porém, nunca se esqueça: há sempre com quem aprender e a quem ensinar e é sempre tempo de recomeçar e reaprender.

Leonardo Montes

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DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 35: DESOBSESSÃO


Não tenho a menor dúvida de que a desobsessão ajudou e muito o meu desenvolvimento mediúnico. Nas giras convencionais temos que aprender a reconhecer e a trabalhar com apenas uma ou duas entidades. Na desobsessão, nunca se sabe que espírito se manifestará. 

Atuei durante pouco mais de um ano na desobsessão, que ocorria toda segunda-feira. A princípio como esclarecedor e, depois, como médium de incorporação. Recebia, principalmente, suicidas e perdidos, mas também recebia assassinos, assassinados, enlouquecidos, etc. 

Essa grande variedade de manifestações, embora me causasse enorme cansaço e, por vezes, muita dor no corpo (se se manifestava um suicida que deu um tiro em sua cabeça, eu sentia muita dor de cabeça) fez com que eu evoluísse como médium. Se antes eu demorava alguns minutos para incorporar, na desobsessão isso se tornou segundos. 

Grande variedade de espíritos, grande variedade de sofredores, maior flexibilidade para energias diferentes, melhor médium eu me tornava. Sei, contudo, que não são todas as casas de Umbanda que mantém reuniões de desobsessão. A maioria faz apenas o “puxado” que é quando o espírito se manifesta ali mesmo, na gira. Mas, se a casa que você frequenta tiver desobsessão ou qualquer outro tipo de serviço mediúnico, eu sugiro que você participe, pois a exposição a tantos tipos diferentes de espíritos e energias irá acelerar muito o seu desenvolvimento. 

Posso dizer que a desobsessão foi um divisor de águas no meu desenvolvimento mediúnico e, ao contrário do que possa parecer, não causa nenhum prejuízo ao médium ainda em desenvolvimento... Porém, como em tudo, é preciso calma e prudência, além do aval dos chefes para ingressar ou não um novo médium nesse tipo de trabalho.

Leonardo Montes 

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DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 34: ENVOLVA-SE


Defino envolvimento como uma relação de amor, onde você faz coisas pelo simples prazer de estar ali e poder viver aquele momento. Quando comecei a frequentar o terreiro, sentia-me como alguém que visita uma cidade nova e se encanta com tanta coisa diferente. As entidades me acolheram muito bem, deram-me liberdade para pesquisar, perguntar, questionar à vontade. 

Quando comecei a me desenvolver, fui auxiliado sem preguiça pelas bondosas almas, sempre prontas a me esclarecer e orientar. Parecia um sonho! Eu finalmente encontrara a casa espiritual que a vida toda procurara... Eu trabalhava o dia todo e não via a hora de chegar ao terreiro, ansioso por saber o que aconteceria, como seriam os trabalhos, o meu desenvolvimento, o que sentiria essa semana? Com o tempo notei, contudo, que nem todos os médiuns pareciam sentir igual. 

Muitos chegavam desanimados, reclamando, mostravam-se frustrados, apáticos. Alguns preferiam ficar do lado de fora batendo papo, mesmo a espiritualidade recomendando que entrássemos e nos concentrássemos... Ao fim dos trabalhos não queriam permanecer para o desenvolvimento dos médiuns novatos. Olhavam para o relógio o tempo todo. 

Se algum chefe demonstrasse interesse em ficar mais um pouco para alguma conversa, mostravam-se contrafeitos, quando não pediam para sair no meio da conversa... Se planejávamos uma ação de caridade, apareciam meia dúzia de médiuns... Enfim, parece-me sumamente importante que você, como médium, não se preocupe apenas com o seu desenvolvimento, com o seu trabalho. Você é parte de uma engrenagem que faz parte de um mecanismo maior que é o terreiro. 

Quanto mais você se envolver nas atividades do terreiro, melhor irá se sentir naquele local, isso facilitará, inclusive, a sua concentração e mostrará às entidades o quanto, de fato, você está empenhado em fazer o bem, o que pode mesmo acelerar o seu desenvolvimento mediúnico, já que eles ficam muito contentes quando desenvolvem médiuns que se encantam com a espiritualidade mesmo quando não estão incorporados...

Leonardo Montes 

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terça-feira, 20 de julho de 2021

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 33: REFORMA ÍNTIMA


A maioria dos médiuns Umbandistas que eu conheci não gostava de estudar e, muito menos, esforçar-se por se tornarem melhores enquanto indivíduos. Em nossa antiga casa, implantamos um estudo e apenas cinco pessoas, quando muito, apareciam... No dia de trabalho, eram 20; nos estudos, cinco. 

Muitos diziam não ter tempo para vir ao estudo, mas arrumavam tempo para não faltar da gira e se fosse da esquerda, o que ocorria sextas à noite, não faltava um... A bem da verdade, mesmo sabendo que na Terra a imperfeição impera e não desconsiderando que eu mesmo sou muito imperfeito, devo dizer que as pessoas mais complicadas que eu já encontrei no campo espiritual estão dentro da Umbanda, isso tanto presencialmente quanto virtualmente. 

Não desejo menosprezar meus colegas de religião e muito menos a mim mesmo, contudo, é notório aos meus olhos a diferença existente entre o “comportamento típico Espírita” e o “comportamento típico Umbandista” e isso me chocou muito, pois eu via pessoas que dentro do terreiro se esforçavam muito para serem ótimos trabalhadores, cambones ou médiuns, mas bastava pisar fora do terreiro que todo aspecto mundano da personalidade do sujeito tomava novo vulto, sem maiores reflexões ou pudores. 

Não tenho dúvidas de que no Espiritismo há também muitas pessoas complicadas... Mas, pelos anos em que trabalhei em centros espíritas, elas procuravam minimizar isso ou pelos menos disfarçavam muito bem... O Espiritismo tem um apelo muito forte à reflexão, ao entendimento, ao exame da própria consciência e isso começa desde cedo, na evangelização infantil, o que normalmente não ocorre na Umbanda, malgrado os sempre belos ensinos morais dos guias... 

O Umbandista precisa conscientizar-se de que não basta apenas ser um excelente médium ou um excelente devoto de tal Orixá, é preciso que se torne uma excelente pessoa, o que exigirá um grande esforço e uma longa caminhada para conhecer a si mesmo, identificar as próprias imperfeições e traçar estratégias para vencê-las. Penso que, hoje, é indispensável o médium não apenas estudar e buscar conhecimento, mas que igualmente se dedique à sua reforma íntima, tornando-se uma pessoa melhor... Não dá para querer ser uma pessoa fora do terreiro e outra dentro dele!

Leonardo Montes

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sábado, 17 de julho de 2021

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 32: VAIDADE

espelho

A vaidade é, sem dúvida, um dos maiores perigos a que o médium estará exposto. Ela pode se manifestar de várias formas e mesmo o mais firme dos médiuns está sujeito a ela. A vaidade na mediunidade geralmente se manifesta quando o médium superestima sua capacidade mediúnica ou as entidades com quem trabalha ou quando passa a se sentir agraciado com os créditos que na verdade são direcionados às entidades. 

É preciso combatê-la ainda em seu nascedouro. Se esperarmos demais, ela pode estar com raízes profundas o suficiente para resistir com força ou mesmo chegar ao ponto em que se torna impossível extirpá-la sem maiores danos. Se o médium possui uma faculdade pouco comum, como a vidência (capacidade de ver os espíritos) ou a psicografia, certamente as pessoas o colocarão num patamar diferenciado dos demais. 

Tais faculdades não são muito comuns, mas extremamente apreciadas pelas pessoas necessitadas, de modo que muito rapidamente esses médiuns se tornam famosos e bastante procurados. Como os médiuns, geralmente, são espíritos endividados com o passado, muitos podem trazer ainda a chaga da vaidade que frequentemente é instigada pela bajulação daqueles que, em busca de suas faculdades mediúnicas, ultrapassam as fronteiras do bom-senso, chegando mesmo a investigar o que o médium posta em suas redes sociais para descobrir seus gostos, derretendo-se em gentilezas, presenteando-o com regalias, enfim, uma série de tentações que o colocam perigosamente no limiar de um abismo. 

Cabe lembrar, ainda, que a vaidade não representa perigo apenas para o médium. Certa feita conheci um senhor que se gabava aos quatro ventos por ter sido cambone (auxiliar da entidade quando incorporada) de uma entidade e dava verdadeiros ataques pelo simples fato de ver outros médiuns usando o nome da referida entidade em seus perfis do facebook... Chegou mesmo ao ridículo de ameaçar de processo quem usasse o nome da entidade sem sua prévia autorização (como se os espíritos tivessem donos...). 

Noutra ocasião conheci uma senhora que se apresentava sempre com muita humildade, sempre fazendo menção de que somos todos iguais, que ninguém é melhor do que ninguém até que pude surpreendê-la num diálogo com um jovem rapaz que apenas lhe questionou uma informação, ao que ela respondeu: “Quem é você pra me questionar? Antes de você pensar em nascer eu já era mãe de santo” e outras coisas do tipo. A vaidade no meio religioso tem feito e continuará fazendo muitas pessoas caírem. 

É preciso, sempre, manter os olhos bem abertos e lembrar que somos apenas instrumentos, engrenagens de um mecanismo muito maior do que podemos supor... Contudo, é importante considerar que lutar contra a vaidade não quer dizer abstenção de elogios e incentivos. Há casas que proíbem as pessoas de fazerem quaisquer elogios aos médiuns ou às entidades, de baterem palmas após uma palestra, etc. O que se deve combater é a bajulação descabida e imprópria, mas o estimulo construtivo no bem deve sempre ser incentivado.

Leonardo Montes 

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DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 31: OS GUIAS TAMBÉM ERRAM


Os espíritos que atuam nos terreiros são chamados de falangeiros. São espíritos ainda imperfeitos, embora muito melhorados em relação à humanidade comum. Todos tiveram existência Terrena e alguns, quando nos dão a conhecer suas histórias, falam abertamente sobre seus erros do passado e afirmam ainda terem dívidas a pagar. Estou ciente de que isso possa causar polêmica, mas como meu objetivo é compartilhar a minha experiência da forma mais precisa e honesta possível, preciso dizer a verdade... 

Vejo muitos companheiros de fé falando das entidades como se fossem anjos de luz baixando à Terra e preciso dizer que isso está muito longe da verdade, pelo menos, da que tenho observado... Nossos guias (faço uma distinção entre guias – direita - e guardiões - esquerda) são, sim, espíritos em franco progresso espiritual. Espíritos que venceram a maioria das dificuldades em que ainda nos demoramos e, por isso, assumem a posição de guias: eles estão alguns passos à nossa frente! E embora possuam maior capacidade de auxílio, ainda são falíveis. 

Aliás, já tive oportunidade de conversar com alguns sobre suas reencarnações futuras e um deles chegou a me dizer que após o desencarne de todos os médiuns da casa, iria se encarnar para quitar antigos débitos e que contaria com nosso auxílio espiritual quando estivesse envolvido pela matéria... É por essa proximidade evolutiva que chamamos os guias de pai/mãe, avô/avó. 

Eles são como parentes que nos amam e que nos auxiliam na subida até onde se encontram, distanciados de nós alguns passos na senda do progresso. Esclarecido isso é preciso dizer que os guias também erram. Muitos talvez objetem que não, que o médium erra, mas não o guia... Mas, isso não é verdade. A respeito de o médium errar, isso já foi explicado no capítulo anterior, agora, é preciso entender o que leva um guia a errar. 

Certa vez vi uma entidade se manifestar e dizer que os trabalhos que ocorreriam em tal lugar seriam maravilhosos e na verdade foram um desastre completo. Tanto o médium quanto a entidade eram extremamente confiáveis. Então, o que aconteceu? Alguns espíritos conseguem ver o futuro de forma mais ou menos precisa e por um tempo mais ou menos longo. Mas, quando o veem, eles na verdade estão vendo um possível futuro. 

O futuro se apresenta como vários caminhos que, conforme as atitudes levarão a possíveis desfechos. Naquele momento a tendência dominante era de que tudo seria muito bom, mas acontecimentos que atrapalharam a caminhada mudaram completamente o rumo das coisas, resultando em um futuro diferente daquele que o guia achou que seria o mais plausível. 

No processo que defini antes como “leitura mental”, por exemplo, o guia pode não fazer uma correta interpretação das emoções da pessoa, dando um feedback, pelo menos em parte, incorreto. É claro que aqui fica muito difícil dizer que não foi o médium que entendeu errado, mas já conversei com uma entidade em que ela mesma me disse não ter entendido ou, pelo menos, feito a leitura pouco precisa das necessidades do consulente. 

Destaco, porém, que me parece ser extremamente raro um guia errar neste processo já que eles têm percepções que nós não temos. E, se acontecer, o médium não precisa se constranger... Ao contrário, deve perguntar a entidade o que aconteceu, por que motivo errou, etc. Não tenha dúvidas: as entidades são muito mais humildes do que nós e certamente assumirão o erro, se vierem a cometê-lo. 

Um diálogo franco, direto e fraterno, seja entre os filhos de fé, seja entre os filhos e os guias é fundamental para que ambas as equipes, espiritual e material, venham a se entender e construírem, juntas, um sólido e lindo trabalho espiritual num mundo onde não há - nem pode haver - perfeição!

Leonardo Montes 

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terça-feira, 13 de julho de 2021

BANHO DE MARAFO?

 

marafo

A pergunta de hoje é: Ouvi uma pessoa relatar que foi a um terreiro numa gira de esquerda e o Exu que a atendeu recomendou que ela fosse a uma encruzilhada a meia noite em ponto, levasse uma garrafa de pinga e jogasse da cabeça aos pés e ao terminar, jogasse a garrafa pra trás sem olhar. Gostaria de entender pra qual situação é indicado esse tipo de trabalho? – Grato pela pergunta, ES.

O “banho de marafo” é uma prática antiga de limpeza profunda. Contudo, da forma como trabalho, ele não é indicado para caso algum, simplesmente, pela imensa dificuldade de se realizar tal coisa.

Imagina como ficaria uma pessoa ensopada com cachaça da cabeça aos pés? Ela andaria na rua assim? Entraria no seu carro molhada? Simplesmente, não faz sentido.

Além do mais, não fazemos nada em encruzilhadas (afinal, para alguém é uma encruzilhada, para outro, é a esquina da sua casa e, mesmo que não seja, é uma forma de poluir o local).

Então, em minha opinião, embora a cachaça realmente tenha esse poder de limpeza, trata-se de uma prática antiquada, haja vista que se pode obter o mesmo efeito fazendo um banho com ervas fortes, como arruda, guiné, manjericão, por exemplo, em casa mesmo e sem todo esse constrangimento.

Quer fazer sua pergunta? Envie para: canalumbandasimples@gmail.com

Leonardo Montes

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sábado, 10 de julho de 2021

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 30: MEDO DE ERRAR


Todo médium que se preze tem medo de errar. Tem medo de estar sendo mistificado. Tem medo de estar enganando a si mesmo na incerteza de estar ou não incorporado. E isso é ótimo! Sim, eu sei que é desagradável sentir medo, seja do que for... Porém, o medo de todas essas coisas que eu citei indica que você tem caráter. O que assusta são médiuns que não tem medo de nada, que colocam tudo na conta da “entidade”, isso, sim, assusta... Preciso dizer, contudo, que este medo nunca vai cessar. 

Com o tempo, você se acostumará com o trabalho e se entregará mais facilmente, mas a ansiedade e expectativa sempre estarão com você. Conheci uma senhora com 50 anos de mediunidade e embora ela trabalhasse com uma naturalidade incrível, me confessou que, pelo menos às vezes, ela sente uma pontinha de insegurança. Se você tem medo de errar, de não consolar a pessoa, de não passar direito o recado do guia, saiba: é absolutamente normal! Agora, o que vou explicar precisa ser entendido com muita atenção: Você vai errar! Sim, é isso mesmo... 

Você vai fazer o resguardo, vai se preparar, vai se concentrar e, ainda assim, haverá dias em que você não conseguirá passar corretamente o recado do guia, podendo, inclusive, causar um efeito negativo a partir disso... Eu já vi isso acontecer, inclusive, com médium inconsciente e que, trabalhando com raiva, a mesma transparecia em seus guias... Não que os guias ficassem com raiva por que o médium estava com raiva... Mas, a mensagem era contaminada no processo (uma vez que inconsciência não pressupõe isenção da mente, mas apenas sonolência da mesma). 

Se o guia queria dizer: você precisa ter mais paciência... Normalmente diria com amor, com bondade. Mas, o médium estando nervoso, a frase poderia até sair em sua sentença completa, mas teria tom áspero, rude... É a contaminação da mensagem pelo estado emocional do médium... E se isso acontece com médium inconsciente, imagina com o consciente? Então, não tenha dúvidas: você vai errar! Afinal, você é humano e embora os espíritos possam te chamar de “aparelho”, você não é feito de engrenagens e circuitos, mas de carne e osso. 

Afaste o desejo de perfeição num mundo imperfeito! Uma vez estando claro que você vai errar, resta saber o que se pode fazer a este respeito e, aqui, penso, cabe um diferencial que poderá te destacar como médium: a humildade. Nunca pense que seus guias são infalíveis (eles também erram...) ou que você é um médium “banda-larga” conectado com o além de forma incorruptível... Tenha humildade para aceitar seus erros e, principalmente, deixe as pessoas e entidades à vontade para te falarem sobre isso. 

Eu conheci médiuns que demoraram muito para se desenvolver por que não tinham abertura para aceitar o contraditório. As entidades queriam alertar que estavam errando, que estavam passando à frente delas, mas como se melindravam muito facilmente, o alerta vinha por rodeios, sem atacar tanto o ego, mas isso fazia o processo de desenvolvimento demorar mais do que o necessário. Se estes médiuns tivessem mais humildade e aceitassem que são falíveis, as entidades iriam orientá-los com maior precisão e eles aprenderiam, mais rapidamente, a fazer a distinção do que de fato é da entidade e do que é deles... Conheci, inclusive, uma médium que, vindo de uma casa menos criteriosa, trabalhava há anos como médium sem nunca, de fato, ter incorporado. 

O máximo que ocorria é a entidade se aproximar e entrelaçá-la fluidicamente, dando-lhe uma leve sensação de sua presença espiritual. E como era uma senhora extremamente melindrosa, os espíritos a incluíram no desenvolvimento, onde ela deveria caminhar com todos os que estavam iniciando, mas não demonstrava o menor interesse em aprender, até que terminou por se afastar da casa... Em outra situação, vi uma médium iniciante que, incorporada e tendo exagerado na bebida, se atirou nos braços de um médium amigo, tentando beijá-lo, desculpando-se, depois, pelo deslize da sua pombagira... 

Não me parece minimamente crível que uma entidade tente fazer isso, mas se a médium alimenta esse desejo, a bebida deixa-o transparecer mais facilmente... Como todo médium eu também sempre desejei fazer o melhor. Sempre desejei acertar e sentia, também, muito medo de errar. Como narrei anteriormente, no processo que em fiquei bêbado no terreiro, o Pai Cipriano falou abertamente comigo sobre isso, explicando-me o problema da minha concentração e de como isso poderia me afetar. Ali aprendi que a abertura para que outras pessoas ou mesmo as entidades nos orientassem sobre nossos erros é fundamental para nosso crescimento mediúnico. 

Sem dúvida, quando errava, eu sentia vergonha, receio no próximo trabalho, medo de errar novamente... Mas, com o tempo, fui aprendendo a confiar mais no processo e a não me culpar tanto pelos erros que pudesse ter cometido, tendo ciência de que ali estou de corpo e alma para servir, ainda que imperfeitamente...

Leonardo Montes 

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DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 29: PAI-DE-SANTO

médium

Muitas casas de Umbanda seguem a forma de trabalho onde se elege um pai-de-santo, isto é, um sacerdote para o templo e orientador espiritual dos membros da casa. Pessoalmente, não concordo com este sistema e nunca adotei nenhum pai-de-santo em minha vida. Nos capítulos anteriores vimos como as pessoas podem ser complicadas e isso, logicamente, se estende ao pai-de-santo... 

Soube de muitos casos em que a relação pai/filho-de-santo não era boa e terminou em brigas, desavenças de todos os tipos e mesmo ataques pessoais. Claro, há sempre exceções. Pude conversar com pessoas que tiveram maravilhosos pais e mães-de-santo que personificavam não apenas um cargo, mas uma figura amiga, caridosa, conselheira, alguém que realmente tinha o respeito de seus filhos de-fé. Na casa onde desenvolvi, contudo, não tínhamos um pai-de-santo. Tínhamos um presidente para fins legais e um médium principal, através do qual, podíamos conversar com as entidades-chefes, estas sim, as verdadeiras chefes-de-terreiro. Deixávamos às entidades a chefia do nosso trabalho. 

Entretanto, mesmo aqui, é preciso considerar o seguinte: a chefia do terreiro não pode ser impositiva e autoritária. As entidades precisam de nós para trabalhar tanto quanto nós precisamos delas. Cria-se, assim, um sistema de parceria, onde, temos total liberdade para dialogar com os chefes e mesmo discordar deles, se for o caso. Sem essa abertura, aí sim os médiuns se tornam mesmo “cavalos”, esperando apenas o chicote nas costas para poder trabalhar... Creio que esse tempo já passou. 

Talvez o amigo leitor se surpreenda com essas palavras, mas elas representam uma experiência real. Muitos talvez se perguntem: mas, quem é que cuida de vocês? E a resposta é: nós mesmos! Não sentimos a necessidade de escolhermos alguém para nos orientar e dirigir, senão, a nossa própria consciência, sempre respaldada pelos ensinos e conselhos de nossos guias. Cada um, assim, se torna o responsável por si mesmo, seu mestre ou seu feitor, prestando conta do que fez de bom ou ruim à Deus e não aos homens tão falíveis como quaisquer outros... 

Apoiamo-nos uns aos outros dentro de nossas possibilidades, estabelecendo uma fraternidade entre os membros da corrente sem que haja um que esteja acima dos demais: estamos todos no mesmo barco! Alguns me perguntam: Mas, você é pai-de-santo? Ao que respondo: Não sou nem quero ser! Sou apenas um médium como qualquer outro, lutando dia-a-dia para vencer minhas imperfeições e ser uma pessoa melhor. 

Devo deixar claro, contudo, que não sou contra o sistema de filiação-de-santo, apenas que não o sigo. Na casa onde desenvolvi não o adotávamos e onde trabalho atualmente, continuamos a não adotá-lo e tudo tem dado muito certo.

Leonardo Montes

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domingo, 27 de junho de 2021

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 28: AMIZADE FORA DO TERREIRO

amizade

Nada mais comum e desejável que os amigos que se faça dentro do terreiro possam sê-lo fora dele. Realmente, eu pude sentir isso e estabeleci laços de afeto com pessoas que, em outras ocasiões, certamente não cruzariam meu caminho, dada a diferença de personalidade e interesses. Este é, porém, um momento perigoso na vida do médium iniciante e que exige muita cautela. Por vezes, o seu companheiro de terreiro não é uma boa companhia para se ter na vida privada... 

É preciso ter tato e, principalmente, discernimento. Presenciei alguns episódios onde pessoas, empolgadas por um ideal em comum, buscaram estreitar laços fora do terreiro e isso não deu muito certo. É preciso considerar, sempre, que os médiuns são - quase todos -, espíritos tremendamente endividados com o passado e não se pode esperar que passem a viver valores nobres da noite para o dia... Você pode ter muito apreço pelas entidades de um determinado médium, mas daí este médium agir conforme as entidades pregam por sua boca, o passo é grande... 

Logo, amizades que, a princípio, pareciam promissoras e frutíferas, terminaram por se mostrar desgostosas a ponto de prejudicar, inclusive, o trabalho que realizavam em conjunto dentro do terreiro, obrigando, por vezes, à mudança de casa. O seu companheiro, irmão de corrente, pode mostrar um vivo ideal de trabalho dentro da casa, mas somente quando você o conhecer sem "o branco" é que poderá avaliar se realmente se trata de uma pessoa que vale a pena trazer para sua vida e para seu lar. 

Infelizmente, entre amizades cujo fim foi negativo, figuram casos, por exemplo, de traição. Pessoas que se mostravam como irmãos-de-fé e que, na primeira ocasião, não se importavam em lançar olhares maliciosos aos cônjuges... Por outro lado, também vi verdadeiros laços de amizade surgirem e produzir bons frutos. Pessoas que, a princípio, mal se cumprimentavam, hoje são amigos inseparáveis. Seus filhos estudam juntos, brincam juntos, suas esposas visitam-se, uma bela relação. 

Como em qualquer outro setor da vida humana, estabelecer um laço de amizade requer muito cuidado, atenção, envolvimento e muita observação, não é por que a pessoa é Umbandista e médium do mesmo terreiro que você que ela se torna uma boa companhia para sua família.

Leonardo Montes

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DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 27: ANTIPATIA DENTRO DO TERREIRO

casal discutindo

Como dito em capítulo anterior, os médiuns são pessoas comuns e, às vezes, possuidores de chagas morais que tornam a convivência com seus irmãos de fé um verdadeiro desafio. Entretanto, da mesma forma que o médium tem que silenciar sua mente para que a entidade possa falar, ele precisa silenciar suas inimizades para que os guias possam trabalhar. 

Acompanhei de perto o caso de dois senhores amigos que, de repente, passaram a se evitar dentro do terreiro... Certa noite, durante a gira, ambos incorporados com seus caboclos começaram a discutir no meio do trabalho, a ponto do guia-chefe intervir para abafar o falatório... 

A casa estava cheia, pessoas necessitadas, aflitas, doentes e ali dois caboclos, simplesmente, brigando na frente de todo mundo... Ou será que a antipatia pessoal entre os médiuns falou mais alto e ambos deixaram isso transparecer? Não fingiram incorporação... Ela apenas se deu de modo incompleto. Não houve perfeito alinhamento dos chakras entre entidade/médium de modo que atuação dos guias ficou severamente restrita a mero reflexo corporal... As línguas chicotearam-se por conta própria... 

Em outra ocasião, uma médium muito experiente contou-me algo curioso, dizendo só ter adquirido verdadeira confiança em sua própria mediunidade quando uma pessoa por quem nutria extremada antipatia visitou a casa em que trabalhava e acabou passando com seu guia, sendo amplamente atendida em suas aflições sem que ela própria sentisse a menor repulsa naquele momento. 

Tão logo desincorporou, a revolta bateu-lhe à porta... Sem dúvida, o desejável é que haja entre todos os membros da corrente os melhores sentimentos. Mas, além das dificuldades pessoais que cada um carrega em seu íntimo, é preciso considerar que, por vezes, os membros de um trabalho espiritual já se encontraram em algum lugar do passado e podem ter estabelecidos ligações complicadas e, por vezes, dolorosas que vão se manifestar agora - embora sem a lembrança clara do motivo -, em forma de aversão... O mínimo necessário para que uma casa se mantenha e um trabalho se sustente é o respeito. 

Leonardo Montes 

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