sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Desenvolvimento Mediúnico na Umbanda - Cap. 1: Quem pode ser médium?

 
desenvolvimento mediúnico

Introdução

Era costume, entre as antigas ordens de cavaleiros medievais, grafar frases de efeito em suas espadas. Uma das mais famosas dizia: “Não me desembainhar sem razão, não me empunhar sem valor”. Isto é, os cavaleiros só deviam retirar suas espadas se houvesse uma causa justa e, depois de retirada, deveriam empunhá-la com muita honra, nunca esquecendo os valores nobres de um cavaleiro.

Penso que esta frase se aplica perfeitamente à mediunidade no contexto da Umbanda: jamais devemos utilizá-la sem razão e nunca devemos esquecer nosso compromisso espiritual, parafraseando.

A mediunidade é, por um lado, um dom divino, pois permite ao homem o contato com o espiritual, o que deve sempre ser feito de forma sagrada. Por outro, pode ser entendida como uma conquista do espírito, um sentido extra, o que não lhe tira também o devido valor.

Seja como for, a mediunidade no contexto da Umbanda é o carro-chefe da religião, a parte mais importante, pois é através dela que os médiuns entram em transe e permitem a manifestação de seus guias espirituais que “descem” à Terra com o propósito de ajudar, aliviar e esclarecer.

Por esta razão escrevo este livro, a fim de compartilhar o nosso modelo de desenvolvimento mediúnico, construído em parte a partir da minha própria experiência e, por outra parte, com auxílio e apontamento dos espíritos, dando origem a um método que pode facilitar o desenvolvimento da mediunidade aos terreiros que se identificarem com o mesmo.

Não se trata – sem dúvida – de um método perfeito, porém, ao longo dos anos, tenho compartilhado este método em conversas informais com pessoas de todo o Brasil que sempre se encantaram com o mesmo e lamentaram que seus terreiros ainda prefiram um desenvolvimento “caótico” a um estruturado.

Este método não oferece milagres, nem caminhos fáceis. Contudo, procura sistematizar o desenvolvimento em fases, apontando os pontos positivos e negativos de cada parte do processo e pode ser igualmente esclarecedor tanto aos dirigentes quanto aos médiuns novatos.

Enfim, sem pretensão de infalibilidade, ofereço mais um livro gratuito à comunidade umbandista, com a melhor das intenções. Como todos os demais, este livro foi escrito de uma forma simples, por uma pessoa simples e destinado a outras pessoas igualmente simples.

O autor.

Capítulo 1: Quem pode ser médium?

A mediunidade é um atributo humano e, por isso, encontrada em todas as culturas, em todas as épocas, colorida das mais diversas formas ao longo do tempo. É uma possibilidade que Deus nos concedeu para que não nos sentíssemos tão isolados no imenso cosmos...

Contudo, um real entendimento desta faculdade só começou a nascer no século XIX, com as publicações de Allan Kardec e apenas no século XX, com a especial contribuição do espírito André Luiz, através de Chico Xavier, é que pudemos, enfim, formar um entendimento mais profundo desta faculdade humana.

É certo, porém, que tais obras não tratam de Umbanda. Contudo, não devem ser desprezadas. Se a mediunidade é uma faculdade humana – e ela é – então, sua manifestação será sempre a mesma, embora cada religião/movimento/cultura possa interpretá-la de determinada forma.

Logo, não existe uma “mediunidade espírita” ou “mediunidade umbandista”, existe apenas a mediunidade, sendo o Espiritismo ou a Umbanda duas religiões que dão abertura a ela.

Isto quer dizer que a incorporação num centro espírita é exatamente o mesmo fenômeno que ocorre num terreiro de Umbanda e é por isso que um médium espírita pode vir a se tornar umbandista e vice-versa. É claro que terá de aprender a cultura da nova religião, porém, mediunidade é mediunidade, independentemente da escola em que tal médium tenha se desenvolvido.

Porém, efetivamente, quem pode ser médium?

Popularmente, costuma-se dizer que todos são médiuns. Mas, será isso verdade? Analisemos.

Esta afirmação nasce de uma interpretação recortada de um determinado trecho de O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec:

“Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo. Por isso mesmo, raras são as pessoas que dela não possuam alguns rudimentos. Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns”. Item 159.

Você provavelmente já leu esse trecho em algum lugar. E lendo-o, assim, recortado, tem-se mesmo a impressão de que Allan Kardec esteja de fato dizendo que todas as pessoas são médiuns. Porém, este item não termina neste recorte, ele continua:

“Todavia, usualmente, assim só se qualificam aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva. É de notar-se, além disso, que essa faculdade não se revela, da mesma maneira, em todos. Geralmente, os médiuns têm uma aptidão especial para os fenômenos desta, ou daquela ordem, donde resulta que formam tantas variedades, quantas são as espécies de manifestações. As principais são: a dos médiuns de efeitos físicos; a dos médiuns sensitivos, ou impressionáveis; a dos audientes; a dos videntes; a dos sonambúlicos; a dos curadores; a dos pneumatógrafos; a dos escreventes, ou psicógrafos”.

Nesta segunda parte, Kardec afirma que, usualmente, isto é, na prática, os médiuns são aqueles que, muito mais do que sentir a influência dos espíritos, são capazes de produzir efeitos patentes, de certa intensidade, isto é, capazes de produzir fenômenos que possam ser perceptíveis a outras pessoas.

Lendo-se o trecho por inteiro, poderíamos reescrevê-lo da seguinte forma: quase todas as pessoas são capazes de receber a influência dos espíritos em algum grau. Contudo, chamam-se de médiuns aqueles que, mais do que receberem tais influências, conseguem transformá-las em algum tipo de trabalho.

Talvez, se Kardec tivesse usado o termo mediunidade na primeira parte do item e médium na segunda, toda essa interpretação equivocada que leva muitas pessoas a imaginar que todos os seres humanos sejam médiuns em potencial (e, neste caso, bastando que quisessem se desenvolver), seriam evitáveis. Contudo, ele preferiu usar o termo médium, no começo em sentido amplo (aquele que sente a influência dos espíritos) e, posteriormente, médium num sentido prático (aquele que é capaz de exercer um trabalho) e, creio, mesmo com todo cuidado do mundo, acabou dando brechas para interpretações errôneas...

Poderia aprofundar a análise deste item, pois é dele (ainda que quem diga que todos sejam médiuns não saibam a referência), a interpretação equivocada que ainda ecoa por muitos terreiros. Contudo, creio que o exame exposto seja o suficiente...

Por esta razão, em minha maneira de crer e entender, quase todas as pessoas possuem mediunidade, isto é, podem receber a influência dos espíritos em algum grau, porém, proporcionalmente falando, apenas um contingente relativamente pequeno de pessoas são de fato médiuns, isto é, capazes de exercer a sua mediunidade em forma de um trabalho/comunicação.

São médiuns aqueles que carregam em si mesmos o chamado “gérmen da mediunidade”, isto é, uma condição física, cerebral, que lhes permite entrar em contato com o Mundo Espiritual, o que pode variar conforme a faculdade e grau. Porém, desde que o indivíduo seja dotado desta capacidade, pode-se dizer que se trata de um médium.  

Como saber se sou médium?

Muitos pensam que os indivíduos médiuns sejam pessoas que desde a mais tenra infância manifestam sinais de tal mediunidade. Porém, isso não é necessariamente verdade. Posso testemunhar neste sentido que, embora tenha tido algumas experiências “paranormais” ao longo da minha vida, nunca imaginei que seria, efetivamente, um médium.

Nunca vivi qualquer episódio que me fizesse pensar que teria alguma mediunidade que pudesse ser trabalhada e jamais me vi na condição de trabalhador da mediunidade.

Por isso, não se deve pensar que a mediunidade se verifica por uma série de sintomas estranhos que acompanharão o indivíduo ao longo de sua vida, pois isto nem sempre ocorre, embora possa ocorrer.

Entretanto, não vou me ater aos sintomas que poderiam denunciar ou não a presença de uma faculdade mediúnica, pois este processo não precisa ser interpretado ou deduzido, uma vez que, na Umbanda, temos um método muito simples para saber se temos ou não temos mediunidade a ser trabalhada: perguntando às entidades.

É claro que não se deve perguntar isso para qualquer “entidade”, pois sabemos que, muitas vezes, os médiuns não estão incorporados de fato ou, se estão, não estão firmes. É duro admitir isso, mas é a verdade... Devemos perguntar este tipo de coisa apenas para entidades que se manifestem através de médiuns de confiança, numa casa séria e responsável.

Não existem atalhos, é preciso procurar... Frequentar diversos terreiros, ir sempre de coração aberto, mas nunca aceitar uma determinada informação a menos que você sinta firmeza no médium e o que for dito faça sentido para você. E, acredite, o dia que você encontrar um médium firme, você saberá, pois através dele, a entidade falará coisas que não apenas vão fazer sentido para você, ela também falará coisas que o médium não poderia saber.

Quando isto acontecer, pergunte se você é médium e, se for, que tipo de mediunidade você possui e pronto, você sairá da gira sabendo se é ou não é médium.

Como as entidades sabem quem é médium?

No topo da nossa cabeça, existe o chakra coronário. Ele é o responsável por fazer a ligação do plano material ao plano espiritual. As pessoas que não são médiuns possuem uma irradiação luminosa bem fraquinha no topo da cabeça, enquanto as que são médiuns (variando conforme o grau de mediunidade), possuem uma irradiação bastante intensa no topo da cabeça, por vezes, a irradiação emite fachos de luz para cima que dão a impressão de formar uma coroa (e é por isso que muitas entidades chamam a mediunidade de coroa).

Como esse tipo de coisa só pode ser percebido por uma entidade, de nada vale perguntar a outro médium ou mesmo a um dirigente de terreiro, pois mesmo que seja muito experiente, somente as entidades são capazes de ver esse tipo de irradiação (os médiuns podem ver a coroa, às vezes, durante a incorporação, apenas).

A entidade olhará o topo da cabeça da pessoa e sem sombra de dúvidas dirá se a pessoa é médium e, se for, dirá qual tipo de mediunidade ela possui (eu não sei detalhar como eles sabem distinguir o tipo de mediunidade a partir da irradiação luminosa).

Se a resposta for positiva, deve-se perguntar à entidade qual deve ser o próximo passo e ela o indicará.

Leonardo Montes

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quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Natal e a Umbanda

natal

Aproxima-se o dia 25 de dezembro, o natal, dia em que se comemora em todo o mundo cristão (e, sim, a Umbanda é cristã), o nascimento de Jesus Cristo. Se Jesus nasceu realmente dia 25/12? Se ele era branco, de olhos claros? Isso não nos importa.

Importa saber que este nascimento significa a vinda de uma estrela de grandeza espiritual para um mundo da crueza material e que seus ensinos são (e continuarão a ser) luz em nossos caminhos. Por esta razão, o nascimento de Jesus simboliza a vinda da esperança para nossa Terra.

Neste dia, as famílias se reúnem em confraternizações diversas. Votos de felicidade, saúde e bem-estar são trocados entre todos e isto é o que mais importa: as entidades que me orientam nunca foram contra as festas, nunca foram contra os pratos que procuramos colocar em nossas mesas, porém, sempre alertaram para que não fiquemos apenas na satisfação do corpo e que buscássemos, nesta data, força e incentivo para viver bem, em família, com amigos, com alegria e leveza.

O Velho sempre me disse – e disse porque eu não dava a mínima importância ao natal – que procurasse comparecer às festividades com mais interesse, porque não saberia se no próximo ano teria a oportunidade de estar com todos na mesma mesa e que essa incerteza deveria, por si só, me fazer olhar para a data com mais carinho.

Assim tenho feito e recomendo.

Feliz natal!

Leonardo Montes 


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quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Golpe da Espiritualidade (Fique atento)


Acabo de ler uma matéria do jornal Correio Brasiliense, cujo título é: Mulher extorque R$ 400 mil aplicando golpe de "espiritualidade". Não há muitas informações sobre o modus operandi do golpe, apenas informa que, ao longo de quatro anos, tal pessoa teria extorquido esse valor afirmando que, se não fizesse algumas rezas especiais, os familiares da vítima adoeceriam. 

Qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento em matéria de espiritualidade sabe que esse tipo de proposta é totalmente sem sentido, contudo, ainda assim, todos os anos, matérias como esta surgem aqui e ali.

E, ao contrário do que popularmente se pensa, as pessoas que caem nestes golpes não são, necessariamente, pessoas simples, ingênuas, mas frequentemente, pessoas desesperadas.

Eu já conversei com dezenas de pessoas que passaram por situações assim e que, na dúvida, vieram me procurar para tirar uma segunda opinião, boa parte delas com ótimo grau de instrução, bons empregos, boa família, etc.

O que leva, então, alguém a cair num golpe assim? Frequentemente, o desespero.

Quando passamos por um grande sofrimento, nos desesperamos e, no desespero, tomamos atitudes que, em outras situações, frequentemente não tomaríamos. É este o caso da reportagem? Não sei, mas era o caso de muitas das pessoas com quem já conversei em situação semelhante.

O desespero coloca as pessoas em vulnerabilidade. Eu tenho um vídeo sobre “Psicografia na Internet”, onde falo, justamente, que não existe psicografia pela internet e vocês se surpreenderiam com a quantidade de comentários de pessoas pedindo por psicografias neste vídeo, inclusive, informando nome, data, endereço e – pasmem – número de documentos...

Eu compreendo o desespero dessas pessoas, a dor, a angústia que sentem, mas isso é prato cheio para aproveitadores que – diga-se – existem em todos os cantos. Há um meme que corre no Facebook e que sintetiza bem esta problemática: se você não controla sua mente, alguém vai.

E pode sair caro....

Leonardo Montes 


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quarta-feira, 3 de novembro de 2021

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Afinal, pode ou não pode incorporar em casa?

médium

Em 2017, publiquei na internet um livreto chamado: Incorporando em casaSugestões para médiuns umbandistas que atendem em casa. Na época, muita gente me agradeceu e muitos me criticaram. Nele, ofereço todas as dicas e orientações que recebi no processo de criação do nosso terreiro que nasceu no quintal de uma casa.

Não se trata de incentivo para que os médiuns incorporem em suas residências, mas ofereço algumas orientações para os médiuns que receberam de seus guias a permissão para trabalhar em casa ao invés de um terreiro. Percebem a diferença?

Este é um assunto que até hoje divide muitas opiniões e é por isso que resolvi escrever este texto, explicando de uma vez por todas, o que realmente penso sobre o assunto.

Aliás, é um tema tão controverso que recentemente vi um post no Facebook comparando a incorporação em casa com “nadar num rio cheio de piranhas”, mas, será mesmo?

Primeiro de tudo é preciso compreender que a incorporação, como um processo mediúnico, necessita apenas do médium, que se assemelha a um templo vivo e ambulante, por isso, onde quer que o médium esteja, ali haverá a possibilidade de trabalho.

Além do mais, as entidades sempre sabem o que fazem de tal modo que, se um guia quer incorporar, então, é porque há uma razão justa para isso, afinal, a entidade é um espírito autônomo, independente e esclarecido... Não é o médium quem incorpora, quem incorpora é o espírito, logo, não faz sentido pensar que quem escolhe incorporar é o médium, o que ele escolhe é dar passividade à incorporação ou não.

Existem inúmeros casos disso e eu mesmo já incorporei nos lugares mais estranhos possíveis, onde os guias julgaram realizar algum atendimento, trazer uma palavra, um conforto, etc.

Porém, existem riscos.

Fora do terreiro, o médium não possui a mesma cobertura espiritual que encontra nele, afinal, trata-se de um local preparado espiritualmente para isso, com firmezas e toda uma proteção espiritual adequada, o que faz com que a incorporação ocorra de modo tranquilo e seguro.

Fora do terreiro, o médium está por conta própria e é aqui que “mora o perigo”.

O número de espíritos transitando pelas ruas, entrando e saindo das casas das pessoas que não oferecem uma mínima proteção espiritual, é enorme. Se pudéssemos ver o que se passa, provavelmente, ficaríamos aterrorizados com o entra e sai de entidades de todos os lugares, inspirando, influenciando e também vampirizando as pessoas.

Este simples fato faz com que a incorporação fora do terreiro seja, por si só, bastante perigosa, pois vários destes espíritos podem influenciar o processo e, com isso atrapalhar ou mesmo virem a se passar pelas entidades do médium (mistificação), em casos mais graves.

Fora do amparo espiritual do terreiro, todo trabalho mediúnico é extremamente desgastante. Afinal, não terão as firmezas e, principalmente, não terá uma forte corrente, como a que existe na gira, o que faz com que as energias do médium sejam drenadas muito mais rapidamente.

Este é o grande problema!

Imagine, por exemplo, a energia que existe em boa parte das casas das pessoas que nunca se preocuparam com a reforma íntima, que fazem da fé um adorno, que não conseguem viver em harmonia com seus entes queridos, lugares em que há muitas discussões, brigas, xingamentos e todo tipo de pensamento contrário ao bem.

Uma parte considerável da população vive nestas condições, logo, uma parte considerável destes locais se tornam impróprios para a incorporação pelos riscos anteriormente citados.

Por outro lado, uma pequena parcela da população vive em harmonia e em paz, nestes locais, a incorporação poderia acontecer sem maiores inconvenientes.

Este é o ponto fundamental: não é que incorporar fora do terreiro seja, necessariamente, uma passagem à perturbação espiritual, nem mesmo um “rio cheio de piranhas”, é preciso considerar o ambiente, a necessidade e, principalmente, a conveniência do trabalho. Porém, quem decide isso são as entidades e não o médium.

Mas, o médium não tem nenhuma responsabilidade?

Sim, tem. E este é o ponto nevrálgico do texto... Muitos médiuns, especialmente em desenvolvimento ou mesmo alguns já desenvolvidos, são pessoas carentes, com baixa autoestima e que encontram na mediunidade uma forma de ficar em evidência.

Estes médiuns podem trabalhar muito bem no terreiro, sob amparo e vista das entidades, porém, não possuem firmeza suficiente para trabalhar sozinhos, longe das vistas de alguém mais experiente. Neste cenário, tais médiuns podem se encontrar numa região de vulnerabilidade que os predispõe a influência negativa e, quase sempre, imperceptível.

E, engana-se quem pense que os guias não permitirão que algo ruim aconteça... Primeiro, porque os guias têm suas ocupações e não ficam atrás do médium o tempo todo... Segundo, que o médium precisa aprender por si mesmo e, neste sentido, as experiências dolorosas ensinam também.

Eu já fiz vários trabalhos fora do terreiro, quase sempre, previamente combinados com as entidades. Preparava-me para isso, tomava banho de ervas, defumava o lugar, fazia firmezas e, ainda assim, era tudo muito difícil e também já fui vítima de mistificação... Imagina, agora, incorporar numa festa? Num churrasco? Nas festas de fim de ano? Quando isso acontece, é muito provável que seja animismo do médium ou um espírito mistificador, pois os guias, como espíritos lúcidos e conscientes, sabem muito bem quando, como e para que se manifestar...

Enfim, se o médium é desenvolvido, firme, possui fé de verdade e sente que seus guias querem vir fora do terreiro, é porque existe uma razão justa para isso, é um trabalho nobre, apesar dos riscos mencionados. Porém, se o médium não tiver essas qualidades, melhor se abster, pois o tombo pode ser feio.

Leonardo Montes 


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sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Dica infalível para incorporar mais fácil

 

meditação

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Uma das dificuldades mais comuns nos médiuns é a de concentração. A entidade diz: firma a cabeça e o médium não sabe o que fazer. Mas, afinal, o que é firmar a cabeça? Simplesmente, concentrar-se. Mas, como fazer isso?

Pois é, não é fácil!

A imensa maioria das pessoas nunca parou para pensar na importância da disciplina mental. Algo bem diferente acontece, por exemplo, entre os povos orientais que, desde a infância, aprendem a fazer isso na escola, no esporte, nas artes marciais, etc. Porém, no ocidente, não temos essa cultura.

Para a maioria das pessoas, a mente é uma coisa abstrata que existe em suas cabeças e que, em alguns casos, parece ter vida própria, fugindo completamente ao controle...

Por esta razão os médiuns sofrem tanto durante o processo de desenvolvimento mediúnico, afinal, nunca tendo exercido qualquer controle mental, simplesmente, não sabem o que fazer para se concentrarem e é nisto que vou ajuda-los com este texto.

Antes, porém, vamos entender como a falta de concentração afeta o desenvolvimento mediúnico e mesmo os médiuns mais experientes.

Sabemos que a incorporação ocorre através das ligações energéticas existentes entre os chakras do médium e da entidade. Contudo, a ligação mental necessária para que as informações fluam de um para outro ocorrem apenas no estágio final do processo e, para que se dê de forma satisfatória, é preciso que a mente do médium esteja, no mínimo, limpa o suficiente.

Mas, limpa do quê?

Limpa de pensamentos ruins, preocupações, ansiedades e quaisquer outros tipos de pensamentos negativos que sejam incompatíveis com a espiritualidade superior. Neste ponto, contudo, você talvez diga: raríssimos são os médiuns que conseguem manter-se assim – ao que eu concordaria – respondendo: por isso são tão poucos os médiuns seguros de suas mediunidades!

Como a maioria das pessoas não possui uma mente disciplinada, é natural que o processo de incorporação não ocorra de forma tão limpa, clara e forte como gostariam e esta é uma das principais causas de ruídos na comunicação que, por tantas vezes, causam tantos problemas nos terreiros...

Então – voltando ao começo do texto – a entidade diz: firma a cabeça! Porém, minutos antes, o médium estava batendo papo com os colegas ou estava preocupado com as contas ou estava reparando nas pessoas da casa ou estava com raiva porque o chefe lhe tratou mal, etc.

Enfim, a entidade pede que ele se concentre, mas naturalmente não consegue fazer isso muito bem, já que até poucos minutos antes a sua mente estava completamente desordenada...

Por isso, ao invés de sair para o terreiro em cima da hora, dirigindo feito louco e xingando todo mundo no trânsito, saia mais cedo. Ao invés de ficar batendo papo no terreiro, jogando conversa fora, vá para o seu canto, mantendo-se em concentração.

Fazendo isso, você irá ajudar muito o processo da incorporação. Na sequência, vem a dica fundamental deste texto: medite!

Sim, meditação... Especialmente, uma técnica simples, profundamente funcional (inclusive, aplico no meu consultório psicológico com regularidade), chamada: meditação em um minuto!

Eu vou resumir esta técnica, porém, deixarei aqui o link de um vídeo em que você poderá compreendê-la em detalhes. Repito: trata-se de uma técnica simples, porém, profundamente funcional. Não precisa acreditar em mim, faça o teste e depois me diga o que achou.

Siga os passos abaixo:

1.     Procure um lugar tranquilo do terreiro onde poderá permanecer em silêncio e oração;

2.     Feche os olhos e faça uma oração pedindo proteção e amparo para o trabalho;

3.     Quando sentir que já está mais relaxado, tendo se recuperado da correria que foi para chegar ao terreiro, inicie a meditação;

4.     Procure um lugar para se sentar confortavelmente. Deixe seus pés firmes do chão, mantenha o corpo ereto (sem exagero) e deixe os braços na posição mais confortável para você;

5.     Programe o seu relógio ou celular para despertar em um minuto (sim, apenas um minuto);

6.     Feche os olhos e concentre-se em sua respiração. O foco da sua atenção precisa ser a sua respiração, sentindo o ar entrando e saindo do seu corpo, naturalmente;

7.     Pensamentos intrusivos surgirão: o boleto que vence, o próximo jogo do seu time, a receita de bolo da sua mãe, preocupação com o clima, etc. É natural, não lute contra isso. Se estes pensamentos vierem, simplesmente, diga mentalmente: hum... E volte sua atenção novamente para a respiração, deixando que os pensamentos desapareçam naturalmente;

8.     É normal que surjam dificuldades, afinal, você nunca fez isso antes... Não se aborreça, nem seja exigente com você mesmo. Pode levar semanas e mesmo meses até que você consiga fazer a meditação durante um minuto sem nenhum tipo de pensamento intrusivo. Contudo, não se esforce demais: um passo de cada vez, sem pressa;

9.     Quando você conseguir meditar em um minuto sem qualquer pensamento intrusivo, poderá aumentar este tempo se quiser, porém, não vejo razão: um minuto é suficiente para os benefícios desejados.

E quais seriam estes benefícios?

Assim que abrir os olhos (depois de um minuto), perceberá que sua cabeça estará mais leve, seus pensamentos menos acelerados e mais claros. Todo aquele ruído mental inicial terá diminuído severamente e você se sentirá mais confiante, calmo e mais focado.

Faça esta meditação antes de iniciar o desenvolvimento (se você for um médium em desenvolvimento) ou longo antes da gira (se você for um médium já desenvolvido).

Sem tantos ruídos mentais, a incorporação ocorrerá mais facilmente, com maior intensidade e conexão com seu guia. Você sentirá isso na prática.

Se você fez, diz aí nos comentários: como foi para você?

Leonardo Montes

 


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sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Exu e Pombagira podem riscar o ponto antes do preto-velho?

 

ponto de exu
Imagem do Mercado Livre

Grato pela pergunta, Luciane.

Riscar o ponto não tem a ver com a entidade e, sim, com o desenvolvimento do médium com aquela entidade. Por exemplo: terreiros que começam desenvolvimento primeiro com a esquerda, tenderão que seus médiuns deem passividade para as linhas da esquerda com mais facilidade e estas entidades riscarão seus pontos antes das demais.

Não tem a ver com a entidade, propriamente, mas como o desenvolvimento é feito, por quais linhas ele começa.

Normalmente, (e é o nosso caso), o desenvolvimento começa pela direita. Neste sentido, as entidades da direita riscarão seus pontos antes das entidades da esquerda, que serão as últimas a entrarem no desenvolvimento.

Percebe?

Não há certo ou errado, depende apenas de como o desenvolvimento é feito. A linha que o médium mais trabalha será, provavelmente, a primeira que riscará o ponto.

Leonardo Montes

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segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Cada entidade tem seu jeito de trabalhar

entidade
Imagem de Paulo Henrique da Silva

Grato pela pergunta, Eliane.

Cada entidade trabalha de um jeito, mesmo que ela faça parte de uma falange. Para entender isso, vamos a um exemplo: eu sou psicólogo, tenho a minha maneira de trabalhar. Outros psicólogos, trabalharão de outras maneiras. 

Existem diferentes correntes de pensamento com suas respectivas técnicas dentro da psicologia: psicanálise, humanismo, cognitivo-comportamental, gestalt, sistêmica, etc.

Cada psicólogo pode escolher o seu referencial teórico e cada um será diferente do outro, contudo, ainda assim, todos seriam psicólogos, entende? A mesma coisa ocorre com a falange: dentro dela há centenas/milhares de espíritos, mas cada um trabalha de acordo com seu próprio método.

O médium em desenvolvimento não conhece nada sobre as entidades que se manifestarão por ele. Isso ficará claro no processo. Por esta razão, é preciso paciência, prudência, pé no chão. Não há nada mais gratificante do que ir conhecendo aos poucos, sabendo aos poucos. É preciso não ter pressa!

Com o tempo, as entidades se revelarão: dirão seus nomes, o que usam, como trabalham. Se ainda não disseram, é que o médium não está maduro o suficiente. Porém, com dedicação e boa-vontade, certamente, todos chegam lá.

Leonardo Montes


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sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Visão de parentes no momento da morte

enfermo
Imagem do Google Imagem

Gostaria que você falasse a respeito de pessoas que estão próximas do desencarne e começam ver familiares falecidos – Grato pela pergunta, Jussara.

Vou começar contando um caso que ocorreu na família de uma pessoa próxima.

A mãe estava bastante idosa e, por isso, havia sido poupada pela família quanto a notícias de falecimentos recentes. Já bastante debilidade, a senhora vivia relatando a visita de amigos e familiares já desencarnados, embora ela não soubesse disso, o que sempre chocava a todos.

Certo dia, disse à filha ter recebido a visita do esposo (já falecido) e de um padre amigo da família (também já desencarnado). Quando perguntaram o motivo da visita, ela respondeu:

— Disseram que vieram me buscar, mas eu disse que não queria ir. Mas, agora, acho que eu quero!

Dias depois, ela se foi.

A visita de amigos e familiares no momento da morte ou nos dias que antecedem à morte, é um fato bastante comum e que deveria nos fazer pensar muito seriamente sobre a vida e a morte.

Abundam casos em toda parte, de tal forma que todas as tentativas de negar o fenômeno não passam de atavismos sem sentido. Porém, o que explica o fato?

Quando uma pessoa está enferma e a enfermidade se agrava, isso significa que o corpo físico está bastante frágil. Os laços que prendem o espírito ao corpo, debilitados pela doença, já não se encontram com a mesma força de antes, isso permite ao espírito uma certa liberdade, uma facilidade maior de desligamento temporário e, com isso, a visão e mesmo a audição do plano espiritual com muita naturalidade.

É por isso que pessoas enfermas relatam a visita de amigos e parentes que sempre estão nos apoiando nos momentos difíceis, mas que não são percebidos por aqueles que não possuem uma mediunidade mais aclarada, a não ser, quando a vida material já está tão fraca que o espírito praticamente se encontra com um pé do outro lado.

Contudo, ao contrário do que muitos pensam, o fato de ver estes espíritos não é um sinal de que a pessoa morrerá em breve. A senhora citada, por exemplo, relatou a visita de diversas pessoas que ela não sabia que haviam morrido durante alguns anos. Conforme a enfermidade avançava e a saúde se debilitava, mais ela os via. 

Trata-se, portanto, de algo comum nos processos de adoecimento que enfraquecem o corpo e dão mais liberdade ao espírito e por isso não necessariamente significam que a pessoa esteja prestes a desencarnar. 

Não há razão para que os familiares pensem que a pessoa está “esclerosada” ou qualquer coisa semelhante.

Quando isto acontecer, ao invés de se encherem de temor, as famílias devem é se encher de amor. Quer prova maior de afeto do que receber a visita e os cuidados daqueles que, um dia, partilharam o mundo conosco? Nestas situações, as famílias devem orar, agradecer aos familiares do lado de lá o amparo recebido e, com isso, encherem-se de alegria e fé, pois é o testemunho familiar, debaixo do próprio nariz, da continuidade da vida e da imortalidade da alma.

Cabe dizer, contudo, que nem todas as visões são positivas. Mas, isso deixarei para um outro post...

Caso queira enviar uma pergunta sobre Umbanda, escreva para: canalumbandasimples@gmail.com

Leonardo Montes 

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quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Durante a gravidez a mulher pode incorporar?

gravidez

Imagem de fixthephoto.com

Lembram-se do versículo: tudo me é lícito, mas nem tudo me convém? (1 Coríntios 6:12), é aqui que ele se encaixa. 

De modo geral, pode-se dizer que, se não houver nenhuma disposição em contrário, como uma gravidez de risco, por exemplo, nada impediria uma mulher de trabalhar mediunicamente durante a gestação. Contudo, a questão que me parece mais relevante é: há necessidade?

E, para mim, não há.

Sou daqueles que veem a maternidade como algo sagrado. Se estivesse em minha alçada, jamais uma mulher trabalharia profissionalmente até o fim da sua gestação, como jamais retornaria ao serviço em menos de um ano após o parto.

E digo isso porque considero, do ponto de vista psicológico e espiritual, a maternidade extremamente importante, tanto para a mulher, quanto para o filho e sei bem como os meses que antecedem e sucedem à gestação são fundamentais para o bom desenvolvimento da relação afetiva entre ambos.

Quantas vezes uma mulher gestará durante a sua vida? Duas, três, quatro vezes? E quantas vezes trabalhará mediunicamente? Centenas, milhares de vezes? Então, para quê arriscar um momento tão sagrado por algo que se fará o resto da vida?

Sou da opinião de que, a partir do momento em que a mulher se descobre grávida, não deve mais atuar como médium. 

Todo médium é impactado, direta e indiretamente, pelo trabalho que realiza. Seja através de um consulente carregado e cujas vibrações incidirão sobre a médium, seja em razão dos ataques espirituais que as trevas não cessam de empreender, seja mesmo pelo desgaste físico e emocional que um trabalho proporciona, tudo isso gera um risco absolutamente desnecessário à gestante.

Por esta razão, em minha opinião, toda mulher grávida deve frequentar o terreiro apenas para tomar passes, não para atuar como médium. Após a gestação, ela terá o restante da vida para fazer isso.

Leonardo Montes 


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terça-feira, 31 de agosto de 2021

Como fazer oferendas do jeito certo?

oferendas

Como fazer oferendas do jeito certo?

Antes de começar este texto, é bom deixar claro que o “certo” a que me refiro se dá segundo à nossa maneira de se fazer e pensar as oferendas e não a uma visão geral que desqualifica as demais práticas: é o resultado daquilo que aprendi com os guias e o que fazemos em nossa casa, apenas isso!

Os guias sempre me ensinaram que não precisavam de oferendas que não fossem àquelas nascidas do nosso próprio coração. Assim, o preto-velho não precisa de café, o exu não precisa de marafo, etc. Todas estas coisas podem ser oferendadas, desde que sejam importantes para quem as oferenda e não a quem se destina.

Isto é, as oferendas importam para as pessoas, não para os guias ou para os Orixás. Façamos uma comparação:

É comum que no dia de finados os vivos levem flores aos cemitérios. Contudo, o que os mortos farão com estas flores? Nada. Elas são apenas um meio material de externar o carinho, a saudade e o amor por aqueles que já partiram, certo? A mesma coisa ocorre com as oferendas!

Quando alguém coloca café para o preto-velho não é para aplacar a sede do mesmo de um cafezinho nem para ganhar-lhe a simpatia, afinal, vocês acham mesmo que um preto-velho precisa de um café para proteger uma pessoa? Acham que o exu precisa de um copo de marafo para poder auxiliar a quem pede ajuda?

Assim, quando se coloca um café para o preto-velho ou um marafo para o exu, não é para cativar ou barganhar com estas entidades, mas é um gesto de fé, simpatia, carinho, da mesma forma que as flores são para os mortos em finados.

Há pessoas que não conseguem rezar de verdade se não tiverem diante dos olhos uma vela acesa, não é? Da mesma forma, há pessoas que se não materializarem a sua fé em algo palpável, sentem que lhes falta algo e está tudo bem: em matéria de fé, não há melhor ou pior. Cada um deve fazer aquilo que mais fale a seu coração!

É por esta razão que as entidades sempre me ensinaram o seguinte: nunca faça grandes oferendas que podem até encantar os olhos, mas que começarão a apodrecer no dia seguinte... Use este dinheiro para ajudar os pobres: esta é a melhor oferenda para os guias e também para os Orixás. Contudo, caso sinta que precisa se ligar de forma mais profunda, seja a um guia ou mesmo a um Orixá, faça da seguinte forma:

Vá até o ponto de força na natureza, como uma mata, por exemplo. Acenda ali a sua vela, coloque a sua oferenda. Entretanto, não faça como os apressados que julgam bastar colocar as coisas em algum lugar e virar as costas para que se resolva... Fique ali. Faça a suas orações. Cante pontos. Chame pela entidade/Orixá a quem você oferenda e permaneça pelo menos uma hora em oração, meditação, reflexão, sentindo a vibração da força evocada. Sinta a energia da natureza, observe as plantas, o vento, a terra, as cores, o cheiro das coisas, enfim, a vida a seu redor. 

Conectado a esta força (sem qualquer necessidade de incorporação), abra seu coração, confesse seus erros, peça perdão, peça inspiração, reflita, reflita... Decorrido pelo menos uma hora, recolha todos os resíduos não naturais (afinal, a natureza não precisa de lixo), agradeça e vá embora.

Este é o jeito certo de se fazer oferendas, segundo sempre me ensinaram as entidades que me guiam. É assim que ensino e é assim que compartilho aqui este conhecimento.

Leonardo Montes 


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sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Devemos fazer nossas próprias guias?

guia de umbanda
Minha primeira guia

Devemos fazer nossas próprias guias? – Grato pela pergunta, Felipe.

Tradicionalmente, as guias são confeccionadas pelo próprio médium ou presenteadas a ele pelo dirigente da casa (existem casas que seguem este modelo e outras não).

A ideia é que, ao fazer a guia, a pessoa crie um vínculo com ela, tratando-a como parte da sua indumentária sagrada e, portanto, dê mais valor a este objeto. Porém, não existem razões práticas que impeçam alguém de comprar suas guias: eu mesmo, nunca fiz e provavelmente nunca farei uma guia (simplesmente, não tenho paciência para isso).

Contudo, trato muito bem as minhas guias: nunca as deixo no chão e nunca as guardo em qualquer lugar: a guia sai da gaveta para o meu pescoço e dele volta para a gaveta.

Porém, seja confeccionada, ganhada ou comprada, a guia só possa a ter valor espiritual a partir do momento em que é cruzada (imantada/abençoada) por uma entidade de sua confiança. Por isso, antes de usá-la, é sempre bom leva-la ao terreiro para que uma entidade a cruze.

Leonardo Montes 


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quinta-feira, 26 de agosto de 2021

As roupas do terreiro devem ser lavadas junto com as demais?

roupa branca
Imagem do site Elo7

As roupas do terreiro devem ser lavadas junto com as demais? – Grato pela pergunta, ES.

Sim, sem nenhum problema.

Não há necessidade de qualquer separação neste sentido. O importante, penso, é guarda-las separadamente, não por qualquer aspecto energético, mas para que não percam o encanto do sagrado: se você deixa suas roupas comuns junto com as do terreiro, existe uma grande chance de que, ao cabo de algum tempo, você já não sinta nada ao vesti-las. 

Aqui em casa eu e minha esposa temos uma gaveta no guarda-roupas onde só ficam as roupas do terreiro, sem contato com as demais. E, por roupa de terreiro, refiro-me a calça, camisa, saia, etc. As roupas íntimas são as do dia-a-dia mesmo.

Quanto ao momento de vesti-las, isso varia de casa para casa ou do cuidado que a pessoa tem em não as sujar. Eu já saio de casa com o “kit completo”, incluindo, as minhas guias.

Leonardo Montes


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quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Todos temos várias entidades que nos acompanham?

guias
Imagem do Flicker

Todos temos várias entidades que nos acompanham? Grato pela pergunta, João.

A resposta é: não.

Não temos e nem sempre precisamos.

Cada médium terá o apoio de determinadas entidades dependendo do trabalho que lhe cabe realizar na Terra. Antigamente, era comum os médiuns na Umbanda trabalharem com uma – quando muito – duas entidades.

Tanto que era muito comum serem conhecidos por: fulana do caboclo x, beltrano do preto-velho y, e por aí vai.

Bem recentemente é que se começou a construir a ideia de que o médium tenha que incorporar, cinco, sete, dez linhas diferentes (eu sou da opinião de que quanto menos entidades o médium incorpora, melhor ele as incorpora).

Então, embora alguns médiuns tenham a assistência espiritual deste ou daquele espírito muito antes do seu nascimento, outras tantas entidades podem se aproximar conforme ele edifica o seu trabalho na Terra.

Leonardo Montes 


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terça-feira, 24 de agosto de 2021

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

O que acontece com o espírito de um bebê abortado?

feto

Imagem do Pinterest por Thalita Dol Essinger


Gostaria de saber se um espírito abortado fica na terra obsediando a mãe?  Ou ele vai para outro plano no momento do aborto?  E com a mãe que pratica o aborto, o que acontece? Ela paga em outra vida? Mesmo pedindo perdão? – Grato, Luciane.

A resposta a todas essas perguntas é: depende.

Cada aborto é um caso único e embora o fato seja o mesmo, as circunstâncias que o envolvem são muito diferentes e, por isso, o que acontecerá após a morte dependerá muito de diversos fatores.

Mas, vamos na sequência das perguntas.

O espírito/abortado poderá obsediar a mãe? Sim, a mãe, o pai e todos que influíram para que o aborto fosse praticado. Porém, nem todo espírito age assim. Depende do grau evolutivo dele e do objetivo da sua encarnação. Pode ser que, após o aborto, ele simplesmente seja levado para o plano espiritual, aguardando nova oportunidade para reencarnar.

A partir do momento em que o aborto é praticado, gera-se uma dívida “cármica” com este espírito. Não apenas por parte da mãe, mas também do pai, dos familiares que apoiaram a decisão e até mesmo da equipe médica que realizou o aborto (isso, claro, considerando um aborto intencional sem nenhuma causa justa, como o risco de vida da mãe – que, aliás, é o único tipo de aborto aceitável, segundo os espíritos).

A partir do momento em que esta dívida é gerada, ela deverá ser paga ou na vida presente ou na vida futura. Trata-se de um erro, um crime e sempre que praticamos algo que fira as leis divinas, temos que nos preparar para lidar com as consequências dos nossos atos.

O arrependimento é muito importante, mas não basta para reparar o erro. É preciso que, neste caso, as pessoas envolvidas se corrijam, deixem de praticar o erro e procurem fazer o bem onde antes fizeram o mal. Por exemplo, sempre que uma mulher me procura dizendo ter feito aborto, o que lhe recomendo é, nesta vida mesmo, procurar ajudar alguma instituição que cuida de crianças, não apenas comprando e entregando coisas, mas sendo voluntária, ajudando, cuidando, educando outras crianças de outras mães.

Não é preciso esperar a lei de Deus nos atingir para corrigir nossos erros.

Quer enviar suas perguntas? Escreva para: canalumbandasimples@gmail.com 

Leonardo Montes 


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sábado, 21 de agosto de 2021

Por que os guias demoram a riscar o ponto ou a falar sua falange?

Gostaria de saber por que os guias demoram a riscar o ponto ou a falar sua falange? – Grato pela pergunta, Peterson.

Imagem: Umbanda ead

O desenvolvimento mediúnico é um processo, basicamente, dividido em três etapas: irradiação, incorporação e firmeza (isso, claro, conforme entendo).

A irradiação é o primeiro passo em que o espírito enlaça o médium com sua energia. Costuma levar alguns meses até que, efetivamente, a entidade consiga ter uma conexão mais profunda com o médium. Esta é a fase em que o médium sente algum torpor em seu corpo, perde o equilíbrio e fica apenas balançando em seu desenvolvimento. 

Quando houver uma afinidade mais profunda entre a energia da entidade e a do médium, chega-se no segundo passo: a incorporação de fato, o que leva mais alguns meses. Neste processo, a energia que flui dos chakras da entidade e do médium se encontram, se entrelaçam e isto é o que chamamos de incorporação. Conforme avança o desenvolvimento deste estágio, o médium incorporado conseguirá falar, riscar o ponto, etc.

Por fim, o último estágio, é a firmeza. Nessa etapa, o médium deve permanecer incorporado o maior tempo possível, quietinho no seu canto, só ele e o guia, para que aprenda não só a incorporar bem, mas a manter o transe pelo maior tempo possível. 

Em resumo, é assim que entendemos o desenvolvimento. Processo que, aqui, costuma levar de dois a três anos para se completar. Então, se a entidade ainda não riscou o ponto, não deu o nome, não consegue falar, isso significa apenas que o desenvolvimento ainda não chegou nessa etapa, mas certamente chegará um dia.

Leonardo Montes 


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sexta-feira, 20 de agosto de 2021

O que dizer para os que pensam que cultuamos o demônio?

intolerância religiosa
Imagem de europeancleaningjournal.com

A religião afro, umbanda e quimbanda na visão da igreja cristã: adoração de outros deuses, a quimbanda como demônios e o ritual de axorô como sendo sacrifícios de animais. – Grato pela pergunta, Letícia.

Antes de tudo é preciso dizer que, da forma como aprendi e penso, a Umbanda não é uma religião afro-brasileira, mas uma religião brasileira com influência afro. Pode parecer apenas um jogo de palavras, mas não é.

Dizer que uma religião é afro-brasileira é dizer que sua matriz religiosa é africana, embora o seu desenvolvimento tenha se dado no Brasil, que é o caso do Candomblé. Porém, a matriz religiosa da Umbanda é tipicamente brasileira, sendo uma fusão de conceitos do Espiritismo, do Catolicismo e do Candomblé.

Dito isso, vejamos a questão das igrejas: elas sempre pensam que estão com a razão.

O cristão brasileiro comum tem o péssimo hábito de achar que suas crenças são o centro do universo. Ele só consegue olhar para os outros a partir de suas próprias lentes: tudo aquilo que não estiver de acordo com a bíblia (e, diga-se, cada igreja acha que está interpretando da maneira correta, nunca entrando em acordo com as demais), está profundamente errado e é obra do diabo.

Como esse pressuposto é profundamente verdadeiro em suas doutrinas, logo, torna-se praticamente inútil qualquer tentativa de demonstrar o contrário: não é possível dialogar com alguém que antes mesmo de iniciar uma conversa se acredita certo em suas verdades.

Então, o que normalmente recomendo é: deixe que pensem o que quiserem. Não há, nunca houve – e, creio – nunca haverá, obrigação de sujeitar as práticas da Umbanda a qualquer doutrina bíblica, assim, eles continuarão a pensar que estamos com o demônio e nós continuaremos a pensar que o demônio é só um mito.

Sobre rituais que envolvem o sacrifício de animais, eu os respeito, pois sei que fazem parte da tradição de várias culturas e não pretendo agir como boa parte dos que condenam o sacrifício de animais, mas adoram uma churrascaria... 

Contudo, eu não pratico qualquer forma de sacrifício animal. Nunca derramei uma gota de sangue animal em meus trabalhos espirituais e pretendo continuar assim.

Quer transformar suas perguntas em textos para o blog? Escreva para: canalumbandasimples@gmail.com 

Leonardo Montes 


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quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Postura do dirigente

vaidade

Hoje responderei algumas perguntas num único texto. Grato pelas perguntas e pelo carinho, Rafinha.

Quando um médium dirigente ou da linha durante o trabalho com suas entidades em terra bebem e quando a entidade vai embora eles ficam embriagados. Qual sua visão?

O uso do álcool é um fundamento da Umbanda, contudo, muitos médiuns pensam que precisam convencer os demais da sua incorporação bebendo exageradamente. O resultado é bem este: a entidade vai embora e eles ficam bêbados.

Porém, pode ser também que o médium misture a sua vontade com o uso que a entidade faz da bebida. Isto é mais comum quando o médium também consome bebida alcoólica. Neste caso, o objetivo não era impressionar a ninguém, porém, ele se aproveita do momento para saciar a sua vontade e o resultado acaba sendo o mesmo.

Por isso, todo terreiro deve ter regras: nada de giras “open bar”, isso vira bagunça.

Quando em um terreiro o dirigente tem a necessidade de se amostrar, chamar atenção com danças, falas desnecessárias, quase que um show. Qual o proceder de tudo isso, qual a finalidade ou a necessidade? Como a espiritualidade vê isso? Como a casa espiritualmente falando fica?

É preciso separar bem as coisas: existem entidades que são, digamos, mais expansivas, isto é, gostam de dançar, conversar, possuem trejeitos mais chamativos, essas coisas. Isto é da individualidade da entidade e não há nada de errado.

Contudo, existem também os “médiuns-pavão”, os que querem se exibir, mostrar como suas incorporações são fortes. Estes, diferentemente do primeiro caso, forçam a barra para aparecer, desejam chamar a atenção para si e acabam fazendo coisas mirabolantes simplesmente para serem o centro da gira, sem nenhuma razão ou causa espiritual para isso: é puro ego mesmo!

De modo geral, a espiritualidade é bastante tolerante com nossas infantilidades. Se o dirigente for um destes “pavão”, mas conseguir realizar um bom trabalho, não há maiores consequências, senão o ridículo a que se expõe. Contudo, se não conseguir nem realizar um bom trabalho, então, certamente a espiritualidade ficará descontente com o andamento dos trabalhos e se isso crescer demais, a casa acabará sem assistência espiritual, afinal, é só espetáculo mesmo. 

Quando um pai de santo junto com sua esposa mãe de santo trabalhando juntos na casa, sendo eles marido e mulher começam a disputar. Como fica todos mediante isso?

Todo tipo de disputa é perda de tempo. Porém, quando essa disputa ocorre entre os que comandam a casa, além de perda de tempo, torna-se também algo muito perigoso, afinal, é uma disputa que pode fazer ruir as estruturas da casa.

O ideal seria que ambos não se esquecessem que são marido e mulher fora do terreiro, lá dentro, são os responsáveis por ele. Quaisquer dificuldades ou desavenças que exista entre ambos, enquanto casal, deveria permanecer fora da casa religiosa. Mas, isso é muito difícil. De modo geral, terreiro que é administrado por casal tende a dar muito certo ou muito errado. Raramente se consegue um equilíbrio, infelizmente...

Mas, mesmo aqui, ainda cabe o raciocínio anterior: se a disputa ocorre apenas entre os dois, menos mal. É feio, desnecessário, mas afeta apenas a eles. Agora, se essa disputa for além do casal e começar a afetar os demais membros da casa diretamente, então, é como se eles mesmos começassem a marretar as paredes do terreiro: uma hora a casa cai.

Leonardo Montes 


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quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Se uma pessoa se deparar com um despacho na rua e neste houver algo de valor e ela subtrair, as entidades ali envolvidas se vingarão dela?

despacho
Imagem de O Globo
Grato pela pergunta, ES.

Quando encontramos algum trabalho na rua, nunca sabemos quem fez, com que intenção e a quem se destina. De modo geral, esse tipo de trabalho em que se coloca dinheiro ou coisas de valor não são feitos por pessoas da Umbanda. Resta, então, a pergunta: quem fez e a quem se destina?

Considerando que diversas outras religiões e práticas mágicas podem fazer uso de algum tipo de trabalho que envolva despachar algo na rua, no mínimo, por prudência, não devemos nos envolver.

Porém, se tal trabalho tiver sido feito por alguém da Umbanda, destinado às entidades que atuam na Umbanda, não haverá represálias, pois as entidades que atuam na religião não praticam qualquer tipo de mal, mesmo em casos assim.

Mas, e se tal trabalho tiver sido feito por alguém com uma má intenção, que tipo de espírito responderá? Bem pode acontecer do atrevido meter a mão no trabalho sem que haja qualquer entidade por perto (elas podem já ter ido embora ou sequer chegado), porém, e se houver? É este o risco que se corre com esse tipo de atitude (apesar de – é importante deixar claro – sou totalmente contra qualquer tipo de trabalho na rua).

As entidades já me contaram vários casos de pessoas que se deram muito mal por terem comido, bebido, chutado ou mesmo se apropriado de coisas encontradas num trabalho na rua.

É uma roleta russa: pode ser que não haja nenhuma entidade ali no momento da apropriação, mas pode ser que haja e, se houver, bem pode ser que a pessoa se dê muito mal.

Leonardo Montes 


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terça-feira, 17 de agosto de 2021

A MORAL DA PESSOA TRÁS INFLUÊNCIA EM SEU TRABALHO JUNTO ÀS ENTIDADES NO TERREIRO?

médium
Imagem de O Globo
Grato pela pergunta, ES.

Com certeza.

Porém, é preciso compreender que os médiuns são, em maioria, espíritos com muitas dívidas do passado. A mediunidade nos aparece como uma oportunidade de reajuste e, por isso mesmo, as entidades sabem que a maioria apresentará dificuldades morais notáveis em sua caminhada.

Contudo, o médium que possui uma moral duvidosa será sempre um médium fraco, vacilante, incerto, sempre mais pra lá do que pra cá. Entretanto, mesmo com essa moral duvidosa, se ele se esforçar sinceramente em ser cada vez melhor, a espiritualidade compensará sua fraqueza com sua própria força.

Porém, se o médium for religioso de fachada, então, é questão de tempo até que tombe: os bons espíritos compreendem a nossa fraqueza e nos ajudam, mas não toleram o mau-caratismo: não dá para ser bom médium sem ser boa pessoa!

Leonardo Montes 


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segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Nossas guias estão guardadas há mais de um ano... Será que perderam a imantação?

guia de umbanda

Grato pela pergunta, Eliane.

Se não perderam, certamente não possuem mais a mesma força. Não existe energia que dure para sempre. Quando uma entidade cruza uma guia, por exemplo, ela coloca uma força que certamente decairá com o tempo. É por isso, inclusive, que a pessoa precisa voltar de quando em quando no terreiro com a guia.

Contudo, a guia não precisa ser recruzada toda semana, por exemplo, pois a cada vez que o médium for ao terreiro com ela, a entidade a energizará novamente, gerando assim um ciclo de longa duração daquela imantação.

Contudo, devido a pausa pela pandemia, assim que os trabalhos retornarem, penso, todos devem levar suas guias para serem cruzadas novamente.

Leonardo Montes

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sábado, 31 de julho de 2021

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 36: FIM DO DESENVOLVIMENTO?


No momento em que escrevo esse texto (24/06/2016) nada mudou em minha mediunidade de incorporação. O que descrevi para vocês é exatamente como tenho trabalhado até o presente. Porém, uma nova mediunidade começa a nascer em mim: a audiência espiritual. 

Há algumas semanas comecei a perceber algo diferente. Não parecia a costumeira intuição, nem a sempre presente inspiração. Eu tinha a nítida impressão de ouvir uma voz, mas não dentro da minha cabeça e, sim, fora. Como se alguém sussurrasse em meus ouvidos de forma a poder compreender algumas sentenças bem completas. Vamos aos exemplos. 

Estava trabalhando quando tive a impressão de ouvir o Pai José do Congo dizer, de forma lenta, como se fosse um ditado: fulana precisa descansar mais. Fulana é uma amiga nossa e médium. Para minha surpresa, tão logo chego em casa minha esposa me disse que ela estava internada, pois sofreu tonturas. Por esses dias, estávamos em dúvida se a próxima gira seria de caboclos ou pretos-velhos e tive a impressão de ouvir uma voz firme dizendo: Caboclo! 

Ocorreram poucas manifestações até o momento deste novo gênero mediúnico para mim, mas como já havia sido instruído previamente que isso cedo ou tarde aconteceria, estou encarando com naturalidade, se é que esta mediunidade se tornará mais intensa... Portanto, caro leitor, tenha sempre em mente que o desenvolvimento nunca terá fim. 

Novos gêneros de mediunidade podem surgir para você conforme o trabalho que você vier a construir aqui na Terra. Não seria de surpreender se, de repente, além da incorporação, você viesse a desenvolver outros dons, mesmo a tão rara e apreciada psicografia. Tudo depende da tarefa que, como médium, você terá que executar e dos seus esforços como indivíduo perseverante no bem e representante da luz - ainda que imperfeitamente -, na Terra. 

De uma coisa, porém, nunca se esqueça: há sempre com quem aprender e a quem ensinar e é sempre tempo de recomeçar e reaprender.

Leonardo Montes

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