segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Cada entidade tem seu jeito de trabalhar

entidade
Imagem de Paulo Henrique da Silva

Grato pela pergunta, Eliane.

Cada entidade trabalha de um jeito, mesmo que ela faça parte de uma falange. Para entender isso, vamos a um exemplo: eu sou psicólogo, tenho a minha maneira de trabalhar. Outros psicólogos, trabalharão de outras maneiras. 

Existem diferentes correntes de pensamento com suas respectivas técnicas dentro da psicologia: psicanálise, humanismo, cognitivo-comportamental, gestalt, sistêmica, etc.

Cada psicólogo pode escolher o seu referencial teórico e cada um será diferente do outro, contudo, ainda assim, todos seriam psicólogos, entende? A mesma coisa ocorre com a falange: dentro dela há centenas/milhares de espíritos, mas cada um trabalha de acordo com seu próprio método.

O médium em desenvolvimento não conhece nada sobre as entidades que se manifestarão por ele. Isso ficará claro no processo. Por esta razão, é preciso paciência, prudência, pé no chão. Não há nada mais gratificante do que ir conhecendo aos poucos, sabendo aos poucos. É preciso não ter pressa!

Com o tempo, as entidades se revelarão: dirão seus nomes, o que usam, como trabalham. Se ainda não disseram, é que o médium não está maduro o suficiente. Porém, com dedicação e boa-vontade, certamente, todos chegam lá.

Leonardo Montes


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sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Visão de parentes no momento da morte

enfermo
Imagem do Google Imagem

Gostaria que você falasse a respeito de pessoas que estão próximas do desencarne e começam ver familiares falecidos – Grato pela pergunta, Jussara.

Vou começar contando um caso que ocorreu na família de uma pessoa próxima.

A mãe estava bastante idosa e, por isso, havia sido poupada pela família quanto a notícias de falecimentos recentes. Já bastante debilidade, a senhora vivia relatando a visita de amigos e familiares já desencarnados, embora ela não soubesse disso, o que sempre chocava a todos.

Certo dia, disse à filha ter recebido a visita do esposo (já falecido) e de um padre amigo da família (também já desencarnado). Quando perguntaram o motivo da visita, ela respondeu:

— Disseram que vieram me buscar, mas eu disse que não queria ir. Mas, agora, acho que eu quero!

Dias depois, ela se foi.

A visita de amigos e familiares no momento da morte ou nos dias que antecedem à morte, é um fato bastante comum e que deveria nos fazer pensar muito seriamente sobre a vida e a morte.

Abundam casos em toda parte, de tal forma que todas as tentativas de negar o fenômeno não passam de atavismos sem sentido. Porém, o que explica o fato?

Quando uma pessoa está enferma e a enfermidade se agrava, isso significa que o corpo físico está bastante frágil. Os laços que prendem o espírito ao corpo, debilitados pela doença, já não se encontram com a mesma força de antes, isso permite ao espírito uma certa liberdade, uma facilidade maior de desligamento temporário e, com isso, a visão e mesmo a audição do plano espiritual com muita naturalidade.

É por isso que pessoas enfermas relatam a visita de amigos e parentes que sempre estão nos apoiando nos momentos difíceis, mas que não são percebidos por aqueles que não possuem uma mediunidade mais aclarada, a não ser, quando a vida material já está tão fraca que o espírito praticamente se encontra com um pé do outro lado.

Contudo, ao contrário do que muitos pensam, o fato de ver estes espíritos não é um sinal de que a pessoa morrerá em breve. A senhora citada, por exemplo, relatou a visita de diversas pessoas que ela não sabia que haviam morrido durante alguns anos. Conforme a enfermidade avançava e a saúde se debilitava, mais ela os via. 

Trata-se, portanto, de algo comum nos processos de adoecimento que enfraquecem o corpo e dão mais liberdade ao espírito e por isso não necessariamente significam que a pessoa esteja prestes a desencarnar. 

Não há razão para que os familiares pensem que a pessoa está “esclerosada” ou qualquer coisa semelhante.

Quando isto acontecer, ao invés de se encherem de temor, as famílias devem é se encher de amor. Quer prova maior de afeto do que receber a visita e os cuidados daqueles que, um dia, partilharam o mundo conosco? Nestas situações, as famílias devem orar, agradecer aos familiares do lado de lá o amparo recebido e, com isso, encherem-se de alegria e fé, pois é o testemunho familiar, debaixo do próprio nariz, da continuidade da vida e da imortalidade da alma.

Cabe dizer, contudo, que nem todas as visões são positivas. Mas, isso deixarei para um outro post...

Caso queira enviar uma pergunta sobre Umbanda, escreva para: canalumbandasimples@gmail.com

Leonardo Montes 

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quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Durante a gravidez a mulher pode incorporar?

gravidez

Imagem de fixthephoto.com

Lembram-se do versículo: tudo me é lícito, mas nem tudo me convém? (1 Coríntios 6:12), é aqui que ele se encaixa. 

De modo geral, pode-se dizer que, se não houver nenhuma disposição em contrário, como uma gravidez de risco, por exemplo, nada impediria uma mulher de trabalhar mediunicamente durante a gestação. Contudo, a questão que me parece mais relevante é: há necessidade?

E, para mim, não há.

Sou daqueles que veem a maternidade como algo sagrado. Se estivesse em minha alçada, jamais uma mulher trabalharia profissionalmente até o fim da sua gestação, como jamais retornaria ao serviço em menos de um ano após o parto.

E digo isso porque considero, do ponto de vista psicológico e espiritual, a maternidade extremamente importante, tanto para a mulher, quanto para o filho e sei bem como os meses que antecedem e sucedem à gestação são fundamentais para o bom desenvolvimento da relação afetiva entre ambos.

Quantas vezes uma mulher gestará durante a sua vida? Duas, três, quatro vezes? E quantas vezes trabalhará mediunicamente? Centenas, milhares de vezes? Então, para quê arriscar um momento tão sagrado por algo que se fará o resto da vida?

Sou da opinião de que, a partir do momento em que a mulher se descobre grávida, não deve mais atuar como médium. 

Todo médium é impactado, direta e indiretamente, pelo trabalho que realiza. Seja através de um consulente carregado e cujas vibrações incidirão sobre a médium, seja em razão dos ataques espirituais que as trevas não cessam de empreender, seja mesmo pelo desgaste físico e emocional que um trabalho proporciona, tudo isso gera um risco absolutamente desnecessário à gestante.

Por esta razão, em minha opinião, toda mulher grávida deve frequentar o terreiro apenas para tomar passes, não para atuar como médium. Após a gestação, ela terá o restante da vida para fazer isso.

Leonardo Montes 


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terça-feira, 31 de agosto de 2021

Como fazer oferendas do jeito certo?

oferendas

Como fazer oferendas do jeito certo?

Antes de começar este texto, é bom deixar claro que o “certo” a que me refiro se dá segundo à nossa maneira de se fazer e pensar as oferendas e não a uma visão geral que desqualifica as demais práticas: é o resultado daquilo que aprendi com os guias e o que fazemos em nossa casa, apenas isso!

Os guias sempre me ensinaram que não precisavam de oferendas que não fossem àquelas nascidas do nosso próprio coração. Assim, o preto-velho não precisa de café, o exu não precisa de marafo, etc. Todas estas coisas podem ser oferendadas, desde que sejam importantes para quem as oferenda e não a quem se destina.

Isto é, as oferendas importam para as pessoas, não para os guias ou para os Orixás. Façamos uma comparação:

É comum que no dia de finados os vivos levem flores aos cemitérios. Contudo, o que os mortos farão com estas flores? Nada. Elas são apenas um meio material de externar o carinho, a saudade e o amor por aqueles que já partiram, certo? A mesma coisa ocorre com as oferendas!

Quando alguém coloca café para o preto-velho não é para aplacar a sede do mesmo de um cafezinho nem para ganhar-lhe a simpatia, afinal, vocês acham mesmo que um preto-velho precisa de um café para proteger uma pessoa? Acham que o exu precisa de um copo de marafo para poder auxiliar a quem pede ajuda?

Assim, quando se coloca um café para o preto-velho ou um marafo para o exu, não é para cativar ou barganhar com estas entidades, mas é um gesto de fé, simpatia, carinho, da mesma forma que as flores são para os mortos em finados.

Há pessoas que não conseguem rezar de verdade se não tiverem diante dos olhos uma vela acesa, não é? Da mesma forma, há pessoas que se não materializarem a sua fé em algo palpável, sentem que lhes falta algo e está tudo bem: em matéria de fé, não há melhor ou pior. Cada um deve fazer aquilo que mais fale a seu coração!

É por esta razão que as entidades sempre me ensinaram o seguinte: nunca faça grandes oferendas que podem até encantar os olhos, mas que começarão a apodrecer no dia seguinte... Use este dinheiro para ajudar os pobres: esta é a melhor oferenda para os guias e também para os Orixás. Contudo, caso sinta que precisa se ligar de forma mais profunda, seja a um guia ou mesmo a um Orixá, faça da seguinte forma:

Vá até o ponto de força na natureza, como uma mata, por exemplo. Acenda ali a sua vela, coloque a sua oferenda. Entretanto, não faça como os apressados que julgam bastar colocar as coisas em algum lugar e virar as costas para que se resolva... Fique ali. Faça a suas orações. Cante pontos. Chame pela entidade/Orixá a quem você oferenda e permaneça pelo menos uma hora em oração, meditação, reflexão, sentindo a vibração da força evocada. Sinta a energia da natureza, observe as plantas, o vento, a terra, as cores, o cheiro das coisas, enfim, a vida a seu redor. 

Conectado a esta força (sem qualquer necessidade de incorporação), abra seu coração, confesse seus erros, peça perdão, peça inspiração, reflita, reflita... Decorrido pelo menos uma hora, recolha todos os resíduos não naturais (afinal, a natureza não precisa de lixo), agradeça e vá embora.

Este é o jeito certo de se fazer oferendas, segundo sempre me ensinaram as entidades que me guiam. É assim que ensino e é assim que compartilho aqui este conhecimento.

Leonardo Montes 


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sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Devemos fazer nossas próprias guias?

guia de umbanda
Minha primeira guia

Devemos fazer nossas próprias guias? – Grato pela pergunta, Felipe.

Tradicionalmente, as guias são confeccionadas pelo próprio médium ou presenteadas a ele pelo dirigente da casa (existem casas que seguem este modelo e outras não).

A ideia é que, ao fazer a guia, a pessoa crie um vínculo com ela, tratando-a como parte da sua indumentária sagrada e, portanto, dê mais valor a este objeto. Porém, não existem razões práticas que impeçam alguém de comprar suas guias: eu mesmo, nunca fiz e provavelmente nunca farei uma guia (simplesmente, não tenho paciência para isso).

Contudo, trato muito bem as minhas guias: nunca as deixo no chão e nunca as guardo em qualquer lugar: a guia sai da gaveta para o meu pescoço e dele volta para a gaveta.

Porém, seja confeccionada, ganhada ou comprada, a guia só possa a ter valor espiritual a partir do momento em que é cruzada (imantada/abençoada) por uma entidade de sua confiança. Por isso, antes de usá-la, é sempre bom leva-la ao terreiro para que uma entidade a cruze.

Leonardo Montes 


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quinta-feira, 26 de agosto de 2021

As roupas do terreiro devem ser lavadas junto com as demais?

roupa branca
Imagem do site Elo7

As roupas do terreiro devem ser lavadas junto com as demais? – Grato pela pergunta, ES.

Sim, sem nenhum problema.

Não há necessidade de qualquer separação neste sentido. O importante, penso, é guarda-las separadamente, não por qualquer aspecto energético, mas para que não percam o encanto do sagrado: se você deixa suas roupas comuns junto com as do terreiro, existe uma grande chance de que, ao cabo de algum tempo, você já não sinta nada ao vesti-las. 

Aqui em casa eu e minha esposa temos uma gaveta no guarda-roupas onde só ficam as roupas do terreiro, sem contato com as demais. E, por roupa de terreiro, refiro-me a calça, camisa, saia, etc. As roupas íntimas são as do dia-a-dia mesmo.

Quanto ao momento de vesti-las, isso varia de casa para casa ou do cuidado que a pessoa tem em não as sujar. Eu já saio de casa com o “kit completo”, incluindo, as minhas guias.

Leonardo Montes


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quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Todos temos várias entidades que nos acompanham?

guias
Imagem do Flicker

Todos temos várias entidades que nos acompanham? Grato pela pergunta, João.

A resposta é: não.

Não temos e nem sempre precisamos.

Cada médium terá o apoio de determinadas entidades dependendo do trabalho que lhe cabe realizar na Terra. Antigamente, era comum os médiuns na Umbanda trabalharem com uma – quando muito – duas entidades.

Tanto que era muito comum serem conhecidos por: fulana do caboclo x, beltrano do preto-velho y, e por aí vai.

Bem recentemente é que se começou a construir a ideia de que o médium tenha que incorporar, cinco, sete, dez linhas diferentes (eu sou da opinião de que quanto menos entidades o médium incorpora, melhor ele as incorpora).

Então, embora alguns médiuns tenham a assistência espiritual deste ou daquele espírito muito antes do seu nascimento, outras tantas entidades podem se aproximar conforme ele edifica o seu trabalho na Terra.

Leonardo Montes 


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terça-feira, 24 de agosto de 2021

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

O que acontece com o espírito de um bebê abortado?

feto

Imagem do Pinterest por Thalita Dol Essinger


Gostaria de saber se um espírito abortado fica na terra obsediando a mãe?  Ou ele vai para outro plano no momento do aborto?  E com a mãe que pratica o aborto, o que acontece? Ela paga em outra vida? Mesmo pedindo perdão? – Grato, Luciane.

A resposta a todas essas perguntas é: depende.

Cada aborto é um caso único e embora o fato seja o mesmo, as circunstâncias que o envolvem são muito diferentes e, por isso, o que acontecerá após a morte dependerá muito de diversos fatores.

Mas, vamos na sequência das perguntas.

O espírito/abortado poderá obsediar a mãe? Sim, a mãe, o pai e todos que influíram para que o aborto fosse praticado. Porém, nem todo espírito age assim. Depende do grau evolutivo dele e do objetivo da sua encarnação. Pode ser que, após o aborto, ele simplesmente seja levado para o plano espiritual, aguardando nova oportunidade para reencarnar.

A partir do momento em que o aborto é praticado, gera-se uma dívida “cármica” com este espírito. Não apenas por parte da mãe, mas também do pai, dos familiares que apoiaram a decisão e até mesmo da equipe médica que realizou o aborto (isso, claro, considerando um aborto intencional sem nenhuma causa justa, como o risco de vida da mãe – que, aliás, é o único tipo de aborto aceitável, segundo os espíritos).

A partir do momento em que esta dívida é gerada, ela deverá ser paga ou na vida presente ou na vida futura. Trata-se de um erro, um crime e sempre que praticamos algo que fira as leis divinas, temos que nos preparar para lidar com as consequências dos nossos atos.

O arrependimento é muito importante, mas não basta para reparar o erro. É preciso que, neste caso, as pessoas envolvidas se corrijam, deixem de praticar o erro e procurem fazer o bem onde antes fizeram o mal. Por exemplo, sempre que uma mulher me procura dizendo ter feito aborto, o que lhe recomendo é, nesta vida mesmo, procurar ajudar alguma instituição que cuida de crianças, não apenas comprando e entregando coisas, mas sendo voluntária, ajudando, cuidando, educando outras crianças de outras mães.

Não é preciso esperar a lei de Deus nos atingir para corrigir nossos erros.

Quer enviar suas perguntas? Escreva para: canalumbandasimples@gmail.com 

Leonardo Montes 


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sábado, 21 de agosto de 2021

Por que os guias demoram a riscar o ponto ou a falar sua falange?

Gostaria de saber por que os guias demoram a riscar o ponto ou a falar sua falange? – Grato pela pergunta, Peterson.

Imagem: Umbanda ead

O desenvolvimento mediúnico é um processo, basicamente, dividido em três etapas: irradiação, incorporação e firmeza (isso, claro, conforme entendo).

A irradiação é o primeiro passo em que o espírito enlaça o médium com sua energia. Costuma levar alguns meses até que, efetivamente, a entidade consiga ter uma conexão mais profunda com o médium. Esta é a fase em que o médium sente algum torpor em seu corpo, perde o equilíbrio e fica apenas balançando em seu desenvolvimento. 

Quando houver uma afinidade mais profunda entre a energia da entidade e a do médium, chega-se no segundo passo: a incorporação de fato, o que leva mais alguns meses. Neste processo, a energia que flui dos chakras da entidade e do médium se encontram, se entrelaçam e isto é o que chamamos de incorporação. Conforme avança o desenvolvimento deste estágio, o médium incorporado conseguirá falar, riscar o ponto, etc.

Por fim, o último estágio, é a firmeza. Nessa etapa, o médium deve permanecer incorporado o maior tempo possível, quietinho no seu canto, só ele e o guia, para que aprenda não só a incorporar bem, mas a manter o transe pelo maior tempo possível. 

Em resumo, é assim que entendemos o desenvolvimento. Processo que, aqui, costuma levar de dois a três anos para se completar. Então, se a entidade ainda não riscou o ponto, não deu o nome, não consegue falar, isso significa apenas que o desenvolvimento ainda não chegou nessa etapa, mas certamente chegará um dia.

Leonardo Montes 


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sexta-feira, 20 de agosto de 2021

O que dizer para os que pensam que cultuamos o demônio?

intolerância religiosa
Imagem de europeancleaningjournal.com

A religião afro, umbanda e quimbanda na visão da igreja cristã: adoração de outros deuses, a quimbanda como demônios e o ritual de axorô como sendo sacrifícios de animais. – Grato pela pergunta, Letícia.

Antes de tudo é preciso dizer que, da forma como aprendi e penso, a Umbanda não é uma religião afro-brasileira, mas uma religião brasileira com influência afro. Pode parecer apenas um jogo de palavras, mas não é.

Dizer que uma religião é afro-brasileira é dizer que sua matriz religiosa é africana, embora o seu desenvolvimento tenha se dado no Brasil, que é o caso do Candomblé. Porém, a matriz religiosa da Umbanda é tipicamente brasileira, sendo uma fusão de conceitos do Espiritismo, do Catolicismo e do Candomblé.

Dito isso, vejamos a questão das igrejas: elas sempre pensam que estão com a razão.

O cristão brasileiro comum tem o péssimo hábito de achar que suas crenças são o centro do universo. Ele só consegue olhar para os outros a partir de suas próprias lentes: tudo aquilo que não estiver de acordo com a bíblia (e, diga-se, cada igreja acha que está interpretando da maneira correta, nunca entrando em acordo com as demais), está profundamente errado e é obra do diabo.

Como esse pressuposto é profundamente verdadeiro em suas doutrinas, logo, torna-se praticamente inútil qualquer tentativa de demonstrar o contrário: não é possível dialogar com alguém que antes mesmo de iniciar uma conversa se acredita certo em suas verdades.

Então, o que normalmente recomendo é: deixe que pensem o que quiserem. Não há, nunca houve – e, creio – nunca haverá, obrigação de sujeitar as práticas da Umbanda a qualquer doutrina bíblica, assim, eles continuarão a pensar que estamos com o demônio e nós continuaremos a pensar que o demônio é só um mito.

Sobre rituais que envolvem o sacrifício de animais, eu os respeito, pois sei que fazem parte da tradição de várias culturas e não pretendo agir como boa parte dos que condenam o sacrifício de animais, mas adoram uma churrascaria... 

Contudo, eu não pratico qualquer forma de sacrifício animal. Nunca derramei uma gota de sangue animal em meus trabalhos espirituais e pretendo continuar assim.

Quer transformar suas perguntas em textos para o blog? Escreva para: canalumbandasimples@gmail.com 

Leonardo Montes 


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quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Postura do dirigente

vaidade

Hoje responderei algumas perguntas num único texto. Grato pelas perguntas e pelo carinho, Rafinha.

Quando um médium dirigente ou da linha durante o trabalho com suas entidades em terra bebem e quando a entidade vai embora eles ficam embriagados. Qual sua visão?

O uso do álcool é um fundamento da Umbanda, contudo, muitos médiuns pensam que precisam convencer os demais da sua incorporação bebendo exageradamente. O resultado é bem este: a entidade vai embora e eles ficam bêbados.

Porém, pode ser também que o médium misture a sua vontade com o uso que a entidade faz da bebida. Isto é mais comum quando o médium também consome bebida alcoólica. Neste caso, o objetivo não era impressionar a ninguém, porém, ele se aproveita do momento para saciar a sua vontade e o resultado acaba sendo o mesmo.

Por isso, todo terreiro deve ter regras: nada de giras “open bar”, isso vira bagunça.

Quando em um terreiro o dirigente tem a necessidade de se amostrar, chamar atenção com danças, falas desnecessárias, quase que um show. Qual o proceder de tudo isso, qual a finalidade ou a necessidade? Como a espiritualidade vê isso? Como a casa espiritualmente falando fica?

É preciso separar bem as coisas: existem entidades que são, digamos, mais expansivas, isto é, gostam de dançar, conversar, possuem trejeitos mais chamativos, essas coisas. Isto é da individualidade da entidade e não há nada de errado.

Contudo, existem também os “médiuns-pavão”, os que querem se exibir, mostrar como suas incorporações são fortes. Estes, diferentemente do primeiro caso, forçam a barra para aparecer, desejam chamar a atenção para si e acabam fazendo coisas mirabolantes simplesmente para serem o centro da gira, sem nenhuma razão ou causa espiritual para isso: é puro ego mesmo!

De modo geral, a espiritualidade é bastante tolerante com nossas infantilidades. Se o dirigente for um destes “pavão”, mas conseguir realizar um bom trabalho, não há maiores consequências, senão o ridículo a que se expõe. Contudo, se não conseguir nem realizar um bom trabalho, então, certamente a espiritualidade ficará descontente com o andamento dos trabalhos e se isso crescer demais, a casa acabará sem assistência espiritual, afinal, é só espetáculo mesmo. 

Quando um pai de santo junto com sua esposa mãe de santo trabalhando juntos na casa, sendo eles marido e mulher começam a disputar. Como fica todos mediante isso?

Todo tipo de disputa é perda de tempo. Porém, quando essa disputa ocorre entre os que comandam a casa, além de perda de tempo, torna-se também algo muito perigoso, afinal, é uma disputa que pode fazer ruir as estruturas da casa.

O ideal seria que ambos não se esquecessem que são marido e mulher fora do terreiro, lá dentro, são os responsáveis por ele. Quaisquer dificuldades ou desavenças que exista entre ambos, enquanto casal, deveria permanecer fora da casa religiosa. Mas, isso é muito difícil. De modo geral, terreiro que é administrado por casal tende a dar muito certo ou muito errado. Raramente se consegue um equilíbrio, infelizmente...

Mas, mesmo aqui, ainda cabe o raciocínio anterior: se a disputa ocorre apenas entre os dois, menos mal. É feio, desnecessário, mas afeta apenas a eles. Agora, se essa disputa for além do casal e começar a afetar os demais membros da casa diretamente, então, é como se eles mesmos começassem a marretar as paredes do terreiro: uma hora a casa cai.

Leonardo Montes 


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quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Se uma pessoa se deparar com um despacho na rua e neste houver algo de valor e ela subtrair, as entidades ali envolvidas se vingarão dela?

despacho
Imagem de O Globo
Grato pela pergunta, ES.

Quando encontramos algum trabalho na rua, nunca sabemos quem fez, com que intenção e a quem se destina. De modo geral, esse tipo de trabalho em que se coloca dinheiro ou coisas de valor não são feitos por pessoas da Umbanda. Resta, então, a pergunta: quem fez e a quem se destina?

Considerando que diversas outras religiões e práticas mágicas podem fazer uso de algum tipo de trabalho que envolva despachar algo na rua, no mínimo, por prudência, não devemos nos envolver.

Porém, se tal trabalho tiver sido feito por alguém da Umbanda, destinado às entidades que atuam na Umbanda, não haverá represálias, pois as entidades que atuam na religião não praticam qualquer tipo de mal, mesmo em casos assim.

Mas, e se tal trabalho tiver sido feito por alguém com uma má intenção, que tipo de espírito responderá? Bem pode acontecer do atrevido meter a mão no trabalho sem que haja qualquer entidade por perto (elas podem já ter ido embora ou sequer chegado), porém, e se houver? É este o risco que se corre com esse tipo de atitude (apesar de – é importante deixar claro – sou totalmente contra qualquer tipo de trabalho na rua).

As entidades já me contaram vários casos de pessoas que se deram muito mal por terem comido, bebido, chutado ou mesmo se apropriado de coisas encontradas num trabalho na rua.

É uma roleta russa: pode ser que não haja nenhuma entidade ali no momento da apropriação, mas pode ser que haja e, se houver, bem pode ser que a pessoa se dê muito mal.

Leonardo Montes 


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terça-feira, 17 de agosto de 2021

A MORAL DA PESSOA TRÁS INFLUÊNCIA EM SEU TRABALHO JUNTO ÀS ENTIDADES NO TERREIRO?

médium
Imagem de O Globo
Grato pela pergunta, ES.

Com certeza.

Porém, é preciso compreender que os médiuns são, em maioria, espíritos com muitas dívidas do passado. A mediunidade nos aparece como uma oportunidade de reajuste e, por isso mesmo, as entidades sabem que a maioria apresentará dificuldades morais notáveis em sua caminhada.

Contudo, o médium que possui uma moral duvidosa será sempre um médium fraco, vacilante, incerto, sempre mais pra lá do que pra cá. Entretanto, mesmo com essa moral duvidosa, se ele se esforçar sinceramente em ser cada vez melhor, a espiritualidade compensará sua fraqueza com sua própria força.

Porém, se o médium for religioso de fachada, então, é questão de tempo até que tombe: os bons espíritos compreendem a nossa fraqueza e nos ajudam, mas não toleram o mau-caratismo: não dá para ser bom médium sem ser boa pessoa!

Leonardo Montes 


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segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Nossas guias estão guardadas há mais de um ano... Será que perderam a imantação?

guia de umbanda

Grato pela pergunta, Eliane.

Se não perderam, certamente não possuem mais a mesma força. Não existe energia que dure para sempre. Quando uma entidade cruza uma guia, por exemplo, ela coloca uma força que certamente decairá com o tempo. É por isso, inclusive, que a pessoa precisa voltar de quando em quando no terreiro com a guia.

Contudo, a guia não precisa ser recruzada toda semana, por exemplo, pois a cada vez que o médium for ao terreiro com ela, a entidade a energizará novamente, gerando assim um ciclo de longa duração daquela imantação.

Contudo, devido a pausa pela pandemia, assim que os trabalhos retornarem, penso, todos devem levar suas guias para serem cruzadas novamente.

Leonardo Montes

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sábado, 31 de julho de 2021

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 36: FIM DO DESENVOLVIMENTO?


No momento em que escrevo esse texto (24/06/2016) nada mudou em minha mediunidade de incorporação. O que descrevi para vocês é exatamente como tenho trabalhado até o presente. Porém, uma nova mediunidade começa a nascer em mim: a audiência espiritual. 

Há algumas semanas comecei a perceber algo diferente. Não parecia a costumeira intuição, nem a sempre presente inspiração. Eu tinha a nítida impressão de ouvir uma voz, mas não dentro da minha cabeça e, sim, fora. Como se alguém sussurrasse em meus ouvidos de forma a poder compreender algumas sentenças bem completas. Vamos aos exemplos. 

Estava trabalhando quando tive a impressão de ouvir o Pai José do Congo dizer, de forma lenta, como se fosse um ditado: fulana precisa descansar mais. Fulana é uma amiga nossa e médium. Para minha surpresa, tão logo chego em casa minha esposa me disse que ela estava internada, pois sofreu tonturas. Por esses dias, estávamos em dúvida se a próxima gira seria de caboclos ou pretos-velhos e tive a impressão de ouvir uma voz firme dizendo: Caboclo! 

Ocorreram poucas manifestações até o momento deste novo gênero mediúnico para mim, mas como já havia sido instruído previamente que isso cedo ou tarde aconteceria, estou encarando com naturalidade, se é que esta mediunidade se tornará mais intensa... Portanto, caro leitor, tenha sempre em mente que o desenvolvimento nunca terá fim. 

Novos gêneros de mediunidade podem surgir para você conforme o trabalho que você vier a construir aqui na Terra. Não seria de surpreender se, de repente, além da incorporação, você viesse a desenvolver outros dons, mesmo a tão rara e apreciada psicografia. Tudo depende da tarefa que, como médium, você terá que executar e dos seus esforços como indivíduo perseverante no bem e representante da luz - ainda que imperfeitamente -, na Terra. 

De uma coisa, porém, nunca se esqueça: há sempre com quem aprender e a quem ensinar e é sempre tempo de recomeçar e reaprender.

Leonardo Montes

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DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 35: DESOBSESSÃO


Não tenho a menor dúvida de que a desobsessão ajudou e muito o meu desenvolvimento mediúnico. Nas giras convencionais temos que aprender a reconhecer e a trabalhar com apenas uma ou duas entidades. Na desobsessão, nunca se sabe que espírito se manifestará. 

Atuei durante pouco mais de um ano na desobsessão, que ocorria toda segunda-feira. A princípio como esclarecedor e, depois, como médium de incorporação. Recebia, principalmente, suicidas e perdidos, mas também recebia assassinos, assassinados, enlouquecidos, etc. 

Essa grande variedade de manifestações, embora me causasse enorme cansaço e, por vezes, muita dor no corpo (se se manifestava um suicida que deu um tiro em sua cabeça, eu sentia muita dor de cabeça) fez com que eu evoluísse como médium. Se antes eu demorava alguns minutos para incorporar, na desobsessão isso se tornou segundos. 

Grande variedade de espíritos, grande variedade de sofredores, maior flexibilidade para energias diferentes, melhor médium eu me tornava. Sei, contudo, que não são todas as casas de Umbanda que mantém reuniões de desobsessão. A maioria faz apenas o “puxado” que é quando o espírito se manifesta ali mesmo, na gira. Mas, se a casa que você frequenta tiver desobsessão ou qualquer outro tipo de serviço mediúnico, eu sugiro que você participe, pois a exposição a tantos tipos diferentes de espíritos e energias irá acelerar muito o seu desenvolvimento. 

Posso dizer que a desobsessão foi um divisor de águas no meu desenvolvimento mediúnico e, ao contrário do que possa parecer, não causa nenhum prejuízo ao médium ainda em desenvolvimento... Porém, como em tudo, é preciso calma e prudência, além do aval dos chefes para ingressar ou não um novo médium nesse tipo de trabalho.

Leonardo Montes 

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DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 34: ENVOLVA-SE


Defino envolvimento como uma relação de amor, onde você faz coisas pelo simples prazer de estar ali e poder viver aquele momento. Quando comecei a frequentar o terreiro, sentia-me como alguém que visita uma cidade nova e se encanta com tanta coisa diferente. As entidades me acolheram muito bem, deram-me liberdade para pesquisar, perguntar, questionar à vontade. 

Quando comecei a me desenvolver, fui auxiliado sem preguiça pelas bondosas almas, sempre prontas a me esclarecer e orientar. Parecia um sonho! Eu finalmente encontrara a casa espiritual que a vida toda procurara... Eu trabalhava o dia todo e não via a hora de chegar ao terreiro, ansioso por saber o que aconteceria, como seriam os trabalhos, o meu desenvolvimento, o que sentiria essa semana? Com o tempo notei, contudo, que nem todos os médiuns pareciam sentir igual. 

Muitos chegavam desanimados, reclamando, mostravam-se frustrados, apáticos. Alguns preferiam ficar do lado de fora batendo papo, mesmo a espiritualidade recomendando que entrássemos e nos concentrássemos... Ao fim dos trabalhos não queriam permanecer para o desenvolvimento dos médiuns novatos. Olhavam para o relógio o tempo todo. 

Se algum chefe demonstrasse interesse em ficar mais um pouco para alguma conversa, mostravam-se contrafeitos, quando não pediam para sair no meio da conversa... Se planejávamos uma ação de caridade, apareciam meia dúzia de médiuns... Enfim, parece-me sumamente importante que você, como médium, não se preocupe apenas com o seu desenvolvimento, com o seu trabalho. Você é parte de uma engrenagem que faz parte de um mecanismo maior que é o terreiro. 

Quanto mais você se envolver nas atividades do terreiro, melhor irá se sentir naquele local, isso facilitará, inclusive, a sua concentração e mostrará às entidades o quanto, de fato, você está empenhado em fazer o bem, o que pode mesmo acelerar o seu desenvolvimento mediúnico, já que eles ficam muito contentes quando desenvolvem médiuns que se encantam com a espiritualidade mesmo quando não estão incorporados...

Leonardo Montes 

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