sábado, 17 de julho de 2021

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 32: VAIDADE

espelho

A vaidade é, sem dúvida, um dos maiores perigos a que o médium estará exposto. Ela pode se manifestar de várias formas e mesmo o mais firme dos médiuns está sujeito a ela. A vaidade na mediunidade geralmente se manifesta quando o médium superestima sua capacidade mediúnica ou as entidades com quem trabalha ou quando passa a se sentir agraciado com os créditos que na verdade são direcionados às entidades. 

É preciso combatê-la ainda em seu nascedouro. Se esperarmos demais, ela pode estar com raízes profundas o suficiente para resistir com força ou mesmo chegar ao ponto em que se torna impossível extirpá-la sem maiores danos. Se o médium possui uma faculdade pouco comum, como a vidência (capacidade de ver os espíritos) ou a psicografia, certamente as pessoas o colocarão num patamar diferenciado dos demais. 

Tais faculdades não são muito comuns, mas extremamente apreciadas pelas pessoas necessitadas, de modo que muito rapidamente esses médiuns se tornam famosos e bastante procurados. Como os médiuns, geralmente, são espíritos endividados com o passado, muitos podem trazer ainda a chaga da vaidade que frequentemente é instigada pela bajulação daqueles que, em busca de suas faculdades mediúnicas, ultrapassam as fronteiras do bom-senso, chegando mesmo a investigar o que o médium posta em suas redes sociais para descobrir seus gostos, derretendo-se em gentilezas, presenteando-o com regalias, enfim, uma série de tentações que o colocam perigosamente no limiar de um abismo. 

Cabe lembrar, ainda, que a vaidade não representa perigo apenas para o médium. Certa feita conheci um senhor que se gabava aos quatro ventos por ter sido cambone (auxiliar da entidade quando incorporada) de uma entidade e dava verdadeiros ataques pelo simples fato de ver outros médiuns usando o nome da referida entidade em seus perfis do facebook... Chegou mesmo ao ridículo de ameaçar de processo quem usasse o nome da entidade sem sua prévia autorização (como se os espíritos tivessem donos...). 

Noutra ocasião conheci uma senhora que se apresentava sempre com muita humildade, sempre fazendo menção de que somos todos iguais, que ninguém é melhor do que ninguém até que pude surpreendê-la num diálogo com um jovem rapaz que apenas lhe questionou uma informação, ao que ela respondeu: “Quem é você pra me questionar? Antes de você pensar em nascer eu já era mãe de santo” e outras coisas do tipo. A vaidade no meio religioso tem feito e continuará fazendo muitas pessoas caírem. 

É preciso, sempre, manter os olhos bem abertos e lembrar que somos apenas instrumentos, engrenagens de um mecanismo muito maior do que podemos supor... Contudo, é importante considerar que lutar contra a vaidade não quer dizer abstenção de elogios e incentivos. Há casas que proíbem as pessoas de fazerem quaisquer elogios aos médiuns ou às entidades, de baterem palmas após uma palestra, etc. O que se deve combater é a bajulação descabida e imprópria, mas o estimulo construtivo no bem deve sempre ser incentivado.

Leonardo Montes 

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