sábado, 17 de julho de 2021

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 31: OS GUIAS TAMBÉM ERRAM


Os espíritos que atuam nos terreiros são chamados de falangeiros. São espíritos ainda imperfeitos, embora muito melhorados em relação à humanidade comum. Todos tiveram existência Terrena e alguns, quando nos dão a conhecer suas histórias, falam abertamente sobre seus erros do passado e afirmam ainda terem dívidas a pagar. Estou ciente de que isso possa causar polêmica, mas como meu objetivo é compartilhar a minha experiência da forma mais precisa e honesta possível, preciso dizer a verdade... 

Vejo muitos companheiros de fé falando das entidades como se fossem anjos de luz baixando à Terra e preciso dizer que isso está muito longe da verdade, pelo menos, da que tenho observado... Nossos guias (faço uma distinção entre guias – direita - e guardiões - esquerda) são, sim, espíritos em franco progresso espiritual. Espíritos que venceram a maioria das dificuldades em que ainda nos demoramos e, por isso, assumem a posição de guias: eles estão alguns passos à nossa frente! E embora possuam maior capacidade de auxílio, ainda são falíveis. 

Aliás, já tive oportunidade de conversar com alguns sobre suas reencarnações futuras e um deles chegou a me dizer que após o desencarne de todos os médiuns da casa, iria se encarnar para quitar antigos débitos e que contaria com nosso auxílio espiritual quando estivesse envolvido pela matéria... É por essa proximidade evolutiva que chamamos os guias de pai/mãe, avô/avó. 

Eles são como parentes que nos amam e que nos auxiliam na subida até onde se encontram, distanciados de nós alguns passos na senda do progresso. Esclarecido isso é preciso dizer que os guias também erram. Muitos talvez objetem que não, que o médium erra, mas não o guia... Mas, isso não é verdade. A respeito de o médium errar, isso já foi explicado no capítulo anterior, agora, é preciso entender o que leva um guia a errar. 

Certa vez vi uma entidade se manifestar e dizer que os trabalhos que ocorreriam em tal lugar seriam maravilhosos e na verdade foram um desastre completo. Tanto o médium quanto a entidade eram extremamente confiáveis. Então, o que aconteceu? Alguns espíritos conseguem ver o futuro de forma mais ou menos precisa e por um tempo mais ou menos longo. Mas, quando o veem, eles na verdade estão vendo um possível futuro. 

O futuro se apresenta como vários caminhos que, conforme as atitudes levarão a possíveis desfechos. Naquele momento a tendência dominante era de que tudo seria muito bom, mas acontecimentos que atrapalharam a caminhada mudaram completamente o rumo das coisas, resultando em um futuro diferente daquele que o guia achou que seria o mais plausível. 

No processo que defini antes como “leitura mental”, por exemplo, o guia pode não fazer uma correta interpretação das emoções da pessoa, dando um feedback, pelo menos em parte, incorreto. É claro que aqui fica muito difícil dizer que não foi o médium que entendeu errado, mas já conversei com uma entidade em que ela mesma me disse não ter entendido ou, pelo menos, feito a leitura pouco precisa das necessidades do consulente. 

Destaco, porém, que me parece ser extremamente raro um guia errar neste processo já que eles têm percepções que nós não temos. E, se acontecer, o médium não precisa se constranger... Ao contrário, deve perguntar a entidade o que aconteceu, por que motivo errou, etc. Não tenha dúvidas: as entidades são muito mais humildes do que nós e certamente assumirão o erro, se vierem a cometê-lo. 

Um diálogo franco, direto e fraterno, seja entre os filhos de fé, seja entre os filhos e os guias é fundamental para que ambas as equipes, espiritual e material, venham a se entender e construírem, juntas, um sólido e lindo trabalho espiritual num mundo onde não há - nem pode haver - perfeição!

Leonardo Montes 

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