sábado, 10 de julho de 2021

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 30: MEDO DE ERRAR


Todo médium que se preze tem medo de errar. Tem medo de estar sendo mistificado. Tem medo de estar enganando a si mesmo na incerteza de estar ou não incorporado. E isso é ótimo! Sim, eu sei que é desagradável sentir medo, seja do que for... Porém, o medo de todas essas coisas que eu citei indica que você tem caráter. O que assusta são médiuns que não tem medo de nada, que colocam tudo na conta da “entidade”, isso, sim, assusta... Preciso dizer, contudo, que este medo nunca vai cessar. 

Com o tempo, você se acostumará com o trabalho e se entregará mais facilmente, mas a ansiedade e expectativa sempre estarão com você. Conheci uma senhora com 50 anos de mediunidade e embora ela trabalhasse com uma naturalidade incrível, me confessou que, pelo menos às vezes, ela sente uma pontinha de insegurança. Se você tem medo de errar, de não consolar a pessoa, de não passar direito o recado do guia, saiba: é absolutamente normal! Agora, o que vou explicar precisa ser entendido com muita atenção: Você vai errar! Sim, é isso mesmo... 

Você vai fazer o resguardo, vai se preparar, vai se concentrar e, ainda assim, haverá dias em que você não conseguirá passar corretamente o recado do guia, podendo, inclusive, causar um efeito negativo a partir disso... Eu já vi isso acontecer, inclusive, com médium inconsciente e que, trabalhando com raiva, a mesma transparecia em seus guias... Não que os guias ficassem com raiva por que o médium estava com raiva... Mas, a mensagem era contaminada no processo (uma vez que inconsciência não pressupõe isenção da mente, mas apenas sonolência da mesma). 

Se o guia queria dizer: você precisa ter mais paciência... Normalmente diria com amor, com bondade. Mas, o médium estando nervoso, a frase poderia até sair em sua sentença completa, mas teria tom áspero, rude... É a contaminação da mensagem pelo estado emocional do médium... E se isso acontece com médium inconsciente, imagina com o consciente? Então, não tenha dúvidas: você vai errar! Afinal, você é humano e embora os espíritos possam te chamar de “aparelho”, você não é feito de engrenagens e circuitos, mas de carne e osso. 

Afaste o desejo de perfeição num mundo imperfeito! Uma vez estando claro que você vai errar, resta saber o que se pode fazer a este respeito e, aqui, penso, cabe um diferencial que poderá te destacar como médium: a humildade. Nunca pense que seus guias são infalíveis (eles também erram...) ou que você é um médium “banda-larga” conectado com o além de forma incorruptível... Tenha humildade para aceitar seus erros e, principalmente, deixe as pessoas e entidades à vontade para te falarem sobre isso. 

Eu conheci médiuns que demoraram muito para se desenvolver por que não tinham abertura para aceitar o contraditório. As entidades queriam alertar que estavam errando, que estavam passando à frente delas, mas como se melindravam muito facilmente, o alerta vinha por rodeios, sem atacar tanto o ego, mas isso fazia o processo de desenvolvimento demorar mais do que o necessário. Se estes médiuns tivessem mais humildade e aceitassem que são falíveis, as entidades iriam orientá-los com maior precisão e eles aprenderiam, mais rapidamente, a fazer a distinção do que de fato é da entidade e do que é deles... Conheci, inclusive, uma médium que, vindo de uma casa menos criteriosa, trabalhava há anos como médium sem nunca, de fato, ter incorporado. 

O máximo que ocorria é a entidade se aproximar e entrelaçá-la fluidicamente, dando-lhe uma leve sensação de sua presença espiritual. E como era uma senhora extremamente melindrosa, os espíritos a incluíram no desenvolvimento, onde ela deveria caminhar com todos os que estavam iniciando, mas não demonstrava o menor interesse em aprender, até que terminou por se afastar da casa... Em outra situação, vi uma médium iniciante que, incorporada e tendo exagerado na bebida, se atirou nos braços de um médium amigo, tentando beijá-lo, desculpando-se, depois, pelo deslize da sua pombagira... 

Não me parece minimamente crível que uma entidade tente fazer isso, mas se a médium alimenta esse desejo, a bebida deixa-o transparecer mais facilmente... Como todo médium eu também sempre desejei fazer o melhor. Sempre desejei acertar e sentia, também, muito medo de errar. Como narrei anteriormente, no processo que em fiquei bêbado no terreiro, o Pai Cipriano falou abertamente comigo sobre isso, explicando-me o problema da minha concentração e de como isso poderia me afetar. Ali aprendi que a abertura para que outras pessoas ou mesmo as entidades nos orientassem sobre nossos erros é fundamental para nosso crescimento mediúnico. 

Sem dúvida, quando errava, eu sentia vergonha, receio no próximo trabalho, medo de errar novamente... Mas, com o tempo, fui aprendendo a confiar mais no processo e a não me culpar tanto pelos erros que pudesse ter cometido, tendo ciência de que ali estou de corpo e alma para servir, ainda que imperfeitamente...

Leonardo Montes 

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