domingo, 27 de junho de 2021

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 27: ANTIPATIA DENTRO DO TERREIRO

casal discutindo

Como dito em capítulo anterior, os médiuns são pessoas comuns e, às vezes, possuidores de chagas morais que tornam a convivência com seus irmãos de fé um verdadeiro desafio. Entretanto, da mesma forma que o médium tem que silenciar sua mente para que a entidade possa falar, ele precisa silenciar suas inimizades para que os guias possam trabalhar. 

Acompanhei de perto o caso de dois senhores amigos que, de repente, passaram a se evitar dentro do terreiro... Certa noite, durante a gira, ambos incorporados com seus caboclos começaram a discutir no meio do trabalho, a ponto do guia-chefe intervir para abafar o falatório... 

A casa estava cheia, pessoas necessitadas, aflitas, doentes e ali dois caboclos, simplesmente, brigando na frente de todo mundo... Ou será que a antipatia pessoal entre os médiuns falou mais alto e ambos deixaram isso transparecer? Não fingiram incorporação... Ela apenas se deu de modo incompleto. Não houve perfeito alinhamento dos chakras entre entidade/médium de modo que atuação dos guias ficou severamente restrita a mero reflexo corporal... As línguas chicotearam-se por conta própria... 

Em outra ocasião, uma médium muito experiente contou-me algo curioso, dizendo só ter adquirido verdadeira confiança em sua própria mediunidade quando uma pessoa por quem nutria extremada antipatia visitou a casa em que trabalhava e acabou passando com seu guia, sendo amplamente atendida em suas aflições sem que ela própria sentisse a menor repulsa naquele momento. 

Tão logo desincorporou, a revolta bateu-lhe à porta... Sem dúvida, o desejável é que haja entre todos os membros da corrente os melhores sentimentos. Mas, além das dificuldades pessoais que cada um carrega em seu íntimo, é preciso considerar que, por vezes, os membros de um trabalho espiritual já se encontraram em algum lugar do passado e podem ter estabelecidos ligações complicadas e, por vezes, dolorosas que vão se manifestar agora - embora sem a lembrança clara do motivo -, em forma de aversão... O mínimo necessário para que uma casa se mantenha e um trabalho se sustente é o respeito. 

Leonardo Montes 

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