segunda-feira, 21 de junho de 2021

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE: - CAPÍTULO 25: COMPROMISSO

aperto de mãos

Em capítulos anteriores eu mencionei brevemente como a mediunidade gera um sério compromisso. Basta lembrar, por exemplo, que a minha primeira atuação como médium atendendo publicamente se deu por ocasião em que vários médiuns experientes faltaram por conta da chuva e tive que agir naquele momento para suprir a ausência de pelo menos um deles. 

Geralmente, eu vejo as entidades perguntarem três vezes ao candidato à médium se ele quer, mesmo, trabalhar. Muitos negam, mas alguns dizem prontamente que sim. Entretanto, mesmo nestes casos, tenho visto as entidades exigirem provas mínimas de compromisso. Certa vez o caboclo que trabalha comigo (Uirapuru) atendeu a um rapaz e, imediatamente, percebeu sua mediunidade. 

Na conversa com o consulente, este lhe informou já ter recebido, antes, avisos sobre a mediunidade, mas sentia não ser a hora de trabalhar, pois ainda queria alcançar algumas metas profissionais. Mesmo assim, a entidade lhe alertou, dizendo que já estava, sim, na hora de começar. 

Uns três meses depois, eis que retorna o rapaz e acaba, novamente, passando com o caboclo, queixando-se das mesmas coisas de antes e, novamente, recebendo a mesma orientação: deveria trabalhar a mediunidade. Ele não aceitou. Passados mais uns dois meses, vi o rapaz novamente no terreiro, desta vez, sendo atendido por outra entidade. 

Eu já havia desincorporado e pude ouvir, ainda que de longe e imprecisamente, a entidade aconselhar, novamente, o trabalho mediúnico. Ao que parece, sem resultado algum. Em outras ocasiões, vi pessoas chegarem desesperadas ou super empolgadas ao terreiro, pedindo ajuda de todas as formas para desenvolver suas mediunidades, mas perante as menores provas de compromisso, como, por exemplo, passar a frequentar assiduamente os trabalhos de passes, simplesmente sumiam... 

É inegável que mediunidade gera compromisso. E, inegavelmente, cabe ao médium o que fazer com o compromisso assumido. Aqui, contudo, é preciso trazer alguns apontamentos. Antes de tudo, o médium tem de estar ciente de que seu compromisso é com a espiritualidade. Ele se coloca como instrumento dos bons espíritos para consolar, esclarecer, orientar, doar energias, etc. 

Como instrumento de trabalho, ele deverá entrar em ação sempre que se fizer necessário e nunca, jamais, esperar ou pedir recompensa financeira por conta disso... Se, por algum motivo, ele estiver impossibilitado de trabalhar numa casa, deverá procurar outra ou, na impossibilidade de conseguir outra casa, iniciar seu próprio trabalho, se tiver preparo para isso e seus guias concordarem, mas, nunca, deixar de trabalhar. 

As entidades que atuam na Umbanda, apesar de formarem equipes diferentes, atuam para o mesmo fim. Então, o médium não deve se esquecer que, acima da casa, existe a causa. E a causa da Umbanda, que é a caridade pelo espírito, será exercida em qualquer lugar onde haja alguém disposto a vivê-la. A casa onde desenvolvi era pequena. Cada médium servia de instrumento para o atendimento de cinco ou seis pessoas por trabalho. 

Logo, se muitos médiuns faltassem, o número de pessoas por cada entidade podia dobrar ou, em alguns casos, triplicar. Isso fazia o trabalho demorar mais do que o normal e, por consequência, os médiuns se desgastavam mais do que o esperado. Levando em consideração que a maioria tem família, no outro dia acorda cedo para trabalhar, alguns ainda fazem janta quando chegam em casa, etc., podemos fazer ideia do quanto pesa aos demais a falta de um médium. 

É fundamental que o médium tenha em mente que, enquanto ele puder trabalhar, ele deve trabalhar. Sem o desejo de me vangloriar, mas apenas para dar testemunho pessoal e real, cheguei diversas vezes molhado no terreiro para trabalhar, pois meu único veículo era moto e quando não pegava chuva na ida, pegava na volta e, nem por isso, faltava aos trabalhos, a não ser por motivo de força maior. 

Mas, então, o médium não tem o direito de faltar? Não pode, nem mesmo sob doença, deixar de comparecer? Deixará de ir, por exemplo, aos aniversários familiares se estes coincidirem com o trabalho a ser realizado? 

A resposta é: Você decide! Você vai adoecer, vai ter compromissos familiares, às vezes precisará fazer hora extra, enfim, vários motivos podem te impedir de comparecer ao terreiro e você será obrigado a faltar. Porém, existe uma grande diferença entre faltar de vez em quando e comparecer de vez em quando e, acredite, eu conheci vários médiuns que não se incomodavam em comparecer apenas de vez em quando...

Leonardo Montes 

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