quinta-feira, 27 de maio de 2021

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 24: ESTUDAR SEMPRE



Posteriormente, estudando sobre a história da Umbanda, descobri que muitos médiuns e dirigentes do passado não incentivavam o estudo ou tentavam reter a informação de modo que os demais médiuns precisassem sempre recorrer a eles para saber o que fazer, como fazer, etc.

Havia o pressuposto de que o melhor era o médium nada saber, pois se sua entidade soubesse, seria a prova inequívoca de que ele estava mesmo incorporado.

Nas primeiras décadas da Umbanda, vários médiuns inconscientes surgiram para dar força à religião. As entidades que por eles se manifestavam lançaram as bases de cada forma de trabalho e, para isso, era necessário dispor desse qualificativo mediúnico.

O correr dos anos, porém, fez com que a mediunidade inconsciente se tornasse cada vez mais rara... A mediunidade consciente prevaleceu como a forma comum de trabalho. Os médiuns agora eram chamados a servirem mais do que como meros aparelhos, meros cavalos... Eles deveriam participar de todo o processo e, com isso, enriquecerem-se com as experiências vividas através da sua própria mediunidade.

Ainda há quem defenda que o médium nada deva estudar ou saber... Mas, felizmente, uma onda de informações - algumas boas e outras nem tanto -, atravessa a Umbanda neste momento. Nunca tantas

pessoas produziram conhecimentos e os disponibilizaram de forma livre através da internet atingindo adeptos e leigos...

***

Eu vinha – como já mencionei – de uma educação espírita. No Espiritismo não se estuda sobre ervas. Logo, eu nada sabia sobre elas. Assim como eu, a maioria dos médiuns iniciantes no terreiro sabia pouco ou nada sobre o uso das mesmas. Muitos, vindos do Catolicismo ou do Espiritismo não tinham a menor ideia da variedade de ervas que poderiam ser utilizadas nos trabalhos de Umbanda.

Como médium consciente, se a entidade quisesse, por exemplo, recomendar um banho de Pinhão Roxo, é bem provável que eu não conseguisse traduzir corretamente essa informação, pois até bem pouco tempo eu sequer sabia que existia um Pinhão Roxo...

É claro que, com muita dificuldade, a entidade incorporada pode até conseguir transmitir o que deseja, mas pela minha experiência prática, isso se torna muito difícil e angustiante para o médium que, se tiver um pingo de bom-senso, sempre vai ter receio ao recomendar banhos ou chás de ervas sobre as quais nada sabe...

O fenômeno da incorporação não é possessão. O espírito não entra em nosso corpo e passa controlá-lo como um fantoche, senhor absoluto de tudo. A

mediunidade é, em última instância, processo de conversão e tradução de informações e, requer, sempre, um banco de dados para trabalhar.

Se a entidade incorporada souber falar japonês, com o tempo, pode criar afinidade suficiente com o médium para “forçar” uma informação que não existe previamente em seu cérebro, como falar uma ou outra palavra em japonês, mas jamais irá estabelecer um diálogo nesse idioma, a não ser que, nos arquivos da memória espiritual daquele médium – ou na atual - haja o conhecimento do idioma, mas isso é muito raro e desnecessário...

Portanto, quanto mais conhecimentos, sobre os mais diversos campos, o médium possuir, mais recursos a entidade terá para trabalhar.

Bem entendido a necessidade do estudo, talvez você se pergunte: estudar o quê? Bom, eis aí uma verdadeira caminhada que só você mesmo poderá percorrer. A literatura de Umbanda é ainda pequena, mas muito diversa e, por vezes, confusa.

Sempre me recomendaram a leitura das obras de Rubens Saraceni, mas, pessoalmente, eu não me adaptei

à forma como ele aborda a Umbanda. Na verdade, eu iniciei meus estudos da religião pelo seu viés histórico (que eu adoro) e isso tem me ajudado muito a compreender – inclusive – as coisas que vivencio dia-a-dia dentro do terreiro.

Logo, não vou indicar, diretamente, nenhum livro ou autor. Vou dizer algo mais valioso: estude o que você quiser e o que te faça bem! Tudo que você aprender ainda será pouco. Conhecimento nunca é demais!

É claro que, como médium umbandista, se torna evidente que você precisará dedicar um tempo ao estudo da religião, a fim de que sua prática mediúnica se torne cada vez mais apurada e rica. Contudo, não se feche a ponto de não estudar nada além da religião, pois o mundo lá fora é vasto, incrível e maravilhosamente rico em informações e mistérios.

Leonardo Montes

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