terça-feira, 11 de maio de 2021

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 20: ELEMENTOS DE TRABALHO

charutos

Resolvi abordar este assunto num capítulo próprio por ser um tema que gera muitas dúvidas. Enquanto espírita, eu não podia compreender por que razão um espírito, ao se incorporar, necessitaria beber ou fumar alguma coisa. A explicação mais razoável, simples e comum, era a de que se tratava de entidade inferior, apegadas ainda aos prazeres terrenos. Tese, aliás, frequentemente esposada por muitos espíritas... 

Ao contrário, porém, de alguns colegas que insistem em dizer que o uso dessas substâncias seja exclusivamente para fins de trabalho, eu aprendi que, em certo ponto, elas gostam, sim, de fazer uso delas. Mais de uma vez vi pretos-velhos falarem da saudade que sentiam de tomar um café ou pitar um cigarro de palha. Várias vezes ouvi o Pai Cipriano falar sobre seu apreço pelo vinho tinto. Muitas vezes presenciei o contentamento de um exu ao receber uma cachaça de engenho e por aí vai. Não vejo a menor falta de respeito em dizer a verdade, pelo menos, essa é a minha experiência... 

As entidades, em um ponto ou em outro, ainda são muito semelhantes a nós e nada mais natural, humano e lógico do que eles se deliciarem com aquilo que apreciavam na vida material. Ou você, caro leitor, acha que, após a morte, simplesmente irá se libertar do interesse por chocolate, coca-cola, pizzas e lasanhas? Dito isso é preciso considerar que, de fato, a finalidade do uso dessas substâncias é o trabalho a ser realizado, o que não lhes tira certa dose de prazer ao manipulá-las. Quando um preto-velho bafora seu cachimbo no consulente, por exemplo, realiza uma profunda limpeza em sua psicosfera quase que instantaneamente. 

O fumo é sagrado em muitas culturas e tem um alto poder de limpeza energética. O homem é que banalizou seu uso, transformando-o em estimulante sem propósito. O vinho, por exemplo, assumiu desde séculos, no Cristianismo, um papel de destaque nas cerimônias católicas. E por aí vai. Todas as bebidas possuem energia. Quando ingerimos um alimento, não estamos em busca apenas dos nutrientes da matéria. Quando o estômago faz a quebra das enzimas, a energia (ou fluido vital) daquele alimento é liberada e absorvida pela alma, através do corpo espiritual. Assim, em cada refeição, nos alimentamos por duas vias... 

Quando um preto-velho toma seu café; quando um exu bebe uma pinga ou o malandro a sua cerveja, eles extraem dessas bebidas a energia necessária para realizarem seus trabalhos e, principalmente, para dar força ao transe. Quem já presenciou um trabalho de Umbanda sabe como as entidades dominam o corpo do médium, o que exige, de ambos, muita energia para manter o fluxo de um para o outro... Sem desejo de lançar qualquer disputa sem sentido, sabemos que em nenhuma outra religião mediúnica o transe ocorre de maneira tão intensa... Ora, sabe-se que em todo trabalho mediúnico há gasto energético. 

O espírito que tanto doa se enfraquece e precisa recompor-se. Na Umbanda, eles o fazem ali no ato do passe através do fumo, da bebida, da água, do fogo, das ervas... No Espiritismo, quando retornam para a colônia e tomam um caldo reconfortante, como explica André Luiz em suas obras. Entretanto, existem espíritos que não necessitam extrair essa energia da bebida ou do fumo. Eles se elevaram o bastante para deixarem de lado todas as necessidades materiais, tirando de si mesmos, da atmosfera, da natureza, os elementos que necessitam. Contudo, a grande maioria dos trabalhadores espirituais são espíritos comuns, como nós, desejosos de servir, fazer o bem, contribuir para a paz em nosso mundo e ainda distantes da angelitude espiritual.

Leonardo Montes 

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