domingo, 11 de abril de 2021

DICAS PARA EVITAR MAL-ENTENDIDOS NO TERREIRO

cabocla

A primeira experiência desagradável que tive no universo religioso se deu em um centro espírita em que trabalhava. Eu era responsável por fazer palestras que aconteciam antes do trabalho de almoço fraterno. Após uma destas palestras, uma moça me procurou e começou a falar mal do seu marido.

Eu nem consegui responde-la. Quando, enfim, fez uma pausa para respirar mais profundamente, perguntei:

— Se ele é tudo isso, então, por que ainda está casada com ele?

Ela nada me respondeu. Parecia abalada com a minha pergunta. Virou as costas e foi embora.

Na semana seguinte, após a palestra, estava conversando com uma voluntária da casa quando um homem que parecia ter o dobro do meu tamanho entrou no centro e que foi logo perguntando:

— Eu quero saber quem é que mandou a minha esposa me largar!

Lembrei-me na hora do caso. Meu coração disparou. Pensei que apanharia ali mesmo, no centro. Contudo, munido de uma coragem que deve ter sido inspirada, fechei o semblante e comentei com muita rispidez tudo o que a moça havia me dito sobre ele, explicando que em momento algum havia pedido que ela se separasse. A voluntária ao meu lado confirmou a conversa anterior.

O rapaz ficou chocado com tudo que ouviu e disse:

— Não imaginei que ela pensasse isso de mim...

Ficou sem graça, pediu desculpas e nunca mais o vi. De minha parte, o alívio foi imediato e, desde então, procuro sempre ser muito cauteloso em situações assim (e, creiam, são muitas).

Conseguem imaginar todos os desfechos que esta história poderia ter tido? São muitos...

Por esta razão, pensei em algumas medidas de segurança que devemos adotar na realização dos trabalhos espirituais, listando algumas situações típicas no universo da Umbanda e que certamente ajudarão tanto a equipe, quanto os consulentes que participam desses trabalhos:

Às vezes, é preciso fazer um atendimento emergencial no terreiro, em razão da necessidade de um consulente, amigo, familiar, etc. Quem trabalha em terreiro certamente já observou alguma situação assim, então, aqui vai a primeira dica: nunca vá sozinho para o trabalho. O médium deve sempre chamar, no mínimo, mais uma pessoa da casa para acompanha-lo. Assim, se no futuro surgir qualquer conversa “estranha” não será a voz de um contra a de outro, haverá testemunhas;


Às vezes, os consulentes pedem para fazer uma reza, passe ou defumação em suas residências. É um pedido relativamente frequente e, novamente, jamais se deve ir sozinho, chame pelo menos mais algumas pessoas do terreiro para acompanha-lo, tanto para dar suporte espiritual, quanto para auxiliar em quaisquer circunstâncias e, novamente, se no futuro houver qualquer conversa “estranha”, existirão várias testemunhas...


Na hipótese da realização de algum trabalho espiritual em residência própria, jamais o médium deve estar sozinho com o consulente. Tanto no que se refere ao apoio espiritual, quanto pessoal: se for realizar algum trabalho em sua residência, chame pessoas experientes para participar (e, consulentes, desconfie quando um médium te chamar para fazer um trabalho na casa dele, especialmente, se estiver sozinho. É claro que pode ser que esteja agindo com a melhor das intenções, mas muitos abusadores no meio espiritual usam essa tática);


Evite intimidade com consulentes. Eu já tive a desagradável experiência de ser xingando, não uma ou duas vezes, por maridos ciumentos via Whatsapp de suas esposas. Como sempre estou disponível para conversar com quem se interessa, muitas mulheres entram em contato comigo (a maioria do público do meu canal é feminino) e mesmo atendendo com todo respeito e consideração, ainda assim, algumas vezes passei por este aborrecimento, imaginem se eu ficasse de “tititi” por aí? Por isso, considero muito inapropriado que médiuns/cambones fiquem conversando e trocando intimidades com consulentes (então, não existe esta do “guia” mandar o consulente passar telefone para o “cavalo” – consulentes, se isso acontecer, saiba que é coisa do médium e não do guia);


Não toque nas pessoas durante o passe. Este é um ponto importante e nós já tivemos problemas com isso em nosso terreiro. Pelo menos duas vezes fomos procurados por mulheres que tomaram passe e se sentiram incomodadas pelo fato de serem tocadas em seus braços ou pernas durante o passe. TOCAR O CONSULENTE É TOTALMENTE DESNECESSÁRIO porque o passe não passa pela mão e não entra pela pele, ele é absorvido pelo campo áurico da pessoa. Então, a minha sugestão é que se evite tocar o consulente, pois não faltarão quem veja “pelo em ovo”, assim como muitos médiuns sem caráter podem se aproveitar para “tirar uma casquinha”, é triste falar isso, mas é uma verdade;


Se necessário chamar a atenção de um médium/cambone, o dirigente não deve fazê-lo sozinho, pois se amanhã ou depois surgir qualquer conversa fora de rota, haverá testemunhas que poderão confirmar o que foi dito, separando o joio do trigo;


Durante o desenvolvimento, é preciso ter muito cuidado para não tocar nas partes íntimas, especialmente, das mulheres. Quando se faz a corrente em volta da médium em desenvolvimento, as mãos nunca devem estar na altura em que possam tocar os seios, assim como na hipótese dela se desequilibrar, deve-se sempre colocar o braço em suas costas para ampará-la na queda com a mão fechada, evitando abraça-la pelas costas, mesmo na intenção de segurá-la, já que acidentalmente a mão pode acabar tocando o seio. Da mesma forma, se houverem mulheres na corrente em torno do médium em desenvolvimento, na hipótese do mesmo se desequilibrar, vindo para o seu rumo, a médium deve escorá-lo com seu ombro, não de frente, como é comum. O homem que fizer parte da corrente, deve colocar seu corpo posicionado lateralmente, protegendo a sua genitália, pois em muitas giras a pessoa acaba abrindo os braços e pode vir a acertá-lo no meio das pernas. Fazendo isso, evita-se tanto a dor, quanto o constrangimento.

Enfim, poderia citar outras tantas medidas, porém, creio que estas sejam suficientes para entender o espírito da coisa: cuidado. Cuidado consigo e cuidado com o outro. Respeito por si e respeito pelos outros, evitando brechas para mal-entendidos, fofocas, mentiras, malícias e tudo o mais que pode acontecer com o descuido de uma pessoa e que pode afetar todo o terreiro. 

Leonardo Montes 


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