quarta-feira, 21 de abril de 2021

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 17: CANSAÇO

esforço


Quando os trabalhos terminavam, eu me sentia esgotado. Não era incomum, no outro dia, acordar com dores nas pernas e braços, como se tivesse feito longo e pesado exercício físico. Isso tende a desaparecer com o tempo, conforme o médium mais firmemente trabalha com seus guias.

Ao contrário do que possa parecer, eu me sentia bem mais desgastado quando era trabalho de preto-velho ou caboclo e muito menos quando era trabalho de exu ou das moças. A razão disso é simples: os guias da direita precisam baixar a sua vibração, que ainda continua alta para nosso corpo, o que demanda muita energia a fim de manter o transe... Já a esquerda trabalha quase a nosso nível, demandando pouca energia do corpo para manter o transe. Simples assim!

É preciso considerar que, como quase todo médium, não nasci em berço de ouro. No início do meu desenvolvimento, eu trabalhava num almoxarifado de peças automotivas e estava encerrando meu curso de graduação em psicologia... Creio que a própria espiritualidade “mexeu os pauzinhos” para que eu acabasse num serviço menos cansativo, então fui transferido para um escritório onde passei a exercer funções administrativas, bem menos intensas que meu antigo serviço.

De qualquer modo, trabalhava. Acordava por volta das cinco horas da manhã e só chegava em casa por volta

das seis e meia da noite. Morava muito longe do meu local de trabalho... O tempo era curto: chegar, tomar banho, comer alguma coisa e correr para o terreiro. Essa rotina era exercida na segunda (desobsessão), na quarta (trabalho de passes) e nas sextas (trabalho de cura/psicografia). Dedicava, portanto, três noites da semana aos trabalhos espirituais.

Aliás, penso que foi essa carga horária que fez com que meu desenvolvimento fosse mais rápido. Muitos colegas desenvolviam-se apenas nos dias de gira, uma vez por semana. Eu já estava incorporando na segunda, na desobsessão; na quarta, nos passes; e na sexta nos trabalhos de cura.

Com tantos afazeres, muitas vezes cheguei a participar dos trabalhos como alguém que só não caía por conta das roupas... Entretanto, sempre recebia uma dose energética muito grande de modo que as minhas forças pareciam se dobrar e eu conseguia não apenas trabalhar espiritualmente como dar conta de todas as minhas obrigações na vida pessoal.

É sempre muito importante que o médium não saia em disparada após o fim da sessão.

Acompanhei muitos médiuns que tão logo encerravam as preces, arrumavam suas coisas correndo e rumavam para a porta quase em maratona. Essa saída em disparada impede os espíritos de fazer a reposição fluídica necessária em nosso corpo e por muitas vezes senti essa atuação quando, simplesmente, sentava-me no banquinho do preto-velho, aguardando o fim do

gargalo que se formava entre médiuns e a assistência que se espremiam para ir embora...

Outro ponto que me ajudava muito era a ingestão de açúcar. Procurava sempre ter por perto algumas balas bem doces. Comia duas ou três, ingeria água fresca e rapidamente me sentia bem disposto.

Para completar, um bom banho quente e sono reparador.

Leonardo Montes

Share:

0 Comments:

Postar um comentário

Os anos de internet me ensinaram a não perder tempo com opositores sistemáticos, fanáticos, oportunistas, trolls, etc. Por isso, seja educado e faça um comentário construtivo ou o mesmo será apagado.