terça-feira, 13 de abril de 2021

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAP. 16: DEDICAÇÃO

MÉDIUM

A mediunidade exige dedicação. Ao lado de todo o desenvolvimento aqui narrado e todas as boas experiências que tive, é preciso dizer que também passei, sim, maus bocados.

Primeiramente, a tentação do resguardo. Um dia antes do trabalho nada de: carne, sexo, bebidas, fumo... Vigiar e orar em dobro, etc. Resguardar-se por uma semana, um mês, é fácil... Mas, fazer o resguardo ao longo de vários meses se torna, às vezes, bastante penoso...

Quantas vezes amigos me convidaram para sair, justamente, num dia de trabalho?

Quantas vezes o sono, a preguiça, o frio ou o simples cansaço do serviço me convidavam a permanecer em casa, confortavelmente? E por aí vai...

E o que dizer dos ataques espirituais?

Cada pessoa sinceramente empenhada no bem e que sirva à espiritualidade se torna alvo de ataques das trevas. Como exemplo, vou contar um episódio que se passou comigo.

Às segundas, tínhamos trabalho de desobsessão espiritual. Trabalhei o dia todo, cheguei em casa, tomei banho, comi algo leve e já me preparava para ir ao terreiro. Senti, estranhamente, que estava sendo

vigiado. Repentinamente, uma multidão de vozes me rodeava, xingando, vociferando, ofendendo. Uma leve vertigem me atacou a ponto de precisar me sentar na cama.

Gosto muito de ouvir a cantora Enya. Coloquei uma música suave dela no smartphone e, com muita dificuldade, elaborei uma prece mal feita. A vertigem diminuiu e saí para a garagem. Ao tentar ligar a moto, nada. Nem sinal de partida. Tentei dar “tranco”, nada. Já estava suado e cansado de tanto fazer força empurrando-a e nem sinal de partida. A vertigem aumentou, as vozes retornaram ainda mais intensas.

Pedi auxílio ao meu pai que, estranhamente, mudou de humor da água para o vinho. Passou a reclamar de tudo, me criticar pela moto e a dizer que eu não deveria trabalhar aquela noite. Estranhei sobremaneira a mudança de comportamento dele, pois instantes antes, estava tranquilo. Por fim, deixei a minha moto e pedi a da minha irmã emprestada.

Uma intuição me veio para que andasse devagar e que não me preocupasse com o atraso (afinal, perdi tanto tempo tentando fazer a moto ligar que já estava atrasado). Dirigi devagar e numa rotatória por onde sempre passo a moto simplesmente escorregou e eu quase caí... Sempre passei por aquele trajeto e nunca tive problema algum. Apenas esta vez e nunca mais!

As perturbações seguiram até chegar ao terreiro. Tão logo estacionei a moto e dei o primeiro passo portão adentro as perturbações simplesmente cessaram.

Vários outros episódios semelhantes ocorreram de modo que não deixaram dúvidas quanto a origem espiritual. Se não me atingissem diretamente, atingiam pessoas ao meu redor que, por consequência, me atingiam também...

Bom, mas e a proteção dos guias? Ela existe e se não fosse por eles, simplesmente, não conseguiríamos trabalhar... Entretanto, há limites para intervenção. Eles não podem, simplesmente, nos livrar de todos os males que nós mesmos causamos por nossa invigilância, pela falta de fé ou por nossa inconstância sentimental...

Como diz o ensino evangélico: ajuda-te que o céu te ajudará.

Que os futuros médiuns estejam cientes, pois, que a mediunidade encerra incríveis possibilidades de melhoria e aprendizado que a maioria das pessoas não terá acesso, mas ela também é construída com muito esforço e sacrifício.

Leonardo Montes

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