segunda-feira, 8 de março de 2021

Debochados na Umbanda

face palm


Como produtor de conteúdo, ao longo dos anos, aprendi a lidar com a turma do contra. Procedo assim: se a pessoa discorda de mim, porém, é respeitosa, mantenho seu comentário; se discorda de mim, porém, é irônica, debochada, ofensiva, apago seu comentário. Se insistir, bloqueio... 

Nada de infinitos debates nos meus canais de comunicação. Nada de discussões inúteis que esticam uma conversa sem proveito: simplesmente, não alimento este tipo de coisa e tampouco pretendo convencer a quem quer que seja: gostou do que produzo? Muito bem. Não gostou? Muito bem também e ponto final.

Tenho por filosofia de vida evitar, a todo custo, qualquer debate. Quem me conhece há mais tempo sabe que emito as minhas opiniões, compartilho as minhas ideias, mas tento não discutir com ninguém. 

Eu já contei o motivo desta minha escolha nas reflexões, mas em resumo, posso dizer que penso ser uma perda de tempo: quem quer aprender, não quer discutir e quem discute, não quer aprender! Assim aprendi com um velho sábio na Umbanda...

Porém, é esta dose de bom-senso que falta nos grupos virtuais de Umbanda hoje em dia. Como exemplo, citarei o caso que me motivou a escrever este singelo texto.

Uma pessoa fez uma pergunta absolutamente comum num destes grupos: o que faço quando a guia arrebenta? As respostas, basicamente, tenderam a dois tipos: despacha na natureza (rio/cachoeira) ou reza, agradece e joga no lixo. A partir destas respostas, as tensões cresceram e as discussões se acirraram. 

Na tentativa de defenderem seus pontos-de-vista, cada um dos lados atacou, ofendeu e debochou do outro. O resultado? Uma pergunta simples gerou um tópico com mais de 100 respostas em que a maioria dos comentários não passou de ofensas gratuitas e “kkk”.

O curioso é que, como membros de uma religião que sofreu e sofre com todo tipo de preconceito, devíamos ser mais resilientes e tolerantes: há espaço para todas as opiniões na Umbanda, desde que haja respeito. Essa “legião deboche” que inunda os grupos de Umbanda pretendem o quê? Deixam o ambiente tóxico, dificultam qualquer conversa sadia e proveitosa, em suma, perdem tempo e nos fazem perder tempo.

Aliás, é por esta razão que praticamente não participo destes grupos. Compartilho meus conteúdos e sigo meu caminho, pois frequentemente, quem se atreve a ajudar, precisa antes preparar seu kit “dai-me paciência, senhor!”, para suportar todas as afrontas que encontrará pelo simples desejo de ajudar. Tais dificuldades estão produzindo um verdadeiro êxodo virtual: as pessoas sérias estão se afastando das redes... 

Quando comecei a estudar sobre a religião, em 2013, aprendi muito com pessoas experientes nos grupos. Pessoas que respondiam com educação, explicando suas doutrinas, fundamentando suas respostas, produzindo longos e proveitosos estudos sobre a religião. 

Na atualidade, porém, nada mais vejo que lembra este bom tempo. Apenas debates inúteis, discussões acaloradas por pouca coisa, muita vontade de chamar a atenção e parece que, quanto mais debochado, irônico, cínico e ofensivo é um comentário, mais as pessoas se interessam por aquele assunto e, entre este tiroteio todo, está um iniciante que procurou algum grupo do face para aprender Umbanda, pena que isto praticamente não seja mais possível...

E assim tenho visto em quase todo grupo sobre quase todo assunto...

Leonardo Montes  

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