sexta-feira, 19 de março de 2021

A IMPORTÂNCIA DE UMA CONSULÊNCIA CONSCIENTE

moedas

A maioria dos terreiros de Umbanda sobrevive com muitas dificuldades, isto porque as casas verdadeiramente sérias trabalham sempre de forma gratuita, acolhendo a todos sem distinção.

Contudo, eu sou partidário da ideia de que o consulente pode e deve contribuir com a casa que frequenta, afinal, se ela deixar de existir, ele será diretamente impactado.

Por isso, embora defenda com unhas e dentes a gratuidade das sessões, nem por isso penso que o consulente deva apenas se consultar e ir embora como se tudo que lhe interessa terminasse após o passe... Neste sentido, cada terreiro deve trabalhar a conscientização de seus frequentadores sobre a importância da contribuição financeira de cada um.

Em nossa casa, deixamos uma caixinha e antes do início das giras sempre digo que os trabalhos são gratuitos, porém, quem quiser ajudar, com o que puder contribuir, basta depositar o valor desejado na caixinha.

Às vezes, conseguimos R$ 10,00 reais numa gira, às vezes, conseguimos R$ 100,00 e assim vamos tocando os trabalhos...

É preciso não esquecer que a gratuidade das atividades na Umbanda não existe porque o dinheiro não seja importante, mas para que todas as pessoas tenham a possibilidade de se consultar com as entidades e não apenas quem tenha dinheiro para pagar por uma consulta...

Assim, penso que quase todos conseguiriam contribuir com alguma coisa e é neste ponto que quero focar. 

Eu tenho por hábito sempre levar alguns trocados quando visito um terreiro. Alguns também têm uma caixinha; outros passam uma toalha ou uma cesta; outros pedem para entregar para uma pessoa da casa e assim vai.

Não me custa nada! Eu não vou ficar mais pobre doando dois, três, cinco reais que me sobraram de alguma coisa. É nisto que as pessoas precisam pensar!

Quantos já me disseram que acham um absurdo o terreiro cobrar uma consulta (eu também acho), mas estas mesmas pessoas contribuem com o quê? Vão nas redes sociais, reclamam dos terreiros, mas elas mesmas não fazem nada... Não acham um absurdo gastar com balada, com bebida, com pizza, mas se tiver que doar cinco reais para o terreiro, ficam profundamente ofendidas...

Nesta pandemia, por exemplo, recebemos dezenas de mensagens de pessoas perguntando se os trabalhos estavam ocorrendo ou quando a casa voltaria a funcionar, mas não recebemos uma única mensagem perguntando se a casa precisava de alguma coisa, desde uma vela a uma ajuda pra limpá-la neste período. 

Portanto, precisamos ampliar a nossa consciência, sair da posição de alguém que apenas recebe e nos perguntarmos como podemos também contribuir, seja com um serviço ou com um trocado, afinal, repito mais uma vez, se o terreiro fechar, todos perdem.

Por fim, gostaria de tocar num outro assunto correlato e que sempre aparece: a doação de itens de trabalho (vela, charuto, marafo, etc). Na minha experiência? Não compensa incentivar a doação!

O motivo? A maioria compra elementos de péssima qualidade, o mais barato possível e isso não ajuda em nada, atrapalha na verdade. 

Durante um tempo pedíamos a contribuição de itens de trabalho, mas vi que não valia a pena: a pessoa comprava o que de mais barato existia, não porque era o que ela podia dar, mas aquela velha noção de que para caridade qualquer coisa serve...

É claro que para fazer uma gira nenhuma entidade precisa de um charuto cubano, mas também não precisa daqueles charutos que deixam gosto de esterco na boca dos médiuns (e há quem diga que seja esterco mesmo), velas que se partem ao meio durante a queima (e que deixam muita gente assustada achando que é demanda), marafos que amargam até a alma dos exus... Você realmente acha que isto é caridade?

Aliás, certa vez fizemos uma campanha de doação de roupas para distribuir às pessoas carentes. Recebemos muita coisa boa, mas recebemos muitas roupas que tinham que ir para o lixo... Até uma calcinha com um absorvente grudado de sangue... Você realmente acha que isto é caridade? Você gostaria de ganhar algo assim?

Não é porque se destina a caridade que precisamos ofertar lixo. A mesma coisa vale para o terreiro. Procuramos sempre elementos de qualidade para que os trabalhos possam acontecer com o necessário (e nunca usamos mais do que o necessário) e por isso pedimos a contribuição financeira ao invés de itens (que não são recusados quando ofertados, claro). 

Uma vez uma pessoa me disse:

— Dinheiro eu não dou, mas dou velas.

E não dá por quê? Você acha que alguém do terreiro vai querer seus cinco reais para uso próprio? Então, com essa mentalidade, não dê nada. Se você não confia na casa, fique com o seu dinheiro... Simples assim!

Antes de finalizar, repito mais uma vez: os trabalhos precisam ser gratuitos, mas se você pode, doe, o que puder, quando puder.

Leonardo Montes


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