sábado, 27 de março de 2021

DIMINUIÇÃO DAS LINHAS DE TRABALHO

umbanda


Eu me desenvolvi numa casa em que se trabalhava com: preto-velho, caboclo, criança, baiano, cigano, exu, pombagira e malandro. E, quando fundamos nosso terreiro, continuamos com todas essas linhas.

Contudo, eu sempre senti muita dificuldade em incorporá-las todas, não pelas entidades, claro, mas pela falta de hábito. As principais manifestações eram: preto-velho, caboclo e exu. As demais, apenas eventualmente incorporávamos. Resultado: as linhas frequentes, tudo certo. As linhas eventuais, incorporações inseguras.

Comecei a observar a mim mesmo, a avaliar com frieza as manifestações que aconteciam por meu intermédio, posteriormente, observei outros tantos médiuns, em diversos terreiros e conclui que o melhor é trabalhar com poucas linhas.

Antigamente, os médiuns trabalhavam com uma única entidade ou, quando muito, com duas. Tanto é que, tradicionalmente, o médium era conhecido pelo nome da entidade com quem trabalhava, por exemplo: Fulana da cabocla Tal, Sicrano do preto-velho X, Beltrano do exu Y, e assim sucessivamente.

Não era comum as pessoas incorporarem cinco, seis, sete linhas diferentes, sendo esta uma situação bem mais recente no universo da Umbanda.

Mas, por que cheguei a esta conclusão? Explico!

Eu observei diversos médiuns em atividade, tanto em nossa casa, quanto em outras e percebi que a maioria (e certamente me incluo), consegue trabalhar bem com duas ou três linhas diferentes, além disso, começam a misturar as coisas.

Eu via, por exemplo, caboclos que pareciam baianos; baianos que pareciam marinheiros; marinheiros que pareciam caboclos, etc. Às vezes, só conseguia distinguir a linha que estava atuando por saber previamente como seria o trabalho. Era nítido como alguns médiuns pareciam desconfortáveis em receber esta ou aquela linha.

E, sinceramente, não creio que isso se deva a qualquer falha dos médiuns: simplesmente, não há plasticidade mediúnica para “caber” tantas personalidades diferentes no aparelho psíquico do médium. E isto ocorre, inclusive, com médiuns inconscientes!

Eu conheci alguns que trabalhavam maravilhosamente bem com pretos-velhos e caboclos, mas já não trabalhavam tão bem com baianos ou malandros, por exemplo. Então, por mais que alguém tenha uma mediunidade “forte”, mesmo ela possuirá limites.

Por isso, conclui que é melhor trabalhar com duas ou três linhas e trabalhar de maneira firme e confiável, do que com seis ou sete de maneira imprecisa e insegura!

— Ah, mas as outras linhas não ficarão tristes?

— Não, não ficarão. Quem tem esse apego somos nós, não eles. Além do mais, continuarão a auxiliar da mesma forma, apenas não incorporarão mais. 

— Ah, mas como decidir com quais linhas trabalhar?

— Isso é com cada terreiro.

Não há linhas melhores ou piores do que outras. O que existe é a diretriz da casa. Em nosso caso, são caboclos e pretos-velhos as linhas principais.

Cada casa com sua diretriz!

Eu penso que este processo de diminuição das linhas de trabalho seja fundamental para que os terreiros passem a ter mais qualidade mediúnica em seus trabalhos.

Leonardo Montes 


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segunda-feira, 22 de março de 2021

ESPARADRAPO NO UMBIGO – FUNCIONA?

manipura

Sempre achei esta prática muito estranha e, de tempos em tempos, a vejo ressurgir na internet como uma onda que vem e que vai. Porém, será que realmente existe alguma implicação espiritual para seu uso?

Fiz uma breve pesquisa na internet tentando entender de onde teria surgido essa ideia e não encontrei nada concreto. Contudo, achei postagens de 2009 que já falavam no assunto. Por volta de 2012 a prática ressurgiu nas redes, porém, neste período, falava-se muito sobre tapar o umbigo com a mão quando próximo de alguém carregado ou mesmo usar um adesivo para se proteger.

O boom parece ter ocorrido quando uma atriz global deu uma entrevista falando no assunto, explicando que cobria o umbigo com um esparadrapo para se proteger. Pelo tanto de postagens sobre o assunto em 2013, sou levado a pensar que a entrevista repercutiu e logo várias pessoas começaram a falar sobre o assunto na internet e, de lá para cá, vira e mexe, ele reaparece com maior ou menos força.

Na região umbilical, existe um chakra chamado Manipura (plexo solar), responsável pelos processos digestivos e também por influenciar a vontade e a tomada de decisão. Em tese, ao tapar o umbigo, as energias ruins não perturbariam este chakra e, por consequência, não afetariam as pessoas. Mas, será mesmo?

A primeira vez que ouvi sobre o esparadrapo, pensei: por que o esparadrapo protege e uma blusa, não? Até hoje, não encontrei resposta...

Sinceramente, penso que esta é mais uma prática que as pessoas seguem por verem artistas e famosos fazendo também. Não vejo lógica alguma em sua prática e acho mesmo que ela produz uma leitura da vida completamente equivocada: ao invés de se preocupar em tapar o umbigo, não seria melhor se preocupar em não estar na companhia de pessoas carregadas ou em lugares pesados? Não é mais lógico cuidar da nossa energia do que se preocupar em saber por onde ela entra?

As energias são absorvidas de acordo com nosso padrão vibratório, não pela abertura do umbigo (será que as pessoas que possuem o umbigo fechado estão naturalmente protegidas?). 

Além do mais, é bom lembrar que o plexo solar é apenas um chakra, existem ainda outros seis principais. Será que para se precaver das energias nocivas não seria importante também colocar um esparadrapo no restante do corpo, inclusive, um lá em baixo, onde se localiza o chakra Muladhara?

Leonardo Montes 


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sexta-feira, 19 de março de 2021

A IMPORTÂNCIA DE UMA CONSULÊNCIA CONSCIENTE

moedas

A maioria dos terreiros de Umbanda sobrevive com muitas dificuldades, isto porque as casas verdadeiramente sérias trabalham sempre de forma gratuita, acolhendo a todos sem distinção.

Contudo, eu sou partidário da ideia de que o consulente pode e deve contribuir com a casa que frequenta, afinal, se ela deixar de existir, ele será diretamente impactado.

Por isso, embora defenda com unhas e dentes a gratuidade das sessões, nem por isso penso que o consulente deva apenas se consultar e ir embora como se tudo que lhe interessa terminasse após o passe... Neste sentido, cada terreiro deve trabalhar a conscientização de seus frequentadores sobre a importância da contribuição financeira de cada um.

Em nossa casa, deixamos uma caixinha e antes do início das giras sempre digo que os trabalhos são gratuitos, porém, quem quiser ajudar, com o que puder contribuir, basta depositar o valor desejado na caixinha.

Às vezes, conseguimos R$ 10,00 reais numa gira, às vezes, conseguimos R$ 100,00 e assim vamos tocando os trabalhos...

É preciso não esquecer que a gratuidade das atividades na Umbanda não existe porque o dinheiro não seja importante, mas para que todas as pessoas tenham a possibilidade de se consultar com as entidades e não apenas quem tenha dinheiro para pagar por uma consulta...

Assim, penso que quase todos conseguiriam contribuir com alguma coisa e é neste ponto que quero focar. 

Eu tenho por hábito sempre levar alguns trocados quando visito um terreiro. Alguns também têm uma caixinha; outros passam uma toalha ou uma cesta; outros pedem para entregar para uma pessoa da casa e assim vai.

Não me custa nada! Eu não vou ficar mais pobre doando dois, três, cinco reais que me sobraram de alguma coisa. É nisto que as pessoas precisam pensar!

Quantos já me disseram que acham um absurdo o terreiro cobrar uma consulta (eu também acho), mas estas mesmas pessoas contribuem com o quê? Vão nas redes sociais, reclamam dos terreiros, mas elas mesmas não fazem nada... Não acham um absurdo gastar com balada, com bebida, com pizza, mas se tiver que doar cinco reais para o terreiro, ficam profundamente ofendidas...

Nesta pandemia, por exemplo, recebemos dezenas de mensagens de pessoas perguntando se os trabalhos estavam ocorrendo ou quando a casa voltaria a funcionar, mas não recebemos uma única mensagem perguntando se a casa precisava de alguma coisa, desde uma vela a uma ajuda pra limpá-la neste período. 

Portanto, precisamos ampliar a nossa consciência, sair da posição de alguém que apenas recebe e nos perguntarmos como podemos também contribuir, seja com um serviço ou com um trocado, afinal, repito mais uma vez, se o terreiro fechar, todos perdem.

Por fim, gostaria de tocar num outro assunto correlato e que sempre aparece: a doação de itens de trabalho (vela, charuto, marafo, etc). Na minha experiência? Não compensa incentivar a doação!

O motivo? A maioria compra elementos de péssima qualidade, o mais barato possível e isso não ajuda em nada, atrapalha na verdade. 

Durante um tempo pedíamos a contribuição de itens de trabalho, mas vi que não valia a pena: a pessoa comprava o que de mais barato existia, não porque era o que ela podia dar, mas aquela velha noção de que para caridade qualquer coisa serve...

É claro que para fazer uma gira nenhuma entidade precisa de um charuto cubano, mas também não precisa daqueles charutos que deixam gosto de esterco na boca dos médiuns (e há quem diga que seja esterco mesmo), velas que se partem ao meio durante a queima (e que deixam muita gente assustada achando que é demanda), marafos que amargam até a alma dos exus... Você realmente acha que isto é caridade?

Aliás, certa vez fizemos uma campanha de doação de roupas para distribuir às pessoas carentes. Recebemos muita coisa boa, mas recebemos muitas roupas que tinham que ir para o lixo... Até uma calcinha com um absorvente grudado de sangue... Você realmente acha que isto é caridade? Você gostaria de ganhar algo assim?

Não é porque se destina a caridade que precisamos ofertar lixo. A mesma coisa vale para o terreiro. Procuramos sempre elementos de qualidade para que os trabalhos possam acontecer com o necessário (e nunca usamos mais do que o necessário) e por isso pedimos a contribuição financeira ao invés de itens (que não são recusados quando ofertados, claro). 

Uma vez uma pessoa me disse:

— Dinheiro eu não dou, mas dou velas.

E não dá por quê? Você acha que alguém do terreiro vai querer seus cinco reais para uso próprio? Então, com essa mentalidade, não dê nada. Se você não confia na casa, fique com o seu dinheiro... Simples assim!

Antes de finalizar, repito mais uma vez: os trabalhos precisam ser gratuitos, mas se você pode, doe, o que puder, quando puder.

Leonardo Montes


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quinta-feira, 18 de março de 2021

ERVAS, NOSSAS AMIGUINHAS?

ervas na umbanda

De modo geral, chamam-se de ervas, no contexto da Umbanda, toda e qualquer planta, folha, raiz, flor, etc. É uma palavra  generalizada para  facilitar a compreensão do "reino vegetal" na religião. 

Seu uso foi fartamente disseminado, especialmente pelas imensas dificuldades enfrentadas pela população pobre no início do século XX que raramente conseguia ter acesso a algum serviço de saúde.

A sabedoria ancestral aliou-se ao saber espiritual, fazendo das ervas um recurso poderosíssimo para o tratamento dos males deste e do outro mundo. Foi neste contexto que os terreiros se transformaram em "consultório de pobre" e foi assim que muita gente conheceu a Umbanda.

De lá para cá, porém, muita coisa mudou. A medicina avançou, o SUS surgiu, o acesso à saúde melhorou sensivelmente (esta é a principal razão pela qual quase não se vê mais as garrafadas, tratamentos com raízes, xaropes e chás recomendados pelas entidades), de modo que, atualmente, elas têm focado seus esforços em outros tipos de males que assolam a humanidade, tais como: a solidão, a tristeza, a rejeição, a depressão, etc.

Voltando às ervas, você certamente já deve ter ouvido falar de algum parente que conhece bem as plantas, que entende de folhas, que sempre sabe uma receita caseira para tratar isso ou aquilo, certo? 

Contudo, você também já deve ter ouvido falar de chás perigosos, abortivos, que causam males e, se conhece alguém das antigas que entende de ervas, perceberá que eles possuem uma visão diferente da que encontramos hoje em dia: respeito e receio de certas ervas. 

Àquele tempo, diferentemente de hoje, havia um respeito muito maior em relação à natureza: boa parte da população dependia dela para seu sustento. Plantava-se nos quintais, nos fins de semanas os homens saíam para caçar (e ter, assim, carne na mesa), as plantas curavam feridas, dores, traziam tranquilidade e alívio. Era um mundo diferente...

Mas, não era apenas pela necessidade dos elementos vegetais que manifestavam esse respeito, eles também sabiam - e muito bem - que certas ervas são perigosas, que determinadas combinações são nocivas e que, se não administradas com cautela, podem prejudicar.

Nos terreiros a situação não era diferente: os antigos manipulavam as ervas com muito cuidado, com muito receio, sendo tudo sempre sigiloso, misterioso

Atualmente, é corrente a visão de que as "ervas são nossas amiguinhas", que a natureza é nossa "mamãe", de que "mal não faz" e assim fomos de um "não põe erva na cabeça pelo amor de Deus" a um "dá nada não".

Mas, as ervas são nossas amigas?

R: - A natureza não é nossa amiga, ela é selvagem! 

Nada deixa isso mais em evidência do que quando assistimos aqueles documentários do NetGeo sobre "vida selvagem" e vemos algum felino caçando. Você, como eu, talvez sempre olhe para o outro lado para não ver a morte da presa... Mas, mesmo assim, ela ocorre... É o instinto, é a sobrevivência em ação: a natureza não é nossa amiga mais do que foi da gazela antes de ser morta pelo leão...

Quando você vai colher um galhinho de arruda, por exemplo, acha que a planta fica feliz? Acha que ela se sente bem ao ter um pedaço arrancado por alguém? É por isso que as entidades pedem para rezarmos antes, pedindo permissão a planta (e todos se sentem meio malucos por fazer isso), mas é uma prática que visa minimizar o dano, fazendo com que a planta entenda (e, sim, elas entendem) e facilitem a retirada das folhas (e é aqui que você que age como um trator ao retirar as folhas deve repensar sua conduta).

A energia que a erva possui é selvagem, não é boa ou ruim, não tem consciência de si ou como as entidades me ensinaram: é uma "força cega". 

Quando você libera essa força, seja através de banhos ou defumações, está liberando uma energia que, se adequada ao que você necessita, poderá lhe fazer muito bem; porém, se não for adequada, poderá lhe fazer mal e é por isso que eu, particularmente, não gosto de passar receitas: o que funciona para um, pode não funcionar para outro e pode mesmo prejudicá-lo, se não souber manipular com cuidado.

Eu me lembro de uma pessoa que queria desistir do seu desenvolvimento, dizendo que não conseguia evoluir sua mediunidade, que estava cansada, desanimada. Fiz um check-list verbal com ela, verificando se estava cumprindo todas as etapas. Quando chegamos no banho de ervas, ela me disse:

- Sim, faço sempre no dia da gira.

- Quais ervas você usa?

- Faço sempre com arruda.

- Oi?

Arruda é uma erva de limpeza profunda. Porém, se toda semana você toma banho de arruda, acabará limpando, igualmente, as energias boas que possui e, como consequência, acabará fraco, cansado, desanimado. O banho antes da gira precisa ser um estimulante à mediunidade, mas, se for feito com ervas que limpam, então, faltará energia e o desenvolvimento será fraco.

Bastou que lhe orientasse de uma outra forma e até hoje está firme, forte e trabalhando em terreiro...

A associação que as pessoas fazem do uso das ervas com benefícios imediatos é, no mínimo, imprecisa. Existem alguns livros, especialmente os mais antigos, que ensinam a fazer, por exemplo, defumações para prejudicar o próximo. É mole?

Você sabia disso?

Então, se as ervas são "amiguinhas", se a natureza é nossa "mamãe", se o "Orixá entende", então como poderia nos prejudicar, não é mesmo? 

Então, para não me alongar muito mais, vou resumir o meu entendimento: a energia das ervas é selvagem, nem boa, nem ruim; é preciso saber manipulá-las, do jeito certo, com respeito, oração, concentração, conhecimento de causa, para tirar o melhor proveito; se não observadas essas circunstâncias, se não houver respeito, se os procedimentos não forem corretos, os efeitos poderão ser bem inferiores aos desejados ou mesmo prejudiciais, especialmente, se as combinações não favorecerem o caso, o que requer sempre conhecimento de causa.

Leonardo Montes 

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sábado, 13 de março de 2021

Origens dos sonhos

sonhos


Do ponto de vista espiritual, são basicamente três as origens dos sonhos:

1. Sonhos como uma linguagem simbólica do inconsciente;

2. Sonhos como produto de uma influência espiritual obsessiva;

3. Sonhos como reflexos de experiências espirituais durante o sono físico.

Em essência, são basicamente estas as variantes. Vamos analisá-las.

Linguagem simbólica do inconsciente

Engana-se quem, porventura, pense que a mente foi desvendada pela ciência. A bem da verdade, penso que ela continua tão misteriosa hoje quanto na época dos primeiros estudos psicológicos.

O fato, porém, é que a maioria dos psicólogos e demais estudiosos concordam sobre a existência de uma “parte” da nossa mente muito pouco ou mesmo nada sondável que chamamos de inconsciente.

Para formar uma imagem, imagine um Iceberg. A parte visível do mesmo no mar seria a “porção” consciente de nossa mente e toda a parte submersa (a maior parte) seria a “porção” inconsciente da nossa mente.

Uma outra forma de se pensar o inconsciente é imaginá-lo como o porão da nossa mente. Nele ficam guardados tudo aquilo que vimos, ouvimos, pensamos ou sentimos.

Para não nos alongarmos em conceitos psicológicos, podemos dizer que alguns sonhos são produtos do inconsciente, talvez, uma tentativa de comunicação com a “parte” consciente da nossa mente.

Assim, tudo aquilo que vemos, ouvimos, sentimos, pensamentos, desejamos, tememos, etc., se projeta, através dos sonhos, em imagens, histórias, situações que, na verdade, se encontram dentro de nós mesmos e que apenas buscam uma alternativa, um caminho, para serem compreendidas através da consciência.

Os sonhos cuja causa está no inconsciente, quase sempre “falam” sobre coisas do nosso dia-a-dia e que traduzem a nossa vivência cotidiana. Geralmente não são muito claros, podem ser confusos, sem nexo, misturando uma variedade de sentimentos e contextos num mesmo “momento”.

Influência espiritual obsessiva

A influência espiritual obsessiva, embora não seja estudada cientificamente, é uma antiga e conhecida causa de sonhos entre os estudiosos das religiões espiritualistas.

Um espírito obsessor é um espírito que, por uma razão qualquer, está influenciando negativamente uma pessoa encarnada (definição clássica e utilizada como exemplo neste texto).

Esta influência pode ocorrer de diversas maneiras, sendo uma delas o sonho. O espírito pode, através da sua energia negativa, envolver energeticamente a pessoa-alvo e induzi-la, mentalmente, a ter experiências muito desagradáveis.

Aliás, é característica deste tipo de sonho a experiência desagradável.

Nestas situações, o espírito pode plasmar, mentalmente, formas, lugares, situações, pessoas, etc.

Importante destacar que nenhum espírito é capaz de assumir a aparência de outra pessoa, porém, pode induzir uma imagem mental, como todos nós somos capazes de fazer ao imaginarmos uma pessoa fazendo qualquer coisa, por exemplo.

Estes sonhos, portanto, não são frutos de processos inconscientes, mas da influência mental de outra mente (no caso, desencarnada) sobre a da pessoa encarnada. Neste sentido, o espírito pode plasmar/induzir projeções que causem medo ou pânico conforme os medos e anseios de cada um.

Por exemplo, tal pessoa tem um medo terrível de ladrão. O espírito, previamente sabendo disso, já que consegue ler os pensamentos com muita facilidade, pode se aproveitar do momento de descanso para induzir sonhos em que um ladrão tente invadir a casa, fazendo, assim, com que a pessoa-alvo tenha uma experiência desagradável e venha a ficar com medo durante o estado de vigília.

Reflexos de experiências espirituais

Embora a causa anterior tenha sua origem espiritual, faço aqui a seguinte distinção: chamo de reflexos de experiências espirituais, as experiências passíveis de serem vivenciadas por todos nós em estado de desdobramento espiritual, isto é, quando o espírito se separa momentaneamente do corpo físico durante o sono corporal e se encontra mais ou menos livre para entrar em contato com outros espíritos ou visitar outros lugares tanto na Terra quanto no plano espiritual.

Esta é uma experiência muito comum entre trabalhadores da mediunidade, por exemplo: sonhar que está em sua casa de fé trabalhando. Porém, neste caso, o trabalho que se executa não é uma lembrança de algo já feito e, embora por vezes pouco nítido, tem-se a impressão de se estar de fato na casa religiosa, vê-se os companheiros de trabalho mediúnico e, por vezes, os próprios guias espirituais com quem frequentemente conversam quando incorporados e que ali se encontram quase “em carne e osso”.

Outro tipo de experiência muito comum neste sentido é a visita de familiares desencarnados, o que pode ocorrer tanto na casa da própria pessoa quanto num outro lugar espiritual, geralmente, mais belo que a paisagem terrena, sendo provável a visita a um posto de trabalho ou mesmo a uma colônia espiritual.

Neste tipo de sonho, tem-se a certeza de não ter sido apenas um sonho comum. Há um quê de veracidade, cuja definição é imprecisa, mas que confere a pessoa a certeza de ter vivido algo legítimo e não apenas um sonho qualquer.

Nestes encontros, podem ocorrer coisas como: revelações sobre o futuro, avisos sobre o presente, alertas e conselhos, etc.

Ao retornar para o corpo físico, a pessoa perde boa parte daquilo que vivenciou, pois o cérebro material não foi feito para registrar com fidelidade as experiências espirituais, restando, no entanto, a essência da experiência vivida.

Interpretando sonhos

Este é um dos pontos nevrálgicos deste texto. A experiência comum popular sempre atribuiu significados maravilhosos e fantásticos aos sonhos, o que quase sempre leva o indivíduo a formar uma ideia errônea a respeito da própria experiência.

Ainda hoje encontramos quem jogue no jogo do bicho após um sonho. O curioso é que a pessoa que possui este hábito e joga com muita frequência, quase sempre não acerta, porém, quando acerta e ganha, interpreta o sonho como uma espécie de aviso e isso acaba funcionando como um viés de confirmação.

Além disso, encontramos também pessoas que pensam existir alguém (ou algo, como um livro de sonhos) que seja capaz de interpretar os seus sonhos. Eu mesmo já fui interpelado diversas vezes por pessoas que tiveram um sonho interessante e queriam compreender o seu significado, procurando por uma interpretação correta que imaginavam que eu poderia lhes oferecer. E aqui está o perigo!

Ninguém pode interpretar o sonho de outra pessoa só porque lhe foi contado, justamente, porque o sonho é uma experiência pessoal. Mesmo em processos de análise, não se interpreta o sonho separado do contexto terapêutico envolvendo o paciente.

Até mesmo em situações que se possa pensar ter um sentido geral, percebe-se que as interpretações são muito diferentes. Por exemplo: há pessoas que se sentem entristecidas num dia chuvoso e frio, enquanto outras se sentem aconchegantes e satisfeitas. O clima é o mesmo, mas a sensação que provoca é diferente em cada pessoa.

Portanto, penso que não exista (pelo menos encarnado) quem possa ouvir o sonho de alguém e dizer se este sonho foi uma experiência espiritual, obsessiva ou fruto do inconsciente ou atribuir este ou aquele significado aos sonhos.

Esta foi a tecla que sempre bati e que faz com que muitas pessoas pensem que eu não acredite em sonhos revelatórios ou nos encontros espirituais, o que não é verdade: o que eu não acredito é que um terceiro possa avaliar, diagnosticar e significar uma experiência que, em essência, é puramente pessoal e subjetiva.

Outras causas

Um ponto importante e que precisa ser ressaltado é que, no início do texto, eu disse que os sonhos são, basicamente, frutos de três situações. Porém, existem outras, menos comuns, como por exemplo, o sonho que se revela uma lembrança de vida passada.

Procure você o significado

Até aqui, o que me parece claro é que o sonho possui sua razão de ser. Se sua origem está em processos ligados ao inconsciente, significa que, de alguma forma, há algo nos sonhos, em sua linguagem simbólica e, por vezes, maluca, que nosso consciente precisa apreender. Isto é um convite para nossa própria introspeção!

Se o sonho se caracteriza por processos obsessivos, traduzindo-se em medos apavorantes, cenas grotescas, etc., é uma forma “da vida” nos convidar à reforma íntima, à oração, a vigilância de nossos atos e pensamentos, pois todas as influências espirituais negativas ocorrem através de nossas brechas em todas essas coisas.

Por fim, se o sonho é uma experiência espiritual positiva, devemos saboreá-la em toda sua intensidade, procurando fixar ao máximo os seus objetivos: é um parente que volta para acalmar seu coração? Você visitou alguma colônia espiritual agradável? Teve uma conversa amorosa com seu guia espiritual? Ótimo, tudo isso tem um sentido e um significado, mas só você será capaz de chegar à essência dessa experiência.

Existem, ainda, muitas outras coisas a serem ditas sobre os sonhos, mas penso que por enquanto está bom.

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Leonardo Montes

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segunda-feira, 8 de março de 2021

Debochados na Umbanda

face palm


Como produtor de conteúdo, ao longo dos anos, aprendi a lidar com a turma do contra. Procedo assim: se a pessoa discorda de mim, porém, é respeitosa, mantenho seu comentário; se discorda de mim, porém, é irônica, debochada, ofensiva, apago seu comentário. Se insistir, bloqueio... 

Nada de infinitos debates nos meus canais de comunicação. Nada de discussões inúteis que esticam uma conversa sem proveito: simplesmente, não alimento este tipo de coisa e tampouco pretendo convencer a quem quer que seja: gostou do que produzo? Muito bem. Não gostou? Muito bem também e ponto final.

Tenho por filosofia de vida evitar, a todo custo, qualquer debate. Quem me conhece há mais tempo sabe que emito as minhas opiniões, compartilho as minhas ideias, mas tento não discutir com ninguém. 

Eu já contei o motivo desta minha escolha nas reflexões, mas em resumo, posso dizer que penso ser uma perda de tempo: quem quer aprender, não quer discutir e quem discute, não quer aprender! Assim aprendi com um velho sábio na Umbanda...

Porém, é esta dose de bom-senso que falta nos grupos virtuais de Umbanda hoje em dia. Como exemplo, citarei o caso que me motivou a escrever este singelo texto.

Uma pessoa fez uma pergunta absolutamente comum num destes grupos: o que faço quando a guia arrebenta? As respostas, basicamente, tenderam a dois tipos: despacha na natureza (rio/cachoeira) ou reza, agradece e joga no lixo. A partir destas respostas, as tensões cresceram e as discussões se acirraram. 

Na tentativa de defenderem seus pontos-de-vista, cada um dos lados atacou, ofendeu e debochou do outro. O resultado? Uma pergunta simples gerou um tópico com mais de 100 respostas em que a maioria dos comentários não passou de ofensas gratuitas e “kkk”.

O curioso é que, como membros de uma religião que sofreu e sofre com todo tipo de preconceito, devíamos ser mais resilientes e tolerantes: há espaço para todas as opiniões na Umbanda, desde que haja respeito. Essa “legião deboche” que inunda os grupos de Umbanda pretendem o quê? Deixam o ambiente tóxico, dificultam qualquer conversa sadia e proveitosa, em suma, perdem tempo e nos fazem perder tempo.

Aliás, é por esta razão que praticamente não participo destes grupos. Compartilho meus conteúdos e sigo meu caminho, pois frequentemente, quem se atreve a ajudar, precisa antes preparar seu kit “dai-me paciência, senhor!”, para suportar todas as afrontas que encontrará pelo simples desejo de ajudar. Tais dificuldades estão produzindo um verdadeiro êxodo virtual: as pessoas sérias estão se afastando das redes... 

Quando comecei a estudar sobre a religião, em 2013, aprendi muito com pessoas experientes nos grupos. Pessoas que respondiam com educação, explicando suas doutrinas, fundamentando suas respostas, produzindo longos e proveitosos estudos sobre a religião. 

Na atualidade, porém, nada mais vejo que lembra este bom tempo. Apenas debates inúteis, discussões acaloradas por pouca coisa, muita vontade de chamar a atenção e parece que, quanto mais debochado, irônico, cínico e ofensivo é um comentário, mais as pessoas se interessam por aquele assunto e, entre este tiroteio todo, está um iniciante que procurou algum grupo do face para aprender Umbanda, pena que isto praticamente não seja mais possível...

E assim tenho visto em quase todo grupo sobre quase todo assunto...

Leonardo Montes  

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