terça-feira, 19 de janeiro de 2021

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 12: ESQUERDA

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Dentro dos trabalhos de Umbanda, é comum a divisão das entidades em esquerda e direita. Essa divisão é apenas didática já que formam uma equipe de trabalho única.

Chamam-se entidades de direita àquelas que já conseguiram alcançar certo nível de evolução espiritual. Encontram-se nela, por exemplos: os pretos-velhos, caboclos e crianças. Já na esquerda, encontramos os tão mal compreendidos, exus e pombagiras.

Segundo as diretrizes da nossa casa, o médium deveria primeiro desenvolver “a direita” para, só depois, trabalhar com “a esquerda”. Isso por que a manifestação da esquerda é mais forte, mais intensa, mais próxima da matéria. Antes de se habituar a ela, o médium deveria aprender a trabalhar com as sutis energias da direita.

28 de agosto de 2015, por volta de 00h30min

Estávamos terminando um trabalho de esquerda, levando os resíduos para uma entrega na encruzilhada de cana, quando se manifestou no médium-chefe em nossa casa um exu da linha da Lira que, bem humorado, conversava com os presentes, apresentando-se. Três médiuns em desenvolvimento da casa, inclusive eu, passaram a sentir a presença e vibração de entidades próximas...

Aquilo nos deixou muito confusos, pois não estávamos aptos para incorporá-los. Participávamos dos trabalhos de esquerda na condição de cambones, apenas. A vibração, contudo, parecia forte, intensa. A entidade se aproximou, pegou minhas mãos com força e me girou.

A energia que senti naquele instante ainda hoje é indescritível. Não sei como precisar, em que termos descrevê-la. Posso apenas dizer que tomou meu corpo por completo, jogando-me de joelhos ao chão.

A entidade gargalhava de forma quase enlouquecida. Não conseguia ficar de pé. Arrastava-me pelo chão algo úmido pelo sereno, sujando toda minha roupa branca de mato e terra. Com meu dedo indicador, riscou seu ponto na própria terra e em seguida foi embora.

Retornei do transe trêmulo, tossindo e vomitando. A entidade conversou comigo, disse-me que eram normais àquelas sensações. Que as primeiras incorporações da esquerda eram assim mesmo e que aquele seria meu exu e, dali por diante, teríamos um compromisso de trabalho durante muitas décadas. 

Manifestei-lhe minhas dúvidas quanto a incorporação de exu, uma vez que ainda não havia sido “liberado” pelos chefes da casa para trabalhar com a esquerda, ao que ele me disse:

- Você está pronto.

Leonardo Montes


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