quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 13: BÊBADO

Whisky

Fora convidado - já que havia incorporado um exu -, a participar dos trabalhos da esquerda como médium. Os trabalhos ocorriam mensalmente, de portas fechadas, somente aos trabalhadores da casa ou pessoas convidadas.

Ansioso quanto à estranha manifestação, me precavera levando farofa apimentada, bebida, velas brancas, vermelhas e pretas, tudo que a maioria dos exus necessita para trabalhar.

A gira começou. Senti a vibração do espírito, mas não conseguia incorporar. Meus pensamentos estavam dispersos. Todo esforço para manter o bom padrão vibratório parecia escapar entre meus dedos. Eu havia ouvido uma música que há tempos não ouvia e não sei por que mecanismos psíquicos a bendita música não me saía das ideias.

A minha concentração estava péssima, de modo que precisei ser auxiliado pela entidade chefe do trabalho, Sr. Marabô, para que pudesse incorporar. A incorporação aconteceu nos moldes normais, mas a minha concentração ainda vacilava muito. Não estava acostumado com aquela energia intensa e, para ajudar, meus pensamentos se perdiam em notas musicais...

A entidade riscou seu ponto e ingeriu cerca de meio copo de conhaque, indo logo embora. O processo todo não durou dez minutos. Posteriormente, soube que a minha concentração estava tão ruim que a entidade simplesmente se irritou e foi embora...

Tão logo desincorporei - trêmulo e tossindo -, como da primeira vez, porém, percebi algo diferente. Meu corpo não estava o mesmo. Alguns minutos depois, sentia a cabeça leve, os movimentos vacilantes, emoções estranhas e intensas se misturavam em minha cabeça... Foi quando me dei conta: estava bêbado!

Não tinha o hábito de ingerir bebidas alcoólicas, especialmente, algo forte como o conhaque. A minha concentração estava tão ruim que os mecanismos da incorporação não se deram de forma satisfatória. Eu acabei bebendo por reflexo da vontade da entidade não por que ela própria bebeu!

Nunca havia ficado bêbado em minha vida e ali colecionara mais uma lição ao meu aprendizado mediúnico: não beber pela entidade! Muitas pessoas imaginam que se “seus exus” não beberem uma garrafa de pinga, as pessoas irão desconfiar da sua mediunidade. Outros acabam misturando a sua vontade com a do espírito e passam da conta... Em todo caso, o resultado é o mesmo: ficam bêbados!

Leonardo Montes 


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