quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - INTRODUÇÃO

médium

INTRODUÇÃO

Desde muito jovem interessei-me pelo assunto mediunidade. Lembro-me de, aos 17 anos, ir à livraria de um Centro Espírita e pedir um exemplar de O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec.

A vendedora, uma senhora de meia idade, olhou-me com carinho e me recomendou outra leitura, dizendo que o livro que desejava não era para minha idade. Eu deveria ler outros, mais “leves”.

No entanto, insisti.

Havia acabado de ler O Livro dos Espíritos e queria acompanhar a sequência natural. Depois de muita relutância, terminou por vender-me o precioso livro. Li-o com interesse voraz nas férias da família, na praia.

Venho de família sem-religião, embora cada um cresse em Deus à sua maneira. Assuntos religiosos não eram comuns em nossa casa. Não que fossem proibidos, apenas não conversávamos muito sobre isso.

Exceto por um tio-avô distante cujo contato durante a vida somou-se nos dedos de uma mão, eu era o primeiro a me assumir espírita. Tinha exatos 17 anos de idade e comecei a ler vorazmente. Desejava saber tudo que fosse possível sobre Espiritismo.

Aos 18 anos cai num processo obsessivo que me perturbou o sono em barulhos estranhos durante a noite... Vozes que pareciam me chamar ou rir de mim. Estranha sensação de estar sendo observado o tempo todo... Vultos que me apreciam e sumiam antes que pudesse divisá-los com clareza, etc.

E se não fosse a intercessão amiga recebida no mesmo centro onde adquiri o livro, talvez tivesse caído em absoluta prostração.

O tempo passou e exceto por uma ou outra experiência sutil o suficiente para me deixar confuso sobre sua realidade, eu nada mais tive.

Mergulhei mais fundo ainda nos estudos o que me levou a um estado de crítica sobre o Movimento Espírita que simplesmente me paralisou qualquer esforço perseverante no bem.

Alguns anos haviam se passado desde então e eu me encontrava cada vez mais distanciado do trabalho em algum centro espírita. Frequentava apenas eventualmente, algumas vezes ao ano. Permanecia isolado em minha fé...

Mas, os ventos do destino sopram alheios à nossa vontade e acabei me interessando pela prática mediúnica na Umbanda. Conheci uma casa que muito gentilmente me acolheu e me deu total liberdade para estudar os fenômenos.

Munido de uma coragem vinda não sei de onde, propus à entidade chefe do terreiro o meu intento de pesquisar sobre a mediunidade na Umbanda. Para minha surpresa, fui recebido de braços abertos.

A partir de então, em cada gira (nome dado às sessões), comparecia com um caderno e tinha certa liberdade para transitar e fazer as anotações que quisesse.

Observei tudo: as reações corporais dos médiuns durante o transe, a alteração no timbre da voz, os movimentos do corpo, a forma de trabalho da entidade, seu ponto riscado, etc. Se não bastasse, as próprias entidades se propuseram a responder minhas perguntas e, desde então, tive o prazer de conversar dezenas de horas com preto-velhos, ciganos, caboclos e exus sobre todos os mistérios da Umbanda.

Pouco tempo depois, um convite: se desejasse, iria ser cambone (pessoa encarregada de auxiliar a entidade incorporada) em todos os trabalhos. Aceitei de pronto. Vesti-me de branco, o que causou muita estranheza e zombaria de alguns amigos e mesmo das entidades que me chamavam de “pesquisador” ou “cabeçudo”.

Mergulhei sinceramente no trabalho. Auxiliava em tudo. Preocupava-me, por vezes, mais que o próprio médium no preparo dos elementos de trabalho de suas entidades. Acompanhava com vivo interesse cada atendimento, cada palavra amiga que as entidades ofereciam aos consulentes.

Em fevereiro de 2015, um dos guias-chefes da casa, Pai Cipriano das Almas, me ofereceu a oportunidade do desenvolvimento mediúnico. Se quisesse, iria desenvolver a minha sensibilidade, isto é, a capacidade de perceber os espíritos... Para alguém que sempre se interessou em mediunidade, isso era o santo graal!

A partir de então, a mediunidade despontou-se como um iceberg no horizonte de um mar tranquilo. Uma transformação inimaginável operou-se em minhas percepções de modo que, ao recordar tudo que passou, chego mesmo a ficar sem palavras...

Assim, amigo leitor, de agora em diante, você acompanhará a minha experiência pessoal no desenvolvimento da mediunidade sensitiva e, posteriormente, de incorporação. 

Narrarei com o máximo possível de detalhes tudo que me aconteceu, como aconteceu, o que senti, quanto tempo durou, etc. E, na segunda parte do livro, oferecerei opiniões sobre diversos assuntos que direta ou indiretamente tocam a mediunidade e que permearam o meu desenvolvimento...

Quero apresentar um quadro vivo das minhas experiências, na esperança de ajudar outros médiuns que estejam em desenvolvimento ou que pretendam se iniciar.

Não desejo oferecer explicações técnicas ou teóricas da mediunidade. Existem muitos livros sobre isso. Desejo apenas oferecer o relato verídico da minha experiência pessoal como médium na Umbanda.

A força deste relato não está, propriamente, na minha experiência em si, tão comum quanto tantas outras, mas no fato dessa experiência ter sido narrada a partir do ponto de vista de alguém que se desenvolve, no momento em que se desenvolve e não do ponto de vista de um teórico escrevendo sobre o assunto. 

Leonardo Montes

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2 comentários:

  1. Olá Leonardo Montes, li o seu livro ontem, achei muito interessante a leitura. Rica de conhecimento, me prendeu do início ao fim. Deus o abençoe em sua jornada Espiritualista e Umbandista.

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