domingo, 27 de dezembro de 2020

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 6: PRIMEIRO TRABALHO

umbanda

Após a conversa com o Pai Cipriano, sentia-me pressionado, inseguro e, sinceramente, com muito receio. A assistência fiel percebeu que eu me colocara na posição de médium e muitos pares de olhos me acompanhavam com curiosidade, o que elevou ainda mais minha insegurança.

Fiz uma prece com todo meu coração, de todo meu ser, pedindo auxílio ao preto-velho que trabalharia. Estava com medo, mas desejava servir! Se ele me julgasse digno e pronto, que tomasse meu corpo, que viesse espalhar sua luz.
Foi então que senti uma vibração intensa como nenhuma outra. Todo meu corpo formigava. Meus braços e pernas tornaram-se lentos, meu olho esquerdo fechou e não conseguia mais abri-lo. Sentia um torpor intenso na região da mandíbula, um forte tremor em todo o corpo e, em poucos instantes, manifestava-se José do Congo, preto-velho que não gosta de ser chamado de Pai nem de Zé, apenas, José.
Encurvado, de andar lento, mãos trêmulas, enxergando apenas com o olho direito, caminhou devagarzinho até o Pai Cipriano, saudando-o. Em seguida, dirigiu-se para a imagem de Jesus (Oxalá) saudando-a.
Sentou-se com dificuldade num banquinho, cumprimentou o cambone, riscou seu ponto, acendeu um cigarro de palha e disse:
- Pode chamar, filho... Vamos trabalhar!
Leonardo Montes
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