sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 5: ABRINDO FALANGE

MÉDIUM

O termo “abrir falange” frequentemente é empregado ao ato da fala. Quando a entidade é capaz de incorporar-se com naturalidade e falar, está aberta a falange e está apta a atender publicamente. É quando normalmente ela risca seu ponto de forma definitiva e dá o seu nome de falangeiro.

É comum que os médiuns se sintam inseguros em relação a este período. Alguns retardam o quanto podem o momento em que suas entidades passarão a atender publicamente.
Conheci médiuns que levaram mais de dois anos e meio de desenvolvimento para que as entidades falassem seus nomes. Isso se deve, quase sempre, à insegurança do próprio médium.
Quanto mais seguro o médium se torna, mais rapidamente ele abrirá falange. Para que isso ocorra, contudo, torna-se indispensável dedicação e paciência, sendo desejável, o estudo.
Eu não tive maiores problemas em relação a fala. O timbre de voz, contudo, era o meu. Levaria alguns meses para que o timbre e a maneira de falar começassem a mudar de entidade para entidade e isso se deu com suave naturalidade e, por vezes, de forma imperceptível para mim. Quando me dava conta, já estava falando em outro timbre e de outra forma!
Sentia-me relativamente seguro das minhas incorporações quando, em agosto de 2015, quase seis meses do início do meu desenvolvimento, numa gira em que compareceram poucos médiuns e ampla assistência, o Pai Cipriano me chamou e disse que, dali por diante, eu trabalharia.
Foi um choque!
Eu me sentia feliz com o meu desenvolvimento, mas, nunca tinha atendido. As entidades apenas incorporavam, riscavam seu ponto, fumavam charuto ou cigarro de palha, bebiam um pouco de café ou vinho e iam embora. Não me imaginava atendendo antes de, pelo menos, um ano de desenvolvimento...
De imediato, não aceitei... Disse que não me sentia pronto, que ainda precisava desenvolver por mais tempo, que estava feliz como cambone e assim queria permanecer, ao que ele me disse:
- Você confia em mim?
- Sim, o senhor sabe que sim... Mas...
- Então, vamos trabalhar. Hoje tem pouco médium e muita assistência. Você consegue. Se você não estivesse pronto eu não te chamaria!
Nada mais respondi. Ele continuou:
- Confie em mim, eu vou estar aqui. O que vier na cabeça, diga, não trave a língua, vai dar tudo certo...
Leonardo Montes
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