terça-feira, 22 de dezembro de 2020

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 3: PRIMEIRA INCORPORAÇÃO

médium

11 de maio de 2015, uma segunda-feira fria, por volta de 20h40min da noite.

Íamos começar a sessão de desobsessão. Todos sentados à mesa, música suave ao fundo, luzes apagadas, apenas uma pequena luz vermelha acesa na parede lateral. Quatro médiuns à mesa, quatro esclarecedores juntos a cada médium e duas ou três pessoas para suporte.
Após a prece inicial, concentrei-me nas sensações que, àquele tempo, ainda eram confusas para mim. De repente, percebi que meu corpo balançava, para frente e para trás, involuntariamente, embora de forma sutil. Logo em seguida, estranho mal-estar se abateu sobre mim.
Meu estômago ficou absurdamente indisposto, ânsia de vômito e, por fim, não pude segurar: vomitei sobre a mesa e sobre minhas próprias pernas! Asco e agito geral. As pessoas imaginaram que eu estivesse passando mal. Eu mesmo pensei isso. Tremia freneticamente, sentia falta de ar, coração aos pulos, olhos arregalados, intenso frio, pensei mesmo que estava tendo um derrame ou algo do tipo.
Todo esse processo durou cerca de três minutos, até que, gradativamente, cessou, deixando-me trêmulo, confuso e com muita dor do esôfago ao estômago. A médium que estava ao meu lado incorporou um dos mentores do trabalho, Pai Benedito, que me acalmou
com sua palavra confortadora e passes de refazimento, informando-me que se tratava de uma entidade suicida, que adentrou os portões da morte ingerindo soda cáustica e que se aproximara de mim por afinidade vibratória, pois era também, quando encarnado, um pesquisador do mundo espiritual.
Levaria ainda vários minutos até que pudesse me recompor. Entretanto, minha mente fervilhava: mas, então, o que senti foi a simples aproximação de um espírito? A hora, no entanto, não comportava maiores esclarecimentos. Era preciso aguardar o fim dos trabalhos.
Para minha surpresa, nada me foi esclarecido. Precisei aguardar o próximo trabalho público, quando, finalmente, o Pai Cipriano incorporou-se, ao final, para desfazer as minhas dúvidas.
A entidade, que normalmente tinha aspecto sério, esboçava um sorriso e dava gostosas gargalhadas. Chamou-me para conversar, dizendo:
- Recuperou do susto?
- Sim, mas não entendi o que aconteceu – respondi.
- Ué, você incorporou...
- Mas, como? O senhor me disse que eu não servia para incorporar!?
Ele baforou seu cachimbo, bebeu um gole de vinho e disse:
- Se eu tivesse dito, naquele tempo, quando você chegou ao terreiro cheio de preconceito e curiosidade, que você iria incorporar na Umbanda, você teria acreditado?
Meditei alguns segundos e respondi:
- Não, creio que não acreditaria.
- Por isso eu disse que você não servia para incorporar – e rindo, continuou – agora você serve!
Ali, aprendera mais uma lição: tudo tem seu tempo, inclusive, a verdade!
Leonardo Montes
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