sábado, 5 de dezembro de 2020

COMPORTAMENTO NO TERREIRO: DIFAMAÇÃO

lingua ferina

Penso que a difamação é uma das piores coisas que se pode fazer em relação a outra pessoa. Ela é cruel, bem pouco realista, mas como nasce das entranhas, quase sempre arrebata multidões (e as redes sociais e seus "cancelamentos" aí estão para provar), de modo que precisamos refletir seriamente sobre isso.

Para dar uma ideia mais precisa do quanto acho desastrosa a difamação, vou contar, resumidamente, uma experiência vivida por mim e que, graças a Deus, já se resolveu e, por esta razão, não entrarei em maiores detalhes, porque o importante é o onde quero chegar.

Houve um momento em que decidi me afastar do terreiro em que trabalhava. Pensei seriamente nos problemas (de ordem humana) que a casa enfrentava e decidi que não era mais possível continuar.

Conversei sobre isso com uma das entidades que se manifestavam no médium-dirigente, ela concordou com meus argumentos e então resolvi partir.

Foi uma das coisas mais difíceis que fiz, porque amava o terreiro com todo o meu coração... Não sai sozinho, outras pessoas também se afastaram por escolhas próprias.

Porém, sai sem brigar com ninguém, sem destratar a ninguém, sem falar mal de ninguém, simplesmente, segui a minha jornada.

Para minha surpresa, contudo, alguns dias depois, percebi que algumas pessoas desta casa e que faziam parte de um dos meus grupos de Whatsapp (e quem me acompanha há mais tempo sabe que tive vários), começaram a fazer algumas postagens estranhas que pareciam me alfinetar.

Achei aquilo tudo estranhíssimo, afinal, eu não briguei com ninguém em minha saída. Contudo, logo depois, uma a uma, elas saíram do grupo e dei o caso por encerrado.

Alguns dias depois, minha esposa me mostrou uma publicação feita na página do terreiro (que, semanas antes, era administrada por mim, diga-se...), e aquilo me deixou completamente atordoado.

Havia uma postagem completamente mentirosa, agressiva e raivosa direcionada não apenas a mim, como também a outras pessoas que saíram da casa.

Aquilo me doeu de várias formas: primeiro, porque era a página do terreiro. Página que servia para divulgar os trabalhos, trazer textos sobre espiritualidade, não para atacar pessoas e, em segundo lugar, pelo texto mentiroso que ali estava exposto, uma vez que tinha a certeza de ter sido uma pessoa exemplar em minha conduta no terreiro.

Naquele ponto, percebi que a minha saída, embora sofrida para mim, fora um certo livramento, pois a perturbação havia se instalado fortemente na casa.

Resolvi relevar o assunto e segui com a minha vida.

Dias depois, comecei a receber mensagens por Whatsapp de amigos, antigos membros da casa e mesmo de alguns frequentadores que tentavam entender o teor daquelas mensagens difamatórias e foi ali que percebi que não se tratou apenas de uma mensagem postada na página, mas diversas. Porém, eu não as conseguia ver, pois estava bloqueado, mas eles me enviaram alguns prints e era uma mensagem pior do que a outra.

Confesso: eu fiquei com muita raiva!

Pensei muito no que fazer... Alguns até me passaram contato de um advogado que poderia intervir, dada a gravidade do caso.

No entanto, o que mais me doeu, foi ver nos comentários pessoas que, semanas antes, me procuravam dizendo que adoravam as minhas explicações, que amavam os meus conteúdos e que ali, publicamente, endossavam aquelas mentiras todas (a página era enorme, cada publicação tinha centenas de comentários, dezenas de compartilhamentos).

Não me doeu tanto ver as mentiras que estavam sendo ditas a meu respeito (outras pessoas também foram difamadas, mas a obstinação principal era comigo), pois estava claro para mim que a perturbação havia se instalado em alguns corações previsíveis, mas ver aqueles comentários realmente me afetou e ali  compreendi uma verdade que ainda hoje vejo com muita clareza: o caminho da Umbanda é muito bonito, mas é recheado de ingratidão do começo ao fim.

Diante de tudo isso, precisei me afastar e me acalmar. Rezei muito, pedi muita inspiração aos guias, lembrei-me do exemplo de Chico Xavier que só fez o bem e levou pedrada a vida inteira e, com muito custo, consegui relevar.

Agradeci aos amigos o interesse fraterno e pedi que não me falassem mais no assunto, não me mandassem prints nem nada. Simplesmente, passei a ignorar o ocorrido – seguramente, foi a prova mais difícil que já vivenciei até hoje.

Para resumir, é preciso dizer que as difamações continuaram, não apenas pelo facebook, mas também pelo Whatsapp, mais de um ano depois de me afastar do terreiro. Várias pessoas que participavam dos meus grupos, influenciadas pelas difamações e pela pessoa causadora de todo esse alvoroço, acabaram saindo e algumas até me ofenderam no particular (novamente: pessoas que sempre ajudei).

O tempo fez o seu trabalho e os anos se passaram. Um dia reencontrei as pessoas do antigo terreiro. A que mais me feriu e causou toda essa onda de perturbação pediu perdão, explicou seus motivos (que apenas confirmaram que se tratou de uma perturbação espiritual forte, pois eram injustificáveis) e tudo foi resolvido, embora cada um tenha seguido o seu caminho e a confiança que um dia eu tive, provavelmente, só com o véu do esquecimento na próxima reencarnação para ser reconstruída...

Porém, posso dizer que “o meu final” foi feliz, já que eu perdoei, esqueci aquilo tudo e segui com a minha vida (tanto é que é a primeira vez que falo abertamente no assunto, quase seis anos depois do ocorrido).

Mas, nem todos conseguiram...

Algumas pessoas envolvidas no caso e que foram também difamadas até hoje não perdoaram. Outras saíram da casa e nunca mais vestiram o branco. Decidiram se afastar em definitivo da religião...

Percebem a tragédia que a difamação se torna?

Portanto, aqui vai o ponto fundamental do texto:

a)   Se você é um médium ou cambone de algum terreiro e, por alguma razão, não está contente com a casa, simplesmente, peça licença, agradeça o chão em que um dia você bateu cabeça e vá embora. Não perca um minuto da sua vida falando mal deste terreiro, do dirigente ou de seus antigos colegas: o seu tempo ali chegou ao fim, siga adiante;

 

b)   Se você é médium ou cambone de uma casa e, por alguma razão, alguém que era da corrente saiu, simplesmente, esqueça esta pessoa. Tenha sido um ótimo ou um péssimo filho da casa, ela seguiu o caminho dela. Para todos os efeitos, é como se ela nem mais existisse para você;

 

c)    Se você é dirigente de uma casa, nunca esqueça que sua responsabilidade é enorme. Se você usar sua posição e influência para difamar alguém, a lei do retorno fará com que, um dia, seja você o assunto da vez, portanto, não siga por este caminho, pois além de trair seus votos espirituais, você pode atrapalhar a vida de alguém e, pior, pode ser a causa da destruição da fé de outras pessoas e a vida lhe cobrará caro cada lágrima que injustamente você causar aos outros.

O mesmo vale também para os frequentadores que, por qualquer razão, justa ou injusta, adquiriram antipatia a um médium ou mesmo a um terreiro.

Se alguém lhe pedir indicação de uma casa, você não precisa falar mal das outras até chegar na que recomenda: simplesmente, ignore as que você julga ruim e recomende as boas... Simples assim!

A difamação destrói vidas e a fé das pessoas.

Eu fico imaginando, por exemplo, alguém que possua conduta difamatória e que, repentinamente, desencarne, chegando ao mundo espiritual com a lembrança de que seu último ato na vida terrena foi difamar alguém. Deve ser muito triste...

Neste texto, foquei o universo religioso, mas você pode refletir sobre os desdobramentos da difamação em todos os sentidos: em casa, no trabalho, em relação aos vizinhos, nas redes sociais, etc.

Leonardo Montes

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