segunda-feira, 29 de junho de 2020

O ENFORCADO ENDURECIDO

enforcamento
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Certa vez, um preto-velho e uma preta-velha conversavam sobre os suicidas. A preta mostrava-se muito sensibilizada pela condição de sofrimento dos irmãos que recorrem ao próprio extermínio quando pediu à espiritualidade superior para ir ao “Vale dos Suicidas”, a fim de auxiliá-los.

Os maiores autorizaram.

Tão logo chegaram naquela atmosfera densa e escurecida, onde diversos espíritos rastejavam pelo chão, gritando loucamente, parecendo vagar a esmo, um se destacou.

Pendurado numa árvore próxima, cuja vida parecia ter sido levada há tempos, um homem de aparência cadavérica agonizava tentando arrancar a corda do seu próprio pescoço. A corda estava presa a um galho que balançava conforme a brisa gélida...

Diante daquele quadro de horror, a bondosa preta-velha não pensou duas vezes e libertou o homem.

Caído de joelhos ao chão - num esforço grandioso por respirar - e demonstrando intensa agitação física e psíquica, a Vó mobilizou recursos magnéticos de reconforto. Em instantes, a agitação cessara.

Lentamente, o homem parecia recobrar suas forças. Arrancou a carda do pescoço, recuperou o brilho no olhar, mirou-a e disse:

- Por que você fez isso?

Surpreendida, a Vó só teve tempo de dizer:

- Pensei que suncê queria ajuda, que tava sofrendo...

Nesse instante, o homem se levanta e diz:

- Não! Deixa-me aqui, quieto! Minha família é um desgosto, minha vida foi uma desgraça, não tenho nada pelo quê lutar... Minha vida é tão ruim que me enforcar é meu maior prazer!

Atônitos, os Velhos viram aquele homem recobrar o aspecto enlouquecido em sua face e, lentamente, andar de costas, subir a árvore, amarrar a corda em seu próprio pescoço e pular novamente como se quisesse se matar uma outra vez.

Entristecidos, ambos compreenderam que os desígnios de Deus são sábios e que todo sofrimento tem a sua razão de ser e que, um dia, ele também seria ajudado, embora ainda houvesse chegado a sua hora...

"Entre os endurecidos, não há somente Espíritos perversos e maus. Há muitos que, sem procurar fazer mal, ficam para trás por orgulho, indiferença ou apatia. Não são menos infelizes por isso, pois sofrem tanto mais com sua inércia quanto não têm por compensação as distrações do mundo; a perspectiva do infinito torna sua posição intolerável, e, no entanto, eles não têm a força nem a vontade de sair disso. São aqueles que, na encarnação, levam essas existências ociosas, inúteis para eles mesmos e para os outros, e que muitas vezes acabam por se suicidar, sem motivos sérios, por desgosto da vida." O Céu e o Inferno - Allan Kardec

 Assim me contou o Pai Cipriano...

Leonardo Montes


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quarta-feira, 10 de junho de 2020

OFERENDAS NAS ESCRUZILHADAS ERAM PARA ESCRAVOS FUGITIVOS?

oferendas
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Ninguém sabe, muito bem, o que faz um conteúdo viralizar. Pessoalmente, penso que seja uma combinação de fatores: conteúdo certo, na hora certa.

 

Eu já tive alguns conteúdos viralizados: reflexões como “Ida ao Umbral” ou “Técnicas para incorporar melhor”, explodiram em número de visualizações em poucas semanas e textos como: “Quaresma: quando abrem os portões do Umbral”, não apenas viralizararam, como foram copiados, alterados e divulgados com nomes de outros autores (eu nem imagino a cara de pau de alguém que coloca seu nome num texto alheio).

Há uns três anos começou a circular na internet um texto que supostamente explicava a origem das oferendas nas encruzilhadas. O texto a que me refiro é este:

"De acordo com o professor Leandro (historiador da UnB) as oferendas deixadas nas encruzilhadas era uma forma dos negros alimentarem seus irmãos escravos que estavam fugindo dos feitores.

Os pretos escolhiam lugares estratégicos por onde escravos fugitivos passariam e colocavam comida pesada; carne, frango e farofa porque sabiam da fome e dos vários dias sem comer desses indivíduos e deixavam também uma boa cachaça pra aliviar as dores do corpo e dar-lhes algum prazer na luta cotidiana.

As velas eram postas em volta dos alimentos pra que animais não se aproximassem e consumissem o que estava reservado para o irmão em fuga e aí surge o que todos conhecem como macumba. O rito permanece sendo realizado pelas religiões afro como forma de agradecimento e pedidos aos seus ancestrais e em homenagem a seus santos.

A cultura branca e eurocêntrica foi quem desvirtuou a prática, para causar medo, terror e abominação e reforçar os preconceitos e discriminações contra os negros. Não tenho religião e não pratico nenhum culto mas gosto de saber que já houve tanta solidariedade no mundo e que as pessoas se preocupavam muito umas com as outras a ponto de fazerem um esforço pra alimentarem alguém mesmo sem conhecerem o seu rosto. Hoje vejo tanta gente em igrejas e igrejas em tantos lugares servindo apenas como instrumento de manipulação e exploração da fé alheia para manutenção do poder. Enfim nós não evoluímos."

Segundo o que apuraram vários sites, o que houve foi o seguinte: este professor fez um comentário durante a apresentação de um TCC e uma pessoa presente escreveu o texto a partir do que entendeu sobre a fala do mesmo.

Entretanto, fica evidente que o entendimento da pessoa sobre esta questão está completamente equivocado. Vamos fazer uma análise simples:

1) Se existissem rotas conhecidas para fuga dos escravos a ponto de outros escravos (cuja movimentação era bastante reduzida) conhecerem, por que os fazendeiros não armavam emboscadas?

2) O tempo de queima de uma vela é de cerca de duas horas. Então, esta suposta “proteção” duraria pouco tempo e seria extremamente difícil que os escravos fugitivos passassem justamente por ali, neste intervalo;

3) Onde os escravos conseguiam alimentos, cachaça e vela para disponibilizar nas encruzilhadas?

E por aí vai.

Contudo, nem precisamos fazer esta análise. O texto é simplesmente um erro de interpretação de quem ouviu uma fala, retirou-a do seu contexto e teve o seu texto viralizado em redes sociais, copiados por centenas de páginas e perfis sem citar à fonte de tal modo que sua origem se perdeu.

O que encontramos hoje são apenas reproduções do texto original.

As oferendas nas encruzilhadas remontam a cultos antiquíssimos. Cada Orixá tem o seu “ponto de força”, como a pedreira para Xangô, a cachoeira para Oxum, a mata para Oxóssi e a encruzilhada para Exu.

Portanto, trata-se de uma Fake News. 

Leonardo Montes

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segunda-feira, 8 de junho de 2020

sábado, 6 de junho de 2020

VISITA CELESTE



espírito de luz, anjo, ser de luz
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Muitos ignoram que o mundo espiritual, embora presidido por leis sábias do Criador, exige imenso trabalho dos espíritos comuns. Assim, todo trabalho espiritual é sempre um corre-corre de espíritos buscando dar o melhor de si mesmos na edificação de tempos novos para a humanidade...

Naquele dia, porém, a atmosfera estava diferente. Era um trabalho de psicografia, tão comum a dezenas de outros já presenciados. As cartas vieram, uma a uma, trazendo alegrias e conforto aos familiares presentes. Tudo dentro da normalidade, se não fosse um inesperado visitante.

Vindo, talvez, de altas esferas espirituais, um mensageiro divino desceu e trouxe uma palavra de estímulo e confiança aos trabalhadores espirituais e aos espíritos na carne, como nós.

A sua mensagem, em tudo, muito simples, tão comum a tantas outras que nossos orientadores já nos disseram dezenas de vezes. Em nada se diferenciava, a não ser pela sublime assinatura que surpreendeu a todos.

Posteriormente, os espíritos nos narraram o que se passou, mais ou menos nesses termos:

- Ao fim do trabalho, vimos uma luz descer do alto com um brilho tão intenso que nenhum espírito ali presente conseguia olhar diretamente. Os mais inferiores tiveram mesmo que sair do recinto, pois não conseguiam suportar aquela claridade. Mesmo os mais elevados mentores que conduziam o trabalho curvaram a cabeça em respeito, mas também por não conseguirem olhá-la diretamente. O visitante esforçou-se o quanto pôde para ocultar a própria luz, mas mesmo assim, ainda era forte demais para ser encarada.

O nome dessa veneranda entidade, bastante conhecida em todo o Brasil, ocultarei. Peço desculpas aos nossos leitores que talvez se aborreçam com isso. Dizê-lo causaria, a meu ver, apenas contenda, de modo que me parece mais acertado simplesmente informar que se trata de um dos maiores trabalhadores do evangelho em nosso planeta.

Bom, surpresos? Na verdade, todos ficamos!

Achamo-nos sempre pequeninos demais para merecer esta graça.

Um mensageiro do alto entre nós, numa reunião tão simples? Absurdo, disseram alguns... Mas, será mesmo? Não prometeu Jesus que onde houvessem pessoas reunidas em seu nome ele ali estaria?

Bom, não era Jesus, mas um trabalhador da sua vinha, um espírito que escreveu uma carta muito simples, dando-nos ânimo e coragem em lições que há tempo conhecíamos e em que ele se destacou por tê-las cumprido com honra e mérito.

Leonardo Montes


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