domingo, 24 de maio de 2020

DEVOLVER DEMANDA?

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Eventualmente, alguém me pergunta se é certo devolver demanda? Antes de responder, porém, é preciso explicar o que seja demanda para quem é leigo no assunto.

A palavra demanda, no contexto da Umbanda, significa uma carga energética negativa enviada por alguém, seja este alguém um espírito ou uma pessoa encarnada.

Demandas são relativamente comuns e, ao contrário do que muitos pensam, não são geradas apenas por médiuns que atendem em lugares lúgubres, todos de preto com um caldeirão e coisas do tipo.

A demanda pode ser gerada simplesmente por um pensamento de raiva profundo.

Quando fixamos alguém com ódio, os pensamentos gerados no calor das emoções, são enviados automaticamente em direção a pessoa como uma flecha (daí a recomendação das entidades sempre em relação a oração e a vigilância).

Se a pessoa-alvo estiver vulnerável espiritualmente, fragilizada emocionalmente, com sua mente conturbada, enfim, com qualquer tipo de vibração negativa, o pensamento lhe atingirá em cheio e poderá provocar uma série de problemas, como desânimos repentinos, cansaço excessivo, irritabilidade, flutuabilidade das emoções, etc.

Eu diria – chutando -, que 98% das demandas reais (porque existem as imaginadas....) são geradas por desafetos encarnados num momento de raiva (e todos estamos sujeitos a eles) ou por obsessores. Muito, muito, muito raramente as demandas são fruto de algum trabalho que alguém fez para nos prejudicar (até porque, geralmente, não somos tão importantes assim na vida do outro, a ponto de alguém gastar centenas ou mesmo milhares de reais apenas para nos prejudicar, embora seja possível).

Tendo explicado tudo isso, voltemos a questão original: terreiro de Umbanda não devolve demanda. Terreiro de Umbanda CORTA demanda, é diferente.


"Eu quero ver os baianos de Aruanda, trabalhando na Umbanda, pra demanda não vencer". (Ponto de Baianos)

Ainda assim, contudo, já tive muitas notícias de pessoas que estiveram em algum terreiro, souberam que alguém estava demandando contra elas e, com surpresa, foram interpeladas pelas entidades perguntando se gostariam de anular ou devolver a demanda?

Esta segunda opção não deveria existir!

Em casa séria, de respeito e caridade, como se pode propor algo assim? Será animismo dos médiuns? Creio que sim...

Estranho, igualmente, terreiros em que “as entidades”, mediante a queixa do consulente, logo dizem: é seu pai que está demandando ou é seu chefe ou é sua melhor amiga ou coisas assim.

Muito antes de conhecer a Umbanda, trabalhei com um rapaz que queria matar uma mãe de santo. Segundo o mesmo, sua namorada havia se consultado com a tal mãe e esta lhe disse que ele a traía. Desconfiada, a moça resolveu pôr fim ao relacionamento. O rapaz, que dizia nunca a ter traído, ficou tão furioso que queira dar um tiro na dita mãe... Havia, inclusive, conseguido a arma emprestada e com muito custo convencemos (eu e outros colegas) a esquecer o assunto...

Já vi – dezenas de vezes – pessoas com seríssimos problemas espirituais sendo tratadas no terreiro sem que as entidades lhes dissessem a causa de seus males.

Bem, mas por que não diziam?

- Pra não colocar minhoca na cabeça de gente perturbada, me disse certa feita uma entidade...

Umbanda é amor, caridade e perdão!

Umbanda não faz e não devolve demanda. Umbanda anula demanda. Descarrega demanda. Fortalece a pessoa atacada, instrui, ensina os caminhos para que ela se fortaleça, mas nunca, em hipótese alguma, devolve a pedra atirada...

“Contudo, tenho a declarar a vós outros que me estais ouvindo: amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam; abençoai aos que vos amaldiçoam, orai pelos que vos acusam falsamente”. Lucas 6:27

É por isso que a imagem de Jesus está em todos os terreiros. Ele é nosso mestre e seus ensinos, nossa meta.

Leonardo Montes

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quarta-feira, 20 de maio de 2020

sábado, 16 de maio de 2020

LIBERDADE DE EXPRESSÃO NA INTERNET

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Estudo sobre a espiritualidade desde 2001 e, deste então, uso a internet tanto para aprender quanto para ensinar sobre isso. Nestes quase 19 anos de caminhada, porém, muita coisa mudou.

A internet foi de uma “terra selvagem”, sem lei, a um ambiente altamente diversificado e focado em redes sociais que, a princípio, democratizaram o acesso à informação e a liberdade de expressão, mas com certos limites.

E não falo aqui dos limites em que a liberdade de expressão ofende alguém, estas coisas. Falo dos limites que os donos destas plataformas impõem às pessoas, censurando vídeos sem critérios muito bem definidos.

Em 2018, passei por uma experiência que me irritou tanto que fez com que eu excluísse a página Voz Espiritualista do facebook. Basicamente, o que acontecia era o seguinte: toda vez que eu postava alguma reflexão na página e da página compartilhava nos grupos, o facebook entendia que eu estava praticam “spam”, mesmo compartilhando em poucos grupos, bloqueando a minha conta.

A desculpa era a minha segurança, mas eu quase perdi a minha conta. Naquela época, o sistema que o facebook usava para verificar que “realmente era eu quem estava usando a conta”, era escolher aleatoriamente a foto de cinco amigos do perfil, pedindo que identificasse os nomes de cada um.

O problema é que sempre aceitei todos que pediam amizade, nem sempre mantendo contato. Se errasse algumas vezes, a conta era bloqueada e teria que enviar cópias de documentos para provar a minha real identidade.

Quando quase perdi acesso à conta, resolvi excluir a página. Não sei se este sistema ainda vigora, por que quando compartilho pelo meu perfil não tenho este problema.

Agora em 2020, outro fato profundamente irritante me ocorreu e foi a gota d’água para encerrar o canal Voz Espiritualista (eu já pensava em aposentá-lo).

Em 04/04/2020, recebi uma notificação do Youtube dizendo que um vídeo do canal, chamado: Posso ser umbandista sem frequentar terreiros? (postado em 2018), infringia as regras da plataforma por ser “conteúdo nocivo ou perigoso”.


Levei um baita susto.

Ouvi três vezes o áudio para ver se falei alguma coisa indevida, algum palavrão e o vídeo não tinha absolutamente nada errado. Era um tema até bobinho...

Fiz a contestação, informando que até mesmo a imagem que usei de fundo no vídeo era de minha autoria e que não havia nada que parecesse “nocivo ou perigoso”.

A minha apelação foi rejeitada e o vídeo foi excluído.

Como ser humano e espírito em marcha, confesso que fiquei com muita raiva. Senti-me impotente e pensei: se quisessem, eles poderiam excluir o canal inteiro e eu simplesmente não poderia fazer nada sobre isso.

O que provavelmente aconteceu foi que o vídeo recebeu muitas denúncias (é uma ferramenta que o Youtube disponibiliza).

Eu já havia tido problemas com o vídeo “Ida ao Umbral”, cujo link fora jogado num fórum evangélico, o que fez a audiência subir muito – 174 mil visualizações, mas que me trouxe também muita dor de cabeça por uma série de comentários agressivos, o que fez com que eu bloqueasse comentários neste vídeo.

Suponho que algo semelhante tenha acontecido neste caso e apesar de ter sido apenas um vídeo, num mar de 592 outros, eu fiquei realmente muito irritado, pois o vídeo estava no ar há dois anos e não havia absolutamente nada de ilegal no mesmo.

Perceba: o problema não é terem apagado UM vídeo e deixado os outros 592 no ar, o problema foi terem apagado um vídeo que NÃO tinha nada errado.

Muitos outros canais passaram por isso, mesmo canais grandes e, acredite, é profundamente frustrante para um produtor de conteúdo ter qualquer coisa sua excluída sobre uma argumentação falsa...

É frustrante pensar que se um vídeo recebe muitas denúncias, como no exemplo citado, em que provavelmente houve uma ação orquestrada de um grupo coeso, os revisores de conteúdo simplesmente apaguem sem levar em conta a sua contestação.

Esta é uma das razões que me fizeram voltar para a produção de textos, pois pelo menos no universo dos blogs, eu nunca soube de algum tipo de censura... Contudo, veremos como será o futuro que, ao que tudo indica, não caminha bem no que se refere à liberdade de expressão na internet.

Hoje, soube de um canal, com mais de um milhão de inscritos, e que provavelmente será deletado, pois o Youtube considera o conteúdo como “teoria da conspiração” e eu gostaria de falar um pouco sobre isso.

Eu cresci ouvindo a famosa frase atribuída a Voltaire: “Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o direito de dizê-la”. Sempre achei lindo este pensamento e sempre o trouxe comigo.

Quem acompanha os grupos do Whatsapp, por exemplo, sabe que nunca censurei nenhum assunto nem impedi qualquer tipo de compartilhamento de conteúdo sobre espiritualidade (a exceção fica por conta das enquetes, não pelo conteúdo, mas pelo formato, já que visa apenas polêmica), mesmo que não concordasse com absolutamente nada do que era repassado nos grupos, por exemplo.

Penso que as pessoas são livres e têm o direito de acreditarem no que quiserem. Algo visto como uma “teoria da conspiração”, por uns, pode ser o fundamento de uma crença, para outro. Como julgar?

Eu sei que existem conteúdos perigosos na internet, como os conteúdos “anti-vacinas” (e aqui talvez vocês discordem de mim), mas eu defendo que estas pessoas tenham a liberdade de dizerem porque são contra as vacinas, inclusive, podendo produzir vídeos, textos, podcasts, sobre isso.

Eu estou bastante ciente do dano que isso pode causar, mas não acho que a censura seja o caminho. Aliás, cada vez que um canal ou uma página sobre “conspirações” são deletados, isso apenas reforça a crença deles...

E, não: eu não defendo uma liberdade absoluta ao ponto em que o indivíduo possa, em nome da liberdade de expressão, ofender, difamar ou coisa semelhante... Eu defendo o direito de as pessoas pensarem e dialogarem sobre o que quiserem sem que um outro (robô, funcionário ou dono de plataforma), por qualquer razão, simplesmente intervenha e apague tudo o que levou anos para ser construído.

Na verdade, quando penso nas razões que levam alguém a crer que vacinas sejam ruins, que a Terra é plana ou que o homem nunca pisou na lua, sou forçado a crer que isso se deve a um processo de destruição lenta e progressiva da educação, começando pela desvalorização da escola e do papel do professor.

Portanto, penso que censurar vídeos ou excluir canais, seja a forma menos eficaz para impedir o avanço de ideias perigosas ou destrutivas. Se a educação fosse realmente valorizada, o conhecimento científico ensinado às crianças desde cedo, não teríamos que nos preocupar com qualquer ideia estranha ou “conspiratória”, pois as pessoas teriam mais ferramentas para analisar e discernir.  

Para encerrar este texto (que já está muito longo), penso na imparcialidade dos revisores de conteúdo das grandes plataformas. Eles realmente analisam o conteúdo? Se sim, por que excluíram um vídeo que não continha nada de errado? Este revisor estava atolado de serviço e resolveu simplesmente clicar em “rejeitar” ou ele tinha um viés religioso que o fez chegar a esta decisão?

Hoje são os canais de “conspirações”, amanhã poderão ser os de Umbanda. Será que fui tomado pelas teorias conspiratórias? Não. Penso nos mais de 300 anos de escravidão, no código penal de 1890, na falta de reconhecimento da Umbanda como religião até meados de 1940, na demonização das entidades até bem pouco tempo atrás em rede nacional e em outras tantas coisas mais e não me surpreenderia se, amanhã ou depois, alguém alegasse, por qualquer razão, que os conteúdos de Umbanda também violam as diretrizes de alguma plataforma...

Leonardo Montes

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sexta-feira, 15 de maio de 2020

domingo, 10 de maio de 2020

sexta-feira, 8 de maio de 2020

ORIENTAÇÃO SEXUAL E A UMBANDA

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Uma pessoa me perguntou:

- É um problema para a Umbanda o fato de haverem pessoas homossexuais, travestis, transexuais?

E eu lhe respondi com tranquilidade:

- Não, nenhum.

E não respondi como quem teoriza de longe, mas como quem já dividiu espaço no terreiro com pessoas de diversas orientações sexuais, nunca tendo recebido, por parte das entidades, qualquer tipo de restrição neste sentido.

Quando uma pessoa chega num terreiro, ninguém pergunta a sua crença, classe social, viés político, time de futebol, por que a sexualidade de alguém interessaria a outro?

Este é um assunto íntimo, interessando apenas a própria pessoa.

A Umbanda olha o ser humano e é por esta razão que não há qualquer relação entre a orientação sexual de alguém e o fato dela ser médium ou cambone numa casa.

Então, esta pessoa me perguntou:

- Mas, e se alguém que nasceu homem e hoje se veste e se define como mulher for convidado a trabalhar num terreiro, ele vestirá saia ou calça cumprida?

Antes de responder, deixe-me explicar uma coisa.

É tradição, na Umbanda, que os homens usem calça cumprida e as mulheres saia, por isso a pergunta, cuja resposta foi:

- Se a pessoa se sentir mulher, usará saia.

Ela pode ter nascido biologicamente homem, mas se hoje se apresenta como mulher, usará saia.

Este é apenas um detalhe, pois não são as calças e saias que importam. A roupa é apenas parte de uma indumentária que tem a sua razão de ser dentro de um ritual... Porém, o mais importante é a pessoa, o ser humano!

A sexualidade é da conta de um: seja hetero, homo, trans, não importa!

As entidades apenas nos alertam sobre os perigos de uma sexualidade desequilibrada, perturbada, sempre nos concitando à harmonia, independentemente da nossa orientação sexual.

É claro que estes assuntos são tabus para a maioria das religiões, mas posso assegurar que, para a Umbanda, é um assunto bastante simples, como exposto acima.

Leonardo Montes

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quarta-feira, 6 de maio de 2020

O OUTRO LADO DE TODA HISTÓRIA

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Certa vez o Velho me disse:

“Não adianta as pessoas chegarem aqui chorando se, por dentro, estão morrendo de rir... A gente sabe”.

Ali concluí duas coisas.

A primeira é que as entidades conseguem penetrar fundo em nossa vida mental, sabendo a verdade sobre o que pensamos, embora verbalmente possamos dizer outra coisa...

A segunda é que, por incrível que pareça, muita gente mente nos atendimentos espirituais.

O que leva as pessoas a mentir?

São muitas razões, embora, quase sempre, a mais comum seja a conveniência na narrativa dos fatos.

Não se vê muita gente disposta a se desnudar e a assumir, perante as entidades, as faltas cometidas em seu dia-a-dia, sendo mais fácil “comer pelas beiradas”, sem se expor tanto...

Lembro-me de uma senhora que comparecia aos trabalhos (e digo comparecia, pois não comparece mais) e que sempre pedia ajuda em relação a sua família.

As entidades, com uma paciência de fazer inveja, ouviam, aconselhavam, direcionavam...

Certo dia, porém, o Velho me disse:

- Veja, ela está reclamando da família, mas ela é quem faz um inferno na família.

- Mas, ela está mentindo? Perguntei...

- Ela se acostumou tanto a se vitimizar que já não faz mais distinção entre o que de fato acontece e o que ela imagina. Ela quase sempre culpa os outros dos erros que ela mesma comete...

Era um caso de mentira crônica...

Porém, quem lhe ouvisse as lamentações, certamente ficaria tentado a mover céus e terras para auxiliá-la. É neste ponto que precisamos ter cuidado.

Por esta razão, todo trabalhador de terreiro deve procurar sempre manter os olhos e ouvidos bem abertos, evitando tomar partido de causas sem ponderar com tranquilidade, pois pode acabar comprando “gato por lebre”.

Leonardo Montes

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