terça-feira, 7 de abril de 2020

EU NÃO PRESTO

Imagem do google

Há muito tempo, recebemos no terreiro uma senhora que parecia muito debilitada. Estava magra, pálida, pisava torto, tinha um braço sempre junto ao corpo e seu pescoço pendia para o lado esquerdo.

Cada médium aquela noite sentiu uma estranha e negativa vibração no ar. A concentração foi difícil, a incorporação, mais ainda. Os pretos-velhos vieram, as pessoas foram atendidas e aquela senhora ficou para o final.

A preta-velha que comandava os trabalhos posicionou alguns médiuns em locais específicos e logo passaram a receber entidades inferiores, vociferantes, habitantes das trevas mais profundas...

Terminada a onda de manifestações, desceu o caboclo-chefe que passou a dar passes na enferma. Gradativamente, o aspecto fisionômico da senhora foi se modificando. O braço e a perna voltaram ao normal e, na sequência, o pescoço.

Terminado o passe, o caboclo disse que ela poderia ir embora e, ante nossos olhos, aquela mulher que, duas horas antes, entrou toda torta no terreiro, saiu andando normalmente.

Todos respiraram aliviados.

Posteriormente, soubemos que aquela mulher havia chegado a nossa casa acompanhada por dezenas de entidades, o que causou enorme desgaste em nossos guias para poderem realizar aquele trabalho.

Atônitos, perguntamos o que ela fez para merecer tanto empenho inferior e nos foi respondido que era uma mulher muito ambiciosa e invejosa e que para conseguir satisfazer seus desejos, pulava de casa em casa, dessas que não se importam em fazer o mal, prometendo o que tinha e o que não tinha às entidades, igualmente inferiores, para realização de seus desejos mais insanos.

Conseguiu algumas coisas, outras não. Mas, em todo caso, nunca “pagou” o que prometera às entidades.

Não há perdão entre espíritos dessa classe. Eles são incapazes de sentir compaixão pelo outro. Só a lei do “quem pode mais” vigora e, quem promete, deve pagar...

*

Soubemos, posteriormente, que tão logo adentrou o carro para ir embora, essa senhora virou-se para uma amiga que a aguardava e disse em alto e bom tom:

- Eu não presto. Mereço tudo de ruim que acontece comigo... E, se precisasse, faria tudo de novo.

Nunca mais a vimos.

Leonardo Montes

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