sábado, 28 de março de 2020

VAMPIRISMO

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Estávamos reunidos em torno do exu Sr. Catatumba, quando nos pediu que fosse colocado meio copo de uísque em outro copo que trouxe para perto de si.

Ante nossa curiosidade natural, disse:

- Esse copo será vampirizado pelo exu da porteira. Como seu aparelho não veio, ele vai absorver diretamente do copo, por que precisa dessa energia para realizar seus trabalhos de proteção a casa e ao seu aparelho.

Alguns minutos depois, pediu que tomássemos um gole do uísque diretamente da garrafa e, em seguida, um gole do copo que estava separado e disséssemos se notaríamos alguma diferença.

Todos tiveram a mesma impressão: o copo separado parecia conter menos da metade do álcool da bebida da garrafa, estava menos forte!

Foi então, que o exu prosseguiu:

- Este uísque do copo está mais fraco por que foi vampirizado. A energia do álcool foi retirada dele quase completamente, sobrando apenas o caldo. Quando vocês bebem e ficam tontos não é apenas a bebida, em si, que causa este efeito, mas a energia densa que ela carrega.

E virando-se para mim, disse:

- Anota aí, para suas pesquisas.

E assim foi anotado.

OBS.: Salve Sr. Catatumba, a quem muito devo! 

Leonardo Montes
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quinta-feira, 26 de março de 2020

A PALAVRA DE UM EXU

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Todos sabem que os exus têm fama de serem diretos, ásperos, às vezes, agressivos em seu linguajar quando se trata da verdade. Não há meias palavras com eles: perguntou, respondem.

Certa noite, um consulente procurou o auxílio de um médium iniciante e ainda bastante inseguro quanto ao próprio dom. O consulente se mostrava aflito, embora calado. Rapidamente, seu exu identificou o problema: seu irmão.

Amargas lembranças pesavam no coração do mesmo em relação ao próprio irmão!

Como sempre, a conversa da entidade fora séria, sem rodeios. Mas, o que poderia simplesmente parecer um cutucar de feridas mostrou-se uma excelente reflexão para todos.

O que disse foi mais ou menos o seguinte:

- Você está começando a desenvolver e um dia vai trabalhar na Umbanda. O que adianta vir para o terreiro se o seu coração está com tanta mágoa? Você não está aqui para melhorar, evoluir? Não conseguirá fazer isso sem perdão. É preciso perdoar seu irmão...

Após uma longa conversa o consulente se despediu, algo cabisbaixo.

Posteriormente, porém, soubemos que ele aceitara a empreitada do perdão. Procurou o irmão depois de 11 anos, fazendo as pazes! 

Outras entidades já o haviam alertado sobre a necessidade do perdão, porém, naquela noite, a palavra de um exu teve peso diferente. 

Leonardo Montes 
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quarta-feira, 25 de março de 2020

AS FASES DO DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO


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O desenvolvimento mediúnico ocorre, basicamente, em três fases: irradiação, incorporação e firmeza. Não há tempo mínimo ou máximo para que ocorra, embora, normalmente, as pessoas se desenvolvam no período de um a três anos em nossa casa, com desenvolvimentos quinzenais.

Descreverei o que aprendi nestes anos de observação, acertos e erros no processo de desenvolvimento.

IRRADIAÇÃO

É a fase inicial do processo e consiste, basicamente, no envolvimento energético da entidade para com o médium. É a fase em que a entidade se acostuma com a energia do médium e o médium com a da entidade.

Durante o desenvolvimento, é comum que o médium seja colocado para girar, a fim de que o mesmo perca o controle sobre seus pensamentos, deixando o processo fluir com naturalidade.

O médium nesta fase cambaleia, perde o equilíbrio, tem a visão embaçada, sente a energia da entidade percorrendo seu corpo, sente frio nas mãos, a pressão cai: todas essas sensações são comuns, naturais e esperadas.

Nesta fase, a entidade não está incorporada, embora esteja energeticamente ligada ao médium, portanto: não fala, não fuma, não bebe e não se locomove sozinha.

INCORPORAÇÃO

Decorridos alguns meses da irradiação, ocorre a incorporação que é, basicamente, o entrelaçamento energético dos chakras da entidade com os do médium.

A princípio, essa ligação é fraca e sutil. Com o passar do tempo, torna-se mais intensa, fortalecida, até que esteja completa.

Nesta fase, o médium já não cambaleia tanto, a entidade tem maior controle sobre o movimento corporal. É quando o caboclo emite o seu primeiro brado, o preto-velho se curva, o exu engrossa a voz, etc.

É nesta fase que a entidade começa a riscar o seu ponto (é normal que varie com o correr do tempo, já que se trata de um processo), é quando começa a firmar a vela e a pedir os seus primeiros elementos de trabalho (sendo interdita a bebida alcoólica, que é a última no processo).

É a fase em que o médium conhecerá a entidade, seu nome, sua personalidade, seu jeito de incorporar, seu ponto riscado, os elementos com os quais trabalha, etc.

Nesta fase, a entidade emite as primeiras palavras, embora não esteja apta a fazer consultas. Não se deve levar a ferro e fogo o que o médium diz neste processo, pois ele ainda está aprendendo a intermediar a entidade com segurança...

FIRMEZA

É a fase final do processo.

Nesta fase, a incorporação ocorre de forma rápida, pois tanto o médium quanto a entidade já se acostumaram com a energia um do outro.

Nesta fase o médium já sabe o nome da sua entidade, o ponto riscado já assumiu a sua característica definitiva e a incorporação é forte o suficiente para que a entidade consiga dominar totalmente o corpo do médium e consiga conversar mentalmente com ele.

Então, ela é direcionada para a firmeza, ou seja, ele fica em um canto, risca seu ponto, pede seus elementos e permanece em silêncio.

Esta é uma etapa-desafio, pois o objetivo é fazer com que o médium sustente a incorporação pelo maior tempo possível e conheça mais e melhor a entidade com a qual trabalhará em breve.

Digo que se trata de uma etapa-desafio, pois é o momento em que a ansiedade dos médiuns fica mais evidente, já que não suportando o silêncio (afinal, de modo geral, não estamos acostumados a ele), com frequência acabam chamando os cambones para conversar, contudo, isto é ansiedade do médium e não desejo da entidade.

A firmeza é o momento em que a entidade conversa com o seu médium, não com outras pessoas.

É quando o aconselha sobre pontos importantes da sua vida e da caminhada de ambos, daí a importância de o médium permanecer em silêncio, sustentando a incorporação pelo maior tempo possível (afinal, as giras podem ser bem longas).

Depois de alguns meses, então, a entidade-chefe avalia o transe do médium e o libera para o atendimento na corrente ou estende um pouco mais o período de desenvolvimento: depende da postura de cada médium!

Se a incorporação estiver firme, se o fluxo energético estiver forte, se a entidade conseguir se comunicar com facilidade através do médium, então, o seu desenvolvimento estará concluído e ele poderá fazer parte da corrente de atendimento.

Entretanto, o fim do desenvolvimento mediúnico não é o fim da jornada mediúnica da pessoa, pelo contrário, é a fase inicial. Nos próximos anos, conforme amadurecer, a sua mediunidade também amadurecerá.

Leonardo Montes



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terça-feira, 24 de março de 2020

REFLEXÕES EM TEMPOS DE QUARENTENA

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Recentemente, vi um “post/meme” do Batman e Robin em que se diz: “Para de reclamar do terreiro fechado, quando está aberto você nem vai”. E eu me pergunto: não é uma bela realidade?

Ano passado decidi encerrar os estudos que eu fazia sobre Umbanda no terreiro (preferindo focar na internet) e a principal razão para isso foi a falta de interesse.

Por dois meses avisei que o curso se encerraria em dezembro e, ainda assim, no final de fevereiro, ouvi pessoas perguntando sobre os estudos. Quando lhes informei que havia encerrado, elas lamentaram, dizendo que gostavam muito.

Bem, se gostavam tanto, por que não compareciam?

Da mesma forma, tenho visto muitas pessoas dizendo sentir falta dos trabalhos (o que é compreensível), mas será que quando o terreiro está aberto essas mesmas pessoas provam esse amor com sua dedicação ao terreiro?

Penso, portanto, que podemos aproveitar o tempo de quarentena para refletirmos sobre nosso compromisso junto ao terreiro que nos acolheu, afinal, todos temos o que melhorar...

Assiduidade, pontualidade, compromisso, boa-vontade, interesse, fraternidade, são alguns assuntos que podemos nos basear para refletir, mas sem dúvida não são os únicos...

E aí, como anda seu compromisso junto ao terreiro?

Leonardo Montes

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sábado, 21 de março de 2020

COSPLAY DE UMBANDA

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Este é, seguramente, um tema polêmico e, por esta razão, deixo claro que tudo que escrevo são apenas e tão somente as minhas opiniões, nada mais do que isso.

Cosplay é uma palavra em inglês que significa “representação de personagem a caráter”, ou seja, quando alguém se veste como um personagem de filme, novela, série, etc.

Existem, inclusive, muitos encontros deste segmento no Brasil...

Na Umbanda, tradicionalmente, o uniforme de trabalho é apenas a roupa branca. Com o passar do tempo, porém, as vestimentas coloridas e elaboradas, foram se espalhando, de modo que hoje são bastante comuns.

Começou de forma simples, uma “corzinha aqui e outra ali” e hoje o que se vê, em muitos lugares, é uma caracterização que lembra tudo, menos terreiro...

O que chamo de “cosplay de Umbanda”, entretanto, é a caracterização excessiva e abusiva do que supostamente seria a aparência e/ou vestimenta da entidade no próprio médium.

Exemplo:

Um médium que trabalha com uma pombagira e que, para isso, usa vestido, passa batom, sombra nos olhos, etc.

Por estes dias vi um tipo de vídeo que há tempos não via: uma limosine chegando com uma entidade “incorporada” (e aqui realmente as aspas é um sinal de boa-vontade da minha parte...) e o que se passou em seguida foi uma espécie de baile de debutante...

É certo que esses abusos e exageros não se restringem apenas a esquerda, mas também a outras linhas, como a dos ciganos (por esses tempos conversei com uma mulher que, para receber a cigana, foi em um salão de beleza fazer o cabelo e a maquiagem) se apresentando no terreiro com maquiagem de fazer inveja em youtubers e purpurina pra todo lado (e, claro, como não podia faltar, com direito a fotos e vídeos nas redes sociais) ...

No meio de tanto luxo e fantasia, eu me pergunto: onde estarão, verdadeiramente, as entidades?

Ao invés de nos travestirmos “das entidades”, não seria mais interessante buscarmos incorporar os valores que elas trazem consigo? Por que eu desejo parecer, externamente, com o que imagino ser a aparência de uma entidade, se o que importa é o que sou, por dentro?

Enfim...

Leonardo Montes

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terça-feira, 17 de março de 2020

DEIXE-O SER MÉDIUM

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Eventualmente, recebíamos a visita do pequeno Miguel. Contava ele com quatro anos de idade quando o vi pela primeira vez. Acolhido por todos, agitado, não parava quieto. Corria pelo terreiro inteiro, mexia em tudo.

A espiritualidade já havia alertado sua mãe sobre o espírito que habitava aquele corpinho: ele tinha uma missão mediúnica grandiosa e a família deveria apoiá-lo.

Desde cedo os dos mediúnicos do garoto foram percebidos, especialmente, a vidência e a audição espiritual. Em termos infantis, sempre falava dos amiguinhos com quem brincava, do vovô e da vovó que apareciam, daquele homem feio, etc.

A família tinha conhecimento sobre mediunidade e frequentava o terreiro esporadicamente, mas a mãe sentia muito receio em deixá-lo seguir este caminho... Temia por seu futuro, por sua felicidade, uma vez que a mediunidade exige uma vida de renúncia e sacrifícios.

Novos alertas da espiritualidade, novos temores.

Certa noite, ao fim dos trabalhos de desobsessão, manifestou-se uma senhora, muito amável, pedindo para dar um recado à mãe do garoto. Pediu-lhe, com muito carinho, que não impedisse a vida mediúnica do pequenino e que, ao contrário, o apoiasse com muito amor.

Revelou - a senhora comunicante -, que no passado havia sido esposa do espírito que, agora, se chamava Miguel. Explicou que durante algumas vidas ele havia suplicado as bençãos do trabalho espiritual, contudo, em todas elas, fracassou... Chegava à Terra cheio de esperanças, mas se perdia entre as preocupações do mundo, agravando cada vez mais o seu quadro...

Havia reencarnado, agora, em tarefa redentora, trazendo faculdades mediúnicas que o colocariam, no futuro, em grande evidência.

Ao fim do trabalho, quase em sussurro, a entidade suplica:

- Deixe-o ser médium...

Obs.: Certamente, a entidade não queria o desenvolvimento precoce da criança, mas que a mãe não o afastasse do terreiro para que, na hora certa, a mediunidade despontasse e, desta vez, ele pudesse cumprir a sua tarefa.

Leonardo Montes 

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sábado, 14 de março de 2020

QUEM NÃO FAZ FORÇA PARA ENTRAR, NÃO FAZ FORÇA PARA FICAR

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Com o correr dos anos, cheguei a uma conclusão: quem não faz força para entrar, não faz força para ficar. Isto é, as pessoas que muito facilmente entram para um terreiro, geralmente, desistem muito facilmente também.

É por esta razão que, em conversa com os guias, chegamos ao seguinte termo em nossa casa: para poder entrar para o desenvolvimento mediúnico (critério essencial, não importando quantos anos de mediunidade tenha o sujeito), no mínimo, é preciso frequentar durante um ano, faltando o mínimo possível.

Essa frequência é um período de teste, onde o consulente deve avaliar se realmente se identifica com a casa (costumes e regras) e se realmente está disposto a seguir por este caminho.

Inserir muito facilmente as pessoas numa corrente é um risco que, em todo caso, me parece desnecessário e que, pelo menos em minha experiência pessoal, provou-se improdutivo e decepcionante a longo prazo...

Muitas pessoas já vieram nos procurar dizendo amar a casa com todo seu coração, contudo, não provaram isso com sua conduta ao longo do tempo. Afinal: se a pessoa não consegue frequentar um ano o terreiro que diz amar, imagina com que assiduidade comparecerá aos trabalhos...

Assim, penso que todos os terreiros deveriam enrijecer os critérios para aceitação de novos membros... Deixar o consulente na assistência, pelo menos, alguns bons meses para que ele avalie a casa e seja avaliado por ela.

Desta forma, evitamos muitos aborrecimentos de ambas as partes.

Leonardo Montes

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quinta-feira, 12 de março de 2020

ABORTADO

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Fomos chamados a prestar socorro a uma velha senhora vitimada por Alzheimer e que parecia sofrer uma terrível obsessão espiritual.

Um médium mais experiente se propôs a dar-lhe passes já que, semi-acamada, tremia de frio sob dois cobertores em dia extremamente quente. Seu estado era estranho: tremia de frio e parecia dormir profundamente. Entretanto, às vezes, respondia alguma pergunta ou comentário que fazíamos.

Tão logo o médium terminou os passes, fomos embora.

No caminho de volta, a filha da senhora começou a questionar o referido médium sobre o que se passava com sua mãe. Algo relutante, ele disse ter ouvido a voz de um espírito que lhe assistiu durante o passe, dizendo: perdoai todos os abortos praticados. Essa informação chocou a todos, mas nem tanto a filha que se lembrava de ter ouvido algumas histórias estranhas sobre sua mãe, muitas décadas atrás...

A partir de então, a equipe espiritual da nossa casa assistiu a velha enferma em sua aflição. Tão logo possível, as entidades nos informaram que, de fato, ela estava sendo vítima de obsessão por conta de um casal de gêmeos que havia abortado na juventude.

Espantados, soubemos que ela praticou alguns abortos e ajudou muitas outras jovens a abortarem também, por meio de chás especiais feitos com ervas que favoreciam o crime. Todos os espíritos já a haviam perdoado, exceto esses dois.

Ambos passaram a se manifestar frequentemente na reunião de desobsessão que realizávamos. Um deles demonstrava muita afeição à filha da senhora e pudemos explorar esse sentimento em favor dele mesmo, mostrando que, ao prejudicar a mãe, ele também prejudicava a filha, por quem nutria afeto. Ao cabo de alguns meses, conseguimos convencê-lo do erro em que incorria e ele terminou por não mais persegui-la.

O outro, porém, permaneceu obstinado em seu propósito de vingança.

Tudo que foi possível fazer em favor da velha enferma foi feito. Inclusive, diversas vezes conseguimos afastar esse obsessor que sempre retornava em algumas semanas.

As mudanças, contudo, eram visíveis. 

Quando o afastávamos, ela não dormia tão profundamente, o frio intenso passava, ela sorria, brincava, conseguia sair da cama. Mas, se ele se aproximasse, ficava nervosa, reclamava de tudo, sentia muito frio.

Por fim, a Espiritualidade Superior decidiu que a permanência dela no corpo e naquele estado obsessivo era o melhor para o momento. Começaria, ali mesmo, a pagar pelos erros cometidos em seu passado, a expiar a falta cometida contra aquele espírito que seria seu filho e que nutria um ódio difícil mesmo de mensurar.

Foram cerca de três anos de trabalho e assistência, passes e defumações, até que finalmente o obsessor se afastou para destino incerto que não nos fora revelado e, finalmente, a velha senhora pôde ter um pouco de sossego...

Era a lei do retorno em ação...

Leonardo Montes


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quarta-feira, 11 de março de 2020

ÂNSIA POR FALAR COM AS ENTIDADES

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A ânsia por falar com as entidades é algo que todos devemos combater, pois todos a possuímos em algum grau. Contudo, algumas pessoas parecem sofrem patologicamente deste tipo de ansiedade, pois sempre retêm a atenção das entidades em assuntos repetitivos e cujas orientações já foram dadas, embora, nem sempre tenham sido seguidas...

As entidades, quase sempre, possuem uma paciência quase infinita, explicando uma, duas, dez vezes a mesma coisa. Contudo, não devemos abusar desta paciência, exercitando, em nós, a moderação.

Há pessoas que, se deixar, tomam conta da entidade... Reduzem a gira apenas ao seu caso pessoal. Não pensam que a casa pode estar cheia, que o médium esteja cansado, que outras pessoas precisam igualmente de atendimento: apenas elas importam, apenas a dor que sentem merece atenção dos guias...

Falam de maneira frenética, abordando os mais variados assuntos de uma única vez. Por vezes, estão tão ansiosas que nem conseguem ouvir direito o que a entidade responde, colocando um assunto atrás do outro...

É por isto, inclusive, que em nossa casa os atendimentos duram até dez minutos e, em casos mais graves, no máximo, vinte minutos... Este tempo é mais do que suficiente para que a entidade oriente sobre o que for necessário...

Portanto, embora as entidades acolham a todos, devemos fazer a nossa parte. Agir verborragicamente é compreensível entre pessoas novatas e que se encantam com as entidades, não, porém, entre os que já possuem conhecimentos suficientes para discernir e separar as coisas.

Logo, antes de despejar uma enxurrada de reclamações na entidade, escolha um assunto e converse apenas sobre este assunto. O guia certamente te ouvirá e te aconselhará. Então, antes de passar para o próximo, cumpra primeiro as recomendações da entidade: tape o primeiro buraco antes de querer tapar o segundo...

Eis a receita para um bom atendimento na Umbanda!

Leonardo Montes

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sexta-feira, 6 de março de 2020

INCORPORAR NA HORA DO PASSE

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Trata-se de uma cena relativamente comum: o consulente entra para tomar passe e, de repente, incorpora. Mas, qual razão disso?

Segundo o que as entidades me informaram, são basicamente quatro:

1. O consulente é médium de incorporação, porém, fica adiando o seu desenvolvimento para “quando Deus quiser”, sem se resolver a assumir, verdadeiramente, o compromisso firmado antes da encarnação. Esta manifestação acontece como um chamado que diz: estou esperando você!

2. O consulente é médium, já desenvolveu, mas está afastado do terreiro, então seu guia incorpora como se dissesse: estou aguardando o seu retorno!

3. O consulente é médium, desenvolvido ou em desenvolvimento, porém, está desequilibrado, então a incorporação acontece como se o guia dissesse: estou com você!

4. O consulente não é médium, mas deseja muito o ser, deixando-se levar pelo animismo ou simplesmente pelo desejo de chamar a atenção: não recebe nada, mas acredita que sim...

É certo que poderíamos listar outras tantas situações, mas creio que estas resumem bem o quadro geral.

O fato, porém, é que se o médium está equilibrado, se ele trabalha numa casa ou está em desenvolvimento numa, não existe razão para que incorpore quando for tomar passe e, muito menos, em um outro terreiro!

Há sete anos frequente terreiros e nunca incorporei ao tomar passe ou em outra casa por uma razão simples: não há necessidade!

Todo sábado, faça chuva ou faça sol, estou no terreiro para trabalhar, por que razão meus guias iriam querer vir fora deste dia e deste horário, ainda mais em outra casa ou quando eu fosse tomar o passe?

Simplesmente, não há razão alguma!

Obs.: Aos médiuns em desenvolvimento, sugiro que se habituem, simplesmente, a “tomar o passe”. Percebo que muitos, infelizmente, esperam a incorporação após o passe como a “cereja do bolo”, o que é algo totalmente sem sentido. Além do mais, se o médium não conseguir distinguir se está sentindo a presença do guia ou se o guia quer se manifestar, ele nunca estará maduro mediunicamente, ficando na eterna dúvida ou sendo dominado pelo animismo achando que está recebendo o espírito, quando está recebendo apenas vento...

Tudo em matéria de mediunidade se resume em: disciplina!

Leonardo Montes

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quarta-feira, 4 de março de 2020

MUITO TEMPO

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Numa noite fria de Maio, uma senhora que aparentava idade bem avançada sentou-se para tomar passes com a Vovó Maria. Cumprimentou a entidade e o cambone, recebeu o passe e em seguida ouviu:

- Fia, suncê ainda há de viver maisi um cado grande nessa terra!

A velhinha num suspiro surpreendente, disse:

- Ah, não... Mesmo, vó?

Aquela resposta deixara Maurício, que cambonava a entidade, surpreso. Afinal, que pessoa recebe a notícia de que irá viver mais tempo e responde dessa forma?

- É zifia... – respondeu a bondosa entidade.

Como se desejasse algum desabafo, a velhinha vira-se para Maurício e prossegue:

- É que amanhã fará um ano que meu marido morreu e eu sinto muita falta dele... Fomos casados por 61 anos e nunca brigamos, acredita? Nenhuma discussão, nenhuma briga.

A entidade, em tom amoroso, interfere dizendo:

- É verdade zifia, vosso cumpanheiro era um homi de coração muito bão e do lado de cá tá muito arto, bem arto, cheio de luz!

A velhinha com os olhos marejados, diz:

- É... Não tenho dúvidas de que meu Geraldo deve estar muito bem, pois era um homem muito bom e caridoso. Eu agora espero a minha vez... Já tenho 84 anos, o que tinha para aprender ou já aprendi ou não aprendo mais... Já vivi o que tinha de viver, quero agora é ir embora encontrar o meu Geraldo!

A bondosa preta-velha toma-lhe as mãos, beija-as e diz:

- Zifia, suncê tem de cumpri o tempo que o Pai mandou. Aí suncê há de encontrá o cumpanheiro nas artura. Maisi tem que esperá um cado ainda, entendeu, zifia?

Resignadamente, a velhinha balançou a cabeça afirmando que sim...

Naquela noite Maurício demorou mais do que de costume a pegar no sono.

Leonardo Montes

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segunda-feira, 2 de março de 2020

DEPENDÊNCIA DOS GUIAS

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Embora os guias sejam bons amigos com os quais podemos contar sempre, não devemos transformar nossa relação para com eles em petitórios infinitos ou em dependência enfermiça, pois a vida compete àquele que está na matéria e, embora os guias aqui estejam para nos orientar, eles não podem tomar decisões que nos cabem.

Quando a pessoa se inicia na Umbanda, é muito comum o deslumbramento. A possibilidade de conversar com as entidades é algo que fascina, encanta. É comum, também, que as conversas se transformem em uma relação terapêutica onde se busca conselhos e orientações sobre a vida.

Com o passar do tempo, porém, o desejável é que desenvolvamos autonomia, dependendo cada vez menos das entidades, isto é, inclusive, sinal de maturidade espiritual.

Chega um ponto da nossa jornada em que já recebemos tantos conselhos que não há mais sentido em ficar perguntando as mesmas coisas para as entidades que, normalmente, darão sempre as mesmas respostas...

Conforme amadurecemos na relação com o espiritual, nossa independência deve aumentar, pois teremos condições de decidir nossos caminhos de maneira consciente e livre e não mais na dependência de um outro ego (no caso, dos guias).

Entretanto, há pessoas que nunca amadurecem.

Pessoas que conversam com as entidades hoje como conversavam dez anos atrás, sempre com as mesmas queixas, os mesmos assuntos. Assim, embora o tempo tenha passado, essas pessoas continuam mentalmente tão frágeis como quando pisaram no terreiro pela primeira vez.

Para elas, o contato com os guias transformou-se numa relação de co-dependência, onde tudo necessita, antes, da aprovação dos guias. Vai comprar um novo carro? Os guias têm que aprovar. Vai mudar de casa? Os guias têm que concordar. Resolveu sair do serviço? Os guias têm que carimbar, etc.

Mas, a vida pertence a quem? Os guias estão aqui para viver por nós ou para nos ajudar a viver melhor?

É claro que devemos ouvir as entidades, o que não devemos é perder a autonomia sobre nossa própria vida!

Afinal de contas, depois de alguns anos de contato com os guias, todos estaremos mais do que cientes sobre tudo que nos compete fazer para cumprirmos as nossas obrigações neste plano, restando apenas colocar em prática os anos de conselhos recebidos.

Leonardo Montes

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