domingo, 9 de fevereiro de 2020

O MILHO

Imagem do google
Eu não como milho, pois não gosto do sabor. Quando compro cachorro quente, peço para que não pôr milho. Quando vou à um restaurante, não coloco milho em meu prato.

Não tenho nenhuma razão lógica para não gostar de milho, simplesmente, não gosto.

Contudo, eu não odeio milho.

Eu não falo mal de quem come milho. Não faço careta quando vejo alguém comendo milho. Não acho que quem coma milho seja inferior a mim.

Entretanto, nem sempre foi assim.

Houve um tempo em que detestava milho e tudo fazia para mostrar às pessoas o quão absurdo era comê-lo. Dedicava muito tempo aos debates virtuais, tentando provar por A + B o motivo pelo qual milho era ruim ao consumo.

Ria, debochava das pessoas, achava-me superior, mais inteligente, por não comer milho.

Procurava em cada frase do “debatedor” alguma falácia, redundância ou incoerência para poder esfregar na cara do oponente minha superioridade como não-comedor de milho.

O tempo, contudo, senhor soberano e inimigo mortal das vaidades humanas, fez o seu papel.

Os “debatedores” foram tomando outro rumo, as discussões acaloradas ficaram no passado e gradativamente percebi que combater o milho já não tinha tanta graça, não empolgava como antes... Assim, resolvi me aposentar deste jogo.

Olhando para trás, percebo que não se tratava da verdade, se tratava da vaidade, orgulho, arrogância e prepotência. O problema não era o milho, seu gosto, textura ou cor: o problema era minha postura frente ao milho!

Então veio a espiritualidade me ensinando que não tinha importância eu não gostar de milho. Que tinha direito, inclusive, de não gostar do mesmo. Que poderia passar a minha vida inteira sem vontade de comê-lo e que isso não seria nenhum problema.

Contudo, deveria tomar alguns cuidados.

Cuidado para não entrar em ondas mentais destrutivas pelo simples fato de não comer milho. Que evitasse contenda com meus semelhantes, especialmente, os comedores compulsivos de milho...

Explicaram-me que cada um está em seu momento evolutivo e se Deus permite às pessoas comerem milho, é que o milho tem sua razão de ser e isso era motivo de sobra para respeitá-lo.

Aprendi a vê-lo tão sagrado quanto meu desejo de não o comer, respeitando, portanto, o livre-arbítrio e as preferências de cada um, buscando, cada dia, viver mais em paz comigo mesmo.

Ainda não aprendi a amá-lo, nem aos seus consumidores, mas tenho fé que um dia conseguirei. Até lá, porém, procuro me policiar, buscando não esquecer que no mundo já existe intolerância demais e que não vale a pena brigar por milho.

E assim, descobri uma forma de ser feliz.

Leonardo Montes
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