quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

COMPORTAMENTO NO TERREIRO: CONFIDENCIALIDADE

Imagem do google

A imensa maioria dos médiuns de incorporação, na atualidade, são conscientes. Isto quer dizer que, durante os trabalhos, eles não “apagam”, mantendo sua lucidez e se recordando, se não integralmente, pelo menos, muito do que foi dito e ouvido nas consultas.

Essa lucidez durante o transe mediúnico tem por finalidade promover um maior aprendizado do próprio médium, afinal, muito do que seus guias dizem aos consulentes serve para ele mesmo.

Assim, o médium não aprende apenas pelos estudos que faz, por aquilo que lê ou mesmo do que recebe de pessoas mais experientes: ele também aprende por aquilo que as entidades falam por sua boca.

Por esta razão, é extremamente recomendável que o médium se policie para não levar para sua vida pessoal problemas dos consulentes bem como suas intimidades.

Encerrou a consulta? Desincorporou? Acabou o assunto!

É muito importante que o médium aprenda a separar as coisas, evitando a todo custo comentar as situações deste ou daquele consulente após gira, mesmo com os colegas de terreiro, sob pena de acabar caindo em descrédito perante os demais (afinal, as pessoas pensam: se ele fala de fulano, uma hora, falará de mim...).

Infelizmente, não é tão raro encontrarmos médiuns enxeridos que, após a consulta, procuram o consulente para saber se gostou do atendimento, se a entidade deu uma solução ao seu problema, etc.

Também não é incomum vermos médiuns que encontram o consulente fora do terreiro e perguntam se seguiram as orientações, se fizeram os banhos que a entidade recomendou... Isso sem contar os que dão continuidade a consulta como se fossem eles – e não as entidades – quem desse os atendimentos...

Os que procedem assim perdem a confiança e a credibilidade.

O mesmo vale para os cambones que, frequentemente, ouvem a tudo. E ouvem, justamente, para que aprendam. É por isso que permanecem ao lado da entidade, não apenas para auxiliar, mas para aprender, igualmente.

Trata-se de uma escuta sagrada.

Por isso, o cambone deve aprender a esquecer os detalhes, as intimidades das pessoas e fixar apenas a essência, o aprendizado, o saber adquirido.

Em casos de extrema necessidade, quando for importante conversar sobre um atendimento, é possível fazê-lo sem nomear as pessoas, a fim de que as intimidades dos consulentes sejam preservadas.

Saber ver, saber ouvir e saber calar. Eis a receita!

Leonardo Montes

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