quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

A IMPORTÂNCIA DA HUMILDADE PARA O MÉDIUM

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Entre tantas definições de humildade, gosto de uma que diz: “consciência das próprias limitações”. Assim, humildade não é, por exemplo, se esquivar de elogios justos, mas se esquivar de elogios injustos, mesmo quando nasçam do desejo sincero de nos agradar.

Lembro-me bem do médium Celso de Almeida (psicógrafo) e que repetia sempre em suas entrevistas o conselho dado por Chico Xavier no início de sua vida mediúnica:

- Quando te chamarem de impostor, você saberá que não é; mas, quando te chamarem de Santo, você também saberá que não é.

Humildade é isto: consciência das próprias limitações!

Uma vez o Velho me disse:

- Tiro o chapéu para médiuns cujos guias fazem um lindo trabalho de cura e eles permanecem calados, mas não tiro o chapéu para aqueles que mal conseguem uma cura e já querem falar ao microfone...

Tenho aprendido com os guias que um médium humilde, com pouca mediunidade, é capaz de fazer um grande trabalho. Contudo, um médium prepotente, mesmo com uma mediunidade incrível, produzirá sempre muito pouco.

O médium humilde sabe que é imperfeito e tenta se melhorar. Não se esconde atrás de seus guias, não coloca palavras na boca da entidade e não quer ser visto maior do que de fato é.

Fica feliz quando vê os frutos de seu trabalho, contudo, antes de se sentir um “iluminado”, pensa que, na verdade, é o grande beneficiado pela oportunidade de ser médium, aprender e servir, sabendo que, muitas vezes, os problemas do consulente são iguais aos seus e que os conselhos que seus guias dão servem tanto para o consulente, quanto para ele próprio.

O médium humilde não quer ser maior do que os outros: quer ser maior do que a si mesmo. Não luta contra o colega de terreiro que atrai a disputa da consulência, mas luta por ser ele mesmo um melhor instrumento da espiritualidade.

Muitos médiuns novatos me pedem um conselho e sempre repito o que aprendi com os guias: humildade.

Seja humilde e você irá longe!

Leonardo Montes 


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quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

RELACIONAMENTO ENTRE PESSOAS DO MESMO TERREIRO

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Com frequência, as entidades dizem que, dentro de uma corrente, somos todos irmãos. Dizem isso como um incentivo ao desenvolvimento da fraternidade entre as pessoas e não como uma leitura literal de irmandade.

Assim, uma pessoa pode se relacionar afetivamente com outra da mesma casa desde que:

1.    Estejam livres e desimpedidas para isso (a traição é sempre um erro e a lei do retorno sempre corrige os aventureiros);

2.    Saibam se respeitar dentro e fora do terreiro;

3.    Saibam separar a vida pessoal do trabalho no terreiro;

4.    Entendam a diferença entre relação afetiva e promiscuidade.

As entidades sempre me ensinaram que o amor é sublime, benéfico, positivo em todas as circunstâncias, desde que seja vivido de forma saudável, feliz, produtiva, para todos os envolvidos.

Os terreiros possuem muitas famílias: desde as que já existiam antes da casa, às que se formarão a partir dela. Assim, é belo quando vemos duas pessoas que se conheceram no terreiro, resolveram namorar, com o tempo noivaram, casaram e trouxeram filhos ao mundo que também frequentam a casa: isso é magnífico!

Contudo, nem tudo são flores!

Muitos dirigentes acabam proibindo os relacionamentos entre pessoas da mesma casa por uma simples razão: quando o relacionamento não dá certo, a bomba estoura no terreiro!

Entre inúmeros exemplos, citarei apenas um, cujas ilações serão suficientes para se estabelecer todas as demais comparações para todos os casos.

Imaginemos, por exemplo, que um médium e uma cambone da casa se apaixonem e resolvam namorar. Tudo vai muito bem. Depois de um ano, a cambone descobre que o médium a estava traindo e coloca fim ao namoro.

Existe uma grande chance dessa cambone, ferida, não querer mais ficar perto do referido médium no terreiro. Quando as entidades deste chegam, ela não quer pedir benção. Tomar passe com as entidades? Ouvir conselhos delas? Jamais!

Contudo, foi a entidade que a traiu? Ela estava namorando com a entidade?

Da mesma forma, existe uma grande change do médium, querendo se justificar, acabar "forçando a barra", colocando palavras na boca da entidade para de alguma forma favorecer o seu caso e a coisa vai se complicando cada vez mais...

Nós temos dificuldade em separar as coisas, os papéis e os ambientes. Aquele relacionamento feliz no começo foi por água abaixo, contudo, o respeito para com as entidades do médium deve ser o mesmo, afinal, elas não têm nada a ver com a vida pessoal dele (as entidades são guias, não babás) e não podem ser responsabilizadas pelo erro que o médium cometeu. De igual forma, o médium jamais deve prevalecer da sua condição de médium para "usar as entidades" em seu problema pessoal...

Isso sem contar os casos em que a pessoa traída simplesmente joga no ventilador do terreiro todas as decepções com o ex. Neste caso, não apenas ela, mas várias pessoas que lhe são simpáticas começarão a olhar o referido médium com desdenho... Pronto, ninguém mais confia nele!

A casa começar a ter rachaduras, fofocas, picuinhas, a corrente se enfraquece...

É por situações assim que muitos dirigentes proíbem os relacionamentos dentro do terreiro, pois na hora de começar um relacionamento é só alegria, mas depois que termina, é só dor de cabeça no terreiro!

Se, contudo, a pessoa for madura o suficiente para separar as situações, o meu conselho é: seja feliz!

Leonardo Montes


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terça-feira, 21 de janeiro de 2020

OFERENDAS SIMPLES

Oferenda da Casa de Umbanda União de Uberaba - MG

Em nossa casa, realizamos apenas uma oferenda por Orixá durante o ano e apenas dentro do terreiro, nada de sujar a rua ou a natureza...

A foto acima é da nossa última oferenda em homenagem à Oxóssi.

Trata-se uma oferenda coletiva, onde cada pessoa da corrente leva (se quiser) uma fruta. Não é obrigatório!

Ao final da gira, as frutas são distribuídas entre os presentes e certamente vão carregadas com muita força espiritual.

É uma oferenda simples, como é a nossa casa e nosso trabalho.

Contudo, por vezes, converso com pessoas angustiadas por que trabalham em casas que realizam oferendas gigantescas, exigindo, portanto, uma grande contribuição financeira de cada membro para realizá-la.

Respeitamos, sem dúvida, todas as casas e suas práticas.

Mas, somos a prova viva de que podemos fazer muito, com pouco.

A força da oferenda não está na quantidade de comida, mas na fé daqueles que ali as colocaram.

Vale a pena oferendar ao Orixá e passar aperto no fim do mês? Penso que não...

Leonardo Montes

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domingo, 19 de janeiro de 2020

MÉDIUM X ENTIDADE


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Uma das primeiras lições que se deve aprender na Umbanda, é: o médium é o médium, o guia é o guia.

Sim, parece óbvio, mas nem sempre é!

As pessoas se afeiçoam as entidades e, sem perceberem, acabam transferindo este sentimento para o médium.

Ex.:

Um consulente adora tomar passes com o preto-velho que trabalha com um determinado médium. Entre todas as entidades do terreiro, esta foi a que mais lhe acolheu, orientou, gerando um vínculo entre ambos.

O consulente, feliz por tudo que recebe da entidade, acaba por se aproximar do médium, conversa com ele dentro do terreiro, trocam whatsapp, adicionam-se no facebook e vai tudo muito bem.

Contudo, em algum momento, este consulente começa a perceber, seja na fala, nas ideias ou mesmo no comportamento deste médium, pensamentos ou atitudes que destoam muito do que a entidade que por ele se manifesta sempre ensina.

Vem a decepção, a frustração e a dor!

Assim, aconselho: por mais que você goste dos guias de um determinado médium, entenda que entre ele e a entidade existe a mesma distância que entre você e ela.

O fato de um médium ser o aparelho de uma entidade não lhe garantirá uma auréola de luz e, assim como você tem dificuldade em pôr em prática as orientações que recebe, o médium também as tem.

Para ele, inclusive, é mais difícil, por que o consulente quase sempre tem que lidar apenas consigo, já o médium, além de lidar com ele mesmo, enfrenta os desafios naturais de que alguém que, mesmo sendo imperfeito, é chamado a ser instrumento do bem na Terra e, com isso, dar testemunho da sua fé pelo trabalho que realiza!

Os médiuns, em sua grande maioria, são espíritos com pesadas dívidas com o passado, por isso, não devemos colocá-los num patamar de elevação espiritual que, por enquanto, pertence apenas aos seus guias.

Leonardo Montes

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quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

COMPORTAMENTO NO TERREIRO: CONFIDENCIALIDADE

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A imensa maioria dos médiuns de incorporação, na atualidade, são conscientes. Isto quer dizer que, durante os trabalhos, eles não “apagam”, mantendo sua lucidez e se recordando, se não integralmente, pelo menos, muito do que foi dito e ouvido nas consultas.

Essa lucidez durante o transe mediúnico tem por finalidade promover um maior aprendizado do próprio médium, afinal, muito do que seus guias dizem aos consulentes serve para ele mesmo.

Assim, o médium não aprende apenas pelos estudos que faz, por aquilo que lê ou mesmo do que recebe de pessoas mais experientes: ele também aprende por aquilo que as entidades falam por sua boca.

Por esta razão, é extremamente recomendável que o médium se policie para não levar para sua vida pessoal problemas dos consulentes bem como suas intimidades.

Encerrou a consulta? Desincorporou? Acabou o assunto!

É muito importante que o médium aprenda a separar as coisas, evitando a todo custo comentar as situações deste ou daquele consulente após gira, mesmo com os colegas de terreiro, sob pena de acabar caindo em descrédito perante os demais (afinal, as pessoas pensam: se ele fala de fulano, uma hora, falará de mim...).

Infelizmente, não é tão raro encontrarmos médiuns enxeridos que, após a consulta, procuram o consulente para saber se gostou do atendimento, se a entidade deu uma solução ao seu problema, etc.

Também não é incomum vermos médiuns que encontram o consulente fora do terreiro e perguntam se seguiram as orientações, se fizeram os banhos que a entidade recomendou... Isso sem contar os que dão continuidade a consulta como se fossem eles – e não as entidades – quem desse os atendimentos...

Os que procedem assim perdem a confiança e a credibilidade.

O mesmo vale para os cambones que, frequentemente, ouvem a tudo. E ouvem, justamente, para que aprendam. É por isso que permanecem ao lado da entidade, não apenas para auxiliar, mas para aprender, igualmente.

Trata-se de uma escuta sagrada.

Por isso, o cambone deve aprender a esquecer os detalhes, as intimidades das pessoas e fixar apenas a essência, o aprendizado, o saber adquirido.

Em casos de extrema necessidade, quando for importante conversar sobre um atendimento, é possível fazê-lo sem nomear as pessoas, a fim de que as intimidades dos consulentes sejam preservadas.

Saber ver, saber ouvir e saber calar. Eis a receita!

Leonardo Montes

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terça-feira, 7 de janeiro de 2020

CARIMBO DE MÉDIUM

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Eventualmente, alguém me diz: todo mundo que vai no terreiro escuta que é médium, que precisa desenvolver, etc. Mas, será mesmo?

É preciso separar bem as coisas.

De fato, existem pessoas que tem o péssimo hábito de carimbar a mediunidade alheia. Alguém lhe diz que tem estado com dor de cabeça, ela logo dispara: é mediunidade!

Não tem dormido bem? Mediunidade!

Problemas familiares? Mediunidade!

Enfim, realmente, existem pessoas que se sentem muito à vontade para diagnosticar a mediunidade alheia com extremada facilidade (sem contar os que acham que basta “bater o olho” para saber quem é médium e quem não é).

Contudo, as pessoas que trabalham seriamente sabem que é impossível saber se alguém é médium ou não apenas por si mesmo, que é necessário que as entidades apontem a mediunidade em alguém...

Entretanto, reflitamos: se uma pessoa tem o compromisso da mediunidade, não seria natural que a espiritualidade a encaminhasse para um local onde ela pudesse desenvolver essa mediunidade?

Ou seria mais interessante levá-la a um posto de gasolina, a um restaurante, uma pizzaria?

Ora, é claro que as pessoas com mediunidade vão bater na porta dos terreiros ou demais instituições que trabalham com a mediunidade, onde mais poderiam bater?

Não entendo o espanto dessas pessoas...

Seria como o médico se espantar com o número de pessoas doentes que lhe procuram... Quem mais procurariam? O advogado? O açougueiro?

É natural, portanto, que os médiuns cheguem em grande volume aos terreiros, pois ali poderão encontrar amparo e direcionamento, conforme seus próprios interesses e esforços.

Leonardo Montes  


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sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

COMPORTAMENTO NO TERREIRO: DEVOÇÃO



Quando se entra para um terreiro, automaticamente, extinguem-se os espaços para uma vivência religiosa “meia boca”: ou você está de corpo e alma ou está apenas de corpo.

É por esta razão que se deve pensar muito antes de assumir um compromisso espiritual, até por que trazemos nossas próprias dificuldades a serem superadas e não precisamos – a rigor – de maior peso para carregarmos nesta vida...

A palavra devoção vem de “devotione” que basicamente quer dizer: dedicar-se a algo.

Quando você aceita entrar para um terreiro ou procura desenvolver a sua mediunidade, você está fazendo uma escolha, que é a de dedicar-se a seus orixás, aos seus guias, encontrando na Umbanda um caminho espiritual pelo qual está disposto a suportar as dificuldades inerentes a caminhada, ciente de que procura um destino para sua jornada de fé.

Para que este caminho seja trilhado da forma mais harmoniosa possível, é preciso haver entrega, dedicação, interesse, devoção.

Se você trata sua roupa de terreiro de qualquer jeito, se você trata os itens de trabalho de suas entidades de qualquer jeito, se você não faz seu banho de ervas, se você não faz o resguardo, se você não se esforça em ser uma pessoa melhor, se você entra no terreiro de qualquer jeito, se você canta de qualquer jeito, se bate palmas de qualquer jeito, se cumprimenta as entidades de qualquer jeito, você está desonrando seus orixás, seus guias, seus companheiros, seu terreiro e a você mesmo!

A sua experiência religiosa nunca será mais do que uma mera tentativa falha...

Agora, se você faz o inverso: preocupa-se com a sua roupa de trabalho, organiza os itens de trabalho de suas entidades, comprando-os você mesmo, fazendo os seus próprios banhos, colhendo suas próprias ervas, preparando-se convenientemente no dia da gira, chegando ao terreiro com antecedência, esforçando-se em deixar do lado de fora tudo que não convém ao trabalho espiritual, cantando com a alma, batendo palma com fé, cumprimentando os guias dos demais com ternura, colocando um sorriso no rosto, eu posso te garantir que sua experiência religiosa será maravilhosa!

Contudo, se essas coisas forem um peso para você, melhor procurar outra religião...

Leonardo Montes 


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