quarta-feira, 13 de novembro de 2019

O PROBLEMA DA ROUPA PRETA

Imagem do google

É muito comum os terreiros recomendarem que as pessoas não compareçam trajadas de preto nas giras. A razão, quase sempre, é a crença de que a cor preta atraia ou mantenha energias negativas.

Assim, muitas casas oferecem um jaleco ou mesmo um pano branco quando a pessoa vai, por exemplo, com uma camisa preta (o que é quase sempre constrangedor, razão pela qual não recomendo tal prática).

Contudo, antes de prosseguir, preciso deixar claro o seguinte: cada casa com suas regras e com o que considera adequado. O que gostaria de propor é apenas uma reflexão...

A cor preta é associada, desde muito tempo, com coisas ligadas a morte ou a magia. No império romano, por exemplo, foi associada ao luto, coisa que se mantém ainda hoje. Nos filmes, as “bruxas” estão sempre de preto, etc.

Assim, por tradição, geralmente, os terreiros recomendam que não se use preto no dia da gira. Mas, será que isso faz realmente diferença?

A minha opinião é: não!

Na minha experiência como médium, nunca vi diferença de atendimento pelo fato de a pessoa estar vestida de azul, vermelho, branco ou preto. Isso nunca importou. As entidades que me orientam nunca deram qualquer importância a cor das roupas.

Contudo, elas sempre se importaram com os pensamentos e os sentimentos das pessoas, com a postura que cada consulente assume no terreiro: isso realmente importa e faz diferença no atendimento!

Agora, reflitamos:

Se uma camisa de cor preta atrai ou mantém energias densas, o que não sentiria uma pessoa de pele negra? Se uma simples camisa causa tanto receio, imagina um corpo todo coberto por uma pele escura!

Se uma pessoa branca vai de roupa preta no terreiro e veste um jaleco por cima, uma pessoa negra deveria fazer o quê? Passar pó branco no corpo?

Quando abordo este assunto, dando esses exemplos, muitas pessoas acham que é uma piada, mas não é, trata-se apenas de um raciocínio simples, afinal, cor é cor, não importa se em tecido, na pele ou na lataria de um carro...

Penso que muitas coisas que ainda hoje são comuns na Umbanda deveriam ser deixadas de lado, por que são tradicionalismos sem efeito prático e, portanto, sem efeito espiritual.

Muito mais importante do que a cor da roupa do consulente é a sua postura no terreiro, o silêncio, a oração, isso deveria ser objeto de interesse dos terreiros e não a cor da roupa das pessoas...

Leonardo Montes

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