quinta-feira, 7 de novembro de 2019

ENTIDADES RECOMENDANDO MACONHA?


Imagem do google
Dentro da Umbanda, aprendemos a ressignificar o uso de duas substâncias que são bastante consumidas socialmente e que, no terreiro, assumem um aspecto totalmente diferente do que se faz na vida cotidiana: tabaco e álcool.

Sabemos que o tabaco é milenar e usado por várias tribos indígenas em diversos rituais religiosos, assim como o álcool é utilizado há milênios em rituais religiosos de todo tipo ao redor do mundo.

Quando a pessoa chega pela primeira vez no terreiro e vê entidades bebendo ou fumando, imediatamente associa a bebida e o fumo dentro do terreiro com o que se faz com a bebida e com o fumo fora do terreiro.

Aí entramos com as explicações, mostrando que são usos diferentes, falamos dos aspectos energéticos, etc.

Por esta razão, deveríamos ter a mente mais aberta em relação a diversos assuntos que sejam tabus, não é?

Sim, mas com reserva!

Eu tive duas experiências com Ayahuasca e foram maravilhosas, intensas, profundas e marcantes espiritualmente. Essas experiências não aconteceram em terreiro, mas me foram muito úteis para o que eu faço dentro do terreiro.

Logo, eu compreendo que realmente existam plantas de poder e que, se bem utilizadas, elas realmente possam trazer inúmeros benefícios espirituais. Mas, e a maconha nessa história?

Quando ouvi pela primeira vez alguém dizendo que uma entidade recomendou que usasse maconha, pensei: isso não pode ser sério!

Contudo, este ano já conversei com três pessoas, todas de São Paulo, narrando a mesma coisa: as entidades (um preto-velho e dois exus) recomendaram que elas usassem maconha, dizendo que é uma erva de poder, que ajuda no despertar espiritual, etc.

Assim, resolvi abordar o assunto, dando a minha opinião, com base naquilo que já ouvi dos espíritos.

É possível que em algum lugar a maconha seja mesmo uma planta de poder, usada dentro de certos contextos, com determinados fins. Como quem já fez uso da Ayahuasca em cerimônias religiosas (que, diga-se, é legal no Brasil), eu não posso dizer que, em algum lugar, em algum contexto, ela realmente não seja benéfica...

Contudo, creio fortemente que, assim como fizeram com o tabaco (usado e banalizado pela indústria) e com o álcool (usado e banalizado pela indústria), a maconha também foi desambientada e descontextualizada das comunidades que dela faziam uso com os mais diversos fins, pois foi transformada em droga viciante de imenso potencial destrutivo.

Além de ilegal, é produzida das formas mais bizarras possíveis e incrementada com uma série de produtos químicos, viajando até o Brasil por meios clandestinos e por mãos criminosas que, não raro, estão envolvidas com todo tipo de atrocidades...

Ao chegar ao Brasil, é distribuída em pontos de tráfico onde ocorrem todo tipo de violência, causando a morte de pessoas inocentes em conflitos de toda ordem...

Como algo assim pode ser sagrado?

Se uma entidade recomenda alguém usar maconha, este alguém vai buscá-la onde? Com que tipo de energia estará lidando?

É claro (e cientificamente comprovado) que vários princípios da mesma podem ter efeito medicinal (não estou discutindo isso), mas não creio que haja benefício numa droga produzida de qualquer jeito, banhada em diversas substâncias químicas, traficada por mãos de bandidos (e carregada de energias da violência) possa, de fato, produzir algum benefício espiritual em alguém...

Creio que foram os próprios médiuns que falaram pelas entidades.

Certa feita uma professora me disse: "o segredo da tolerância não é tolerar tudo, mas saber o que tolerar"

Daqui a pouco, começarão a surgir (se é que já não existem) relatos de entidades que ao invés de tabaco fazem uso de maconha nas giras...

Leonardo Montes

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