segunda-feira, 11 de novembro de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 52 - CHEFIA ESPIRITUAL

Imagem do google

É pratica corrente na religião que uma entidade se responsabilize pelas atividades do terreiro, geralmente, um caboclo ou um preto-velho, porém, outras entidades podem assumir esta direção, conforme o caso.

Chefia Espiritual

Embora o respeito a hierarquia seja um problema entre os encarnados, para os espíritos é fato comum. Não há disputa ou divergências neste sentido: o mais evoluído dirige o menos evoluído, em todas as circunstâncias.

Assim, cada terreiro estabelece a própria equipe espiritual que será dirigida por uma determinada entidade que se responsabilizará pelas atividades da casa, administrando-a como faria o gestor de uma empresa na Terra.

Tal entidade exerce influência sobre todos os espíritos, bem como sobre todos os encarnados que atuam no terreiro. É ela que decide quem entra ou quem sai; quem se desenvolve ou não; quem assume tal cargo ou não, etc.

Estas responsabilidades necessariamente devem ser atributo da entidade que, justamente, por estar na posição em que está, tem maiores e melhores condições de avaliar as necessidades do coletivo, organizando o trabalho da melhor forma possível.

Contudo, infelizmente, é cada vez mais comum que os dirigentes acabem por assumir esta função, transformando a entidade-chefe em mera espectadora da casa que dirige.

É por esta razão que, não raro, os terreiros vivem cheios de conflitos internos, pois o dirigente acaba assumindo um papel que não lhe cabe, justamente, por não ter os meios que as entidades possuem para ver tão longe.

Cargos e funções

Já tivemos a oportunidade de estudar que as pessoas que exercem uma tarefa espiritual são preparadas espiritualmente para isso. Assim, quando a entidade-chefe convida alguém a exercer um cargo, não se trata de favoritismo, é simplesmente o reconhecimento do mérito da mesma e o cumprimento da sua tarefa espiritual.

Se realmente é a entidade quem dirige o terreiro e não o dirigente querendo fazer politicagens, ela sempre nomeará as pessoas certas para os cargos certos que, como dito no capítulo anterior, possuem uma glória mais imaginária que real.

Da mesma forma, se a entidade-chefe determina esta ou aquela função a esta ou aquela pessoa, é por entender que, no momento, é o melhor ela.

Assim, deveríamos estar contentes pelo simples fato de pertencermos a uma casa que, em última instância, não tem obrigação alguma de nos acolher, mas ainda assim nos acolhe.

Respeito

O respeito às determinações da entidade-chefe é o principal pilar do bom convívio no terreiro, pois a responsabilidade sobre os ombros desta entidade é enorme.

Assim, ela tem o direito e, mais, o dever de buscar sempre o melhor pensando no coletivo. É por esta razão que, frequentemente, adverte, chama a atenção, corrige, direciona ou mesmo suspende e expulsa um membro do terreiro, caso assim se faça necessário.

De modo geral, é muito tolerante, investindo em qualquer possibilidade de melhoria e reabilitação de um filho de fé, mesmo quando todo o restante da equipe já perdeu a esperança de “conserto”.

Abertura

Contudo, diferente do que possa parecer a princípio, os encarnados não devem seguir cegamente tudo que a entidade-chefe lhes diga, até por que, para se manifestar, ela precisa falar através do dirigente e, como médium, ele também é passível de erro.

Assim, tudo precisa passar pelo crivo da razão e do bom-senso.

A entidade-chefe está sempre aberta a ouvir as opiniões de todos, embora aceitar ou rejeitar tal proposição seja uma atribuição exclusivamente sua, não se trata de um procedimento tirânico em que um manda e outro executa de qualquer maneira: nós precisamos dela, tanto quanto ela precisa de nós.

O que deve ficar claro, no entanto, é que existem atribuições que competem às entidades e atribuições que são exclusivamente de cunho humano, cada um cuidando do que lhe compete e, juntos, executando um trabalho nos dois planos da vida.

Conclusão

Na Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, até hoje, o Caboclo das Sete Encruzilhadas é chamado de: chefe.

E isto por uma razão simples: ele era realmente o chefe da casa, não o Zélio, seu médium, cuja função se limitava a administração humana da casa, enquanto o caboclo fazia a gestão espiritual, decidindo como deveria ser o trabalho, quem entra ou quem sai, quem assume ou deixa de assumir tal tarefa, etc.

Infelizmente, essa separação de responsabilidades está cada vez mais rara à medida que, infelizmente, os dirigentes é que estão assumindo as atribuições que cabem aos espíritos.

Até o próximo estudo!

Leonardo Montes

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