segunda-feira, 4 de novembro de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 49 - OBSESSÃO

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Entre os escolhos que apresenta a prática do Espiritismo, cumpre se coloque na primeira linha a obsessão, isto é, o domínio que alguns Espíritos logram adquirir sobre certas pessoas. Nunca é praticada senão pelos Espíritos inferiores, que procuram dominar. Os bons Espíritos nenhum constrangimento infligem. Aconselham, combatem a influência dos maus e, se não os ouvem, retiram-se. Os maus, ao contrário, se agarram àqueles de quem podem fazer suas presas. Se chegam a dominar algum, identificam-se com o Espírito deste e o conduzem como se fora verdadeira criança”. O Livro dos Médiuns, Allan Kardec, item 226.

Definição

Obsessão é o domínio que alguns espíritos exercem sobre os encarnados (isso no sentido clássico do termo). Essa influência, geralmente, começa de forma sútil e, se não for combatida, evolui até quadros muito graves.

Embora seja causada por espíritos inferiores, nem sempre se dá por maus espíritos, isto por que, não raro, a obsessão pode ocorrer motivada por ignorância ou desespero.

Seja como for, é um assunto que merece a atenção do médium.

Mecanismo

Cada pessoa possui, em torno de si, uma espécie de reflexo de seus pensamentos e sentimentos, um campo energético que muitos místicos chamam de aura.

A aura revela, portanto, nossa verdadeira face espiritual.

O obsessor se aproxima da pessoa e, energeticamente, procura pontos de ligação, similaridade, entre a sua energia e a energia dele. Quando encontra estes pontos, procura estimulá-los, incentivá-los, para que mais energia daquela natureza seja gerada e, por consequência, maior seja seu domínio.

Exemplo clássico: bebida alcoólica.

O espírito desencarnou pelo vício do álcool e, no além, sente muita vontade de saciar sua sede. Aproxima-se, então, de alguma pessoa que possui o hábito da bebida e a estimula a beber cada vez mais para que possa absorver parte da energia da bebida (já estudamos em capítulos passados a força dessa energia) e assim aplacar um pouco a sua vontade.

Quanto mais estimula a pessoa a beber, maior será a afinidade entre a sua energia e a energia dela e quanto mais tempo durar essa relação, mais forte (e mais difícil de quebrar) será a força deste vínculo.

Perceba, portanto, algo fundamentalmente simples e importante em nosso exemplo: a pessoa tem o hábito de consumir álcool, por isso se torna passível de obsessão. Ela não bebe por que está sendo obsedada, mas por que possui esse hábito em si e é instigada pela entidade que passa a ser como um amigo de boteco, sempre disposto a compartilhar um drink.

Logo, ninguém é obsedado naquilo que não possui brechas.

Obsessão por viciação

Outro exemplo: cigarro.

Se a pessoa não tem hábito de fumar, o obsessor nem perde tempo em instiga-la nisso, pois não é capaz de criar algo que já não exista na própria pessoa. Pode apenas potencializar suas viciações, mas não tem o poder de criar uma viciação. Assim, ao invés de perder tempo tentando influenciar alguém que não possui o hábito de fumar, ele logo se dirige a quem voluntariamente possa lhe entregar essa energia.

Perceba que, em ambos os exemplos, o espírito não deseja, propriamente, prejudicar o encarnado, mas usufruir da sua energia e, principalmente, de seus vícios. Assim, embora inferior, nem sempre o obsessor é mal.

É dessas relações viciosas entre encarnados e desencarnados que surgiram expressões como encosto, por exemplo, já que para absorver melhor estas energias, o espírito realmente fica muito próximo da pessoa.

Não pense, contudo, que apenas álcool e fumo podem atrair obsessores. Basicamente, qualquer coisa que seja objeto de viciação humana: de sexo à chocolate, se tornam fatores potencialmente perigosos.

Obsessão por vingança

Muitas pessoas se espantam quando, nas reuniões de desobsessão, manifestam-se espíritos que buscam vingança, não entendendo como podem permanecer tanto tempo obstinados em um sentimento desta natureza.

Às vezes, manifestam-se espíritos que perseguem encarnados que lhes fizeram mal há séculos e estes ainda não os perdoaram.

Isso acontece, basicamente, pelo seguinte: para o espírito em sofrimento, a dor é algo que o tempo não aplaca. O espírito em desequilíbrio perde a noção do tempo, para ele, o que aconteceu há duzentos anos é como se tivesse ocorrido ontem, já que o ódio o cega e, geralmente, permanece sempre vagando a esmo pelo mundo ou sendo atraído para alguma região sombria...

Conheci uma senhora que, quando jovem, optou pelo aborto. Estava grávida de gêmeos e ambos os espíritos passaram a perturbá-la incessantemente. Quando a conheci, havia mais de cinquenta anos que eles a perseguiam...

Obsessão por oposição

Este tipo de obsessão ocorre quando os espíritos trevosos (isto é, que desejam que o mundo permaneça sempre um caos) elegem determinada pessoa como inimiga.

Neste caso, a motivação para a obsessão não é, propriamente, uma viciação nem uma vingança de caráter pessoal, mas um embate ideológico, por assim dizer.

Tais espíritos gostariam que a Terra permanecesse sempre um vale sombrio, para que pudessem reinar livremente instigando as paixões e cometendo todo tipo de crime.

Assim, quando alguém resolve fazer algo mais do que simplesmente olhar para o próprio umbigo ou legislar em causa própria, se torna potencialmente um inimigo para estas entidades.

Qualquer um que tente fazer algo de bom neste plano será alvo de espíritos assim que procurarão, a todo momento, influenciar para que desista do seu trabalho.

É sobretudo neste tipo de obsessão que os médiuns devem se atentar, pois fatalmente serão perseguidos por toda a vida a fim de que não levem adiante o seu compromisso espiritual.

Obsessão simples

Os vínculos obsessivos precisam ser construídos e isso leva tempo. A primeira etapa é a chamada obsessão simples que é, basicamente, uma ligação sutil, muitas vezes circunstancial, entre espírito e encarnado.

Em algum momento o obsessor se aproximará da pessoa, procurando as brechas que mencionei anteriormente. Quando as encontrar, procurará estimulá-las com sugestões mentais e energéticas, envolvendo a pessoa em suas energias.

A princípio, porém, as influencias serão eventuais, algo como: a ocasião faz o ladrão. Pois, assim que o encarnado mudar seu padrão de pensamento, a ligação é rompida.

Logo, o obsessor fica à espreita, como um animal, esperando o momento em que o encarnado cometerá o deslize necessário, gerando a energia que precisa para estabelecer o seu vínculo.

Por isso se chama de obsessão simples, pois começa de forma simples, sútil, leve, quase imperceptível, com a entidade se imiscuindo nos pensamentos e nos sentimentos das pessoas.

Exemplos:

Normalmente a pessoa ingere o conteúdo de uma garrafa de cerveja. Mas, num belo dia, no lugar certo, com as pessoas certas, uma garrafa não parece suficiente, a garganta teima em não lhe dar trégua e, mesmo não sendo habitual, de repente, sente um impulso, um desejo incontrolável de beber mais uma e ela assim o faz e, tão súbita quanto chegou, a vontade passa.

Num momento de raiva, normalmente, a pessoa se controlaria em seus impulsos, embora o desejo de agressão. Mas, em determinada ocasião, mesmo sem entender o motivo da sua reação, a pessoa se excede e depois acaba constrangida, não entendendo a razão de ter chegado a tal ponto.

A obsessão simples, apesar do nome, não é menos feia... É apenas uma forma inicial de uma relação perniciosa.

Fascinação

Este é o segundo degrau da escala obsessiva. Quando chega neste ponto, a relação obsessor/encarnado está muito fortalecida. O quadro evoluiu de uma influenciação circunstancial para algo costumeiro, justamente, devido ao longo tempo em que o encarnado ficou exposto as energias do espírito e em razão de suas próprias brechas morais que permitiram essa ligação.

Na fascinação, o obsessor não tem controle apenas sobre os impulsos do encarnado, mas também sobre seus pensamentos. Se na obsessão simples a relação é praticamente reativa (o obsessor espera a ação para reagir), na fascinação a afinidade energética entre ambos é tão intensa que ele é capaz de dar causa ao que deseja.

Se antes ele esperava o encarnado beber para sorver a energia, agora é capaz de influenciá-lo para que beba quando queira. A pessoa vai perdendo, assim, sua própria autonomia, tornando-se cativa nas “mãos” da entidade.

Contudo, neste grau, as mudanças comportamentais da pessoa são visíveis. Todos observarão que ela não está bem, que tem feito coisas estranhas, atitudes esquisitas e que precisa de ajuda.

Entretanto, como o obsessor mantém domínio sobre os pensamentos do encarnado, começa a sugerir-lhe que as pessoas querem controlá-lo, mandar em sua vida, que estão se metendo demais, que ele é capaz de tomar suas próprias decisões, enfim, assopra a discórdia em seus ouvidos e ele aceita com naturalidade essas sugestões, afastando-se de todos que poderiam tentar ajudá-lo.

No campo mediúnico, quando um médium está fascinado, sua mediunidade se torna improdutiva. Se for vaidoso, a entidade fará com que se sinta o melhor médium do mundo, contudo, as pessoas ao seu redor perceberão que já não é mais o médium que costumava a ser, com manifestações estranhas e inconvenientes: é o caso dos médiuns que incorporam toda hora, em qualquer lugar, quando a entidade diz que veio dar um recado, mas não fala nada com nada...

Subjugação

Quando chega neste terceiro estágio, o encarnado praticamente não tem mais controle sobre a própria vida. Apresenta crises estranhas, isola-se, assume um aspecto sombrio, debilitado, enfraquecido.

O obsessor exerce um domínio tão grande sobre sua vontade que se torna praticamente irresistível, controlando e direcionando o encarnado como a um fantoche.

São casos assim que deram origem as histórias de possessão demoníaca.

Neste estágio a pessoa já perdeu o emprego, já se afastou dos amigos, praticamente expulsou todos que queriam ajuda-la e está, lentamente, se afundando em hábitos destrutivos que, não raro, colocam sua vida em risco.

O primeiro estágio é facilmente tratável. O segundo já representa um desafio. Porém, o terceiro, as chances de melhora são mínimas, podendo mesmo levar à morte, pois os corpos ficam tão enfraquecidos que qualquer resfriado é forte o suficiente para desencarnar.

Tratamento

O tratamento para a obsessão é a desobsessão e consiste, basicamente, do seguinte:

1.    O obsedado deve receber passes pelo menos semanalmente (em casos mais graves, duas ou três vezes por semana) em qualquer casa de fé que se sinta bem;

2.   Deve assistir palestras ou ler coisas construtivas em matéria de espiritualidade, a fim de levar sua mente para padrões mais elevados;

3.    Deve se esforçar em combater as brechas que o ligam ao espírito, prestando muita atenção nas recomendações que os guias lhe trazem;

4.    Deve praticar o evangelho no lar, em família, separando um dia da semana para leitura e oração;

5.    Deve evitar ao máximo qualquer tipo de comportamento ou hábito de natureza viciosa ou destrutiva;

6.    Não deve deixar de frequentar sua casa de fé depois que apresentar os primeiros sinais de melhora, persistindo, pelo menos, até que receba alta;

7.  No que se refere a parte espiritual, o obsessor será encaminhado para a reunião de desobsessão que, em todo caso, não necessita da presença da pessoa para ocorrer.

Perceba, portanto, que dos sete pontos básicos para um trabalho desobsessivo, seis pontos dependem essencialmente da própria pessoa encarnada.

Conclusão

Todas as pessoas são passíveis de sofrer obsessão. Contudo, os trabalhadores espirituais, médiuns ou cambones, pela própria natureza do trabalho a que se entregam, facilmente serão perseguidos pelos obsessores e, por esta razão, devem se esforçar muito mais do que os demais que não estão neste meio para se preservarem e, acima de tudo, se cuidarem espiritualmente.

Não faltará apoio espiritual dos guias, contudo, precisamos ter em mente que a obsessão ocorre como um processo de hackeamento: o obsessor explora nossas vulnerabilidades e, a partir delas, invade nossos sistema. Logo, se queremos ser preservados da obsessão, precisamos combater as nossas vulnerabilidades.

Além do mais, precisamos estar sempre atentos à nossa reforma íntima (falaremos mais dela futuramente), bem como nos apegarmos a oração e a vigilância de nossos atos e sentimentos, que frequentemente são as brechas que nos ligam à estas entidades.

Até a próxima aula!

Leonardo Montes

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