domingo, 17 de novembro de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 55 - DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO

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O desenvolvimento mediúnico é um processo de aprendizagem muito importante na vida do médium, do terreiro e da Umbanda. É o processo que garante a continuidade do terreiro e mesmo da religião, pois como uma religião essencialmente mediúnica, fundada e sustentada na mediunidade, a Umbanda só pode ser passada geração após geração graças ao desenvolvimento mediúnico.

Chamado

Conforme já estudamos em outros capítulos, o médium é preparado no mundo espiritual para exercer a sua tarefa no mundo físico. Assim, trás em si o gérmen da mediunidade que, em algum momento, desabrochará, dando sinais pacíficos ou tormentosos, conforme a natureza do próprio médium.

Seja como for, os médiuns que devem atuar na Umbanda chegarão até um terreiro e receberão, das entidades, a confirmação da sua faculdade. Às vezes, as entidades lhe oferecem na hora a oportunidade de trabalhar, em outras ocasiões, demorará ainda algum tempo para que o convite chegue. Seja como for: quem tiver que se desenvolver, receberá este convite.

Neste processo, é muito importante que os médiuns encontrem um bom terreiro, uma casa de caridade, de fraternidade, onde não se cobra para atender, ensinar ou desenvolver, a fim de que possam fazer um correto desenvolvimento, já que, infelizmente, são numerosos os relatos daqueles que tendo começado pela contramão, frequentemente, penam para reaprender quando finalmente encontram uma boa casa...

Antes de aceitar o compromisso, é bom que o médium medite se realmente quer trilhar este caminho, pois não existe ex-médium: uma vez desenvolvido, a mediunidade estará sempre gritando em sua cabeça para ser trabalhada. Não há retorno!

Desenvolvendo o médium

Muitas pessoas acham que desenvolver a mediunidade é apenas ensinar o médium a incorporar. Porém, isto é apenas uma parte do processo. A parte mais difícil, mais delicada, é o desenvolvimento do médium, isto é, a educação mediúnica da pessoa, a assimilação dos valores do terreiro e, acima de tudo, o despertar para uma vida nova.

Desenvolver o médium, quase sempre, leva mais tempo do que desenvolver a mediunidade. Muitas vezes vi médiuns mediunicamente prontos, mas emocionalmente ainda imaturos, fazendo com que seu processo se alongasse muito mais tempo do que o necessário, não por causa da mediunidade, mas em razão do seu comportamento.

Assim, digo aos médiuns iniciantes: não foquem tanto na incorporação, em si. Foquem em aprender: aprender as normas da casa, aprender as diretrizes para realização de um bom trabalho, aprender quando falar e quando ouvir, aprender os fundamentos, os princípios básicos, essas coisas todas são muito mais importantes do que a incorporação, propriamente, pois são elas que nortearão uma prática sadia, ao longo de toda a vida.

Os médiuns que se desenvolverem neste quesito, abrindo seus corações para uma vida nova, uma vida de valores espirituais que se refletirão em seus comportamentos, no dia-a-dia, sem dúvida alguma, farão um belo desenvolvimento mediúnico.

Desenvolvendo a mediunidade

O gérmen da mediunidade, estando no próprio médium, precisa apenas das condições adequadas para começar a brotar. É justamente esta a função de um terreiro: propiciar o ambiente adequado para que a semente brote, cresça e, futuramente, dê frutos.

Por esta razão, é fundamental que o desenvolvimento seja feito em um terreiro, pois este é o ambiente preparado para isso, com todas as firmezas necessárias, além da presença de pessoas mais experientes que ajudarão o médium em seus passos iniciais e em suas dúvidas.

Muitas pessoas, porém, insistem em fazer uma espécie de “autodesenvolvimento” ou um “desenvolvimento em casa” com ajuda de algum médium mais experiente... Contudo, o resultado destas práticas, quase sempre, são um desastre.

Uma vez estabelecido o ambiente adequado, isto é, o espaço do terreiro, os médiuns iniciantes se colocarão dentro da corrente e estarão aptos a iniciar o processo de incorporação que consiste, basicamente, em: irradiação, incorporação, firmeza e trabalho.

Irradiação

A irradiação não é a incorporação propriamente, mas o primeiro estágio dela. É o momento em que o médium e a entidade estão com seus chakras em fase de alinhamento, quando, então, o médium recebe em seu corpo as energias da entidade, sentindo um arrepio, queda de pressão, tremores, etc.

Costumo dizer que a incorporação é como a quinta marcha num carro comum e que a irradiação é a primeira, isto é, o ponto inicial para tirar o carro da inércia.

Este processo de alinhamento dos chakras não é repentino na maioria dos casos, levando alguns meses para acontecer de forma satisfatória, pois a princípio, o corpo tente a rejeitar essa ligação como um mecanismo de defesa, a fim de manter a integridade do próprio corpo.

Nesta fase, é fundamental que o médium se entregue e confie na casa onde está se desenvolvendo, procurando seguir corretamente as diretrizes e normas da mesma, sem pressa para concluir esta fase que deve levar o tempo necessário.

Incorporação

Ao cabo de alguns meses, se o médium seguir corretamente as instruções, ele deve ser capaz de incorporar, isto é, receber o seu guia. Nesta fase, mais do que simplesmente alinhar, os chakras estarão conectados. É a fase em que o médium se acostuma com a energia do guia e o guia com a energia do médium.

Inicialmente, a ligação será sutil, de modo que o médium ficará confuso, pensando se é ele ou a entidade quem está agindo. Contudo, com o passar dos meses, a incorporação será cada vez mais forte e robusta.

Ao cabo de algum tempo, a incorporação estará firme o suficiente para que a entidade risque seu ponto e faça uso de algum elemento que, a princípio, deve ser lhe oferecido em pequenas doses.

Quando a incorporação estiver forte o suficiente para que a entidade diga seu nome corretamente, risque seu ponto corretamente, passa-se a próxima etapa: firmeza.

Firmeza

A firmeza é uma etapa muito importante no desenvolvimento. Ela revela que o médium já caminhou bastante, já progrediu em seu desenvolvimento mediúnico e está apto para a última fase do seu desenvolvimento.

Nesta etapa, o fundamental é manter a incorporação pelo maior tempo possível, afinal, não adianta nada incorporar direito, riscar ponto, fumar charuto e só aguentar ficar meia hora em transe com uma longa assistência para ser atendida...

Por esta razão, na firmeza, o médium incorpora, risca seu ponto e fica quieto no seu canto, conversando mentalmente com a entidade. É o momento de estreitar a relação com o guia, receber seus conselhos, orientações, diretrizes. 

A incorporação ainda não está robusta o suficiente para quem sejam dados conselhos ou orientações, por isso, é fundamental que o médium aprenda a respeitar o tempo e permaneça em silêncio, muito embora, sua gritante vontade de conversar...

É aqui (pelo menos em nossa casa), que inicia o desenvolvimento com a esquerda, processo que consideramos muito importante, pois as entidades da esquerda, por terem uma energia mais densa, são sempre mais fáceis de incorporar. Por isso, é preciso que o médium esteja incorporando bem pelo menos preto-velho e caboclo para só então chegar às entidades da esquerda.

Quando o médium conseguir permanecer incorporado até o fim dos trabalhos na firmeza, ele estará pronto para ser liberado para a linha de passe e consulta.

Em nossa casa, o desenvolvimento leva, em média, um ano e meio a dois anos para ser concluído. Fazemos desenvolvimento duas vezes ao mês. Este é o tempo médio, mas não há limites: há quem demore mais ou menos.

Trabalho

Depois de todas as etapas percorridas, o médium finalmente está pronto para ir para a linha de passes, isto é, pronto para receber seus guias que atenderão a consulência.

Em nossa casa, não há nenhuma cerimônia para isso e, normalmente, os médiuns são pegos de surpresa: eles chegam achando que vão apenas firmar e, em dado momento, o chefe espiritual avisa que começarão naquele dia.

A maioria pensa que não está pronta e, se deixasse a critério dos próprios médiuns, alguns passariam a vida inteira achando que não estão prontos... É o drama do médium: a princípio sofre com a ansiedade e, depois, não se sente pronto para começar.

Seja como for, o fim do desenvolvimento mediúnico é o fim apenas da obrigação básica, primária, entre o médium e o terreiro. A partir de então, o médium é responsável, juntamente com seus guias, sobre sua própria vida e sobre sua mediunidade.

Contudo, este aprendizado não cessa jamais: há sempre algo a aprender e os anos trazem magníficas oportunidades de aprendizagem.

Entretanto, vale a pena refletir em algo que O Velho sempre diz: 

- Acender a chama é fácil, manter a chama acesa é difícil. 

E é mesmo!

Até a próxima aula!

Leonardo Montes



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