quinta-feira, 14 de novembro de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 54 - GIRAS DE CARIDADE

Imagem do google

As giras de caridade são a porta de entrada de muitos para o universo da Umbanda e mesmo para o desenvolvimento de suas mediunidades. Trata-se de uma atividade pública gratuita, aberta a todos, onde se pode consultar e receber passes das entidades.

Gira de caridade

A gira de caridade (ou gira pública) é a principal atividade do terreiro e o objetivo final do processo de desenvolvimento mediúnico: os médiuns não se desenvolvem para se deslumbrarem com suas faculdades, mas para que sejam instrumentos de paz e conforto espiritual.

A gira é o momento em que o corpo mediúnico do terreiro se reúne para receber os guias que atenderão um a um os consulentes que dela participarem.

É nas giras que se pode obter conselhos e diretrizes para a vida, além de receber passes e/ou tratamentos espirituais visando a melhora da saúde física, mental e espiritual.

Em resumo: é um misto de consultório terapêutico e enfermagem espiritual.

Aos consulentes

Consulentes são as pessoas que frequentam a gira para se consultar. Qualquer pessoa pode participar e se beneficiar da mesma. Contudo, gostaria de sugerir algumas dicas aos consulentes:

1.    Vá com roupa condizente a um espaço religioso (isto é, nada de roupas escandalosas ou que deixem o corpo à mostra, tanto para homens quanto para mulheres);

2.    Ao entrar no terreiro, procure se desligar do mundo lá fora. Mantendo o silêncio e a concentração. Se precisar conversar, fale baixo e seja breve;

3.    Deixe o celular no silencioso ou mesmo desligado (já que não poderá atende-lo), e de forma alguma fique mexendo no mesmo;

4.    Nunca se esqueça do valor da oração. O trabalho começa antes da gira e se estende para depois dela. O consulente que ora já está no meio do caminho para receber o que procura.

Essas cinco dicas simples são fundamentais para se ter uma boa experiência dentro de um terreiro. Infelizmente, contudo, a imensa maioria dos consulentes dos terreiros são mal-educados, conversando o tempo todo durante a gira, mexendo no celular ou mesmo rindo e fazendo brincadeiras...

Em matéria de espiritualidade, silêncio e concentração são fundamentais. O consulente que fica disperso a gira inteira, ao entrar para o passe, receberá apenas uma fração do que poderia receber, já que seus pensamentos dispersos funcionarão como escudo, repelindo as boas energias das entidades...

Entrada para o Congá

Geralmente, as casas pedem que as pessoas tirem seus calçados ao entrarem para o passe. Isso acontece pelo mesmo valor simbólico explicado no início deste curso: os pés descalços simbolizam a igualdade entre todos.

Ao se aproximar da entidade, deve-se cumprimenta-la, mantendo, em seguida, o pensamento elevado na oração para receber melhor o passe.

Na sequência, a entidade provavelmente dirá alguma coisa ou perguntará se o consulente deseja falar algo. É neste momento que a pessoa deve conversar sobre o que desejar.

Depois da conversa, a entidade se despede e o consulente pode se retirar, voltando ao seu lugar na assistência.

Aos médiuns

A gira é de fundamental importância não apenas para os consulentes que dela se beneficiarão, mas também para os médiuns, pois é o momento do exercício da caridade, é a coroação do esforço, a razão principal de ser e estar na Umbanda, por isso, não pode ser negligenciada.

Infelizmente, contudo, é muito grande o número de médiuns com pouca força de vontade e ávidos por desculpas. Tudo é desculpa para faltar ao trabalho: estava frio, estava quente, chovia, estava seco demais, trabalhei até tarde, não dormi direito, etc.

Eu conheci uma senhora que morava na Áustria e que frequentava, semanalmente, um centro espírita na Bélgica. Sempre que eu contava essa história para alguém, as pessoas me diziam:

- Ah, mas para ir toda semana de um país para outro tem que ter muito dinheiro!

Ao que eu respondia:

- Tem mesmo. Mas, antes, tem que ter vontade!

Eu me desenvolvi numa casa onde uma família inteira vinha do interior de SP toda semana para poder fazer o desenvolvimento (400 km, ida e volta). Eles deixavam tudo pronto em casa para chegar do serviço e sair sem demora, chegando no terreiro sempre com antecedência, ao passo que pessoas que moravam no mesmo bairro do terreiro viviam chegando em cima da hora, quando não faltavam sem maiores justificativas.

O médium que falta sem se justificar e que não se interessa em saber sobre o trabalho que aconteceu é um inconsequente, cuja consciência ainda está adormecida... O médium responsável, todavia, sempre que precisa faltar, além de sentir um aperto no coração, procura tudo fazer para minimizar a sua ausência.

Contudo, é preciso não ver em minhas palavras uma espécie de “ditadura da mediunidade”. A vida é dinâmica e todos nós podemos ter mil compromissos. Ninguém precisa sacrificar o aniversário da avó para estar no terreiro. Contudo, é preciso entender que existe enorme diferença entre faltar de vez em quando e ir de vez em quando.

Conclusão

A gira é o principal evento espiritual no terreiro e que beneficia a todos: consulentes, médiuns e cambones. É o momento em que a espiritualidade está mais próxima de nós, ombro a ombro, auxiliando com suas energias e palavras, de modo que nossas forças físicas, mentais e espirituais são reabastecidas. Daí sua importância!

Até a próxima aula!

Leonardo Montes


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