quinta-feira, 28 de novembro de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 60 - LITERATURA INDICADA (FINAL)

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Chegamos, finalmente, ao fim deste estudo. Foram quase oito meses para sua produção, centenas de páginas escritas com todo amor, carinho e conhecimento que possuo.

Daqui a alguns anos, certamente, visitarei tudo novamente, lendo as páginas e analisando (como faço com as reflexões), para ver se ainda mantenho o mesmo ponto-de-vista em relação aos assuntos tratados. Quem sabe?

Caminhemos, portanto, para o seu encerramento.

Literatura na Umbanda

A Umbanda cresceu de forma caótica e a sua literatura também. A bem da verdade, quando comecei a ler livros de Umbanda a impressão não foi positiva. Os autores não se entendiam entre si, cada um falava uma coisa.

É por esta razão que eu raramente mencionei algum livro de Umbanda neste estudo, não indicando a literatura de nenhum autor, exceto os de cunho histórico.

Cada autor formou sua compreensão tendo em vista o que aprendeu e vivenciou no terreiro. Como as experiências foram plurais e diversas, a literatura também se tornou plural e diversa.

Não conheço um único autor cuja visão de Umbanda se aproxime do que vivenciei e aprendi em terreiro. Assim, colhi contribuições aqui e ali, mas não posso apontar a vocês uma obra de cunho doutrinário que pudesse resumir o que aprendi.

Aliás, foi por isso que escrevi este curso...

Contudo, ao escrever sobre Umbanda, eu também me insiro neste universo plural e diverso. Certamente, muitas pessoas, ao correrem os olhos por estas páginas também discordarão de mim, é natural.

Em relação aos autores clássicos que porventura você esteja pensando, não os indiquei pelo seguinte:

Todos os autores de Umbanda que li até hoje sofriam do mesmo problema: eles ofereciam a sua visão sobre a religião como sendo a única, a melhor, a verdadeira, a correta compreensão de Umbanda, quando deveriam ter oferecido apenas uma compreensão, uma visão, não a única ou a melhor, etc.

Entretanto, por não indicar algum livro, isto não quer dizer que eu não recomende a leitura dos mesmos, pelo contrário, acho que todos que se interessam seriamente devem ler tudo quanto puderem, mas deixo isso com vocês.

Eu apenas não os indico como fontes doutrinárias complementares a este estudo, fontes que embasem a visão que apresentei neste curso, exceto os livros de cunho histórico, como estes:

   1.    O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda, de Leal de Souza;
    2.    História da Umbanda – Uma religião brasileira, de Alexandre Cumino;
   3.    História da Umbanda no Brasil (toda a série), de Diamantino Fernandes Trindade.

Literatura espírita

Muitos umbandistas creem que a Umbanda não deva adotar a literatura espírita como parte de seus fundamentos doutrinários. Entendem essas pessoas que a religião precisa de uma literatura própria e alguns até se esforçam em produzi-la.

Contudo, penso que este pensamento seja um erro.

Em primeiro lugar, foi o próprio Caboclo das Sete Encruzilhadas, no regimento interno da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, quem recomendou a leitura de três dos cinco livros básicos de Allan Kardec:

Regimento interno da TENSP
Em segundo lugar, por que estas obras traduzem uma revelação do mundo espiritual aceita pelas entidades na Umbanda. Negar isso, seria o mesmo que dizer aos protestantes que, por discordarem dos católicos, eles devessem escrever uma nova bíblia...

O umbandista é convidado a estudar estas obras que darão fundamento às suas práticas, por que o Espiritismo é uma das vias de influência da religião, simples assim!

Aprenda a doutrina do seu terreiro

Acima e, além de qualquer autor, convém que o estudante de Umbanda não se esqueça de aprender a doutrina do terreiro onde atua. De nada adianta conhecer autor A e B e não conhecer os fundamentos da própria casa.

Com muita frequência se esquece que o terreiro é uma verdadeira universidade do espírito e que muito se aprende com as entidades, varrendo chão, ouvindo conselhos e orientações dos mais experientes, etc.

Há pessoas que deixam de aprender com as entidades para perguntarem a mim: não faça isso!

Mais importante do que eu penso, do que autor A ou B pensam, é o que se faz onde você atua. Portanto, esforce-se em aprender a doutrina do seu terreiro, para que você se torne um trabalhador útil na casa onde Deus te chamou ao serviço espiritual!

Encerramento

Encerro este estudo agradecendo a paciência e a natural compreensão das falhas, omissões ou mesmo incongruências que os estudantes venham a encontrar neste material.

Trata-se - é preciso lembrar -, de uma iniciativa simples, de uma pessoa simples, um médium como qualquer outro e não um tratado de religião.

Por isso resolvi publicá-lo em um blog, disponibilizá-lo posteriormente em PDF, gratuitamente, para que todos que se interessem possam tirar algum proveito, sem pretensão de infalibilidade, mas com desejo sincero e fraterno de oportunizar um aprendizado proveitoso a todos, especialmente aos leigos e aos que se simpatizem com esta maneira de ver e pensar Umbanda.

O estudo da religião é imenso, aqui demos apenas alguns passos!

Leonardo Montes

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quarta-feira, 27 de novembro de 2019

COMPORTAMENTO NO TERREIRO: MAU HUMOR

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Você acordou de mau humor? Levantou com o pé esquerdo? Está com a avó atrás do toco? Muito bem, saiba que muitas pessoas passam por isso e, não raro, todos experimentam alguns dias assim durante o ano, não é mesmo?

Contudo, lembre-se do seguinte: isso é um problema seu!

Isto mesmo: seu!

Ninguém é obrigado a aguentar mau humor alheio. Não está bem? Ok, é um direito seu... Contudo, você não precisa tratar mal as pessoas do terreiro, precisa?

Ou você acha que todo mundo tem a obrigação de aguentar sua inhaca? A resposta é um sonoro: não, não mesmo!

Se você não se sentir bem, se não quiser conversar, se não estiver à vontade, chegue de mansinho, fique no seu canto, peça apoio e ajuda a espiritualidade, faça o possível para elevar sua energia.

Se alguém tentar puxar conversa com você, seja sincero e diga que não gostaria de conversar hoje, que prefere “ficar quietinho”... É mais honesto e fraterno do que simplesmente dar uma má resposta a alguém que provavelmente está te abordando com boa vontade e que, em última instância, não tem nada a ver com seus problemas...

Além do mais, o terreiro é um espaço sagrado, onde as pessoas devem se tratar, no mínimo, com cordialidade e educação. Se você não consegue isso, então, melhor ficar em casa, pois do contrário, as pessoas bem cedo perceberão este seu vai e vem e logo começarão a te jogar para escanteio...

Que o mau humor é uma dificuldade como qualquer outra, é evidente. Contudo, é preciso que nos dediquemos de corpo e alma a sanar nossas feridas, sob pena de acabarmos sozinhos, destino quase certo de todos os que veem a vida em tons de cinza...

Leonardo Montes

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PODCAST - UMBANDA SIMPLES #1






Para fazer o download do arquivo em MP3 para seu aparelho, clique aqui.

Temas deste podcast: Aceitação da mediunidade, quem ritualizou a Umbanda?, andar em brasa, receber várias entidades, médium fumando na porta do terreiro, Orixá incorpora?, pode-se desenvolver sentado?, gravidez e aborto, médium de transporte, etc. 

Música: Canto a Oxalá - Caminhantes da Luz

Email: leo@umbandasimples.com.br 

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terça-feira, 26 de novembro de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 59 - NECESSIDADE DE ESTUDO

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O estudo é fundamental em todas as áreas da vida, pois é um dos maiores legados da humanidade: a capacidade de transmitir às novas gerações o conhecimento acumulado nas anteriores.

Contudo, nem sempre foi assim.

Século XX

Estudos mais recentes mostram que há pelo menos 11 milhões de analfabetos no Brasil. Tente imaginar, agora, no começo do século XX, quando a Umbanda nasceu e se espalhou.

As pessoas não sabiam ler (diferentemente de hoje que sabem, mas não querem) e para se informarem sobre a religião tinham que recorrer, necessariamente, a sabedoria dos mais velhos, razão pela qual o conhecimento foi transmitido quase que exclusivamente via oralidade.

Neste período, a maioria dos médiuns de incorporação eram inconscientes e isso se deu pela necessidade da espiritualidade em fundamentar a religião, o que exigia maior domínio do corpo do médium para que a entidade pudesse trabalhar de maneira mais livre.

Para assegurar a veracidade das manifestações haviam muitos testes para confirmar se a pessoa realmente estava incorporada: andar sobre brasas, engolir fogo, comer caco de vidro, etc. As pessoas acreditavam que estes testes eram necessários para provar a manifestação (embora em qualquer circo se faça o mesmo, sem estar incorporado...).

Havia também a crença de que o médium nada precisava saber, que o guia sabia tudo (o que, em partes, se justificava pela inconsciência do transe, embora o médium inconsciente também influencie na manifestação).

Os médiuns começavam a gira, apagavam, retornavam ao final e iam para casa. Faziam isso durante anos e praticamente nada aprendiam, senão, aquilo que conseguiam pegar aqui e ali.

Contudo, conforme os fundamentos foram estabelecidos e o tempo avançava, a inconsciência foi perdendo espaço para a consciência (que, diga-se, sempre existiu, mas eram poucos os médiuns conscientes), o que acabou gerando diversas crises (existem obras das décadas de 1950/1960 em que autores tentam explicar as razões desta mudança).

Assim, a necessidade de saber, de entender, de aprender, tornou-se cada vez mais forte. Neste período, as pessoas começaram a se interessar mais sobre a religião e começaram a procurar mais informações, o que fez com que vários autores clássicos da religião escrevessem suas obras, atendendo a esta necessidade.

Estudo

Apesar de tardiamente se interessarem pelo estudo, o fato é que há bastante tempo já se sabia sobre a importância do mesmo. Em O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, é dito o seguinte:

“Assim, quando encontramos em um médium o cérebro povoado de conhecimentos adquiridos na sua vida atual e o seu Espírito rico de conhecimentos latentes, obtidos em vidas anteriores, de natureza a nos facilitarem as comunicações, dele de preferência nos servimos, porque com ele o fenômeno da comunicação se nos torna muito mais fácil do que com um médium de inteligência limitada e de escassos conhecimentos anteriormente adquiridos.”

Assim, o que os antigos pensavam sobre o estudo estava profundamente errado e isso é sempre um alerta: não é por que algo é antigo que é bom ou verdadeiro. As pessoas, devido a falta de estudo, pelas próprias condições socioeconômicas em que viviam, tinham uma compreensão bastante equivocada deste processo.

Intérprete

O médium é o intérprete dos espíritos, não uma marionete nas mãos deles. O médium tem a faculdade de receber o pensamento do espírito, interpretá-lo e então realizá-lo no mundo material.

Continuando a citação:

“Com um médium, cuja inteligência atual, ou anterior, se ache desenvolvida, o nosso pensamento se comunica instantaneamente de Espírito a Espírito, por uma faculdade peculiar à essência mesma do Espírito. Nesse caso, encontramos no cérebro do médium os elementos próprios a dar ao nosso pensamento a vestidura da palavra que lhe corresponda e isto quer o médium seja intuitivo, quer semi mecânico, ou inteiramente mecânico. Essa a razão por que, seja qual for a diversidade dos Espíritos que se comunicam com um médium, os ditados que este obtém, embora procedendo de Espíritos diferentes, trazem, quanto à forma e ao colorido, o cunho que lhe é pessoal.

Portanto, estude pouco ou muito, todo médium (mesmo os inconscientes), influenciam nas manifestações, já que o pensamento do espírito, ao ser recebido pelo cérebro do médium, passará por um processo de decodificação conforme a cultura do próprio médium: é um processo de tradução da informação.

Logo, o medo de que o médium ao estudar venha a influenciar negativamente a manifestação não se sustenta.

Necessidade do estudo

Um exemplo pessoal:

Certa feita, um guia queria recomendar ao consulente o banho de Pinhão Roxo. Eu não conhecia esta planta. Assim, vinham na minha cabeça: Pinha, Pinheiro, Pinhal, Roxo, Banho, e eu não entendia o que a entidade queria dizer.

Ela dizia, claramente: Pinhão Roxo, mas como eu não conhecia a planta, meu cérebro recebia o pensamento e buscava as palavras mais próximas (dentro do banco de dados disponível, isto é, o meu conhecimento), que pudessem se encaixar de forma adequada ao que a entidade queria dizer.

É por isso que o médium precisa estudar, não para ensinar a entidade ou atender em seu lugar, mas para que possa ser melhor instrumento para a espiritualidade.

“Efetivamente, quando somos obrigados a servir-nos de médiuns pouco adiantados, muito mais longo e penoso se torna o nosso trabalho, porque nos vemos forçados a lançar mão de formas incompletas, o que é para nós uma complicação, pois somos constrangidos a decompor os nossos pensamentos e a ditar palavra por palavra, letra por letra, constituindo isso uma fadiga e um aborrecimento, assim como um entrave real à presteza e ao desenvolvimento das nossas manifestações.

“Por isso é que gostamos de achar médiuns bem adestrados, bem aparelhados, munidos de materiais prontos a serem utilizados, numa palavra: bons instrumentos, porque então o nosso perispírito, atuando sobre o daquele a quem mediunizamos, nada mais tem que fazer senão impulsionar a mão que nos serve de lapiseira, ou caneta, enquanto que, com os médiuns insuficientes, somos obrigados a um trabalho análogo ao que temos, quando nos comunicamos mediante pancadas, isto é, formando, letra por letra, palavra por palavra, cada uma das frases que traduzem os pensamentos que vos queiramos transmitir.

O mesmo vale para a incorporação.

Estudo para a vida

Saindo um pouco do âmbito da mediunidade, o estudo também é importante para que o médium aumente a sua cultura, o seu saber e se torne uma pessoa com melhores ferramentas à sua disposição, caso queira se melhorar enquanto indivíduo.

O estudo da espiritualidade, como um todo, enriquece o nosso saber espiritual e melhora nossa compreensão da religião.

Quantas pessoas há, muitas vezes trabalhadoras da religião, e que não dizem nada de útil? Que não são capazes, sequer, de oferecer uma simples explicação para um leigo?

Somos formadores de opiniões!

A palavra de um médium que atue em terreiro tem peso de chumbo para um leigo. Por isso, chega a ser quase incompreensível o descaso da maioria dos umbandistas frente a possibilidade de aprender mais sobre a própria religião, embora haja, hoje em dia, uma febre de curiosidade, mas não passa disso: curiosidade. Uma vez satisfeita a curiosidade, a empolgação vai embora e o interesse desaparece como que por encanto.

Seja como for, nunca tivemos tantas possibilidades: livros, cursos, blogs, podcast, canais, páginas, enfim, abundam informações das mais diversas naturezas pela internet de modo que todos podem ter acesso, se quiserem.

Até o próximo estudo!

Leonardo Montes

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segunda-feira, 25 de novembro de 2019

COMPORTAMENTO NO TERREIRO: COMPROMETIMENTO

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Vou começar este texto com uma verdade simples e fundamental: ninguém é obrigado a estar em um terreiro! Apesar de óbvio, é muito importante que não esqueçamos desta nossa escolha, isto mesmo: escolha!

Estar em um terreiro é uma questão de escolha.

A pessoa escolheu estar no terreiro em tal dia e tal horário. Ela poderia escolher tantas outras coisas, mas escolheu o terreiro. Pois, bem!

Se é uma escolha, fruto da vontade, do livre-arbítrio do indivíduo, é desejável que não esqueçamos do que ocorre após uma escolha feita: o comprometimento!

Comprometimento, basicamente, significa que você vai honrar o compromisso assumido

Compromisso este - vamos lembrar mais uma vez -, escolhido voluntariamente!

Portanto, não há espaço no terreiro (e muito menos na Umbanda), para pessoas que fazem tudo “nas coxas”; que chegam ao terreiro como um zumbi, arrastando os pés de preguiça; que mais faltam do que comparecem; que não participam ou se envolvem com nada; que vivem arrumando mil desculpas para tudo, como se trabalhar no terreiro fosse um tormento e não um prazer, etc.

Quantas pessoas há que verdadeiramente não se importam com o trabalho, apresentando, quase sempre, as mais variadas desculpas para seus deslizes: esqueci de fazer o resguardo, esqueci de lavar a roupa branca, esqueci de comprar vela, esqueci de trazer o cachimbo, esqueci que hoje era meu dia de limpeza, etc.

Será que você realmente esqueceu ou será que você simplesmente não ligou a mínima para isso?

É claro que, eventualmente, todos podemos esquecer alguma coisa ou nos defrontarmos com uma dificuldade de última hora. Mas, em grande parte das vezes, este esquecimento simplesmente traduz falta de compromisso, falta de interesse sincero e verdadeiro.

É o velho hábito de achar que alguém sempre vai fazer por nós!

Encerro este texto, porém, afirmando o seguinte: não precisamos nos dedicar mais do que prometemos dedicar. Nenhuma entidade pedirá que deixemos de lado nossa vida social para nos dedicarmos exclusivamente ao trabalho espiritual...

A única coisa que os guias esperam de nós é que cumpramos aquilo que prometemos, nada mais!

Como diziam os antigos: “ninguém é obrigado a prometer nada, mas se prometer, tem que cumprir”.

E tem mesmo!

Leonardo Montes 

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domingo, 24 de novembro de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 58 - REFORMA ÍNTIMA

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Reforma íntima é um assunto de acentuada importância dentro de um terreiro de Umbanda e jamais deve ser desconsiderado pelos interessados. Basicamente, este conceito se refere ao processo de autoaperfeiçoamento moral que todos devemos ter por meta em nossa vida terrena.

Inferiores

Todos os dias, ao ligarmos a TV, nos deparamos com notícias de crimes e confusões das mais diversas ordens, o que revela, em parte, a natureza do nosso mundo, ainda bastante imperfeito.

E isso acontece porque a maioria dos espíritos que encarnam na Terra são espíritos com severas dívidas com o passado, mais próximos do ponto de partida que do ponto de chegada na escala evolutiva.

De modo geral, o nosso padrão vibratório tende a ser baixo. Nós temos momentos de alegria, momentos de paz, momentos de felicidade, mas na maior parte do dia, estamos cansados, estressados, com raiva, etc. Isto é, a nossa natureza é claramente ainda inferior!

Contudo, não digo isso para desanimar, pelo contrário, o objetivo é nos conscientizarmos da nossa pequenez espiritual e, com isso, nos esforçarmos para nos tornarmo-nos pessoas melhores.

É no reconhecimento das nossas imperfeições que está a chave do aperfeiçoamento moral.

Passado

Estando claro a nossa inferioridade enquanto espíritos, é preciso não esquecer que a maioria de nós possui um passado desolador, recheado de erros, crimes e enganos, gerando uma dívida “cármica” enorme.

Esse passado bate a nossa porta constantemente, através das nossas provações e nos perseguirá por toda a vida, como um carrasco, cobrando as nossas dívidas à medida que nos impede a novos campos de ação.

É por esta razão que as entidades nos estimulam, o tempo todo, ao trabalho, a caridade, ao auxílio ao próximo, pois apagamos os erros do passado conforme escrevemos o bem nas páginas da vida atual.

É muito importante que o umbandista não se esqueça disso, até como vacina contra males como: a vaidade, a soberba, a arrogância, a prepotência que poderão jogá-lo ao chão num piscar de olhos.

Autoconhecimento

Há uma frase antiga, caída no gosto popular, que diz: Conhece-te a ti mesmo. Contudo, a frase original, era mais complexa e profunda. Ela estava no templo de Delfos e foi difundida por Platão:

“Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses”.

Percebe-se, assim, que a busca pelo conhecimento de si é tão antiga quanto a humanidade e isso ocorre, justamente, por ser meta essencial do processo evolutivo do espírito que, para galgar mais altos graus de espiritualidade, precisa conhecer bem o terreno que pisa.

O espírito Santo Agostinho, em O Livro dos Espíritos, sugere um método simples e eficaz para o conhecimento de si mesmo:

“Fazei o que eu fazia quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma. Aquele que, todas as noites, evocasse todas as ações que praticou durante o dia e inquirisse de si mesmo o bem ou o mal que fez, rogando a Deus e ao seu anjo guardião que o esclarecessem, grande força adquiriria para se aperfeiçoar, porque, crede-me, Deus o assistiria.

Assim, é indispensável ao caminhante da senda umbandista que aprenda a conhecer-se, se de fato deseja evoluir.

Reformar-se

Reformar-se, contudo, não é um processo simples e, menos ainda, indolor. Trata-se de um esforço contínuo, com altos e baixos, avanços e retrocessos, que pode levar anos, décadas ou mesmo vidas para se concretizar.

Contudo, dure o tempo que durar, o que importa é persistirmos até o fim!

Identificar o que em nós precisa de mudança é muitas vezes doloroso, até por que, não raro, faz parte da nossa personalidade agir assim ou assado. Quantas pessoas por aí não exaltam sua truculência como um gênio forte? Quantas pessoas não se veem como pacíficas quando na verdade são simplesmente preguiçosas?

Quando alguém nos aponta o dedo, mostrando-nos a chaga, podemos nos ruborescer ou irarmos. Contudo, no processo de reforma, não haverá dedos apontando e, menos ainda, alguém nos vigiando ou cobrando nossas ações e correções: tudo acontece em nossa própria consciência!

Entretanto, nem tudo são pedras.

Deus, em sua infinita bondade, também nos oferece diversos bálsamos. O mais comum é o apoio das entidades. Como é gratificante ouvir de uma entidade que verdadeiramente conhece o nosso coração:

- Filho, estou muito feliz com seu progresso!
- Continue assim, o caminho é este!
- Fico contente em ver sua melhora!

Etc.

Os guias, como já estudamos, são como bondosos amigos que nos acompanharão durante toda essa nossa jornada e que estarão sempre dispostos a nos acolher, orientar, puxar a nossa orelha ou nos oferecer um colo amigo... Por isso, é uma verdadeira honra poder contar com esse apoio!

Como quem pratica a reforma íntima há 18 anos, aconselho:

Não tenha pressa! Você, assim como eu, deve ter séculos de erros que não serão resolvidos em poucos anos. Reformar-se é um estilo de vida, faz parte da caminhada cotidiana de procurar, gradativamente, ser uma pessoa melhor em todos os aspectos. Como dizem as entidades: incorporar é fácil, incorporar os valores das entidades, é mais difícil!

Conforme seu esforço produza frutos, as pessoas reconhecerão sua mudança e te falarão sobre isso. Receba esses elogios como incentivo a continuar no processo, mas nunca pense que ele está completo: uma vida é muito pouco para conseguirmos, verdadeiramente, evoluir.

Haverá momentos em que você se sentirá cansado, que desejará parar, jogar tudo para o alto. Quando isso acontecer, não tenha receio em pedir um tempo para você. As entidades compreenderão e te darão este tempo. Contudo, quando você se sentir mais forte, não tarde em retornar ao trabalho e ao processo de edificação de um ser melhor dentro de si mesmo.

Lembre-se sempre que não se trata de uma competição: você não está disputando com as pessoas do terreiro para ver quem conseguirá evoluir mais. Você está batalhando consigo mesmo, com suas próprias sombras, seus “demônios internos” para ver quem vencerá: se o homem velho que você sempre foi ou o homem novo que você deseja ser.

A luta é inteiramente sua para consigo mesmo.

Até a próxima aula!

Leonardo Montes 




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sexta-feira, 22 de novembro de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 57 - FRATERNIDADE ENTRE TERREIROS

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De modo geral e, infelizmente, os terreiros permanecem isolados uns dos outros, como se cada um fizesse parte de um mundo totalmente diferente do outro. Assim, não é incomum encontrarmos casas que proíbem seus frequentadores de visitarem outros terreiros ou até mesmo expulsem membros que se arrisquem em fazê-lo.

Crescimento caótico

Como já estudamos, a Umbanda se expandiu de forma caótica no Brasil, isto é, sem um direcionamento por parte de uma liderança ou instituição. Basicamente, o processo de formação de novas casas se dava essencialmente por mudança de membros para novas cidades ou por cisões.

Eventualmente, um médium, por ocasião de trabalho, por exemplo, era transferido para uma nova cidade. Em lá chegando, procurava saber sobre a existência de algum terreiro e não encontrava. Assim, para não deixar de trabalhar, começava a receber seus guias em sua casa. Com o passar do tempo, mais pessoas chegavam e logo havia estrutura suficiente para abrir um novo terreiro.

Foi basicamente este o modelo que fez com que a Umbanda se espalhasse, gradativamente, pelo interior do país.

Contudo, às vezes, as pessoas divergiam, entravam mesmo em atrito e surgiam dissenções. Neste caso, um ou mais médiuns acabavam por sair do terreiro e fundavam, logo em seguida, um outro, com tudo aquilo que consideravam adequado e que o anterior não possuía.

Então, não apenas surgia uma nova casa, mas uma casa com diferenças em relação a primeira. Este procedimento, ao longo do tempo, produziu imensa variabilidade nas formas de se praticar Umbanda e gerou também seus efeitos colaterais.

Dirigentes que, por uma razão ou por outra, não concordavam com a forma da nova casa trabalhar, acabavam por criticá-la, abertamente ou não, apontando erros, perigos e mesmo incoerências neste novo terreiro.

Com razão ou não, o fato é que este comportamento desestimulava seus frequentadores de visitarem a outra casa, sob pena de saírem dela “com carrego” ou com algo negativo.

Cruzar linhas

É deste contexto que nasceu a expressão “cruzar linhas” como sinônimo de algo ruim. Como a dizer que quem encontrou o seu terreiro não deve visitar outro, sob pena de sair pior, de pegar energias ruins, de passar mal, etc.

Contudo, pergunto: independentemente das divergências humanas, todo terreiro sério não trabalha pela mesma causa, embora as maneiras possam ser diferentes?

Os guias que atuam no terreiro A, por acaso, seriam inferiores aos que atuam no terreiro B? Os consulentes que frequentam o terreiro A e recebem as graças que buscam, estariam privados de recebe-las se frequentassem o terreiro B?

Costumo dizer, em tom descontraído, que o “que cruza linha é pipa no céu”.

Os espíritos atuam em todos os seguimentos onde se façam necessários. Não importa que seja terreiro A ou B. Se necessário, os espíritos que habitualmente atuam numa casa vão mesmo auxiliar em outras, até mesmo fora do seguimento religioso, pois a solidariedade é um dos caminhos espirituais de evolução.

Portanto, não tenho a menor dúvida em afirmar que este conceito é errôneo e, mais, tem produzido, ao longo do tempo, divisionismos que não se justificam de forma alguma, fazendo que com os terreiros se comportem como pequenos feudos interessados apenas no que acontece em suas próprias terras.

Na melhor das hipóteses, os terreiros que proíbem seus membros de visitarem outras casas sofrem com excesso de zelo e, na pior, têm o desejo de controlar a experiência religiosa do outro, repetindo os mesmos erros que as velhas tradições religiosas repetem há milênios...

Experiência pessoal

Este divisionismo não está apenas na Umbanda, vários outros seguimentos sofrem com isso. Para ilustrar, contarei um caso pessoal.

Certa feita fui indicado, por um conhecido, a fazer um estudo sobre Obsessão Espiritual num pequeno centro espírita da cidade. Ninguém lá me conhecia.

Fiz o estudo e as pessoas gostaram muito. Ao final, os dirigentes da casa vieram conversar comigo, interessados em marcar uma nova reunião de estudos, procurando saber mais sobre mim.

Tudo ia muito bem até que uma senhora perguntou em que centro eu trabalhava. Respondi-lhe que em nenhum, dizendo que estudava o Espiritismo desde os meus 16 anos de idade, mas que estava em processo de desenvolvimento mediúnico num terreiro de Umbanda.

O susto foi geral. A conversa foi minguando, as pessoas procuraram outras para conversar e em poucos minutos me vi sozinho, indo embora praticamente ignorado por todos os presentes que, minutos antes, me cercavam...

Nunca mais recebi convite para retornar a esta casa.

Novo olhar

Eu ajudei a fundar um terreiro e trabalho em outro há quase três anos, ajudando nos trabalhos de desobsessão. Nunca me aconteceu qualquer aborrecimento sobre isso, pelo contrário, foi um pedido das próprias entidades e tem dado muito certo!

Todo terreiro trabalha pela mesma causa, assim, não há razão para proibir as pessoas de visitarem outras casas. Pelo contrário: isso deveria ser estimulado, pois fortalece a religião.

Em nossa casa, qualquer médium pode visitar outro terreiro e se julgar que servirá melhor nesta nova casa, poderá ficar, sem problema algum, sem qualquer ressentimento, pois todo terreiro sério é bom e se é bom merece nosso apoio.

Assim, conclamo, especialmente os dirigentes, a abrirem suas mentes sobre isso. Desde que as pessoas aprendam a respeitar cada terreiro em sua singularidade, será sempre uma experiência positiva conhecer outras casas.

Fraternidade

Dentro do possível, todo terreiro deveria ajudar outros terreiros, especialmente, se em dificuldade e isso por uma razão simples: trabalhamos pela mesma causa!

Recentemente, visitei um terreiro muito importante para mim, e lá soube, pelo dirigente, que estavam passando muitas dificuldades financeiras em razão de uma dívida.

Então, fiz uma pequena campanha junto aos membros da nossa casa e arrecadei quase duzentos reais para ajuda-los. Sei que foi uma pequena quantia, mas antes ter duzentos a mais do que a menos, não é?

Se os terreiros se visitassem e se auxiliassem, a religião como um todo se fortaleceria, os laços fraternais criados pelas casas, ainda que sejam de doutrinas diferentes, beneficiaria a todos por este elo de amizade e estima recíproca.

A religião é que ganharia com este novo olhar!

Até a próxima aula!

Leonardo Montes 

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quarta-feira, 20 de novembro de 2019

FIRMEZA PARA EXU


Firmeza feita em minha casa
Eventualmente, quando sinto necessidade (especialmente quando sinto que estou sendo atacado espiritualmente), faço uma firmeza para exu. Essa firmeza é bastante simples, mas nem por isso se torna menos eficaz. Ela contém todo o necessário para se estabelecer um ponto de força a partir do qual o exu evocado poderá nos ajudar.

Ela consiste, basicamente, no seguinte:

Um copo com marafo (ou a bebida típica do exu do médium);

Uma vela branca;

Um charuto;

Bastante fé e vontade!

Procedimento:

Procura-se o local mais próximo da rua, perto do portão de entrada ou, se não for possível, no quintal ou mesmo na varanda, se morar em um apartamento.

Ajoelha-se, orando mentalmente, pedindo a proteção de Deus e dos bons espíritos. Em seguida, coloca-se o copo no chão, derrame a bebida (não precisa encher o copo), acenda a vela o lado, acenda o charuto, puxando bastante para que queime bem. Em seguida, sopra-se três vezes a fumaça do charuto sobre a firmeza, deixando-o, por fim, em cima do copo de marafo.

Então, chame mentalmente pelo exu desejado (no caso, o exu do médium), pedindo sua assistência, proteção e amparo, mais ou menos nos moldes seguintes:

Saravá seu exu “fulano de tal”, peço a sua proteção essa noite (a firmeza deve sempre ser feita à noite, longe de olhares curiosos), para que com sua força e proteção, todo mal que haja nesta casa ou que queira me atingir possa ser desfeito. Confio em vossa força e agradeço vosso amparo. Salve, salve, saravá seu exu “fulano”, Deus lhe pague a caridade!

Em seguida, levanta-se e entre para dentro da casa, evitando sair na rua nesta noite ou ficar toda hora olhando a firmeza.

No dia seguinte, jogue a bebida na rua, o charuto e o restante da vela (se sobrar) no lixo, lavando o copo que, neste caso, deve sempre ser destinado a isso, não devendo voltar a fazer parte dos utensílios domésticos.

Esta é uma firmeza que pode ser feita por todos os médiuns ou consulentes que habitualmente se consultam com exus e que tenham, porventura, afinidade com um ou com outro.

Pessoas leigas ou despreparadas não devem fazê-la, pois podem estar oferecendo recursos energéticos a entidades que podem usá-los de forma negativa...

Nota: Quem me conhece sabe que não gosto de oferecer “receitas” sobre nada. Contudo, como as pessoas sempre pedem, descrevi como faço. Importa não esquecer que a forma visa sempre atender as necessidades de quem firma, sendo que cada pessoa encontrará a própria maneira. Este é apenas um exemplo!

Leonardo Montes 



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