sexta-feira, 11 de outubro de 2019

OS MALEFÍCIOS DA AMARRAÇÃO AMOROSA



Imagem do google
“Amarração amorosa” é o nome de um trabalho espiritual que visa unir duas pessoas que, por alguma razão, estão separadas. É uma intervenção direta no livre-arbítrio de uma das partes, forçando a mesma a aceitar uma união que, a rigor, de fato não gostaria.


Sua origem é incerta. O que se pode dizer é que a humanidade persegue este tipo de coisa há bastante tempo. Desde o “cinturão de Afrodite” às fórmulas mágicas da idade média, as pessoas, em todo mundo, sempre procuraram artifícios espirituais para conquistas sentimentais.

Contudo, neste texto, não examinarei as múltiplas versões que as amarrações possuem nos mais variados contextos. Vamos nos ater ao universo da Umbanda.

É incrível como, ainda hoje, as pessoas associem a Umbanda às amarrações. Eu já perdi as contas de quantas pessoas me procuraram, pelo meu trabalho na religião, pensando que talvez eu também fizesse amarrações.

Por esta razão, antes de continuar, é bom deixar claro que: Amarração não tem nada a ver com a Umbanda. E no decorrer do texto vou explicar os motivos.

Agulha no palheiro

Ainda hoje, encontrei na garagem da minha casa um pequeno panfleto de uma “vidente” muito conhecida na cidade e que vive colando cartaz em poste ou fazendo anúncios nas rádios (foi o que me motivou a escrever este texto).

Ela praticamente oferece todo tipo de trabalho, para o bem ou para mal, se apresentando como alguém capaz de tudo, até de “curar vícios”... Mas, se ela é tão boa assim, por que anunciar em tudo quanto é lugar? As pessoas não deveriam fazer fila para procurá-la?

Na verdade, encontrar alguém que realmente seja capaz de fazer uma amarração verdadeira é tão difícil quanto encontrar uma agulha em um palheiro.

A imensa maioria destas pessoas que anunciam no facebook, que colocam cartaz em postes, etc., são simplesmente aproveitadores que jogam com a ingenuidade e com o desespero alheio e tentam, com isso, ganhar algum dinheiro...

Não possuem, verdadeiramente, “taco” para trabalhos desta natureza!

Contudo, eventualmente, é possível encontrar algum médium que realmente seja capaz disso. Um médium que, de fato, tenha assistência espiritual para trabalhos desta natureza e que tenha realmente força para levar adiante um trabalho negativo assim.

Estes médiuns, contudo, raramente se dão a conhecer, por que sabem das consequências daquilo que fazem. As pessoas os procuram, eles não precisam de anúncio e geralmente vivem muito bem, pois recebem boas quantias em dinheiro para seguir neste caminho.

Médium das sombras

A mediunidade, a rigor, é uma faculdade neutra. Usá-la para o bem ou para o mal é algo que corre por inteira responsabilidade do próprio médium. Contudo, nenhum espírito reencarna com a tarefa mediúnica para fazer mal-uso da sua faculdade. Se vai por este caminho, é que resolveu abandonar o caminho da luz e seguir pela via das sombras.

A partir do momento em que o médium abandona o caminho da caridade, do sacrifício pessoal e da renúncia e escolhe a “porta larga” do mundo, vendendo sua faculdade para obtenção de lucros ou vantagens pessoais em busca das alegrias passageiras, ele atrairá para perto de si espíritos sombrios, com os mesmos interesses que ele.

Os guias espirituais sempre tentam de tudo para dissuadi-lo... Mas, a partir do momento em que ele realmente escolhe este caminho, eles simplesmente se afastam e a mediunidade do sujeito estará completamente dominada por entidades sombrias.

Estas entidades, a princípio, podem fazê-lo se sentir um verdadeiro mestre, um poderoso feiticeiro, contudo, apenas alimentam a ilusão e a vaidade. O médium passa a se sentir uma pessoa muito maior do que realmente é e cada sucesso de seus trabalhos apenas reforça sua tola vaidade.

Essa é uma estratégia muito eficaz destas entidades, que o iludem com as rédeas do poder, quando ele próprio se converte, na verdade, em escravo destas entidades.

Se o médium não mudar sua conduta, desencarnará em tristes condições, vindo a sofrer, no mundo espiritual, tormentos indescritíveis nas mãos daquelas entidades que, por muito tempo, pensou dominar.

Espíritos perversos

A maioria das entidades que atuam em trabalhos como as amarrações ou de natureza semelhante, são espíritos perversos, maldosos, inescrupulosos, completamente desordeiros e interesseiros.

Se você precisasse de algo, confiaria em alguém assim? Pois é o que as pessoas fazem quando procuram esses “pai de poste” para fazer algum trabalho negativo.

Esses espíritos atuam através dos médiuns apenas quando a causa lhe interessa, quando o pagamento lhe convém. É por isso que, a princípio, nenhum médium sério (é difícil falar em seriedade em casos assim, mas faltam termos melhores), aceita qualquer trabalho sem antes consultar as entidades sobre a possibilidade de êxito.

Estes espíritos, por serem muito inferiores, sabem que não podem tudo e sabem muito bem que não conseguem derrubar a todas as pessoas. Por isso, antes de aceitarem o compromisso, fazem uma prospecção da situação, investigam, analisam e então dão o seu veredito, negociando, inclusive o seu preço.

Sim, eles têm um preço.

O médium retira uma parte do lucro para si e, com a outra, compra os elementos necessários para a realização do trabalho e também separa parte do dinheiro para comprar o que há de melhor para estas entidades: compram as melhores bebidas, os melhores charutos, as melhores carnes, para que estas entidades, na hora certa, incorporem e se beneficiem de tudo isso.

Este é o grande triunfo para elas. Apegadas que estão à matéria, satisfazem-se da melhor forma possível, por vezes, pedindo drogas e até mesmo sexo, procurando, por alguns instantes, viverem como se ainda estivessem encarnadas...

Pessoa-alvo

É certo que todos somos imperfeitos, temos nossas brechas e, com frequência, cometemos nossos deslizes. Contudo, a pessoa-alvo de uma amarração precisa ser alguém bastante vulnerável energeticamente, espiritualmente e, pelo menos, com algum resquício de sentimento capaz de liga-la a pessoa contratante.

As entidades podem insuflar sentimentos, mas não podem plantar sentimentos. Infelizmente, já tive que dar essa má notícia a muitas mulheres: o marido pode até ser alvo de uma amarração e ela surtir efeito, porém, a pessoa-alvo tinha, pelo menos, uma pequena vontade de “cair”, do contrário, não haveria nenhum efeito...

Não se engane: pessoas caridosas e de fé não tombam por algo assim... Caem sempre aquelas mais fragilizadas emocionalmente, sem o escudo da fé viva e sem a proteção que o trabalho no bem nos confere...

Quando essas entidades sombrias encontram as brechas necessárias, imediatamente calculam quanto tempo levarão para conseguir o seu intento e é por isso que o prazo para o efeito do trabalho varia tanto.

Método

Eu não vou descrever o método material do trabalho que, frequentemente, beira o grotesco. Vou me ater ao método espiritual usado por essas entidades para conseguir que uma amarração se efetive:

Elas (e, sim, são mais de uma) se cercam da pessoa alvo e procuram influenciá-la energeticamente. Tente imaginar a vibração de espíritos desta categoria e tente imaginar o quão agradável deve ser permanecer o dia todo cercado por entidades maléficas.

É comum que, inicialmente, a pessoa-alvo sinta-se fraca, cansada, comece a ter problemas para dormir, etc.

Quando as entidades conseguem afetar energeticamente o alvo, começam a sugerir-lhe pensamentos, para que recorde da pessoa contratante (a imensa maioria dos casos se dão entre pessoas que já tiveram algum tipo de relacionamento no passado), procuram falar-lhe do passado, lembrando, a todo momento, a outra parte.

Como a pessoa-alvo já teve algum tipo de relacionamento prévio com a contratante (casos em que nunca houve qualquer tipo de vínculo anterior entre  ambos são extremamente raros, mas o método é o mesmo), as entidades passam a sugerir que se lembre dos momentos mais felizes, agradáveis e prazerosos que viveram juntos. Excita-lhe lembranças picantes, insuflam fantasias e procuram afastar seus temores.

Em resumo, é um processo hipnótico sob severa carga vibratória inferior.

Por este processo, dia após dia, esses obsessores freelancer’s, quebram a vontade da pessoa, fazendo com que não consiga pensar em nada mais a não ser no contratante do serviço.

Todos os setores da vida pessoal entram em declínio. Começam a surgir problemas familiares, no serviço, com os amigos, pois a pessoa-alvo, sob forte hipnose espiritual, deixa de lado suas tarefas ao passo que cresce em sua mente uma ideia fixa e obcecante: estar com a pessoa contratante.

É claro que, neste processo, mesmo sem qualquer respaldo espiritual por méritos próprios, sempre tentam intervir a seu favor seu próprio anjo de guarda, familiares espirituais que, por vezes, influenciam familiares encarnados para que busquem ajuda em terreiros, o que pode fazer com que este processo leve mais tempo do que previsto a princípio.

Contudo, no correr das semanas, se a pessoa-alvo não conseguir elevar seu padrão vibratório, não receber passes, não mudar a sintonia dos seus pensamentos, ela fatalmente cairá e, muitas vezes, acabará nos braços de quem a deseja.

Há outro detalhe: a amarração dura pouco tempo, pois se as entidades não estiverem em volta da pessoa, influindo energeticamente, ela começa a melhorar, recuperando sua vontade verdadeira. Para impedir isso, geralmente, o médium pede que sejam feitos pagamentos periódicos para “reforçar a amarração”...

Consequências

Estar sob a influência de espíritos nestes processos transforma a pessoa em um verdadeiro zumbi. Certa feita conheci um rapaz assim: não comia direito, não conseguia estudar, brigava com todo mundo em casa, se isolava cada vez mais, não queria sair do quarto, mentalmente preso a asfixiante ideia de estar junto a pessoa que contratou o serviço que, neste caso, foi ainda mais perversa, pois pediu uma amarração sem interesse real na pessoa, queria apenas vê-la se arrastar por ela...

Quando chega neste ponto, a pessoa praticamente perdeu controle sobre sua própria vida. Torna-se um “zumbi”, sem vida, frequentemente emagrecendo muito, fica pálida, sem força ou vontade para nada.

Eis o custo da amarração: consegue-se, muitas vezes, a pessoa amarrada. Mas, é bem isso: amarrada! Praticamente sem vida, sem vontade, uma caricatura da pessoa que um dia ela foi (isso os médiuns inescrupulosos não costumam contar).

Há algum tempo soube da história de um rapaz que fez uma amarração para um primo. Este resistiu o quanto pôde, mas por fim, acabou mantendo relação sexual com ele. Contudo, sentiu-se tão mal após o ato que acabou cortando os próprios pulsos, constrangido e envergonhado. Não morreu, mas foi por pouco...

Mas, e para quem faz, quais são as consequências?

É preciso lembrar que existe a Lei de Causa e Efeito ou Lei do Retorno, como muitas pessoas preferem chamar na Umbanda: o que fazemos, retorna para nós, em formas de bençãos ou sofrimentos, conforme a natureza de nossos atos.

Tanto quem faz a amarração, quanto quem pede uma, estará acumulando severas dívidas para si e que terão que pagá-las, nesta ou na próxima vida. É comum que estes médiuns digam aos seus contratantes que nada lhes acontecerá, que a dívida será só deles, que eles aguentam o “choque de retorno”, mas isso não é verdade.

Tanto quem faz o mal, quanto quem se beneficia dela, respondem perante as leis Divinas, cedo ou tarde. Imagine, por exemplo, o caso que citei acima, do rapaz que pediu a amarração do primo que quase se matou? Intervir no caminho das pessoas é algo realmente muito perigoso e de consequências imprevisíveis.

Conheci uma senhora que se gabava de ter feito amarrações, de derrubar inimigos, de colocar qualquer um de cama, etc. Quando a conheci, ela sofria com pressão alta, diabetes, teve um AVC, andava toda torta, mas ainda assim, se gabava de seus “poderes”.

Outra senhora, viva tão envolvida nesses trabalhos negativos que, um belo dia, as entidades se cansaram de seus petitórios sem fim e começaram a atacá-la. As próprias entidades que até então satisfaziam seus desejos, através do médium, disseram-lhe friamente que haviam se cansado dela e que agora iriam destruí-la. Ela chegou no terreiro tão perturbada que não conseguia formular, sequer, uma única frase... É o risco que se corre ao lidar com espíritos assim!

Aqui se faz, aqui se paga. Não há a menor dúvida!

Amarração x Umbanda

No começo do texto eu disse que a Umbanda não tem nada a ver com as amarrações e a razão é simples: a Umbanda é uma religião de paz e amor, liberdade e libertação, não cabem nela trabalhos que visem subjugar as pessoas por simples caprichos de pessoas emocionalmente comprometidas.

A rigor, quem pede por uma amarração são pessoas egoístas e narcisistas que ao invés de enxugarem as lágrimas no término de um relacionamento e seguirem adiante com suas vidas, param com tudo, afundando-se numa ideia obcecante de ter o outro a qualquer custo, gastando, não raro, verdadeiras fortunas para isso, gerando dívidas cármicas pesadíssimas...

A Umbanda não concorda com nada disso e, pelo contrário, trabalha frequentemente para desmanchar essas coisas, socorrer as vítimas e esclarecer os culpados, a fim de que evitem maiores dores e desilusões no futuro.

Contudo, a Umbanda ainda é uma religião muito pouco conhecida e, por isso, vários charlatães aproveitam-se disso para usar o seu nome ou mesmo o nome das entidades que se manifestam nos terreiros.

É por isso que se apresentam como “vidente espírita” ou “pai fulano”, “mãe cicrana”, escrevem nos panfletos os termos “espiritismo” e mesmo “umbanda”, pois como os leigos não conhecem bem a religião, isso passa alguma credibilidade.

Certa vez uma preta-velha me disse:

- Filho, o que você acha mais fácil? Escrever na porta de uma casa: Terreiro de Umbanda ou “faço magia negra”?

É claro que usar o nome da religião e jogar com a credulidade das pessoas é muito mais fácil, é pegar carona na ignorância e, ao mesmo tempo, no imaginário popular.

É por esta razão que muitos leigos associam Umbanda com as amarrações, embora, a religião nada tenha a ver com isso.

Leonardo Montes 



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