segunda-feira, 28 de outubro de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 46 - INCORPORAÇÃO

Imagem do google

A mediunidade de incorporação é o carro-chefe da Umbanda. É a mediunidade base, fundamental, sobre a qual a religião foi fundamentada, contudo, não é a única mediunidade com aplicabilidade na religião.

Definição

A incorporação é um tipo de mediunidade muito comum hoje em dia e consiste em ceder voluntariamente o corpo do médium para que um espírito possa agir através dele. Contudo, apesar do que possa sugerir o nome, essa ação não se dá com o espírito se apossando do corpo do médium, mas se ligando a ele através dos chakras.

São sete os principais chakras: básico (região genital), esplênico (região do baço), gástrico (região do umbigo), cardíaco (região do coração), laríngeo (região da garganta), frontal (região da testa) e coronário (topo da cabeça).

Estes chakras fazem a ligação entre o corpo espiritual e o corpo físico, além de controlarem os fluxos energéticos por todo o corpo. O estudo destes centros de força é muito importante para compreendermos a dinâmica energética do corpo humano.

Mecanismo da incorporação

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a incorporação é um processo desgastante não apenas para o médium, como também para a entidade que, normalmente, precisa baixar seu padrão vibratório (já que a maioria está alguns passos a nossa frente em termos de evolução), para se aproximar ao máximo possível da energia médium.

Eis outra razão pela qual é importante fazer o resguardo: se o médium de fato se resguarda, a sua energia estará mais alta, portanto, a entidade precisará fazer menos esforço para descer até o padrão vibratório dele.

Assim, quando o médium se concentra no momento de chamada dos guias, limpando sua mente de qualquer pensamento intruso, ele abre seu campo mental e energético para a aproximação da entidade.

Esta geralmente se coloca ao lado dele e inicia, por esforço da própria vontade, a ligação entre cada um dos chakras anteriormente mencionados.

Os pensamentos da entidade criam laços fluídos dos chakras dela própria e que se estenderão até os do médium. Essa ligação leva alguns segundos para acontecer e, enquanto acontece, causa algum impacto no médium, como arrepios constantes, falta de equilíbrio, tontura e mesmo alguns solavancos.

A última ligação a ser estabelecida é a do chakra coronário, onde ocorre a ligação da mente do médium com a mente do espírito. Portanto, a entidade não entra no corpo do médium.

A partir do momento em que os chakras estão conectados, a entidade conseguirá exercer algum controle sobre o corpo do médium. Assim, se for um caboclo, por exemplo, a entidade poderá bater a mão no peito e, na sequência, como um espelho, o médium refletirá a ação da entidade.

Se a entidade agacha para riscar seu ponto, o médium agachará também. Se a entidade fala algo, o médium repetirá o que ela disse. É isto, basicamente, o que se chama de incorporação, uma espécie de espelhamento das atitudes da entidade para que sua manifestação seja percebida, através do médium, no mundo material.

Incorporar cansa

A incorporação é uma atividade que consome muita energia. Por esta razão, o médium deve estar sempre atento à sua forma física, fazendo o possível para ter um estilo de vida saudável, alimentando-se bem e cuidando, igualmente, de seus pensamentos e sentimentos, para que estejam sempre sadios.

Após a desincorporação, o médium sentirá por alguns minutos o efeito do transe, razão pela qual recomenda-se que fique quieto em seu lugar, cantando pontos ou em oração, até mesmo para que as entidades façam alguma reposição energética a fim de diminuir o desgaste que, em todo caso, sempre haverá.

Este desgaste é natural, inerente ao processo e para ser vencido basta que o médium tome um bom banho após a gira, alimente-se de forma leve e depois durma tranquilamente (por isso não se recomenda fazer qualquer outra atividade após a gira, a cama deveria ser o destino certo de todo médium após a incorporação).

Incorporar toda hora

Um receio comum entre os candidatos ao desenvolvimento mediúnico é o de que perderão o controle sobre si mesmos, vindo a incorporar toda hora, em qualquer lugar, passando vergonha.

É preciso entender que o desenvolvimento mediúnico é o momento em que o médium é preparado para atuar de forma correta e sadia, para si e para os outros e que em nenhuma hipótese isso implicará em descontrole de si mesmo.

As pessoas que incorporam em todo lugar, na maioria das vezes, não estão incorporando nada, estão apenas em processos anímicos, seja pela ansiedade de concluir o desenvolvimento ou porque desejam ardentemente chamar a atenção...

Lembre-se do que estudamos anteriormente: a incorporação é desgastante para a entidade. Assim, elas não ficam afoitas para incorporar, quem geralmente fica é o médium.

Incorporar fora do terreiro

Como você deve imaginar, a incorporação é um processo delicado e que exige muita energia, preparo e, principalmente, ambiente. Incorporar fora do terreiro, que é um local energeticamente preparado para isso, é sempre um risco e só deve ser feito quando houver real necessidade e o médium possuir bastante experiência para isso.

Os riscos da incorporação fora do terreiro, incluem: ruídos e interferências energéticas que poderão fazer com que a incorporação não se dê de forma satisfatória; se o ambiente estiver carregado o médium pode terminar o trabalho passando mal, com dor de cabeça ou ânsia de vômito; o médium pode se sentir completamente drenado, muitas vezes, custando a permanecer de pé e, na pior das hipóteses, acabar recebendo um Kiumba (entidade perversa) fingindo ser um guia.

Por esta razão, deve-se incorporar fora do terreiro apenas em casos de extrema necessidade.

Finalidade da incorporação

A finalidade da incorporação é dar ao consulente a possibilidade de dialogar com um guia através de um médium. Por esta razão, trata-se de uma função sagrada e o médium que não honra este compromisso terá que prestar severas contas à justiça Divina.

É preciso nunca esquecer que lidamos com vidas no terreiro. Por vezes, os consulentes trazem questões complicadíssimas, esperando ouvir uma palavra amiga, acolhedora ou direcionadora da entidade, o que só será possível, justamente, através da incorporação.

Em suma, sua finalidade é: caridade!

Até a próxima aula!

Leonardo Montes

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