quinta-feira, 24 de outubro de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 45 - MEDIUNIDADE


TERCEIRA PARTE

Imagem do google
Mediunidade é uma capacidade humana comum, presente em quase todas as pessoas e que possibilita em algum grau receber a influência dos espíritos. Já o termo médium vem do latim (medium) e significa intermediário, aquele que está no meio, logo, o médium é alguém capaz de se comunicar com os espíritos.

Mediunidade, portanto, refere-se à capacidade humana de receber influências espirituais, enquanto o médium é alguém que, além da mediunidade comum, natural, presente em quase todos, possui maiores possibilidades de trabalho, sendo capaz de estabelecer um intercâmbio com os espíritos.

Assim, praticamente todas as pessoas possuem mediunidade, mas nem todos têm a capacidade de se tornarem médiuns.

Para compreender melhor este processo, pense na associação com o canto: em via de regra o ser humano fala (exceto os que possuem alguma limitação), todos podem cantar, mas raros possuem afinação para ter seu canto apreciado e raríssimos os que conseguem cantar de forma a impressionar a todos.

Com a mediunidade ocorre o mesmo processo.

A maioria das pessoas têm uma sensibilidade rudimentar, através da qual conseguem obter algum nível de contato com os espíritos, como receber a influência do pensamento do seu protetor espiritual, uma intuição ou mesmo algum pressentimento, o que ocorrerá sempre de maneira aleatória e esporádica.

Já o médium, além desses episódios aleatórios e esporádicos, conseguirá manter uma relação com os espíritos de forma mais proximal, intensa, capaz de produzir trabalho, especialmente, quando direciona seu potencial para a caridade e o bem.

E os missionários no campo da mediunidade, os que possuem mediunato, são aqueles que reencarnaram tendo a mediunidade como compromisso pontual de suas vidas e geralmente se destacam por serem médiuns excepcionais e raros.

Ao longo da história

Em praticamente todos os povos encontramos a figura do xamã, profeta, curandeiro, feiticeiro, oráculo, pitonisa, enfim, cada povo nomeou as pessoas que conseguiam estabelecer contato com os espíritos de uma determinada forma.

Pelo fato de encontramos registros de médiuns e seus trabalhos em praticamente todos os povos, podemos dizer, seguramente, que se trata de uma faculdade humana natural, presente em alguns indivíduos e disseminada por todo o mundo, embora a compreensão de sua fenomenologia se dê conforme as crenças de cada povo.

Sempre houveram médiuns e eles sempre desempenharam um papel muito importante em suas comunidades, razão pela qual se diz, sabiamente, que a mediunidade é um dom sagrado.

Os médiuns

A mediunidade é uma capacidade humana natural, como é a de falar, ouvir, ver, correr, desenhar, etc. Há alguns espíritos que desde cedo se dedicam, por exemplo, a música e fazem de suas vozes ou de suas habilidades com um instrumento musical um caminho para sua própria realização.

O mesmo ocorre com a mediunidade: existem espíritos que há séculos trilham por este caminho, o que explica as diferenças existentes entre as capacidades mediúnicas de cada um... Não se pode esperar de alguém que tenha vindo pela primeira vez em tarefa mediúnica o desempenho de um espírito que há centenas de anos lida com isso...

Assim, embora a mediunidade seja uma faculdade humana exercitável como qualquer outra, geralmente reencarnam com o propósito de atuarem como médiuns, espíritos que possuem severas dívidas com o passado. Almas que muito erram em suas encarnações passadas e que receberam da espiritualidade a oportunidade de fazer o bem usando da faculdade que possuem para edificar algo de bom na Terra.

Neste processo, muitas vezes, são auxiliados por espíritos superiores para que suas faculdades mediúnicas sejam “desabrochadas” ou mesmo fortalecidas, já que a reencarnação de cada espírito é cuidadosamente planejada, tendo em vista sempre o bom cumprimento da tarefa.

É por esta razão que o exercício mediúnico naqueles que de fato possuem esta possibilidade (e nem todos reencarnam para serem médiuns), se torna obrigatório, muito embora a tendência alarmante e cada vez mais comum, mesmo nos meios espiritualistas, em colocar a mediunidade como algo opcional.

Ora, Deus por acaso criou alguma coisa inútil na natureza? Quem tem pernas e saúde deve andar! Não fosse assim, Deus não daria pernas a alguém.

O mesmo se dá em relação ao potencial mediúnico.

Se alguém possui uma mediunidade a ser desenvolvida, deve entender esta mediunidade como parte essencial da sua vida, algo que jamais deveria se descuidar, fazendo o possível para ingressar numa boa casa de fé para que seja bem orientado e possa, realmente, fazer bom proveito da sua faculdade, sob pena de amargos arrependimentos futuros, caso não cumpra seu dever...

Tipos de mediunidade

Existem vários tipos de mediunidade, isto é, o intercâmbio entre os espíritos e o médium pode acontecer de formas diferentes, variando tanto em intensidade quanto em forma.

Contudo, como nosso curso é básico, comentarei somente a respeito das faculdades mais conhecidas:

Vidência – Ao contrário do que muita gente pensa, o vidente não é aquele que enxerga o futuro, mas quem possui a capacidade de ver os espíritos. Os médiuns videntes, conforme o grau da sua faculdade, podem ver desde flashs e vultos a uma entidade em perfeita conformidade, tal qual se estivesse vendo uma pessoa de carne e osso;

Audiência – Capacidade de ouvir os espíritos. Conforme o grau desta mediunidade, o médium pode ouvir como alguém que “tem a impressão de ouvir”, como uma voz interna que ressoa em sua mente a ouvir com exatidão como se fosse uma voz humana comum que escutasse com seus próprios ouvidos;

Incorporação – Esta mediunidade é o carro-chefe da Umbanda e é a capacidade de ceder voluntariamente o corpo para que um espírito se manifeste (falaremos mais dela no capítulo seguinte);

Psicografia – Capacidade que tem o médium de receber o pensamento do espírito e traduzi-lo em uma escrita, registrando em papel aquilo que o espírito lhe disse;

Cura – Capacidade que permite ao médium fazer uso da sua energia (fluido vital ou ectoplasma), acrescido da ação de um espírito, para que sua energia se transfira para outra pessoa, ajudando-a a restabelecer-se fisicamente e mentalmente.

Existem vários outros tipos de mediunidade, mas estas são os que mais despertam curiosidade nos leigos. A maioria dos médiuns possui uma, quando muito, duas modalidades diferentes de mediunidade.

Como saber se sou médium?

Em geral, as pessoas que possuem mediunidade a ser desenvolvida acabam percebendo isso por uma série de sintomas e fatos estranhos que lhes acontecem durante a vida.

Se possuem a vidência, por exemplo, passam a ver vultos ou a terem episódios esporádicos de percepção de espíritos;

Se possuem a audiência, em algum momento, começam a ouvir vozes;

Se possuem a incorporação, podem sofrer tremores, descontrole corporal, etc.

Contudo, não existe um conjunto sistemático de sintomas que alguém poderia apresentar para ser classificado como médium e há mesmo pessoas que possuem um potencial mediúnico e que nunca apresentaram sintoma algum.

Seja como for, o método mais comum na Umbanda para verificar a mediunidade em alguém é conversar com uma entidade.

Praticamente, qualquer entidade atuando em um terreiro sério tem a capacidade de perceber quem é médium e quem não é e, não raro, elas falam sobre isso com muita naturalidade, de forma que não há como ter dúvida a este respeito.

Ou seja: visite um terreiro, pergunte e você saberá.

Em geral, as pessoas que possuem o compromisso da mediunidade recebem intuições, sonham, são alertadas por amigos, vizinhos, pelas próprias entidades, caso visitem algum terreiro, de modo que só não seguirão por este caminho se de fato não quiserem.

Religião

A mediunidade pode ser exercida em vários contextos. A Umbanda e o Espiritismo são apenas dois caminhos que facilitam a vida do médium, contudo, cada um deve escolher o caminho que melhor lhe fale ao coração, de modo que sua mediunidade seja exercida sempre de acordo com suas próprias preferências, para que venha a produzir o máximo possível com o tempo que possui.

Caso a pessoa opte pela Umbanda, certamente, encontrará um contexto rico em estímulo e aprendizagem, onde encontrará a camaradagem daqueles que sabem mais e que lhe ensinarão a trilhar esta gloriosa jornada, transformando sua mediunidade em ferramenta de luz para aqueles que cruzarem seu caminho.

Até a próxima aula!

Leonardo Montes



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